HISTÓRIA DE TAUÁ ENOBRECIDA

Vianney Mesquita, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira 37

Todos sabem fazer História, entretanto apenas os grandes logram escrevê-la.  [OSCAR Fingel O’Flahertie Wills WILDE – escritor, poeta e dramaturgo irlandês. 16.10.1854 – 30.11.1900].

Ensaísta da melhor crase na senda científica, com produções de erguido valor, editadas para fecundar o mealheiro da História do Ceará e seus ramalhos disciplinares e afins, o professor da UECE [nascido em Ibaretama-CE] e imortal-titular de uma cátedra da Academia Tauaense de Letras, doutor João Álcimo Viana Lima, vem, outra vez, aditar ao recheio das nossas averbações literárias um volume de imponente valia para complementar o enredo histórico do seu sítio de trabalho, antigo São João do Príncipe, o conhecido, adiantado e celebrado Município de Tauá – Ceará.

Sob amparo das diligentes táticas de busca na seara do saber parcialmente ordenado – conforme se expressou o filósofo, biólogo e antropólogo grão-britano Herbert Spencer a respeito do conhecimento  – como prova inconteste do preparo intelectual obtido ao largo de seu caminho como estudioso afeito e obediente aos ditames da Metodologia Científica e Filosofia da Ciência, o Autor estendeu ao enredo narrativo dos seus locis de atuação [Tauá e suas parcelas municipais] o volumoso conjunto de trinta e cinco documentos oficiais.

Mencionadas peças, buscadas com o desvelo peculiar ao operário diligente da demanda investigativa, procedem de autoridades reinóis lusitanas, anteriores à chegada da Família Real ao Brasil, em 8 de março de 1808 [há exatos 213 anos], bem como de tempos pós-Independência do País, no decurso do Império, complementadas, empós a Constituição de 1891, com escrituras provenientes de alçadas da República e, enfim, preceituações advindas de próceres estaduais, como os governadores do Estado do Ceará.

Na transferência desses referenciais para o livro Documentos Históricos dos Distritos de Tauá, convém exprimir, além de eles assentarem coerentemente como rememorações de grande distinção para o leitor conhecer e apreciar a evolução do Município sob argumento – com seus termos, fogos e almas – estão pormenorizados com apreciável exatidão em notas nas bases das páginas. Estas vêm acrescidas de minudentes informações complementares, concedendo ao público ledor, mormente de Tauá e dos Inhamuns,  a oportunidade de engrandecer seus haveres culturais atinentes à matéria, ajuntando à mera comunicação expressa na sua conformação, em português já não estilisticamente usado, a estesia da modernidade e o modo ameno, espontâneo, singelo e rico como se exprime o Acadêmico autor desta referência de leitura.

Acresce fazer alusão a um proveito singular no modus operandi do Escritor para reproduzir as trinta e cinco disposições legais, luminosa ideia para melhorar o nível de recepção das mensagens insertas nos ditos diplomas legais. É que ele, parece que sagradamente inspirado, achou de amatar a aspereza do Português ali empregado, em decisão absolutamente legal e justa e inteligente e produtiva, transportando para a boa linguagem hoje em curso a acentuação, a grafia e a pontuação da escrita, levando o consultante a decodificar as ideações das autoridades, sem restritivas intercorrências de cariz interpretativo. É esta, induvidosamente, mais uma vantagem, uma das obrigações intelectuais de um artífice competente à procura de evento novo, a ser evidenciada pela Filosofia da Ciência.

 E, por conseguinte,  para regozijo da conjunção cearense produtora de achados científicos, bem como a fim de trazer júbilo àqueles que se vão servir de tão alteado produto da agricultura deste investigador a mancheias, Documentos Históricos dos Distritos de Tauá está bem sortido de excelências.

Como é salutar expressar esse entendimento!

A PONTUAÇÃO VAI ALÉM DOS PONTOS…

José Olímpio, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira 21

Quando se fala em pontuação, de imediato se pensa no emprego do ponto, da vírgula, do ponto de interrogação, do travessão, etc. Isto é pontuação, sim, porém num sentido restrito. Pontuação, num sentido amplo, abrange toda a estruturação e organização de um texto, através de sinais e procedimentos convencionados.

Assim, além do emprego dos sinais tão conhecidos, temos como casos de pontuação: o emprego de alíneas e de incisos; o uso do hífen; os grifos em geral (itálico, negrito, sublinhado, etc.); os parágrafos; o tamanho da letra; o formato do texto, margens, espaços, divisões, subdivisões… Enfim, – reforçamos – todo e qualquer recurso utilizado para a distribuição, organização e estruturação do texto; e que, consequentemente, concorre de forma decisiva para a sua clareza, coesão, coerência e elegância (que são os objetivos principais da pontuação).

Falemos um pouco desses elementos da pontuação, no sentido amplo…

O parágrafo.

Os textos em prosa (redações escolares, cartas, ofícios, monografias, reportagens, etc.) são habitualmente estruturados em parágrafos. O parágrafo corresponde a cada parte do texto formada por um grupo de ideias afins. Consta de uma ideia principal (ideia-núcleo), à qual podem-se juntar outras ideias secundárias, para complementar, reforçar, justificar, delimitar, enfim, desenvolver essa ideia principal.

O parágrafo é tradicionalmente marcado pela mudança de linha, acompanhado geralmente com um avanço de margem. Mas nem sempre se usa o avanço; nesse caso, é aconselhável, por questão de clareza e estética, uma separação linear entre os parágrafos. O autor e a finalidade a que se propõe o texto definem a escolha do procedimento adequado. Neste texto, optei pelos dois procedimentos, para reforço do tema.

