ANTES, AGORA E DEPOIS

ANTES, AGORA E DEPOIS

 Vianney Mesquita**

(Tríptico Poético)

 

 

 

1 – A N T E S – TRIBULAÇÃO

O ano tem 365 angústias; o dia 24 desencantos; a hora 60 inquietações. (JOSÉ MARIA VIGIL – intelectual eclético mexicano. Guadalajara-Já, 11.10.1829; México–DF, 18.02.1909).

 

Trespasso, agora, quadra angustiante,

De corpo e alma em desditosa sorte,

Num sofrer desmedido e lancinante,

Em constante rogar que a noite aporte.

 

Quando se esvai o aperto por um instante,

Tendo somente a inércia por consorte

E a noturna quimera feita amante,

Ao Criador chego a pedir a morte.

 

Encurto-me, então, ao desprestígio,

E, ante a desdita expressa no fastígio,

Como um inseto na concha me enrusto.

 

Até não sei quando esta dor prossegue.

Por que, também, est’ânsia me persegue,

De mim fazendo eterno ser angusto?

 

Fortaleza-CE, 12 de fevereiro de 1971.

 

2 A G O R A – OTIMISTA

 

Colho rosas dos espinhos, retiro ouro da terra e extraio pérolas das ostras. (SÃO JERÔNIMO – sacerdote ilírio, tradutor da Bíblia. Estridão, 342; Belém, 420).

 

Não cabe em mim ventura tão imensa

De privar do milagre da existência,

Dádiva de Deus, fortuna densa,

Sem explicação plausível na Ciência.

 

Desfruto meu viver na plenitude,

Ao desenhar castelos, fazer planos,

Converto a senescência em juventude…

Decerto, viverei mais de cem anos.

 

E assim, descortinando a humana essência,

Bem fundo guardo em minha consciência

O sempre me haver bem com minha gente.

 

Quando Ele me tirar a vida, então,

“Arrepender-se-á” da decisão

E acederá que eu viva novamente.

 

Fortaleza, 27 de agosto de 2010.

 

3 DEPOIS – Futuro Enigmático

 

 

Se o passado, que já se foi, está além do nosso conhecimento, como  ousaremos conhecer o futuro, que ainda não veio? (GEORGE BERNARD SHAW – literato, dramaturgo e jornalista irlandês. Dublin, 26.07.1856;  Ayot St. Lawrence – UK, 02.11.1950).

 

Naqueles vinte e oito pés escritos

(Ventura, e sofrimento não perjuro).

São, pois, os dois sonetos contraditos,

Quanto a ontem, a agora e ao futuro.

 

Não prediz um poeta nascituro,

Tanto de ardor e inspiração estritos,

Absolutamente nada do obscuro

Dos devires somente ao Pai restritos.

 

Antevê-los, assim, resta impossível.

E a quem não é profeta é infactível

Dos celestes intentos conhecer.

 

Pela crença, entretanto, inquebrantável,

Nos prodígios do Alto Inigualável,

Feliz eternamente eu hei de ser.

 

Fortaleza, 05 de junho de 2017.

 

SOBRE TRÍPTICO POÉTICO

“Antes”,

gostaria de tê-lo escrito.

“Agora”,

aprendo a ter amor pela vida

e “Depois”,

decerto, não serei um profeta nascituro.

                        Valdemir Mourão

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