Memórias esparsas – Flagrantes da Vida Real (Releitura Analítica)

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

A sorte serve-se, às vezes, dos nossos defeitos
para nos elevar. (FRANÇOIS, Duque de La Rochefoucauld –
*Paris, 15.09.1613; +17.03.1680).

“Memória como o único paraíso de onde não se pode ser expulso.”

1 INTRODUÇÃO – Inexistência de Total Saúde

Certamente não assiste razão a quem cogita na noção de uma humanidade dispensada de toda a doença, na ideal fruição de saúde. Contrariamente ao pretendido pela OMS (BUSS, 2000), ao prescrever ausência patológica total e gozo de bem-estar completo, sempre haverá um senão, seja um ai! no corpo ou mesmo um ui! na alma. Normalmente ocorre a afluência dos dois, via de regra multiplicados nos seus influxos negativos, ao residirem, sem nosso habite-se, tanto em meio corporal quanto no círculo anímico.

Este ponto é objeto de acuradas reflexões por parte de preclaras autoridades da Ciência Médica e seus esgalhos disciplinares e afins, merecendo ressalto o psiquiatra e pioneiro da Neurologia, facultativo estadunidense Walter Riese [Berlin, 30.06.1890; Richmond (Virgínia), 1976].

Em estudo de 1959 – A History of Neurology – como assinala aquele expoente, uma perfeita higidez física e mental faria menos rica a raça de hoje, porquanto um imenso campo de atividade lhe seria poupado e recusado.  Na intelecção de Riese, uma pessoa idealmente sã jamais nos ensinaria tudo de sua capacidade, até seu ponto maior de resistência, quando as moléstias, corpóreas e psíquicas, acham de acometê-la.

Entre vários exemplos reproduzidos pela História, sob tal aspecto, remeto-me a uma leitura feita na infanto-adolescência (a propalada aborrecência), salvante lapso rememorativo, na Nova Seleta, organizada pelo escritor cratense Romão Filgueiras Sampaio (18.11.1915 – 28.01.1994), sendo oportuno pinçar o caso de Helen Adams Keller (1880-1968), do qual procederei a relato ligeiro um pouco à frente, cotejando-a com Antônio de Araújo Costa Filho (2008), cujo Memórias Esparsas – Flagrantes da Vida Real termino de reler.

2 MEMÓRIA E REGRESSÃO

Aqui, procedo a uma digressão, em expediente mais parecido com um colchete ou até uma chave. Sem perder, entanto, o liame com as mencionadas defeituações materiais e da psique, peço a vênia do leitor para compor parêntese maior, a fim de me reportar à memória, cuja falta representa manifestação enfermiça peculiar, nas mais das vezes, à idade cronológica, sendo algo não muito fácil de entendimento, nomeadamente por parte de leigos nesta seara, conforme sou.

Nem todas as pessoas, evidentemente, são favorecidas com a propriedade de preservar e trazer à evocação certas situações de consciência há muito passadas e tudo aquilo quanto a elas está associado. Há algum tempo, exempli gratia, a pouco e pouco, me vinha o lapso de memória, o conhecidíssimo branco.

Agora, contudo, ao descer os degraus vitais, em obediência ao normalíssimo fim organísmico (consoante sucede com o fenômeno do nascimento) e ao qual a sociedade ocidental ainda não se habituou –  me aportam muitas dessas alvuras escurecedoras da lembrança, obstando-me o processamento dos dados.

Em sentença lapidar, de quando em vez repetida, Napoleão Bonaparte exprimiu: cabeça sem memória, cidadela sem guarnição. Entrementes, o escritor alemão, apreciado produtor do livro Titã e Héspero, João Paulo Frederico Richter, exprimiu a memória como o único paraíso de onde não se pode ser expulso.

A vida e a literatura estão, por conseguinte, pontilhadas de remissões a este conceito, e não somente renomeados autores, em todas as línguas literárias, registaram suas lembranças e as legaram à posteridade, pois, mesmo não sendo escritores de ofício, seres dotados desta faculdade, em quantidade considerável, assinalam, à farta, sua existência por intermédio da pontoação de suas recordações, editadas em receptáculo de papel e, hoje, em suportes eletrônicos.

