Estrangeirismos:

Entre a assimilação acrítica e a rejeição peremptória

Italo Gurgel – Cadeira nº 17

“Você entra na fanpage da Rádio Beach Park, no Facebook, e envia sua playlist de sete hits musicais.” O recado é transmitido, toda tarde, repetidamente, pelo locutor daquela emissora.

O uso de estrangeirismos sempre motivou polêmicas. Apesar de aceitos passivamente pela maioria da população, há quem considere que os empréstimos linguísticos ameaçam a soberania da língua portuguesa, podendo empobrecê-la e dificultar a comunicação.

Não obstante a resistência, expressões alienígenas nunca deixaram de ser empregadas nos mais diferentes cenários e níveis do discurso. Isto é “bom”, ou é “ruim”? – Eu diria que isto é natural em alguns contextos; ridículo, em outros.

A incorporação de vocábulos estrangeiros a determinada língua é fenômeno ditado por contingências políticas, econômicas, geográficas e culturais. Decorre da dominação, explícita ou disfarçada, de um povo sobre outro.

Em Portugal, berço de nossa dulcíssima e sonora língua, assistiu-se, ao longo dos séculos, a sucessivas mudanças do padrão linguístico dominante, ciranda ditada pelos fatos históricos, socioculturais e políticos, modismos e avanços tecnológicos. As línguas celtas dos primórdios dobraram-se um dia ao Latim vulgar. Posteriormente, este acolheu influências mouras, plasmando-se mais tarde o português arcaico e, por fim, o português moderno, que guarda herança de todas as suas raízes.

Hoje, em Portugal como no Brasil, Angola, Moçambique e em todo o mundo lusófono, o Português sofre influência maciça do Inglês, em razão do poder econômico e ascendência cultural que os Estados Unidos exercem sobre boa parte do planeta, desde o término da 2ª Guerra Mundial. Em Portugal e em suas antigas colônias africanas, também não é desprezível a influência das novelas de televisão, que terminaram introduzindo gírias brasileiras no falar cotidiano, especialmente entre os segmentos mais jovens da população.

No Brasil, até onde se pode recuar no tempo, a contaminação mais forte sofrida pelo Português veio da Língua Geral, ou Língua Brasílica, do tronco Tupi, falada pelos colonos portugueses, durante muito tempo, em uma grande extensão da faixa litorânea. Adotada pelos Jesuítas, que a utilizaram no trabalho de catequização, ela acabou fragilizando-se e hoje é considerada extinta.

Desapareceu, mas deixou sonora contribuição, em especial no vocabulário ligado à fauna, alimentos e topônimos. Se examinarmos a lista das cidades cearenses, encontraremos: Abaiara, Acarape, Acaraú, Acopiara, Aiuaba, Apuiarés, Aquiraz, Aracati, Aracoiaba, Ararendá, Araripe, Aratuba, Assaré… 13 topônimos, somente na letra “A”.

Lembremos, igualmente, as influências africanas, que começaram a ser incorporadas quando o primeiro navio negreiro cruzou o Atlântico Sul: abadá, caçamba, cachaça, cachimbo, caçula, candango, canga, capanga, carimbo, caxumba, corcunda, dengo, fubá, macaco, maconha, macumba, marimbondo, miçanga, moleque, quitanda, quitute, tanga, xingar, banguela, babaca, bunda, cafundó, cambada, muquirana, muvuca…

O que pensar dessa contribuição? – Prefiro encará-la exatamente como isto: uma contribuição, um somatório, aporte enriquecedor, que veio tornar nossa língua mais exuberante, mais parecida com a nossa cara, ou seja, mais representativa da variedade ética e cultural que caracteriza a Nação brasileira. A miscigenação linguística aconteceu pari passu com a mistura de raças, o que somente fortaleceu a identidade nacional.

Em etapa posterior às influências indígena e africana, deu-se o desembarque dos galicismos. Buscando datar o início da presença, entre nós, de traços da francofonia, talvez possamos retroceder à época da Revolução Francesa, que teve forte impacto no processo de independência. Mais tarde, a “invasão” acentuou-se, através das sucessivas missões artísticas e científicas que visitaram o Brasil durante o Império. Finalmente, os eflúvios da belle époque vieram incorporar mudanças na arquitetura, na moda, nos costumes… e no vocabulário.

