ACLP dá posse a novos membros em solenidade comemorativa dos 42 anos

A Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) realizou, sexta-feira, dia 22 de outubro, solenidade comemorativa dos 42 anos de sua instalação. Na ocasião, tomaram posse as novas ocupantes das cadeiras nº 23, Profª Ritacy de Azevedo Teles, e nº 33, Profª Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin. Também foi feita a entrega da Medalha Hélio Melo – principal comenda concedida pela ACLP – aos professores Ada Pimentel Gomes Fernandes Vieira, Ênio Silveira e Mário Barbosa Cordeiro.

O acadêmico Paulo Sérgio Lobão, responsável pelo cerimonial, destacou que a Academia, idealizada pelo inesquecível Hélio Melo, se consolidou ao longo dessas quatro décadas, conquistando destaque nacional editando publicações científicas, colaborando para a produção intelectual no campo da linguagem e partilhando saberes numa prática de profunda ascese.

Ao abrir o evento, o Presidente da ACLP, Prof. Teoberto Landim, deu boas vindas e agradeceu a presença dos convidados que lotaram o Teatro Nadir Papi Saboya, no Centro Universitário Farias Brito. Em seguida, dirigiu saudação especial às novas titulares das cadeiras 23 e 33, bem assim aos três homenageados com a Medalha do Mérito Cultural Prof. Hélio Melo. Destacou, ainda, a importância dos dois lançamentos que ocorreriam naquele ato solene – o do 15º número da revista “Vernáculo” e do livro “Poemas do céu e do inferno”, de autoria do Prof. João Soares Lobo, ocupante da cadeira nº 25. Por fim, disse de sua alegria em ver a Academia cumprindo seu papel e ocupando espaço de relevo no cenário cultural cearense.

Após a apresentação das duas novas acadêmicas, missão confiada ao Prof. Vianney Mesquita (cadeira nº 37), o Prof. Teoberto Landim fez entrega do Diploma e do Colar Acadêmico, recolhendo, de cada uma delas, o juramento solene.

Professora Eulália Leurquin.
Professora Ritacy de Azevedo.

Na sequência, o cerimonialista apresentou o currículo resumido das três personalidades distinguidas, este ano, com a Medalha Hélio Melo, comenda que traduz o reconhecimento da ACLP ao mérito intelectual daqueles que empreendem esforços para se construir uma sociedade letrada e humanizada. A Medalha foi, então, entregue, pelo Presidente Teoberto Landim, através do Prof. Sérgio Melo (filho de Hélio Melo), aos professores Ada Pimentel, que se fez representar por sua filha; Ênio de Menezes Silveira; e Mário Barbosa, todos eles acompanhados pelos respectivos padrinhos.

Para apresentar a revista “Vernáculo” e os “Poemas do céu e do inferno”, foi convidado o Prof. Vicente de Paula Júnior, ocupante da cadeira nº 4. O Prof. João Soares Lobo dirigiu breves palavras aos presentes.

Antes de se encerrar a solenidade, o auditório foi brindado com as brilhantes peças de oratória das professoras Eulália e Ritacy. Elas homenagearam os patronos e predecessores na cadeira que passam a ocupar e externaram o propósito de se empenharem pelo crescimento continuado da Academia.

Ao final, o Prof. Teoberto Landim renovou o agradecimento a todos e convidou para o coquetel que seria servido no pátio em frente ao teatro, onde o Prof. Lobo autografou seu livro.

ACLP comemora os 42 anos de fundação

A Academia Cearense da Língua Portuguesa-ACLP realiza na próxima sexta-feira, 25 de outubro, solenidade comemorativa dos 42 anos de sua fundação. Agendado para as 19:00h, no Teatro Nadir Papi Saboya, espaço cultural do Centro Universitário Farias Brito (Rua 8 de setembro, 1331 – Varjota), o evento reunirá acadêmicos e seus familiares, representantes de entidades culturais do Ceará, além de convidados especiais. A programação prevê:

Medalha Prof. Hélio Melo.
  • Posse das professoras Ritacy de Azevedo Teles, na Cadeira nº 23, e Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin, na cadeira nº 33;
  • Entrega da Medalha Hélio Melo aos professores Ada Pimentel Gomes Fernandes Vieira, Ênio Silveira e Mário Barbosa Cordeiro
  • Posse das professoras Ritacy de Azevedo Teles, na Cadeira nº 23, e Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin, na cadeira nº 33;
  • Entrega da Medalha Hélio Melo aos professores Ada Pimentel Gomes Fernandes Vieira, Ênio Silveira e Mário Barbosa Cordeiro;
  • Lançamento do nº 15 da revista “Vernáculo”, editada pela ACLP; e
  • Relançamento do livro “Poemas do céu e do inferno”, de autoria do Prof. João Soares Lobo, membro titular da Academia (Cadeira nº 25).

A ACLP foi fundada a 28 de outubro de 1977, sob a presidência do Prof. Hélio de Sousa Melo. A seu lado, integrando a Diretoria inaugural, estavam os professores José Rebouças Macambira, Itamar Espíndola, José Fernandes, Myrson Lima, Itamar Filgueiras, Hamilton Andrade e Abdias Lima. Hoje, encontra-se à frente da Academia, liderando sua 21ª Diretoria, o Prof. Teoberto Landim.

Pílulas para o silêncio (Parte CXXXVIII)

CLAUDER ARCANJO, Membro Correspondente da Academia Cearense da Língua Portuguesa

O futuro é um punhado
de cinzas que o vento semeia.
(Francisco Carvalho, em “Futuro”)

Tentei antecipar minha passagem final, afoito e agoniado; mas, ao chegar diante de Caronte, o óbolo que lhe levava era uma moeda de papel. Nele, os rabiscos de um verso tosco e desenxabido. De lembranças, nenhum dito. Ele me olhou, com olhos de fúria e espanto, e me ordenou que cá voltasse. E, como castigo, prendeu-me aqui com elos de humildade a escrever, com fogo e sangue, tudo aquilo que eu julgava de todo esquecido.


Seu futuro terá o tamanho do metro do seu presente. E, acredite, a mesma marca do tecido do passado.


As cinzas que jogares com fúria frente aos passos dos outros obstarão os olhos teus.

As cinzas as quais, com zelo e denodo, ofertares ao terreno de outrem, estas, suprema graça, adubarão as árvores que ofertarão os frutos que alimentarão os teus.


Todo futuro nasce na esquina de outrora, no passo lento do agora. O tempo verdadeiro não suporta o mal-agradecido que teima em driblá-lo com atalhos.


Vem cá, mergulha no meu silêncio, e vê se ainda estou aqui. Se não escutares nada, saibas: eu cá comigo estou.


Notei que Caronte, antes de retornar, me deixou uma passagem aberta de volta, mas me pediu para escolher a data. Desde então, Hades corre lentamente no fundo do meu esquecimento.