Evocação, porém – é cediço – constitui circunstância complicada, supondo a manutenção de expressões anteriores, sua reprodução e revivescimento, bem como a própria localização. A faculdade da lembrança, decerto, não depende unicamente da mudança de elementos nervosos, mas reclama ligações dinâmicas entre estes. Assim, quanto mais se repetir a associação de tais componentes, tanto mais a ideia será preservada.

De tal sorte, este talvez seja o fenômeno explicativo de serem as evocações mais velhas as derradeiras a aparecer, pela via fenomênica da regressão, estádios já percorridos pela pessoa em seu desenvolvimento, em circunstâncias de estresse e experiências de conflitos interiores e externos.

Evidentemente, por ser fora de propósito, não alimento a tenção de ensaiar nesta senda na qual sou insipiente, pois contraposta aos meus assuntos de exame. Nada obsta observar, entretanto, a necessidade de a imagem recordada se confirmar como algo já conhecido.

3 HELLEN KELLER E COSTA FILHO

Dessa maneira, depois de tergiversar da temática principal ora sob relato, volto a Helen Keller, fecunda escritora dos EEUU, a quem um ataque de escarlatina tolheu a visão e subtraiu a audição, quando contava apenas um ano e sete meses e, no entanto, sob os cuidados de Anne Sullivan (1866-1936), aprendeu muitas línguas e História Latina, havendo escrito vários livros da mais distinta verve criadora, pintando paisagens e descrevendo sons. Com sua força de fé, revelada na autobiografia A História da minha Vida, disse haver criado seu mundo, pois, “[…] com visão, fiz para mim os dias e as noites, divisando nas nuvens o arco-íris e, para mim, a própria noite se povoou de estrelas”. (Apud LELLO & LELLO, 1983).

Transpondo, com efeito, todo esse balanço negativo, Helen Keller demonstrou na doença, imposta como um fado, a possível vertente perpétua de enriquecimento da Natureza. Daí a opinião de Walter Riese, há pouco expressa, para quem a noção do homem, do qual moléstia e padecimento estejam ausentes, será sempre imperfeita.

Ao proceder a um cotejamento de HK com Antônio de Araújo da Costa Filho, autor de Memórias Esparsas – Flagrantes da Vida Real (EDUECE-2008), vejo haver sido ele guardado pelo desvelo de sua família. Enriqueceu-lhe o caráter o fato de haver sobrelevado as limitações físicas, pois não teve a ventura de, na realidade do Tio Sam, deparar uma Anne Sullivan a lhe seguir os passos, alumiar-lhe a senda vital e a ele conceder os favores permitidos a Helen Keller, tornada paradigma de superação.

4 CONCLUSÃO – A Obra de Costa Filho

Ao considerar os comentários procedidos na seção imediatamente anterior deste curto escrito, nem  por isso, todavia, Antônio de Araújo Costa Filho deixou de se crer propício à vida, dignitário de sua condição humana, admiravelmente revelada nos exemplos da peleja, resignação e vitória, bem no espírito do pensamento de Walter Riese, consoante é expresso no esforço de açular a memória e ajuntar seus alfarrábios para reuni-los em um volume, denotativo do seu preparo intelectual, na constância da autodidaxia, sem ocorrer sub tegmini fagi da escola formal e com seu ror de limitações.

Autodidata e na solidão de suas faltas corporais, porém, alcançou mais este galardão, o qual, distante de ser um triunfo de Pirro, aflui à opinião rieseana, cuja ideia de homem, sem neste haver doença nem sofrimento, será perpetuamente inexata.

Costa Filho, nesta seleção de muito bem trabalhados escritos, demonstra, à exuberância, a aptidão humana do sobrepujamento, malgrado os desprovimentos orgânicos, na conquista de um de seus anelos desde há muito acalentado, fazendo-o – e isto é o mais relevante – de modo inteligente, tanto no conteúdo como no formato, legando-nos uma peça literária e artística de indiscutível valor, produzida no recôndito de seu corpo fisiologicamente defeituoso, no encoberto de sua alma vizinha da perfeição e nos escaninhos de um coração referto de amor.

