Literatura Filosófico-Científica Inusitada na Crônica da Profª Drª Graça Martins

Vianney Mesquita

Filosofia, doce leite da adversidade! (Guilherme Shakspeare).

A Natureza não dá saltos. (Godofredo Leibniz).

Para o observador menos devotado ao exame procedimental do trato científico, pode afigurar-se inacreditável – no mínimo, surpreendente – a ideia de ser possível a vinculação racional em vertentes de aparências dessemelhantes, de procedências tão supostamente díspares, como esta admirandamente comprovada pela Autora de O HOMEM nas Abordagens Mecanicista e Humanista da Administração e no Humanismo de Inspiração Cristã.

Maria da Graça Holanda Martins publicou o mencionado livro em ótima ocasião, propícia a excitar, ainda mais, a já efervescente reflexão, felizmente em uso atual na ambiência da nossa Academia. Isto porque – e ela de sobra conhece este suposto – o exame do conhecimento parcialmente ordenado não tem por objeto o saber particular, pois é inexequível reunir em insulado conceito, estabelecer apenas em uma lei, a enorme quantidade de detalhes e situações particulares, constitutivas do ser ou do fato individual: Omne individuum inefabile, conforme ensina a velha, revisada tantas vezes e, em muitos pontos ainda, acreditada Escolástica.

Nas alegações expressas nessa produção, eminentemente interdisciplinar, a Pesquisadora não perde o foco, portanto, das grandes ligações da totalidade do ser, deixando de assujeitar-se ao perigo de reduzir a visão a um apoucado domínio da técnica, em virtude do desdobramento dos objetos, o qual conduziu o debate da Ciência a uma progressiva especialização.

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Abecedário aliterante

Vianney Mesquita

(Professor-Adjunto IV da Universidade Federal do Ceará. Acadêmico-titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa, da Academia Cearense Literatura e Jornalismo e da Arcádia Nova Palmaciana. Escritor e jornalista.)

Márcio Catunda

(Escritor e diplomata. Bacharel em Direito.)

RESUMO

Exercício de versificação em estâncias decassilábicas portuguesas, com o emprego da aliteração e de outros tropos linguísticos. Seu produto configura 23 quartetos, tendo por base igual número de letras do alfabeto da Língua Portuguesa – uma quadra para cada letra (sem k, y e w) – com suporte na literatura de metrificação poética reconhecida no Brasil e em Portugal, conhecimento obtido ao longo do tempo, sem, no entanto, particularizar nenhum autor, embora sejam indicados alguns na Bibliografia para demanda por parte dos leitores (AZEVEDO, 1970, 1997; CAMPOS, 1960; NASCIMENTO, 1995;  e CARVALHO,1991). Em razão de, na peça, poder alguém enxergar os estilos preciosista e bestialógico, descarta-se essa possibilidade, com explicações plausíveis.

Palavras-chave: Decassílabos Portugueses. Aliteração. Preciosismo. Bestialogia.

Keywords: Portugueses Three-syllable. Alliteration. Stylistic reasons. Nonsense style.

Notações Essenciais

O escrito sob relação, composto em parceria biautoral, é um exercício de versificação, com emprego do verso decassilábico português, cuja intenção descansa em exercitar o espírito, demonstrar a possibilidade de proceder à versificação em obediência às técnicas ratificadas ao longo dos estudos, desde a Escola Siciliana, no século XIII, transitando por Francesco Petrarca e Francisco Sá de Miranda, e, num nível de estesia pouco comum, recorrendo-se, na totalidade, ao expediente da aliteração.

Também assenta, decerto, na expectação de recolher dos consultantes opiniões abalizadas a respeito da propriedade ou não das alocuções registadas, a fim de, se for azada a oportunidade, apropriar-se de tais contribuições, refazendo a operação, após o que se poderá reeditar a peça, com os possíveis adendos.

Antes de se adentrar o Abecedário Aliterante, composto de um quarteto de paragramatismos para cada letra da língua lusa (tirante k, y e w), em que se manobram as informações propedêudicas atinentes a esse poema, perfazem-se explicações rimadas na mesma grade – estâncias com dez acentos – a fim de facilitar sua leitura e decodificação.

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Acróstico para o Prof. Myrson Melo Lima (Vianney Mesquita (Cadeira 37)

A vitória dos prussianos contra os austríacos foi a vitória do mestre prussiano contra o mestre austríaco. (OSCAR FERDINAND PECHEL, geógrafo e antropólogo. Dresden, 17.03.1826; Leipzig, 13.08.1875).

