O registro fotográfico de um evento inesquecível

A posse de novos membros da Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) propiciou, no último dia 30 de outubro, a realização de um simpático congraçamento entre os acadêmicos, familiares e amigos. Na mesma ocasião, a ACLP prestou homenagem a personalidades do mundo da Educação e lançou a 14ª edição da revista “Vernáculo”.

O que se segue são imagens desse evento inesquecível, que teve como cenário o Ideal Clube, em Fortaleza. Entenda-se, de antemão, a impossibilidade de registrar, aqui, todas as presenças.

Alguns dos acadêmicos presentes e, à direita, os homenageados com a Medalha Cultural Hélio Melo: os professores Francisco Nazareno de Oliveira, Diretor-Geral do Colégio Master, e Otacílio de Sá Pereira Bessa, Diretor da EEM Adauto Bezerra.
Os dois homenageados com a Medalha Hélio Melo: Francisco Nazareno de Oliveira e Otacílio de Sá Pereira Bessa.
Acadêmico Myrson Lima e o Prof. Otacílio Bessa.
Acadêmico Paulo Sérgio Lobão e o Prof. Francisco Nazareno.
Prof. Francisco Nazareno e o acadêmico José Batista de Lima.
Novos acadêmicos: Frei Hermínio Bezerra Oliveira (Cadeira nº 27) e Raimundo de Assis Holanda (Cadeira nº 22) prestam juramento.
Acadêmicos Francisco Vicente de Paula Júnior, empossado na Cadeira nº 4, e Giselda de Medeiros Albuquerque.
Acadêmico Italo Gurgel, Diretor de Comunicação da ACLP; Prof. Teoberto Landim, Presidente da Academia; Prof. Francisco Nazareno de Oliveira e acadêmico Valdemir Mourão, 1º Vice-Presidente.
Em pé: acadêmicos Révia Herculano, Teoberto Landim, Valdemir Mourão e Giselda de Medeiros; sentados: acadêmicos Vicente Alencar, Tarcísio Cavalcante e José Ferreira de Moura.
Teoberto Landim, acadêmico Assis Holanda, Prof. Francisco Nazareno de Oliveira e acadêmico Marcelo Braga.
Acadêmicas Maria Luísa Silva Bomfim, Ana Vládia Mourão de Oliveira e Maria Gorete Oliveira de Sousa exibem exemplares da nova edição de “Vernáculo”.

 

 

 

Três novos membros tomam posse na ACLP

Frei Hermínio (Cadeira nº 27), Prof. Teoberto Landim e Assis Holanda (Cadeira nº 22).
Acadêmico Evaristo Nascimento, Francisco Vicente (Cadeira nº 4), e o presidente Teoberto Landim.
Acadêmico Myrson Lima, Prof. Nazareno de Oliveira, Prof. Otacílio Bessa e Teoberto Landim.

A Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) agregou ontem a seus quadros três novos membros titulares: Francisco Vicente de Paula Júnior (Cadeira nº 4), Raimundo de Assis Holanda (Cadeira nº 22) e Frei Hermínio Bezerra Oliveira (Cadeira nº 27). A posse teve lugar na noite de 30 de outubro, durante solenidade no Ideal Clube, em Fortaleza. O Presidente da ACLP, Prof. Teoberto Landim, transmitiu as boas-vindas aos novos acadêmicos e entregou as insígnias que os distingue, agora, como membros de um dos mais tradicionais e respeitados sodalícios culturais do Ceará.

Na mesma ocasião, a Academia fez entrega da Medalha do Mérito Cultural Hélio Melo a dois educadores cearenses que se destacaram por sua atuação profissional: os professores Francisco Nazareno de Oliveira, Diretor-Geral do Colégio Master, e Otacílio de Sá Pereira Bessa, Diretor da EEM Adauto Bezerra. Acompanhada de diploma, a Medalha traduz o reconhecimento da ACLP pelo trabalho em favor do enriquecimento cultural do Ceará. Os dois homenageados foram apresentados pelo acadêmico Paulo Sérgio Lobão.

Seguiram-se dois lançamentos. O acadêmico Valdemir Mourão fez a apresentação do livro “Da Espanhola ao Azulão”, coletânea de crônicas, contos e poemas, de autoria do Prof. Assis Holanda. Em seguida, o Diretor de Publicações da Academia, jornalista Italo Gurgel, apresentou a edição nº 14 da revista “Vernáculo”, órgão oficial da ACLP, que a partir de hoje passa a circular. Exemplares da “Vernáculo” serão encaminhados a colégios, bibliotecas públicas e instituições culturais do Ceará e de outros estados.