REFERÊNCIAS

BUSS, Paulo Marchiori. Promoção de Saúde e Qualidade de Vida. Ciência e Saúde Coletiva. V.5.n.1, 2000, pp. 163-77.

COSTA FILHO, Antônio de Araújo. Memórias Esparsas – Flagrantes da Vida Real. Fortaleza: Editora da UECE (EDUECE), 2008.

LELLO, José; LELLO, Edgard (Dir.) Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro em 2 volumes. Porto: Lello & Irmão, 1983.

MESQUITA, Vianney. Arquiteto a Posteriori. Fortaleza: Imprensa Universitária – UFC, 2013. 252 pp.

RIESE, Walter. A History of Neurology. New York, MD. Publications, 1959.

Eleita e empossada a Diretoria da ACLP para o biênio 2020/2022

Prof. Marcelo Braga é o novo Presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

Em Assembleia Geral realizada na noite de quinta-feira, 08/10, em ambiente virtual, a Academia Cearense da Língua Portuguesa elegeu sua Diretoria Executiva para o biênio 2020/2022. Na ocasião, a chapa “ACLP Unida”, liderada pelo acadêmico Marcelo Braga, recebeu o assentimento unânime dos votantes (27 no total).

Após a abertura dos trabalhos, pelo Presidente Teoberto Landim, foi lida e aprovada a ata da reunião anterior, seguindo-se a tradicional “Hora do Vernáculo”, em que se discutem temas relacionados à Língua Portuguesa. A exposição, dessa feita, coube à Profª Ritacy Azevedo, ocupante da Cadeira 23, que discorreu sobre “Subordinação e coordenação, concessão e adversidade em coesões intra e interfrasais: uma reflexão”.

Em seguida, Teoberto Landim passou a condução dos trabalhos ao Prof. Myrson Lima, que presidiu a Comissão Eleitoral, integrada, ainda, pelas acadêmicas Regina Barros Leal e Eulália Leurquin. Coube a Myrson anunciar o resultado da votação, que apontou a totalidade dos sufrágios favorável à chapa única apresentada. Os votos haviam sido emitidos, durante todo o dia, por e-mail ou através do WhatsApp.

Proclamado o resultado, o Prof. Teoberto despediu-se da Presidência externando profundo agradecimento aos membros de sua Diretoria e a todos os acadêmicos que, ao longo do último biênio, prestigiaram as reuniões e demais atividades da Academia.

Na condição de ex-Presidente, o acadêmico Batista de Lima havia sido designado para dar posse, oficialmente, à nova Diretoria. Em breve mensagem, Batista ressaltou ser aquela a primeira solenidade de posse em formato remoto vivenciada pela ACLP. Agradeceu à Comissão Eleitoral por seu brilhante desempenho, desejou êxito à nova gestão e prestou homenagem a uma série de ilustres acadêmicos já falecidos.

Ao término da Assembleia, já na condição de Presidente, o Prof. Marcelo Braga dirigiu-se a seus pares, inicialmente, com palavras de agradecimento. Comprometeu-se a dar continuidade ao trabalho desenvolvido por seus predecessores no comando da Academia e se manifestou aberto a sugestões, sendo seu desejo agregar a experiência dos acadêmicos veteranos. Propôs que se formassem comissões para dar maior celeridade às tarefas e, por fim, conclamou à unidade, proposta contida no próprio título da chapa que liderou.

É a seguinte a composição da nova Diretoria da ACLP:

Presidente – Marcelo Braga
Primeiro-vice-presidente – Sebastião Teoberto Mourão Landim
Segundo-vice-presidente – Paulo Sérgio Lobão
Primeiro-secretário – Francisco Vicente de Paula Júnior
Secundo-secretário – Maria Margarete Fernandes de Sousa
Primeiro-tesoureiro – Sebastião Valdemir Mourão
Segundo-tesoureiro – Ana Vládia Mourão de Oliveira
Diretor de Publicação e Marketing – Italo Gurgel
Conselho Fiscal – Ritacy de Azevedo Teles; Maria Gorete Oliveira de Sousa; Antônio Vicente de Alencar

Hora do Vernáculo – A defectibilidade do verbo CABER

MARCELO, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 18

Antes de iniciarmos a análise sobre a possibilidade de se considerar, diferentemente das gramáticas normativas, o verbo CABER como defectivo, atenhamo-nos à origem da palavra defectivo.

