Folhas Mortas – Inspirações em Versos Ecléticos

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37, tendo como patrono Estêvão Cruz.

NOTA DO EDITOR – Em um sublime mea culpa, o acadêmico Vianney Mesquita produziu estas vivíssimas “Folhas Mortas”. Explico-me: por motivos que fugiram ao seu controle, o estimado jornalista, ensaísta, escritor e poeta faltou à mais recente reunião ordinária da ACLP, realizada a 28/01/2019. Para se redimir daquilo que considera um pecado, ele se impôs a feitura deste ensaio, que agora é brindado aos visitantes do site e que o autor dedica às acadêmicas Prof.as Dras. Maria Elias Soares, Maria Gorete Oliveira Sousa e Maria Margarete Fernandes de Sousa.

1 INTRODUÇÃO

Se o poeta não pode iludir, não é poeta; e falar em poesia com raciocínio é igual a se referir a um animal pensante. (G. LEOPARDI. Poeta e filólogo italiano. Recanati, 29 de junho de 1798; Nápoles, 14 de junho de 1837).

Embora coetâneo de Santiago VASQUES FILHO e conhecedor de sua obra artística, não experimentei a ventura de privar do seu convívio.

Dado às coisas do espírito, o Rapsodo piauiense cultuou vigorosamente a arte da Pintura, havendo deixado copiosa produção em variados gêneros, registrados em guaches, óleos e aquarelas. Jornalista colaborador de periódicos do Ceará, Paraíba e Estado do Rio de Janeiro (Niterói), frequentou movimentos culturais dos mais diversos jaezes, como, exempli gratia, no exercício da logogrifia, discurso em prosa escrita e aplicação na atividade de composição e decifração de palavras cruzadas.

No século, hic est, em contraposição aos exercícios da cultura incorpórea, o Poeta foi magistrado e advogado competente, creditando, ainda, ao seu currículo, a pertença à vida castrense.

Dessa atividade multímoda, nos misteres seculares e fora destes, destaca-se em motos literários do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, e até do Exterior, feito titular de uma cátedra do Instituto de Cultura Americana, do México.

Ao atestar a grandiloquência de sua produção na senda das letras, com destaque para a poesia, o Autor de Bronzes e Cristais granjeou muitos prêmios, em concursos de poesia, trova e soneto, representados por diplomas, medalhas e troféus, consoante registam Girão e Sousa* (1987 p. 231), em cidades das diversas unidades federadas há pouco mencionadas.

A despeito de sua obra multifária, foi o metro a socializá-la no País inteiro, mercê dos trabalhos de rara beleza, como o prefalado Bronzes e Cristais (1975), Cantigas de Três Patetas, em parceria com Aloísio da Costa e César Torraca (1985), e o Folhas Mortas (glosado no meu Fermento na Massa do Texto Apreciações – MESQUITA, Vianney – 2001), dado ao público em 1985, em edição princeps, numericamente limitada e artesanal, com o sinete das Academias Espirito-santense de Letras e Brasileira de Literatura, reeditada, desta vez industrialmente, em 2000, pelas Edições UVA, de Sobral-CE.

Caminhos sem Fim, romance de 1984, O Testamento e outros Contos, e O Azarado e outros Contos pertencem à prosa de ficção do Autor, assinante, também, de Três Ensaios Literários, todos eles de apreciável valor artístico e didático, não editados industrial-comercialmente.

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A dúvida é melhor do que a certeza

Anizeuton Leite (Membro correspondente da ACLP em Jucás/CE)

“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano.” Essa frase do grande físico Isaac Newton, é um convite à reflexão sobre o que conhecemos e principalmente sobre o que desconhecemos. O ser humano é o único ser que não sabe e tem consciência de que não sabe. A razão, atributo concedido a nós humanos, entre outras coisas, nos dar a capacidade de questionar, analisar, refutar algumas ideias e refletir sobre o que vemos, ouvimos ou falamos.

A capacidade de pensar, refletir e mudar de opinião é própria de quem é aprendiz; alguém que possui humildade acadêmica e vontade incansável de aprender coisas novas. A humildade e a vontade de aprender sempre ocuparam as páginas da história de vida dos grandes homens da história.  Sócrates proclamava na ágora: “Toda minha sabedoria consiste em saber que nada sei”. René Descartes por sua vez ao se referir ao seu discurso do método alertou: “Talvez eu me engane e não passe de um pouco de cobre e de vidro o que tomo por ouro e diamantes.”

A dúvida é melhor do que a certeza. No entanto, é preciso saber duvidar.  Duvidar por duvidar não nos leva a nada. Alguns céticos apenas duvidam. Eles não utilizam a dúvida para buscarem respostas consistentes.  A dúvida faz com que tenhamos um pensamento autônomo, livre de preconceitos e das amarras do dogmatismo exagerado. A dúvida ainda desperta em nós a curiosidade e o questionamento. Nada aceitamos como verdadeiro sem antes passar pelo crivo da razão.

A ciência e a religião evoluiram muito com as ideias de Descartes, Agostinho e Tomás de Aquino. Homens que sempre esteveram a frente do seu tempo. Homens que fizeram com que fé e razão; ciência e religião se aproximassem mais. Antes deles, ciência e religião eram duas realidades excludentes. As duas não precisam viver separadas, mas juntas para ajudar o ser humano a viver melhor aqui na terra.

A fé e o mistério por sua vez têm os seus encantos e nos proporciona inúmeros ensinamentos.  O mistério nos proporciona a oportunidade de crer sem ver; confiar sem temer e ter a certeza de que enquanto realizamos o possível, o impossível e o improvável podem está acontecendo. Uma coisa é certa: é preferível a pergunta desafiadora as respostas prontas e vazias. Respostas que tornam simples, os problemas que são difíceis de serem digeridos na vida real. A dúvida não nos retira a fé, apenas a torna mais sólida. A dúvida dá razão a nossa fé.

Duvidar é avançar no conhecimento, na razão. É ter senso crítico e não permitir que  nos enganem dizendo ser verdade o que não passa de uma mentira bem contada. A razão é universal. Ela nos permite distinguir o certo do errado, o bem do mal e nos dá a sabedoria necessária para julgar de maneira justa e coerente o que nos é apresentado.

A dúvida é melhor do que a certeza, assim como a pergunta é melhor do que a resposta. O problema gera conhecimento. A busca por respostas traz novas descobertas nas diversas áreas do conhecimento. As vacinas, as descobertas astronômicas, a cura de algumas infermidades, os benefícios e os malefícios de algumas plantas, foram e são descobertas pelo homem graças a sua capacidade de indagar e de buscar respostas para os seus questionamentos e dúvidas.

Descartes tinha razão ao dizer: “Penso, logo existo”. O pensar é o que nos torna humanos e nos possibilita entrar no território das descobertas.  Descobertas que não nos retira a fé, pelo contrário nos aproxima mais e mais de Deus.