Beija-flor

Regina Barros Leal (Membro titular da ACLP – Cadeira nº 24)

Contemplo os pássaros, espargindo alegria
São os beija-flores! Que no canto, encantam!
Descobre-se, no voo, o belo em perfeita harmonia
Como os amores eternos, que nos alcançam e fascinam

As rosas exalam o perfume, o aroma perfeito
Os pássaros sorvem o néctar, com delicadeza
O belo se expande, no magistral pleno feito
A natureza expressa a inspiradora beleza

 Diante desse espetáculo, face ao seu esplendor
Contemplo, em êxtase, o mistério infinito
E as lágrimas mergulham no oceano do amor

 Assim, elevada, escrevo sonetos e lindas canções
Exalto a vida, o cosmo, o universo, a infindável grandeza
Vivendo no agora, registro o poético, das sutis emoções

Dois sonetos decassilábicos de Vianney Mesquita

Até mais, 2018 – Benvindo, 2019!

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37, tendo como patrono Estêvão Cruz.

“O dente do tempo rói”. Péssima metáfora, pois o tempo,
velho como já é, já não tem um dente sequer!
(Heinrich Heine. Poeta romântico alemão. Dusseldorf, 13.12.1797; Paris, 17.02.1856).

Ide sozinho, desacompanhado
Do vosso antecessor, meio aziago,
Dois mil e dezessete, um vero estrago
No sonho por bilhões acalentado.

Por terdes mil desditas superado
Eu de vós fiz um junguiano imago
E, a três dias do final, divago
Acerca do bem que haveis operado.

Sem, por demais, me pretender afoito,
A mim nesta passagem o que me move
É de todos vontade, à qual dou coito:

Que tais razões a Providência aprove.
Até mais ver-vos dois mil e dezoito!
Benvindo sois, dois mil e dezenove!

Imponderabilidade
(Para o Filósofo Prof. Dr. Auto Filho)

Márcio Catunda – quadras / Vianney Mesquita – trísticos

Não tenhas a curiosidade de conhecer as coisas ocultas.
 (SANTO ISIDORO. Cartagena – Espanha, 560; Sevilha, 636).

Tragam-me as teorias da Ciência
Para explicar a vida, esse mistério.
De cismar no problema da consciência
Se equivoca o pensador mais sério.

Impulsado com tanta incoerência,
Pela morte, que evoca o cemitério,
Deriva o carrossel da impermanência,
Com o ímpeto voraz de um impropério.

Juntem-se, pois, as metodologias,
E ver-se-á que as gnosiologias
São incapazes de ler o insondável.

Nos rasos laivos das filosofias,
Ao se adicionarem as aporias,
Jamais se adentrará o imponderável!