Defectivo vem do Latim DEFECTIVUS de DEFECTUS (falha, fraqueza) – particípio passado de DEFICEREDE prefixo (separação) + FACERE (fazer).

De acordo com a Norma, são chamados de defectivos os verbos que não apresentam conjugação completa. Isso ocorre especialmente no presente do indicativo e nos seus derivados: presente do subjuntivo e imperativo. A maioria das gramáticas distribuem os verbos defectivos em três grupos, assim classificados:

1º Grupo – verbos que não apresentam a primeira pessoa do singular do presente do indicativo como abolir, colorir, extorquir, explodir

2º Grupo – verbos conjugados apenas nas formas arrizotônicas do presente do indicativo na primeira pessoa do plural e na segunda pessoa do plural como adequar, falir, precaver-se, remir

3º Grupo – verbos unipessoais e impessoais como miar, coaxar, chover, trovejar…..

Observação – alguns gramáticos apresentam os unipessoais e os impessoais como sendo o 1º grupo.

Exemplo de conjugação dos defectivos de 1º e 2º Grupos

COLORIR                                   ADEQUAR

COLORIR                                   ADEQUAR

PRES. DO INDIC.                     PRES. DO SUBJ.

Eu      ————–                    Eu —————-

Tu      colores                          Tu —————–

Ele     colore                            Ele ————— –

Nós    colorimos                      Nós adequamos

Vós    coloris                           Vós adequais

Eles   colorem                         Eles ————-

Por não se ter a conjugação da primeira pessoa do presente do indicativo dos referidos verbos, não se tem também a conjugação do presente do subjuntivo, haja vista ser derivado da primeira pessoa do presente do indicativo.

Quanto ao imperativo, os verbos do primeiro grupo poderão ser conjugados no afirmativo na segunda pessoa do singular tu e na segunda pessoa do plural vós, mas não no negativo, visto que o negativo se conjuga de acordo com o presente do subjuntivo sem a primeira pessoa. Já os verbos do segundo grupo apresentarão a conjugação no imperativo afirmativo apenas da segunda pessoa do plural vós. Assim fica a conjugação:

COLORIR                                                     ADEQUAR

IMPERATIVO AFIRMATIVO             IMPERATIVO AFIRMATIVO

Colore tu

Colori vós                                                 Adequai vós

Feita essa explanação acerca dos verbos defectivos, poderemos agora entender a defectividade do verbo CABER. Consoante o conceito de defectividade, a Gramática Normativa expõe que os verbos defectivos são aqueles que não apresentam conjugação completa. Essa não conjugação completa se dá por certos motivos como eufonia (colorir), homofonia (falir) e também pela relação semântica do verbo. É exatamente nessa relação semântica que o verbo irregular CABER poderia também ser classificado como defectivo.

O verbo CABER apresenta conjugação completa no presente do indicativo e, consequentemente, no presente do subjuntivo (tempo derivado da primeira pessoa do presente do indicativo). No entanto, não se conjuga no imperativo afirmativo nem no negativo, embora o imperativo afirmativo seja derivado das 2ª pessoas do singular e do plural do presente do indicativo e o imperativo negativo seja conjugado a partir do presente do subjuntivo sem a primeira pessoa. E isso se dá por qual motivo? Na verdade, pela semântica do verbo. Não há como mandar alguém caber em algum lugar, ou suplicar para que alguém caiba em algum lugar. A ausência da conjugação, no referido modo, não ocorre pelo não uso, como acontece, por exemplo, com o verbo PODER, o qual permite o emprego do imperativo pela sua diversidade semântica, mas pela ideia de sentido.