São abundantes as marcas do Francês em nossa língua. Podemos até agrupar esses empréstimos por área:

Arte e decoração: Avant-première, apothéose, ballet, crépon, crochet, croquis, corbeille, doublé, guirlande, hors-concours, marchand, marionnette, matinée, maquette, mise-en-scène, passe-partout, papier mâché, reprise, tournée, tricot, troupe, vernissage.

Cores: Bordeaux, beige, carmin, dégradé, fumé, lilas, marron, ton sur ton.

Esportes: Grand-prix, pivot, raquette.

Gastronomia: À la carte, buffet, baguette, bonbonnière, canapé, croissant, croquette, champignon, champagne, chantilly, couvert, crêpe, escargot, filet, frappé, glacé, garçon, mousse, menu, maître, omelette, pastel, purée, petit gâteau, pâté, rôtisserie, réchaud, rosé, sauté, soufflé.

Locais, móveis e objetos: Atelier, abat-jour, bouquet, bibelot, bidet, canapé, carnet, chalet, divan, cache-pot, crèche, guichet, garage, souvenir, toilette.

Moda e vestuário: Bustier, boutique, cache-col, chic, écharpe, godet, lingerie, maillot, maquillage, mousseline, nécessaire, organdi, pochette, prêt-à-porter, plissé, rouge, robe, soutien.

Sexo e prostituição: Bas-fond, boîte, cabaret, château, madame, ménage-à-trois, miché, travesti.

Transportes: Chauffeur, charrette, châssis, coupé, guidon, métro.

Movimento operário: Grève, sabottage.

Nos dias atuais, podemos considerar que os galicismos já foram assimilados, muitas vezes, com grafia e pronúncia adaptadas ao Português. Provavelmente, eles nunca encontraram resistência, até porque, desde o início, agregavam matizes daquele charme que Paris irradia. Utilizá-los emprestava, ao falante, distinção, finesse.

Cabe indagar o motivo da resistência que se percebe diante dos anglicismos. Afinal, empréstimos linguísticos não se constituem em novidade. Aqui, apenas mudou a origem geográfica e a sonoridade dos termos importados.

Na Universidade Federal de Mato Grosso, o tema inspirou dissertação de Mestrado, sob o título “Presença e uso de anglicismos no cotidiano brasileiro – a visão de pessoas comuns”. Em seu estudo, a mestranda Olandina della Justina observa, de um lado, uma maxivalorização dos termos anglófonos, ditada pela busca de identificação com “o outro” – no caso, uma civilização supostamente mais desenvolvida e com um status social e econômico superior. Trata-se de um “apelo esnobe”, marcado pela conformidade a um padrão de prestígio usufruído pela língua inglesa e seus falantes.

Em outra vertente, haveria forte influência dos veículos de comunicação, vistos como agentes disseminadores dos anglicismos. O vocabulário do locutor da Rádio Beach Park corrobora esta interpretação. Nos jornais e emissoras de rádio e TV, o uso contumaz do termo impeachment, em lugar de “impedimento”, denota a mesma opção preferencial pelo “produto importado”.

No contrafluxo dessa influência, tão passivamente acatada, surge uma corrente inspirada pela crítica ao imperialismo norte-americano, corrente que explora o sentimento nacionalista, interpretando a assimilação dos termos anglófonos como subserviência e aceitação acrítica da massacrante presença dos Estados Unidos em nosso País, através dos agentes econômicos, da música, do cinema, dos produtos industrializados, da gastronomia (se é que sandwich, hot dog e Coca Cola são itens gastronômicos!).

Alguns anglicismos foram aportuguesados – e até dicionarizados – como futebol, piquenique, pôquer… Aparentemente, não houve esforço, no passado, para substituí-los por termos locais. Ou então, as traduções propostas não vingaram. É o caso, em época mais recente, da invasão de expressões ligadas ao universo da informática: backup, blog, browser, chat, chip, download, drive, e-book, home page, link, megabyte, modem, mouse, on-line, scanner, site, underline, upgrade, wireless… A inexistência de termos que correspondam, em Português, a essas inovações levou a sua assimilação imediata.

O mesmo teria acontecido com o vocábulo drive-thru, que a grande maioria dos brasileiros é incapaz de pronunciar, e que designa uma inovação no mundo do comércio. Utilizado por farmácias e franquias de fast food, como McDonald’s e Habib’s, o drive-thru permite que o cliente, utilizando uma faixa especial de circulação, possa ser atendido sem sair do carro. O motivo de se manter, no Brasil, o nome que esse modelo de atendimento recebe em sua origem é o mesmo que leva qualquer língua, em qualquer lugar do planeta, a incorporar vocábulos estrangeiros que designam objetos e técnicas até então desconhecidos.