Mestre insigne da Regra Portuguesa

Y cultor de la Lengua Castellana,

Raros são os que, nesta Fortaleza,

Se achegam à perfeição que dele emana.

 

Ostenta sapiência e agudeza

Na doutrina da norma camoniana;

Myrson tem argúcia e singeleza,

E adestra na média e mediana.

 

Língua oficial de oito países,

O fato nos deixa mui felizes.

Legada, então, por ele, este a sublima.

 

Insertos como alunos no Brasil,

Manifestamos recompensas mil

Ao extraordinário Myrson Lima.

“Vernáculo” nº 13 comemora os 40 anos da ACLP

Circula o nº 13 da revista “Vernáculo”, órgão oficial da Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP). Em edição comemorativa dos 40 anos da entidade, organizada pelo presidente Sebastião Valdemir Mourão, a publicação recebeu tratamento gráfico especial, com capa em papel supremo 250g e uma alentada coletânea de textos, que inclui artigos; discursos de posse; pequenos ensaios apresentados durante as reuniões da Academia (“Hora do vernáculo”); além de documentos históricos e informações institucionais.

Após a “Palavra do Presidente” e a “Apresentação”, feita pelo acadêmico Teoberto Landim, seguem-se as seguintes contribuições:

  • Ortoepia (Myrson Lima)
  • Linguagem nordestina (Myrson Lima)
  • Silabada (Myrson Lima)
  • As orquídeas na Literatura brasileira (Italo Gurgel)
  • Operações de pensamento no ensino de redação (Valdemir Mourão)
  • A Gente no lugar de Eu, Nós, Se, Ninguém etc. Efeito síncrono-diacrônico, desleixo elocutório ou emprego inocente? (Vianney Mesquita)
  • A fascinante arte de ler e escrever (Maria Luísa Bomfim)
  • Conversa sobre literatura (Regine Limaverde)
  • Regine Limaverde: poeta e contista (Giselda Medeiros)
  • A gramática no texto (José Ferreira de Moura)
  • Diadorim e a Assembleia de Mulheres (Révia Maria Lima Herculano)
  • A poesia erótica de Regine Limaverde (Batista de Lima)
  • Ensaio em verso (Cláuder Arcanjo)
  • Discursos de posse de: Felipe Filho, José Augusto Bezerra, Ana Paula de Medeiros Ribeiro, Giselda Medeiros, Italo Gurgel e Révia Maria Lima Herculano.

Teorema da distância

Teorema da distância
Ana Paula de Medeiros Ribeiro

Distância, na geometria,
É reta que liga dois pontos. No amor,
É silêncio
É linha sinuosa
Que desvia caminhos
Evita estar próximo
E economiza carinho.
Para saber a distância,
na matemática,
Aplica-se um teorema
Traça-se a reta
Desenha o triângulo
Soma catetos.

 

No amor,
É equação diferente
Mede-se o desejo
A intensidade do beijo
A soma do quadrado dos minutos
Do querer estar junto
Mesmo quando não dá
Quanto mais perto do zero
Mais longe se está.

 

Na geometria,
distância é valor numérico
Expresso em cifra fria.

 

No amor,
Distância é agonia
É sofrimento também
É líquido derramado
Feito lagoa nos olhos
É aguardar um “bom dia”
Que nem sempre vem.

 

É dor que não tem forma
É abandono que faz chorar
É fome, naufrágio
Um poço de saudade
Mais profundo que o abismo
E bem maior que o próprio mar.

O LIVRO

O LIVRO

Horácio Dídimo (Da ACLP e ACL)

Cada livro é uma árvore

Ondulada pelo vento
É papel e personagem
Pendurado no seu tempo

Usa capa e contracapa
Comentário nas orelhas
Nariz na folha de rosto
Sumário nas sobrancelhas

Cada livro é uma nuvem
Carregada de palavras
Chovendo pelos caminhos

Cada livro é um oásis
Onde as aves bibliófilas
Vão preparar os seus ninhos

 

2
Os livros cantam seus contos
Nos castelos nas ameias
Dançam nos pés seus tamancos
E aranhas nas suas teias

Colorido ou preto-e-branco
Cada livro tem seu texto
Seu miolo sua casca
Seu mercado e seu contexto

Livros são menos ou mais
Seres tridimensionais
Cada um com sua norma

Cada livro é uma forja
Um retrato e um espaço
Um abraço e uma forma