Conjugação do verbo CABER

PRES. DO INDIC.                               PRES. DO SUBJ

Eu      caibo                                     Eu caiba

Tu      cabes                                    Tu caibas

Ele     cabe                                      Ele caiba

Nós    cabemos                               Nós caibamos

Vós    cabeis                                   Vós caibais

Eles   cabem                                   Eles caibam

A volta ao de sempre

CLAUDER ARCANJO, Membro Correspondente da Academia Cearense da Língua Portuguesa

— Calma! Isso tudo vai passar.

Resolveu, então, ouvi-lo e resistir. As mazelas do isolamento consumiam-lhe o juízo, mas decidiu se submeter ao regramento imposto.

&&&

Certa manhã cobrou-lhe resposta, pálido e com as forças combalidas:

— Passou? Posso sair?

O amigo olhou-lhe com a ternura dos crédulos e asseverou:

— Logo, logo entraremos num novo normal. Nada será como antes. O sacrifício valerá a pena.

— …

Conteve o protesto; a engolir, cuspe amargo da revolta, o que sairia de sua boca após as reticências. E se enfiou, uma vez mais, na solidão.

&&&

Um ano depois a porta se abriu, e o seu amigo entrou, a anunciar:

— A cidade está livre! Novos dias, áureos tempos. Estamos em festa. A partir de agora nada mais será como antes.

Ele, então, fez a barba, aparou o bigode, vestiu o seu melhor terno, perfumou-se. Contudo, mal pôs os pés na rua, concluiu: “Estou de volta ao de sempre”.

“ACLP Unida”, a chapa completa

O Presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa, Prof. Teoberto Landim, recebeu nesta terça-feira, 15 de setembro, Requerimento no qual o acadêmico Marcelo Braga apresenta a composição completa da chapa “ACLP Unida”, por ele encabeçada, concorrente ao processo seletivo da Diretoria Executiva que conduzirá a entidade no biênio 2020/2022.

É o seguinte, na íntegra, o teor do documento:

REQUERIMENTO PARA O REGISTRO DA CHAPA

Ilmo. Sr.
Presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa

Senhor Presidente,

Eu, Marcelo Braga,  nos termos do Edital de Convocação da Eleição, publicado no dia 3/08/2020, conforme disposto em seu Estatuto, artigos 16 e 19, venho REQUERER, no prazo legal, a inscrição e o registro da Chapa ACLP UNIDA para concorrer ao processo seletivo da Diretoria Executiva da ACLP para o biênio 2020 / 2022. A chapa é composta pelos seguintes membros:

Presidente – Marcelo Braga
Primeiro-vice-presidente – Sebastião Teoberto Mourão Landim
Segundo-vice-presidente – Paulo Sérgio Lobão
Primeiro-secretário – Francisco Vicente de Paula Júnior
Secundo-secretário – Maria Margarete Fernandes de Sousa
Primeiro-tesoureiro – Sebastião Valdemir Mourão
Segundo-tesoureiro – Ana Vládia Mourão de Oliveira
Diretor de Publicação e Marketing – Italo Gurgel
Conselho Fiscal – Ritacy de Azevedo Teles; Maria Gorete Oliveira de Sousa; Antônio Vicente de Alencar

Nestes termos,
Pede deferimento.

Marcelo Braga

ACLP define data de escolha da nova Diretoria – Hora do Vernáculo discute BNCC

A Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) realizou nessa quinta-feira, 3, através de plataforma virtual, sua reunião ordinária do mês de setembro. Na ocasião, foi marcada para o dia 8 de outubro a realização da assembleia geral que elegerá a nova Diretoria da entidade para o biênio administrativo 2020/2022.

Na Hora do Vernáculo, a acadêmica Eulália Leurquin (Cadeira nº 33) apresentou trabalho de sua autoria e da confreira Margarete Fernandes (Cadeira nº 13) sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que define o conjunto de habilidades e competências a serem desenvolvidas por todo jovem brasileiro ao longo de sua vida escolar.