Além dos acadêmicos, um grande número de convidados participou do evento, que teve o acadêmico Marcelo Braga como mestre de cerimônia. Encerrado o ato solene, um jantar foi servido, em ambiente de confraternização e de reencontro entre amigos e familiares.

Nº 14 de “Vernáculo” será lançado no jantar comemorativo do aniversário

A Academia Cearense da Língua Portuguesa comemora, no próximo dia 30 de outubro, os 41 anos de sua fundação. A efeméride será assinalada com um jantar solene, no Ideal Clube, ocasião em que tomarão posse três novos membros efetivos. Também está previsto o lançamento da 14ª edição da revista “Vernáculo”, publicação oficial da ACLP, que tem promovido o diálogo com os diversos campos do saber da Língua Portuguesa, contribuindo para a formação intelectual e a reflexão crítica dos estudantes, intelectuais e professores.

De acordo com o Presidente da entidade, Prof. Teoberto Landim, os textos recolhidos nessa nova edição “reforçam práticas, recriam, criam, reiteram inovam e assumem sempre e cada vez mais o compromisso da Academia Cearense da Língua Portuguesa com os sujeitos de sua prática”.

Expressivo número de acadêmicos participa desse novo número de “Vernáculo” produzindo, com a variedade de textos, um painel representativo da própria composição da Academia, que reúne professores de Língua Portuguesa e de Literatura, gramáticos, jornalistas, poetas, contistas e ensaístas.

É a seguinte a relação de artigos e textos literários coletados:

ENSAIOS E ARTIGOS

  1. De Latim e Português: riquezas, graças, erros e contradições – Francisco Felipe Filho
  2. A leitura é fonte inesgotável de prazer – Regine Limaverde
  3. Ao pedagogo, com carinho – Ana Paula de Medeiros Ribeiro
  4. Gerúndio e gerundismo – Myrson Lima
  5. Numerais: grafia e uso – Myrson Lima
  6. Os vocábulos “tipo” e “claro” como marcadores discursivos presentes nas redações dos adolescentes – Marcelo Braga
  7. Tautologia – Valdemir Mourão
  8. Linguagem viva – José Ferreira de Moura
  9. O fluir do murmúrio – Batista de Lima
  10. Memórias esparsas: releitura analítica – Vianney Mesquita
  11. A arte de escrever – Anizeuton Leite

CONTOS

  1. A um passo da eternidade – Italo Gurgel
  2. A mulher nuvem – Clauder Arcanjo

POESIAS

  1. Dadaísta, graças a Deus! – Gorete Oliveira
  2. Em nome do filho – Gorete Oliveira
  3. Enquanto a pipa sobe – Gorete Oliveira
  4. Tolice – Maria Luisa Bomfim
  5. Depois do inverno – Ana Paula de Medeiros Ribeiro
  6. A festa da paisagem e o silêncio – Giselda de Medeiros
  7. No repleno do encontro – Regina Barros Leal
  8. Antítese – Regina Barros Leal
  9. À Alda Matos Bezerra Lima, mãe quase avó – Révia Herculano

DISCURSO

  1. Discurso de posse na Academia Cearense da Língua Portuguesa (31/10/2017) – Maria Margarete Fernandes de Sousa

Tributo a Jorge de Lima

Batista de Lima (Membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 36)

Jorge, essa esperança, que pões nos braços dos meus combalidos sonhos, é uma embarcação embriagada que se esqueceu do porto de chegada. Antevejo-me chegando por aí e encontrando Murilíssimo ao lado de Deus e tu latejando épico do lado esquerdo divino. Por aqui não está fácil plantar jardins além da dor, nem contar estrelas verdes que se banham no leite profundo que do sonho emerge. Dos porões dos teus versos uma capoeira trescala mitos entre a água do açude e o fogo da fornalha em que se enterram sete lastros de perguntas.

Alagado de Alagoas, mergulhaste no Rio, criando peles para um mundo órfão de texto e teto, quase incurável de incertezas. Nesta manhã umbrosa em que te escrevo, um sol apodrecido borra as margens que a aurora fluviou. E teus pés amarrados de certitudes e certidões não torcicolaram as atitudes. Por isso que, no calor do dia, interrogavas por que, maduros pelos dias, cambitávamos o sol e o sal da terra que nos viu ver a vez primeira. É que no profundo das coisas, coisas outras se erguem em pedidos de socorro, querendo a palavra teto, carapaça protetora para enfrentar o mundo.