Exemplifiquemos o fenômeno: na língua indonésia, o termo que traduz “bandeira” é bendera (herança deixada pelos navegadores portugueses do Século XVI). Também no Indonésio, “mesa” se chama tabel (flagrante influência do inglês, incorporada quando os britânicos ali desembarcaram com aquele móvel, então uma novidade no arquipélago).

Situação diferente é quando empregamos vocábulos importados, em lugar de expressões do léxico português dicionarizadas e conhecidas por todos. São exemplos de termos invasivos, garimpados no vocabulário do comércio: delivery, ao invés de “entrega”; sale, usurpando o lugar de “liquidação”; 40% off, substituindo 40% “de desconto”.

Aqui, temos uma manifestação notória de anglofilia. Chamar adolescente de teen e espaço para crianças, de espaço kids; apelidar o intervalo do café de coffee-break, são atitudes que denotam deslumbramento – senão, pobreza de espírito – diante de uma espécie aviltante de invasão cultural. Estrangeirismos funcionais são bem-vindos em qualquer língua. Já a fetichização do inglês é sintoma de fragilidade cultural e carência de aas potências hegemônicas passaram a experimentar uma sobrevida cada vez mais breve. Hoje, o cenário político e econômico mundial se transforma em ritmo vertiginoso. Assim, é possível que o domínio norte-americano, de apenas 70 anos, esteja com os dias contados. Quem sabe, a próxima geração de brasileiros venha a confrontar-se com uma nova realidade. Diante da expansão econômica da China, pode acontecer que, dentro de alguns anos, ou em poucas décadas, tenhamos que incorporar, a nossa linguagem cotidiana, numerosos e intricados termos do… Mandarim.

Ortoepia

O termo ortoepia vem do grego (orthos, correto e épos, palavra). É, segundo Mattoso Câmara Júnior, a parte da gramática normativa que, levando em consideração o uso culto, a pronúncia tradicional e os traços fonológicos relevantes, determina e prescreve no âmbito da fonologia de uma língua a escolha entre as variantes livres dos fonemas (fazer, com um nítido /r/ pós-vocálico vibrante), a nitidez da articulação dos grupos vocálicos e consonânticos (inteirar, com o ditongo /ey/ nítido), os tipos de ligação que se devem fazer ou evitar (mal-estar, pronunciado com ligação /malestar/), as modalidades condenáveis de metaplasmo (próprio, sem a síncope do segundo /r/ ).

A ortoepia, grafia consagrada pela NGB, ou ortoépia, forma adotada por Mattoso e muitos gramáticos, faz parte, juntamente com a prosódia (que indica a tonicidade da sílaba), da ortofonia, capítulo da Fonética.

Eis alguns exemplos de vocábulos, que são comumente objeto de dúvida ou de desvio da pronúncia culta: ab-rogar (anular, suprimir); abóbada; abóbora (e não abobra); absolutamente; acerbo (é), apud Bechara – rigoroso, severo, duro; adaptar; adrede (ê); advogado; adivinhar; admirar; aleijado; amor; apodo (ô) – alcunha, apelido engraçado ; bandeja; bandejão; bebedouro; beneficência; beneficente; bodas (ô): bugiganga; caderneta; cantar; cabeleireiro; calvície (e não calvice); camundongo; canoro (ó); caranguejo; convalescença; cabeçalho; cateto (ê); cepo (ê) – pedaço de tronco de árvore; cepa (ê) – videira; cerebelo (ê) – parte do sistema nervoso; cérebro, (e não célebro); cetro (é); cinquenta; coldre (ó), segundo Aurélio; companhia; corno (ô), cornos (ô ou ó); cumbuca; decepcionado; desinteirar; delinquir (ü); disenteria; digno; digladiar; distinguir (e não distingüir); dolo (ó), segundo Aurélio; em que pese (ê) a – vogal fechada ( aconselha Evanildo Bechara); espécie (cii); estupro (estrupro = estrondo); empecilho; entreter (e não enterter); exangue (u não pronunciado); extinguir (u não pronunciado); fecha (ê); filantropo (ô); foro (ô); fórum (ó); fortuito; freada; gratuito; grelha (ê), segundo Aurélio; grosso (ó) modo (do); hilaridade (e não hilariedade); imprega (e não impreguina); indefesso (é) – infatigável; inexorável (x = z); inodoro (ó); iogurte (e não iorgute); intoxicado (cs); jabuticaba; lato sensu; meritíssimo; mesmo (e não mermo); meteorologia (e não metereologia); mortadela (e não mortandela); molosso (ô) – cão; obcecado (e não obicecado); misantropo (ô); muito; mulher; murchar; odre (ô); ouro; opa (ó) – capa; palimpsesto (ê)- papiro raspado novamente; paralelepípedo; paredro (é)- mentor, conselheiro; Peru (e aberto) – país; peru – ave; pneu; pontiagudo; propriedade; proprietário; psicologia; psicotécnico; privilégio; prostrado; queijo; redarguir (ü); reivindicar; retrógrado; sobranceira; registro (e não rezistro); ritmo; roubar; série (ii); superstição; sintaxe (x=ss); subsídio(ci); tábua; terçol; tóxico (cs); torso (ô) – busto ; trouxe; urbi et orbi (etórbi); virtuose (ô); xifópago (que apresenta duplificação do tórax).