A BNCC começou a ser discutida em 2015, tendo recebido milhares de contribuições em consultas e audiências públicas. A sociedade participou com mais de 12 milhões de contribuições na primeira versão, sendo que metade delas veio de 45 mil escolas. Em 2016, a segunda versão viajou por todos os estados. Através de seminários estaduais, cerca de 9 mil pessoas, entre educadores e alunos, debateram o documento em detalhes. Em abril de 2017, a terceira versão foi entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE), que ouviu opiniões em uma nova rodada de seminários regionais. Por fim, em dezembro de 2017, a BNCC foi homologada pelo MEC e passou a vigorar em todo o Brasil.

Segue-se resumo da palestra de ontem, distribuído, eletronicamente, pela Profª Eulália Leurquin:

A Língua Portuguesa na Base Nacional Comum Curricular e implicações para o Ensino e Aprendizagem

  1. Considerações gerais sobre a BNCC

A  Base Nacional Comum Curricular (BNCC) “é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica” (BRASIL, 2017, p. 7).

A Língua portuguesa é um dos componentes curriculares, mas também é o idioma dos brasileiros. Ela faz parte da área Linguagens e suas tecnologias, juntamente com Arte, Educação Física e Língua Estrangeira (a língua inglesa). Na sua apresentação, o foco está no contexto social, alinhado aos cinco campos de atuação (Campo da vida cotidiana, artístico-literário, das práticas de estudo e pesquisa, da vida pública, jornalístico-midiático), onde acontecem as práticas sociais, mediadas pela linguagem em forma de gêneros textuais, semiotizados em textos (orais, escritos e/ou multimodais).

Com base nesta composição,  a centralidade do ensino e aprendizagem da língua portuguesa é o texto. Ele deve ser estudado nas práticas de linguagem (Leitura/Escuta, Oralidade, Produção de texto e Análise linguística/semiótica), também denominadas de práticas de linguagem ou Eixos, para desenvolver habilidades (há trezentas e noventa e quatro), articuladas aos objetivos previstos específicos para o Ensino Fundamental (temos dez). Dentre eles, destacamos:

Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem. (grifo nosso)

A proposta de ensino e aprendizagem da língua portuguesa ratifica um posicionamento já feito desde 1998 sobre a mudança da terminologia ensino da gramática para ensino de análise linguística. O argumento que dá base a esse posicionamento aponta para o fato de que o ensino da gramática distante da funcionalidade da língua não contribui para ampliar as competências comunicativas.

  • O ensino da Analise linguística/Semiótica

A atividade Análise Linguística/Semiótica se apresenta de maneira articulada com os dois eixos Leitura e Produção de texto. Esta articulação garante que o ensino da língua aconteça de maneira contextualizada porque a atividade de Análise Linguística/Semiótica 

 envolve os procedimentos e estratégias (meta)cognitivas de análise e avaliação consciente, durante os processos de leitura e de produção de textos (orais, escritos e multissemióticos), das materialidades dos textos, responsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se refere às formas de composição dos textos, determinadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióticos) e pela situação de produção, seja no que se refere aos estilos adotados nos textos, com forte impacto nos efeitos de sentido. (BRASIL, 2017, p. 77).

Portanto, três orientações são feitas:

  1. Formas de composição dos textos (coesão, coerência e progressão temática e ritmo, altura, intensidade, clareza de articulação, variedade linguística adotada, estilização etc. –, assim como os elementos paralinguísticos e cinésicos – postura, expressão facial, gestualidade etc);
  2. Estilo (léxico e de variedade linguística ou estilização e alguns mecanismos sintáticos e morfológicos);
  3. Textos multissemióticos formas de composição e estilo de cada uma das linguagens que os integram (cor, plano/ângulo/lado, figura/fundo, profundidade e foco, cor e intensidade nas imagens visuais estáticas, acrescendo, nas imagens dinâmicas e performances, as características de montagem, ritmo, tipo de movimento, duração, distribuição no espaço, etc).

