EDITAL 05/2017 – ACLP – VAGA nas cadeiras 13 e 27

ACADEMIA CEARENSE
DA LÍNGUA PORTUGUESA (ACLP)
EDITAL 05/2017

DECLARAÇÃO DE CADEIRAS VAGAS E ABERTURA DE INSCRIÇÕES DE CANDIDATOS PARA PREENCHÊ-LAS

A ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA (ACLP), conforme o disposto em seu Estatuto, aqui representada por seu presidente Sebastião Valdemir Mourão, declara vagas as cadeiras 13 e 27 e abre inscrições para preenchimento das referidas cadeiras, conforme regulamentação a seguir: 1) Para ser eleito associado efetivo, deverá o candidato a) ser residente e domiciliado no Estado do Ceará; b) ter boa conduta; c) concordar com o Estatuto e com os princípios nele definidos, mediante declaração de que o leu no Site ou Blog da Academia Cearense da Língua Portuguesa: aclp1977.blogspot.com.br; d) haver publicado trabalho de natureza gramatical, filológica ou linguística sobre a Língua Portuguesa ou apresentar produção científica e literária que prime não só pelo ponto de vista da expressão linguística portuguesa, mas também pelo valor científico e criatividade literária, de méritos a serem arbitrados e mensurados por comissão mista instituída pela Academia para esse fim. 2) – A proposta para a admissão de associado será apresentada por 3 (três) associados efetivos entregues no ato da inscrição. 3) – À proposta serão anexados os trabalhos do candidato e seu curriculum vitae. 4) – A proposta terá entrada na Secretaria da ACLP em Fortaleza, no Palácio da Luz, nº 1, Centro, até 20 de setembro de 2017, das 9 às 16 horas. 5) – O candidato proposto apresentará o comprovante bancário de pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), no Banco do Brasil, agência 3296-4, poupança, com variação 51, conta 300.000-1 em nome da tesoureira Giselda de Medeiros Albuquerque ou pagá-la no ato da inscrição. 6) – Deverá preencher, no ato da inscrição, uma ficha e assinar declaração de que se compromete a frequentar anualmente no mínimo 50% (cinquenta por cento) das reuniões ordinárias mensais e solenes, salvo em caso de justificativas por razões de saúde, aprovadas em ata, e a manter as mensalidades em dia, nunca ficando inadimplente por mais de seis mensalidades, sob pena de perda da condição de acadêmico da ACLP, conforme normas estatutárias.

 

Fortaleza, 21 de agosto de 2017.
Sebastião Valdemir Mourão
Presidente da ACLP

Palíndromos

                                        Ítalo Gurgel – Cadeira nº 17

Os palíndromos são palavras ou frases que podem ser lidas da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, sem alterar o sentido. Exercitá-los é mais uma forma de interagir com a palavra.

Um dos palíndromos mais antigos está em latim: “SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS” (O lavrador diligente conhece a rota do arado”). Este é considerado um palíndromo perfeito.

O maior palíndromo que se conhece é a palavra finlandesa SAIPPUAKIVIKAUPPIAS, de19 caracteres, que significa “vendedor de soda cáustica”. Já a palavra palindrômica mais extensa do nosso idioma é o superlativo de omisso, OMISSÍSSIMO.

Seguem-se frases palindrômicas:

  • A CARA DA JARARACA.
  • A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA.
  • A DROGA DA GORDA.
  • A MALA NADA NA LAMA.
  • A SACADA DA CASA.
  • A TORRE DA DERROTA.
  • ALI, LADO DA LILA.
  • ANOTARAM A DATA DA MARATONA.
  • ASSIM A AIA IA A MISSA.
  • ATACA O NAMORO.
  • LIVRE DO PODER VIL.
  • LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL.
  • ME VÊ SE A PANELA DA MOÇA É DE AÇO MADALENA PAES, E VEM.
  • MORRAM APÓS A SOPA MARROM.
  • O CASO DA DROGA DA GORDA DO SACO.
  • O CÉU SUECO.
  • O GALO AMA O LAGO.
  • O GALO DO LAGO.
  • O LOBO AMA O BOLO.
  • O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO.
  • O VÔO DO OVO.
  • OH, NÓ DE MARA MEDONHO!
  • OH, NOSSAS LUVAS AVULSAS, SONHO.
  • OVOS NELE, HELEN SOVO!
  • RIR, O BREVE VERBO RIR.
  • ROMA É AMOR.
  • ROMA ME TEM AMOR.
  • SÁ DA TAPAS E SAPATADAS.
  • SAIRAM O TIO E OITO MARIAS.
  • SECO DE RAIVA COLOCO NO COLO CAVIAR E DOCES.
  •  SOCORRAM-ME, SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS.
  • SUBI NO ÔNIBUS.
  • ZE DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ.