É, de Lima, teus cantos doem, corroem e limam nossos nós. Tu vês que no grande ser profundo, a musa intacta dorme e muita coisa palustre e bela mostra sua garupa. Basta, pois, de tocares a campainha, se não queres ingresso na choupana do simples. Sou feito de palavras ancestrais que se vitimam diante de teu arcabouço de novos signos. Naquela terra que me viu brotar, os cavalos adivinham as chuvas, os galos marcam as horas e os sapos festejam as chuvas. Por isso que, se nesses verbos, de mim sinto falta, culpo teu estro que me manda suspender a frase e engolir a fala.

És inúmero em encantamentos, poeta. Esse despir-se das coisas te fez ilha, onde um copo de água te faz marinheiro num veleiro sem velas. Do teu peito de cordas, plangem as epopeias de um passado desenterrado. Não é fácil fluviar entre cardumes de mitos, por isso perco meus braços com o peso dos teus manuscritos. Afinal, nas águas que sobraças, dançam peixes devassados. Nas águas que te verbam tudo é lícito e sagrado. Nas águas que salitras, tudo redura de retornos.

Prezado esculápio, tua febre felpuda, toda vestida de tardes, é a mão pesada de Orfeu em delação de coisas findas. Por isso que nessas horas despencadas, abrimos nossos bolsos de condutas e liberamos as musas que acabamos por matá-las. Mesmo assim serás dia onde a noite for reinar, pois teus versos não se abatem onde há trevas, nem têm medo da carranca das lonjuras. Por isso que dorme e sonha, no dentro escuro do teu poema, uma vertigem de longo sono, amarrada no silêncio do semblante. Quando lambes a placenta do signo, um cavalo, todo feito de léguas, interpreta, lendo comigo os teus versos. Daí que são fiéis as palavras e as dores que me ligam a ti.

Estimado vate, também gosto da hospitalidade da poesia, com seus mares de símbolos latentes, neste mundo de aconteceres procelosos. Enquanto a grande noite não me golfar de sombras e terrores, vou por aqui roendo tua poesia pelas beiradas do verso. Se a noite e a floresta se deitam juntas nos teus versos é porque os soluços da treva procuram falar pela garganta das coisas. Acho culminante quando, do âmago do nada, extrais cordilheiras para o leitor escalar sem freios. Acontece que também há momentos em que teu verso é tão amargo que espanta os passarinhos que no estômago guardamos.

Senhor menestrel das figurações, plantaste eternidades nos teus roçados verbais, e agora colhemos os frutos, fora aqueles bicados por incertezas que perdemos tragados pela pressa. Na união dos teus palmares, aquele cordão que te ligou à mãe por lá te espera ligando o céu à terra. Quanto aos ocasos, por lá eles vagueiam pelas asas dos insetos. Lá uma noite perdida sai vagando montanha acima, gritando teu nome e repetindo teus versos. Tuas imagens e melodias dançando entre o épico e o lírico vão pintando este Brasil de caboclo de mãe Chica e pai João. Por isso, ao tentar atravessar esse caudaloso rio de imagens que criaste, quase me afogo no meio dessa multidão de mitos e metáforas que inventaste.

Querido amigo Jorge de Lima, assim como os generais, também foste partido quando partiste. Agora as raízes das tuas terras perderam a rega que teu gênio alumiava. E enquanto teus olhos me espiam tristes pelas frechas das oitavas, ainda rastejo rascunhando meus quartetos coxos e canhotos. Assim, as palavras me devolvem seus silêncios, todas rouquenhas de por ti tão possuídas.  Portanto vou agora olhar a lua no seu banho sobre as águas, enquanto as palavras descansam como noivas depois que se lançam no teu colo. Enquanto isso, vou amando as pessoas e utilizando as coisas que nos enganam com seus pelos. Agora que o sol se põe triste em despedida, quero te dizer que se um dia perguntarem pela floração do meu plantio de símbolos, vou dizer que foi por teres inventado as sementes que plantei.

Morre o Prof. Genuíno Sales, um apaixonado pela Educação

Faleceu sábado passado, 29 de setembro, aos 80 anos, o Prof. Genuíno Sales, ocupante da cadeira nº 23 da Academia Cearense da Língua Portuguesa, entidade que presidiu em duas ocasiões: entre 1994 e 1998, e de 2006 a 2008. Genuíno era membro, igualmente, da Academia Cearense de Letras (ACL), onde ocupava a cadeira nº 9, e sócio correspondente da Academia Piauiense de Letras no estado do Ceará. O sepultamento realizou-se, às 18 horas, no Cemitério Parque da Paz.

Genuíno Francisco de Sales nasceu em Pedro II, Piauí, no dia 15 de abril de 1938. Bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, em 1966, graduou-se em Letras, pela Universidade Estadual do Ceará, em 2001.