De acordo com a BNCC, os conhecimentos grafofônicos, ortográficos, lexicais, morfológicos, sintáticos, textuais, discursivos, sociolinguísticos e semióticos estão concomitantemente, sendo construídos a partir das práticas de Leitura/Escuta e Produção de textos que oportunizam situações de reflexão sobre a língua e as linguagens

(…) em que  essas descrições, conceitos e regras operam e nas quais serão concomitantemente construídos: comparação entre definições que permitam observar diferenças de recortes e ênfases na formulação de conceitos e regras; comparação de diferentes formas de dizer “a mesma coisa” e análise dos efeitos de sentido que essas formas podem trazer/ suscitar; exploração dos modos de significar dos diferentes sistemas semióticos etc.(BRASIL, 2017, 79).

Sobre a dinâmica que move o ensino e aprendizagem da língua portuguesa, passaremos a tratar.

  • Os campos os conhecimentos linguísticos para o ensino de Língua portuguesa

Os campos os conhecimentos linguísticos relacionados a ortografia, pontuação, conhecimentos gramaticais (morfológicos, sintáticos, semânticos), entre outros são apresentados de maneira a articular habilidades, eixos e conhecimentos.

Exemplo 1:

Morfossintaxe

  • Conhecer as classes de palavras abertas (substantivos, verbos, adjetivos e advérbios) e fechadas (artigos, numerais, preposições, conjunções, pronomes) e analisar suas funções sintático-semânticas nas orações e seu funcionamento (concordância, regência).
  • Perceber o funcionamento das flexões (número, gênero, tempo, pessoa etc.) de classes gramaticais em orações (concordância).
  • Correlacionar as classes de palavras com as funções sintáticas (sujeito, predicado, objeto, modificador etc.

4.  Documento Curricular Referencial do Ceará

No Documento Curricular Referencial do Ceará (DCRC), ampliamos a tabela proposta pelo Ministério de Educação de forma a melhor contemplar a nossa proosta de ensino e aprendizagem da Língua portuguesa, conforme apresentamos:

Exemplo II:

  1. Componente
  2. Ano/ Faixa
  3. Campo de atuação
  4. Prática de linguagem
  5. Objeto de conhecimento
  6. Objeto específico
  7. Habilidade
  8. Competência específica
  9. Competência geral
  10. Interface com outros conhecimentos

(Eulália Leurquin e Margarete Fernandes)

Chapa “ACLP Unida” solicita registro

A Secretaria da Academia Cearense da Língua Portuguesa recebeu, nesta quarta-feira, dia 2 de setembro de 2020, solicitação de registro de chapa para concorrer ao processo seletivo da Diretoria Executiva que conduzirá a entidade no biênio administrativo 2020/2022. A chapa “ACLP Unida” está encabeçada pelo Prof. Marcelo Braga.

A Assembleia Geral para eleição de nova Diretoria será realizada no mês de outubro, em data a ser definida amanhã (quinta-feira, 3 de setembro), em reunião virtual marcada para as 20:00h. Nessa ocasião, o Presidente nomeará uma Comissão composta por três associados efetivos para dar encaminhamento ao processo eleitoral.

Segue-se transcrição do Requerimento endereçado hoje ao Presidente Teoberto Landim:

REQUERIMENTO PARA O REGISTRO DA CHAPA

Ilmo. Sr.
Presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa

Senhor Presidente,

Eu, Marcelo Braga,  nos termos do Edital de Convocação da Eleição, publicado no dia 3/08/2020, conforme disposto em seu ESTATUTO, artigos 16 e 19, venho REQUERER, no prazo legal, a inscrição e o registro da Chapa ACLP UNIDA para concorrer ao processo seletivo da Diretoria Executiva da ACLP para o biênio 2020 / 2022. A chapa é composta pelos seguintes membros:

Presidente – Marcelo Braga
Primeiro-vice-presidente – Sebastião Teoberto Mourão Landim
Segundo-vice-presidente – Paulo Sérgio Lobão
Primeiro-secretário – Francisco Vicente de Paula Júnior
Secundo-secretário – Maria Margarete Fernandes de Sousa
Primeiro-tesoureiro – Sebastião Valdemir Mourão
Segundo-tesoureiro – Ana Vládia Mourão de Oliveira

Nestes termos,
Pede deferimento.

Marcelo Braga