ACLP elege dois novos membros titulares

A Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) elegeu, nessa segunda-feira, dia 29 de abril, dois novos membros, que passam a integrar seu quadro de acadêmicos titulares. A Profª Ritacy Azevedo Teles ocupará a Cadeira nº 23, patroneada por Júlio Nogueira e que teve como último ocupante o Prof. Genuíno Sales. Já a Cadeira nº 33, que tem como patrono Serafim Silva Neto, e que ficou vaga com o falecimento do poeta Horácio Dídimo, passa a ser ocupada pela Profª Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin.

O Presidente da ACLP, Prof. Teoberto Landim, transmitiu as boas-vindas às duas acadêmicas eleitas, desejando-lhes sucesso no novo desafio intelectual que abraçaram. Dentro em breve, ele se reunirá com ambas a fim de definir a data e outros detalhes da posse.

Na mesma reunião, o acadêmico Italo Gurgel (Cadeira 17), ocupando a “Hora do Vernáculo”, discorreu sobre a edição fac-similar de “Os Lusíadas” publicada sob o ex-libris do Dr. José Mindlin. Por fim, foi anunciada a próxima edição da revista “Vernáculo”, correspondente ao ano de 2019. Os critérios de participação no nº 15 do periódico deverão ser apresentados e discutidos na reunião ordinária de junho próximo.

Promoção de saúde na escola

Vianney Mesquita (1)

Um pobre são, e alentado de forças, vale mais do que
um rico fraco, e atormentado de doenças.
A saúde da alma em santidade de justiça é melhor do que todo ouro
e prata, e o corpo robusto vale mais do que imensos bens.
Não há riquezas maiores do que as da saúde do corpo,
nem contentamento que seja igual à alegria do coração.
(ECLO., 30-14, 15-16).

Reiteram-se nos derradeiros anos, sem explicação plausível para a ocorrência (porquanto, quase sempre, espécimes distantes das nossas linhas de exame), os convites para que descerremos o conteúdo de obras com teor didático-científico lavradas na ambiência acadêmica, procedentes de tarefas formais de programas de mestrado e doutorado, resultados exitosos de experimentos laboratoriais, artigos, relatórios de pesquisas e escritos assemelhados, produzidos na contingência universitária do Ceará, todos eles, afortunadamente, de supina qualidade.

A verdade referida por derradeiro – convém dizer, e com o máximo regozijo – é denotativa do estudo adrede, sério e denodado desenvolvido pelo nosso episcopado acadêmico, ao entregar para a comunidade científica mais alargada, configurada nos receptores afins às matérias, de outros Estados-Membros do Brasil, bem como do Exterior, um conjunto de saberes sistematizados, tomados pela observação, identificação, busca e explicação de certas categorias de fenômenos e fatos, acolhidos com supedâneo no método e na razão.

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FÁBULAS – Manchetes Históricas e Versão Tupiniquim

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37 (patrono: Estêvão Cruz)

Os escritores superficiais, como as toupeiras,
julgam frequentemente ser profundos, quando estão,
no entanto, demasiadamente perto da superfície.
(WILLIAM SHENSTONE, poeta e paisagista inglês.
Helesowen – UK, 18.11.1714 – 11.02.1763)

As fábulas revestem uma ordem textual literária, narração alegórica, em língua prosa ou em versos, cujos protagonistas são animais transfigurados em pessoas (in anima nobili), com falas, costumes e outros haveres humanos. Em geral, são produzidas para crianças e dotadas, no seu término, de fundo moral e teor instrutivo.

O vocábulo tem étimo latino e regista narrativa muito extensa e rica, radicada no sânscrito – grupo de línguas e dialetos indo-áricos antigos do norte da Índia, sendo o védico e o sânscrito de conteúdo clássico os mais conhecidos, de onde procedem  as fábulas indianas, popularizadas pela tradução árabe do século VIII, e que a tradição atribui a autores lendários, como Pilpay e Lochman (HOUAISS; VILLAR SALLES. Dicionário… São Paulo: Objetiva, 2005).

Essas produções remontam, por intermédio de uma versão pélvi (língua iraniana derivada do antigo persa), a um original sanscrítico – o Pantchatantra (os cinco livros), obra de Vixenu Sharma (indiano nascido na Caxemira), uma das mais antigas coleções de fábulas do Mundo.

Como se pode verificar na imensa quantidade de vertentes librárias sob domínio público, de libérrima e gratuita compulsação – hoje, também, em suportes eletrônicos – o gênero fabular tem curso na maioria das literaturas mundiais e, em grande parte, abrange repetições, modificadas, aumentadas, transpostas de lugar, com base na possível produção de Esopo, fabulista grego (séc. VII e VI a.C.), de existência sublendária, na expressão dessa vertente, “[…] gago, feio e corcunda, porém, com o espírito engenhoso e sutil”. (LELLO & LELLO. Lello Universal – Dicionário…Porto: 1983, p. 886).

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A mulher missiva

CLÁUDER ARCANJO, membro correspondente da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

O dia não raiava, nem o tempo sarava do choro da noite. Sim, a madrugada como se derramara em lágrimas naquela chuva fina e renitente. Eu, as horas em claro, acompanhando a goteira; os pingos caindo dentro do balde posto no meio do quarto. Maldito gotejado!

Confesso que a insônia não vinha só do gotejar. Não, este apenas tornava mais viva a ferida da decepção. Aberta quando rasguei o envelope amarelo, tipo comercial, e me pusera a correr os olhos pelas letras cursivas, dispostas no papel branco e pautado. Recado direto e claro. Faca afiada no peito da esperança.

— Maldita missiva!

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