A dúvida é melhor do que a certeza

Anizeuton Leite (Membro correspondente da ACLP em Jucás/CE)

“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano.” Essa frase do grande físico Isaac Newton, é um convite à reflexão sobre o que conhecemos e principalmente sobre o que desconhecemos. O ser humano é o único ser que não sabe e tem consciência de que não sabe. A razão, atributo concedido a nós humanos, entre outras coisas, nos dar a capacidade de questionar, analisar, refutar algumas ideias e refletir sobre o que vemos, ouvimos ou falamos.

A capacidade de pensar, refletir e mudar de opinião é própria de quem é aprendiz; alguém que possui humildade acadêmica e vontade incansável de aprender coisas novas. A humildade e a vontade de aprender sempre ocuparam as páginas da história de vida dos grandes homens da história.  Sócrates proclamava na ágora: “Toda minha sabedoria consiste em saber que nada sei”. René Descartes por sua vez ao se referir ao seu discurso do método alertou: “Talvez eu me engane e não passe de um pouco de cobre e de vidro o que tomo por ouro e diamantes.”

A dúvida é melhor do que a certeza. No entanto, é preciso saber duvidar.  Duvidar por duvidar não nos leva a nada. Alguns céticos apenas duvidam. Eles não utilizam a dúvida para buscarem respostas consistentes.  A dúvida faz com que tenhamos um pensamento autônomo, livre de preconceitos e das amarras do dogmatismo exagerado. A dúvida ainda desperta em nós a curiosidade e o questionamento. Nada aceitamos como verdadeiro sem antes passar pelo crivo da razão.

A ciência e a religião evoluiram muito com as ideias de Descartes, Agostinho e Tomás de Aquino. Homens que sempre esteveram a frente do seu tempo. Homens que fizeram com que fé e razão; ciência e religião se aproximassem mais. Antes deles, ciência e religião eram duas realidades excludentes. As duas não precisam viver separadas, mas juntas para ajudar o ser humano a viver melhor aqui na terra.

A fé e o mistério por sua vez têm os seus encantos e nos proporciona inúmeros ensinamentos.  O mistério nos proporciona a oportunidade de crer sem ver; confiar sem temer e ter a certeza de que enquanto realizamos o possível, o impossível e o improvável podem está acontecendo. Uma coisa é certa: é preferível a pergunta desafiadora as respostas prontas e vazias. Respostas que tornam simples, os problemas que são difíceis de serem digeridos na vida real. A dúvida não nos retira a fé, apenas a torna mais sólida. A dúvida dá razão a nossa fé.

Duvidar é avançar no conhecimento, na razão. É ter senso crítico e não permitir que  nos enganem dizendo ser verdade o que não passa de uma mentira bem contada. A razão é universal. Ela nos permite distinguir o certo do errado, o bem do mal e nos dá a sabedoria necessária para julgar de maneira justa e coerente o que nos é apresentado.

A dúvida é melhor do que a certeza, assim como a pergunta é melhor do que a resposta. O problema gera conhecimento. A busca por respostas traz novas descobertas nas diversas áreas do conhecimento. As vacinas, as descobertas astronômicas, a cura de algumas infermidades, os benefícios e os malefícios de algumas plantas, foram e são descobertas pelo homem graças a sua capacidade de indagar e de buscar respostas para os seus questionamentos e dúvidas.

Descartes tinha razão ao dizer: “Penso, logo existo”. O pensar é o que nos torna humanos e nos possibilita entrar no território das descobertas.  Descobertas que não nos retira a fé, pelo contrário nos aproxima mais e mais de Deus.

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