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, (5ª.ed. 2009, Ed.Global), publicação da Academia Brasileira de Letras, consagra palavras com dupla pronúncia. Exemplos: aborígine, aborígene; ab-rupto, abrupto; acervo (ê ou é); algoz (ô ou ó), algozes (ô ou ó) ; ambidestro (ê ou é); avôs – os homens; avós – o casal; badejo (ê ou é); braguilha ou braguilha; cerda (ê ou é) – fios de que se fazem vassouras, etc; coeso (ê ou é); destra (ê ou é); efebo (ê ou é) – jovem, mancebo; entrevero (ê) – confusão entre pessoas, mistura; escaravelho (ê ou é) – vira-bosta; extra(s) (ê); Fênix (s ou cs); grumete (ê ou é); hexagonal (cs ou z); impigem ou impingem; interesses (ê ou é); máximo (ss ou cs); máxime (cs ou ss); obeso (é ou ê); obsoleto (é ou ê); poça (ô ou ó); subsistir (si ou zi); subsistência (si ou zi); traslado ou translado.

Há palavras que mantêm a mesma pronúncia, quando usadas no plural. Exemplos: acordo, acordos; algoz, algozes; almoço, almoços; bolha, bolhas; caolho, caolhos; corso, corsos; corvo (ô) – corvos; crosta (ô), crostas; engodo, engodos; esboço, esboços; estorvo, estorvos; molho (ô) – (tempero culinário); molhos; molho (ó), segundo Houaiss – pequeno feixe, molhos (ó); probo (ó), probos; rosto, rostos; rolo, rolos; Porto, Portos (ô) – nomes personativos; Socorro (ô) – Socorros (ô) – nomes personativos; suborno, subornos.

Existem palavras que passam a ter som aberto no plural, fenômeno chamado de metafonia. Exemplos: abrolho, abrolhos; caroço – caroços; coro – coros; despojo, despojos; desporto, desportos; destroço, destroços; fogo, fogos; forno, fornos; gostoso, gostosos; grosso, grossos; miolo, miolos; morno, mornos; reforço, reforços; poço, poços; porto, portos; povo, povos; rogo, rogos; tijolo, tijolos; socorro, socorros (ó); tijolo, tijolos; torto, tortos; troço (ô) (pedaço de madeira), troços; tropo (ô) (figura literária), tropos.

O afastamento do uso culto e tradicional conforme os ditames da ortoepia é chamado de cacoepia ou cacoépia.

O fato de a ortoepia tratar da pronúncia consagrada pela gramática normativa não significa absolutamente a estigmatização da variante popular perfeitamente aceitável e, muitas vezes, expressiva em determinadas situações de comunicação. A esse propósito, com muita sabedoria Oswald de Andrade registrou a linguagem espontânea e gostosa das pessoas simples e trabalhadoras:

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio

Para melhor dizem mió

Para pior pió

Para telha dizem teia

Para telhado dizem teiado

E vão fazendo telhados.

Oswald de Andrade

(Caderno do aluno de poesia. Globo, 2006)

Absolutamente

Significa completamente, ilimitadamente, inteiramente, de modo absoluto; de modo nenhum; de jeito algum; sem dúvida que sim; certamente que sim.