Foi professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira de vários colégios de Fortaleza. Também atuou como Diretor de Ensino da Organização Educacional Faculdade Farias Brito. Em seu discurso de posse na ACL, confessou: “Profissional da educação – tenho aprendido no Ceará mais do que ensinado. Ousei tornar-me professor do ensino médio porque amo a educação da juventude – meu maior ideal – minha induvidosa vocação. Há 50 anos vivo a emoção da certeza de que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. A juventude é a fase mais formosa da vida, é a vida no seu maior esplendor. A essência de todos os seus encantos. O vaticínio da perenidade do amor entre os homens.”

Poeta e contista, publicou os seguintes livros: Bem na safena, 2000; EntreMentes (poesias), 2003; Análise sintática (Caderno do Genuino), 2003; Os sertões, 2003; e Fins d´Água, 2005.

Prêmios, títulos e condecorações: I Concurso Ceará de Literatura, no gênero conto; título de Cidadão Cearense; Medalha do Mérito Renascença em grau de Oficial, do governo do estado do Piauí; Intelectual do Século, outorgado pela Prefeitura Municipal de Pedro II, Medalha do Mérito Cultural, conferida pela Câmara Municipal de Pedro II e notório saber pela Universidade Estadual do Ceará. Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 29 de junho de 2006, ocasião em que foi saudado pela acadêmica Giselda Medeiros.

A seguir, transcrevemos aquele que Genuíno, certa ocasião, considerou seu melhor poema:

PRESENÇA

Eu gosto de não te ver
para não sentir em vão
com tua presença esquiva
o pecado inevitável.

Eu gosto de não te encontrar
para não sofrer a tentação
do irrealizável.

Mas mesmo sem querer te vejo
e mesmo sem querer te encontro.
E se te vejo peco.

E se te encontro sofro
sofro e peco
porque a tua presença onírica
é a volúpia de minha solidão
na certeza do impossível
em que pulveriza meu sonho.

Hölderlin e dois sonetos decassilábicos

Hölderlin conseguiu sintetizar em sua obra o espírito da Grécia antiga.

Johann Christian Friedrich Hölderlin nasceu em 20 de março de 1770, em Lauffen, Alemanha, e morreu em 7 de junho de 1843, em Tübingen.

Amigo de Hegel e Schelling, na Universidade de Jena conheceu Schiller e Goethe. Tornou-se um dos grandes poetas de todos os tempos e, ao lado de John Keats, um dos mais influentes na modernidade. Com ele, a cristandade encontra a Hélade arcaica. Praticou, como poucos, a ode pindárica e os hinos órficos. O que era filologia clássica ou artifício poético consciente em Goethe e Schiller, transformou-se, para Hölderlin, em realidade. Seu classicismo parece mais real, porque o poeta acreditou, de fato, nos deuses e na interferência do destino. Como nos românticos, a natureza está presente em sua poesia, mas é uma outra natureza, ligada ao mundo mítico pagão da Grécia.

Aqui, o grande vate inspira, inicialmente, um soneto do poeta e diplomata Márcio Catunda, membro correspondente da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. No rastro dessa pequena joia, o poeta, escritor e jornalista Vianney Mesquita, membro da Academia Cearense de Língua Portuguesa, produz outro soneto, igualmente decassilábico, perquirindo a “versificação alentadora” do bardo amigo.

Hölderlin

Márcio Catunda

Hölderlin, em delírio, concebia
Os Alpes prateados como altares,
Tanto se dedicou à poesia,
Que fez dos deuses seus sublimes pares.

Com paixão férvida e neurastenia,
Sentiu a Grécia em todos os lugares.
Foi oráculo da mitomania.
Para Diotina fez os seus cantares.

De Empédocles veio todo o empenho
Começado na vida anterior.
Foi apenas um doido preceptor,

Conquanto demonstrasse o desempenho
De um mago celestial superior
Das benesses de Deus merecedor.

Hölderlin Catunda

Vianney Mesquita

Vê-se inopino em Márcio Catunda
Insuflação deífica, sedutora.
Metros de um bardo, medida fecunda,
De paz, à vida amarga concessora.

Em versificação alentadora,
Súbito alteiam a alma moribunda
Versos volantes, voz preceptora,
De rejeição à derrota rotunda.

De vez em quando supera Bilac,
E excede o percuciente Condillac,
A fim de agasalhar a glória fida.

Em fé cristã já se achegou a Isaac,
Fez bom liame com Honoré Balzac
E é dos melhores Hölderlins da vida!