Alternativa

                       Vianney Mesquita*

*Acadêmico ocupante titular da Cadeira número 37, cujo patrono é Estêvão Cruz.

Consoante expressamos, em razão do largo e inadequado uso da dicção alternativa e suas variações cognatas, com acepções distintas daquelas que realmente conotam, impende tomar-se em consideração a ideia de que alternativa provém de alter (Latim) = outro, outra.

            Por conseguinte, existe, tão-só, UMA alternativa.

            Diz-se, em Português correto, a alternativa é esta, de sorte a não se cogitar em (cogita-se em) diversas alternativas, num “leque” de alternativas (Proh pudor!), porquanto, por definição, o vocábulo corresponde à Sucessão de duas coisas reciprocamente exclusivas, isto é, uma opção entre duas coisas.

            Efetivamente, pois, a opção – não sendo uma coisa – será a outra (alter), a alternativa.

            Opção será, pois, a alternativa para eliminar as construções frasais equivocadas, feitas, amiúde, a contrapelo das regras da Língua, desprezando, in casu, a procedência glossológica da palavra.

            Nascer morto

            Quiçá inglória seja nossa luta em objeção a expressões desse jaez. Todo o Mundo, até o escrevinhador da língua culta, como adiantamos há pouco, suporta, aceita e aplica palavras e expressões sem qualquer consistência glotológica. Pouco se lhe dá se está ou não depauperando a língua do Prof. Dr. Horácio Dídimo.

            Muita vez, são expressas até antíteses violentíssimas, como na consagrada (miserável consagração!) – e universalizada nas línguas românicas – dicção NASCER MORTO, utilizada pela Bioestatística, até em mensagens de lavra e responsabilidade estatais, no Brasil.

            Se NASCER significa, conceitualmente, começar a ter vida exterior, vir à luz, enxergar a luz, como pode alguém NASCER MORTO? Nascer, então, é o mesmo que morrer?

            Diga-se, por conseguinte, a mulher pariu um feto sem vida, delivrou um corpo morto, ou algo semelhante. NASCER, por conseguinte, foi, é e será, indefinidamente, o antônimo perfeitíssimo de morrer.

            Lamentavelmente, com alternativa, ainda alimentamos expectativa; com relação a nascer morto, entretanto, parece estar a “guerra” definivamente perdida, a não ser, entre nós do Ceará, com o adjutório da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

            Entre xis e ípsilon ou de xis a ípsilon?

            Eis a derradeira demonstração de emprego atrapalhado de expressões, na indicação, notadamente em trabalhos universitários, de intervalos de duas grandezas ou coisas.

            É necessário enxergar-se a grande diferença bem visível nas duas dicções, no caso, exempli gratia, de se apontar intervalo etário.

 Ao se expressar a ideia de que as pessoas ouvidas na pesquisa revelaram nas respostas idades de 28 a 40 anos, evidentemente, se depreende que os números lindeiros, as idades-limite inferior e superior, onde estão contidos 28 e 40, são 27 e 41 anos, isto é, aqueles que têm ENTRE 27 e 41 anos, na realidade contam DE 28 A 40 anos.

 Muitas vezes, os pesquisadores expressam que as crianças do seu experimento, por exemplo, nasceram entre 2011 e 2012, tal significando dizer que ainda não nasceram, porquanto, ENTRE 2011 E 2012, nada existe.

Então, rematando o caso, ENTRE os anos de 1927 e 1946, estão os períodos DE 1928 a 1945, não, como é constante e equivocamente apontado. ENTRE e E (aditiva) são intervalos de fora, e não devem ser contados, ao passo que DE-A hão de ser considerados.

De tal sorte, DE XIS A ÍPSILON # de ENTRE XIS E ÍPSILON.

Uso do ‘a’ ou ‘há’

Prof. Mourão – Acadêmico da cadeira nº 19, cujo Patrono é José de Sá Nunes.

 

  • Use há: a) quando indicar tempo decorrido, passado; quando equivalente a faz; b) quando for verbo haver no sentido de existir. O certo é, então: há dez dias, há duas semanas, porque há já quer dizer tempo passado, tempo passado, atrás. Ex.:

1) Não a vejo há mais de uma semana.

= Não a vejo faz mais de uma semana.

2) Há muitos torcedores no estádio.

= Existem muitos torcedores no estádio.

3) “Há bem pouco tempo que existiam ainda em certas ruas desta cidade cruzes negras pregadas pelas paredes de espaço em espaço.” = tempo decorrido. (Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias).

  • Use a: a) quando indicar tempo futuro; indicar distância, medida; b) quando admitir substituição pelas preposições em ou com. Ex.:

1) Eu confessarei tudo daqui a dez dias (tempo futuro).

2) Minha casa fica a duas quadras daqui (distância, medida).

3) Minha casa fica a três km do centro (distância, medida).

4) Estarei aqui a tempo para assinar o documento (em tempo, com tempo).