Atualmente este adv. passou a ser usado como partícula de reforço e outras vezes como simples negativa. É comum ser usado, na pronúncia, com uma 3ª tônica, incluindo um -i após a 1ª sílaba -ab (abisolutamente). Este procedimento é incorreto, porque se deve proferir o -b levemente (absolutamente). Exemplos:

1) – O que se espera dos atuais políticos

brasileiros? – Nada, absolutamente nada.

2) Não aceito absolutamente que você aja

dessa forma = de jeito algum.

3) – Você deseja passar no concurso?

– Absolutamente = sem dúvida que sim.

Silabada

Denomina-se silabada o erro de pronúncia resultante do deslocamento do acento. Em português, existem palavras com tonicidade na penúltima (a maioria), na última, ou na antepenúltima sílaba, como em fácil, cidade; vatapá, murici; pêndulo. São rotuladas de paroxítonas, oxítonas e proparoxítonas. É o chamado acento prosódico. Nem todas, no entanto, têm essa tonicidade representada graficamente. Na série acima, inexiste acento gráfico em cidade e murici.

A troca errônea do acento prosódico revela-se um fenômeno comum entre os falantes. Arrolamos alguns exemplos de pronúncias consagradas pela língua-padrão que são frequentemente objeto de dúvida, ou de erro (silabada): aziago (á) – de mau agouro; bênção (ê); ruim (im); rubrica (bri); fortuito (ui); circuito (ui); gratuito (ui); recém (ém); Nobel (el); cateter (ter) – instrumento tubular usado na medicina; ureter (er) – cada um dos canais que liga os rins à bexiga; têxtil (êx); recorde (cor); ibero (bé) relativo à Espanha, à Península ibérica ; novel (el) – novo; decano (ca) – o mais antigo no cargo ou na função; crisântemo (ân) – pequeno arbusto ornamental; Lúcifer (ú); filantropo (trô); ínterim (ín) – intervalo de tempo; batavo (tá) – holandês; masseter (ter) – músculo facial; pegadas (gá) – rastros; Gibraltar (tar); Niágara (á); anidrido (dri) – composto que deriva da desidratação de um ácido; tânatos (tâ) – a morte; aríete (rí) – máquina antiga de guerra; avaro (vá); maquinaria (ri) – conjunto de máquinas; maquinário (ná) – sinônimo de maquinaria; libido (bi) – energia que provém do instinto sexual; pletora (tó) – aumento de sangue que provoca distensão anormal nos vasos; policromo (cro); opimo (pi) – excelente; efebo (fê ou fé) – jovem, mancebo ; ciclope (clo) – figura mitológica de um olho no centro testa ; cartomancia (ia); ágape (á) – banquete; bávaro (bá) – natural da Baviera; pudico (di) – que denota pudor; impudico (di); quasímodo (sí) – monstro, indivíduo mostrengo; mercancia (ci) – comércio, negócio; tulipa (li); bímano (bí); égide (é) – proteção, apoio, amparo; prístino (ís) – antigo, primitivo, prisco; zéfiro (é) – brisa, viração, vento brando e agradável; trânsfuga (âns) – desertor; revérbero (vér) – luminosidade; sátrapa (sá) – tirano, déspota; druida (úi) – antigo sacerdote celta; végeto (vé) – vegetativo; forte; robusto.

Há palavras que, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (5ª. Edição, 2009), editado pela Academia Brasileira de Letras, são registradas com dupla grafia e duas pronúncias : a culta e a popular: tríplex ou triplex; dúplex ou duplex; xerox ou xérox; Oceânia ou Oceania; ômega ou omega – a última letra do alfabeto grego; boêmia (adjetivo), boemia (substantivo); zângão ou zangão; lêvedo (adjetivo), levedo (substantivo); zênite ou zenite (ni) – ponto em que uma linha perpendicular ao solo encontra a esfera celeste acima no horizonte; auge; culminância ; acróbata ou acrobata – equilibrista; projétil ou projetil (til); hieróglifo (ró) ou hieroglifo (gli) – escrita antiga dos egípcios; sóror ou soror (rôr) – freira, religiosa; resístor (í) ou resistor (ô) – componente elétrico; reostato ou reóstato – resistor usado para controlar a corrente elétrica em circuitos; edito (lei), édito (ordem judicial); alcíone (ave fabulosa, dos antigos; uma das sete estrelas das Plêiades), Alcione – nome personativo; sutil (til) – fino, quase imperceptível; sútil (ú) – cosido; réptil ou reptil; ambrósia – planta, ou ambrosia – manjar dos deuses, comida deliciosa; ortoepia ou ortoépia.

Enquanto a ortoepia se ocupa da reta pronúncia das palavras, a ortografia rege a correta escrita. A prosódia, que trata unicamente da acentuação tônica, constitui-se um capítulo da ortoepia. A silabada, por deslocar o acento, constitui-se erro de prosódia.

Prof. Myrson Lima – 28.9.2015

Boca quente

a) Significado: Lugar ou situação perigosa.
Exemplos: Rapaz, não vá para aquela favela, porque lá é boca quente.

O deputado enfrentou uma boca quente ao conversar com os eleitores.

b) Estrofe de Josenir Lacerda
Quem se mete em boca quente

Enfrenta risco e perigo

Está sujeito a uma surra

Ou mesmo ao pior castigo

Com encrenca se depara

Termina quebrando a cara

Ou arranjando inimigo.

Do tempo do bumba

No tempo do bumba meu boi.

a)Significado: De uma época muito antiga.

Exemplos: época dos bondes em Fortaleza; do tempo da escada rolante da Lobrás.

Tomar pega-pinto na Praça do Ferreira.

Lanchar no Abrigo Central

Comprar nas Casas Pernambucanas do centro da cidade.

Fumar cigarro Bebê

Tomar banho de chuva nas bicas da casa

Andar no Circular da Empresa Moreno.

b) Estrofes de Nezite Alencar (Academia dos Cordelistas do Crato) e de Pedro Fernando Malta

O que é “tempo do bumba”?

É tempo velho passado,

Aquilo que não é mais,

mas será sempre lembrado

Tudo que saiu de moda

E está no baú guardado.

Eu sou do tempo do bumba

Da rabeca e concertina

Do bota pó, tira pó

Da titia vitalina

Do tempo que se usava

No cabelo a brilhantina

Eita, eita pau e eita ferro

a) Significados
As três interjeições são usadas no Nordeste para exprimir espanto.

– Eita (sozinho) exprime espanto, surpresa, contentamento, vibração, estímulo.

Eita, vida. Eita, bicho feio. Eita Paraiba, mulher macho sim, senhor.(Luiz Gonzaaga)

– Eita pau ou Eita ferro

É também espanto, surpresa diante de algo ruim.

– Eita-ferro!

b) Estrofe de Dalinha Catunda da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – RJ)

Eita pau! Papai dizia,

Quando eu fazia besteira:

Esta menina levada

Vai entrar no pau pereira!

Batia, sim, sem ter dó,

Descia mesmo o cipó,

Nesta morena brejeira

Em riba

a) Significados
Riba é a margem elevada de um rio; colina sobranceira a um rio; ribanceira. No cearensês:

– Tudo em cima tudo bem, tudo certo?

Em espanhol também se diz.

– Além do mais é outro significado da expressão.

Exemplo:

Não me pagou, ainda em riba, me disse uns nomes feios.

b) Estrofes de Bastinha Job (Academia dos Cordelistas do Crato) e de Patativa do Assaré em
A Triste Partida:

Tá em riba é tá trepado

Aqui no nosso Nordeste

Um termo bastante usado

Na cidade e no agreste

Tô em riba, tô por cima

Trepo no metro e na rima

E não há quem me conteste.

Em riba do carro

Se junta a famia;

Chegou o triste dia,

Já vai viajá.

A seca terrive,

Que tudo devora,

Lhe bota pra fora

Da terra natá.

Catrevagem

a) Origem:
Derivado de Catervagem, de caterva (grupo de pessoas, de animais ou de coisas. De pessoas ordinárias, desordeiras, malta, súcia. Caterva, em latim, eram as hordas dos bárbaros em oposição às legiões romanas. Vergílio emprega também no sentido de esquadrão de cavalaria.

b) Dois sentidos:
– grande quantidade de objetos; sobras de material de construção; sucata; objetos inservíveis. Coisas em desuso, sem serventia. Resto de trecos velhas reunida em determinado lugar.

– Mulher feia, magra, desarrumada, que ninguém quer mais.

Estrofe de Carlinhos Cordel

Descontração, brincadeira

Lá se chama fuleragem

Também algo que não presta

Porcaria ou catrevagem

O Ceará tem cultura

E uma bela linguagem.