Ilustremos com este exemplo, retirado do Jornal Tribuna do Norte (Natal, 25/06/2011): 

            O número de praias urbanas que estavam impróprias para banho, que chegou a seis na semana passada, caiu para três, segundo anunciou o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente.

            Agora, as praias impróprias para banho em Natal são: o Morro do Careca, em Ponta Negra; a dos Artistas, em frente ao Centro de Artesanato; e na Redinha, em frente às barracas.

            A situação mais preocupante é com relação ao trecho das barracas da Redinha, que está nessas condições há cinco semanas, sofrendo poluição por causa de coliformes fecais.

            O geólogo Ronaldo Fernandes Diniz, um dos coordenadores do Programa Água Azul, explica que em períodos de chuva, como as que vêm caindo em Natal, aumenta o risco de vazamento de esgotos e até de rompimento de galerias. (Jornal Tribuna do Norte, Natal, 25/06/2011)

O parágrafo, em geral, é simbolizado[1] por §.

São também chamados de parágrafos os detalhamentos, ressalvas /e esclarecimentos dos artigos, apresentados à parte, nos textos legais (leis, decretos, pareceres, etc.).

Nos textos legais, quando há apenas um parágrafo, em vez do símbolo, usa-se a expressão “Parágrafo Único”. Confira nos dois trechos (Art. 9º e 44 da Constituição da República Federativa do Brasil, Edição Saraiva, 2006.):

Art. 9.º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

  • 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
  • 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei. (…)

Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Parágrafo Único.  Cada legislatura terá a duração de quatro anos.

           Lembremos que, em obras metodicamente estruturadas, as divisões do conteúdo costumam organizar-se em parágrafos numerados. É o caso da Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida.

Alíneas e incisos.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua portuguesa, inciso e alínea significam:

  • Inciso: “subdivisão de um artigo de lei, que, por sua vez, pode ser subdividido em alíneas”:
  • Alínea:cada uma das subdivisões de um artigo de lei, decreto, contrato e similares (…)”.

As alíneas e os incisos ajudam na estruturação do texto, na redação legal e nas obras sistematizadas. São indicados por numerais ou letras, acompanhados de ponto, travessão ou parênteses (as duas partes deste símbolo ou só o fechamento). Como neste exemplo (também da Constituição da República Federativa do Brasil):

 

CAPÍTULO IV

DOS DIREITOS

Art. 14.  A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:

I – plebiscito;

II – referendo;

III – iniciativa popular.

  • 1.º O alistamento e o voto são:

I – obrigatórios para os maiores de dezoito anos;

II – facultativos para:

  1. a) os analfabetos;
  2. b) os maiores de setenta anos;
  3. c) os maiores de dezesseis e os menores de dezoito anos.

Os grifos.

Podemos usar de vários procedimentos para grifar, dar destaque a uma palavra, uma expressão ou um trecho:

  • letra inicial maiúscula;
  • todas as letras da palavra, expressão, trecho, em maiúsculo;
  • letra em tamanho menor ou maior, versal, versalete[2];
  • sublinhado, negrito, itálico, etc.;
  • cores;
  • aspas;
  • às vezes, com dois desses procedimentos juntos.

             E por que ou para que grifamos? Veja esses motivos, acompanhados de exemplificações…

  • Para destacar, ou dar um sentido especial a uma palavra ou a um termo. Veja nestes exemplos:

 

A vendedora da AVON me chamou de DONA, Zé!… Ah! DONA MÁRCIA, esse o seu marido vai gostar, garanto!… Sente o perfume, sente? Quando é o aniversário dele, DONA MÁRCIA?… DONA pra cá, DONA pra lá!…Achei uma graça, Zé!… (C. A. Lopes da Silva, O Desmanche; in: Concursos Literários 2006, p. 154.)

Todas, salvo a pessoa e a ação, assumem uma forma gramatical a que se dá o nome de adjuntos adverbiais ou de orações adverbiais (causais, finais, concessivas ou de oposição, etc.). (Othon M. Garcia, Comunicação em Prosa Moderna, p. 48.)

Era a Dama das Camélias. Lia muitos romances […](Eça de Queirós, O Primo Basílio, p.12.)

Fora a íntima amiga da mãe de Luísa e tomara aquele hábito de ir ver a pequena aos domingos (idem, p. 23).

Na última quinta-feira, 5, opinaram no Jornal O Povo sobre a seguinte questão: “A cirurgia de mudança de sexo muda o sexo?”. (Jornal O Povo, 07/04/12, p. 3.)

  • Para destacar ironias, gírias, neologismos, estrangeirismos. Confira:

E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um Major do Exército, sobrinha de um Coronel e filha de um General. Morou?

(Fernando Sabino, A Mulher do vizinho; in: Para gostar de ler, v. 5, p. 39.

Que negócio é esse? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse a casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: “dura lex”! (idem.)

Perdeu, porque o four do Capitão João Magalhães era de reis. (Jorge Amado, Terra do sem fim, p. 22.)

  • Para destacar citações.

Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex, 12,46).

(Bíblia Sagrada Ave-Maria. Jo 19,36.)

E chega um tempo em que eu começo a reviver aquela palavra de Jesus: “Esta é a tua mãe” (Jo 19,27).

(Fr. Elias Vella, Sob o Sopro do Divino Espírito, p. 15)

(Aqui, aspas e itálico simultaneamente.)

              Os procedimentos e sinais de pontuação em sentido lato são muitos, e se multiplicam com a evolução das artes gráficas e visuais. Mas, para não deixar o texto muito longo, colocamos os casos acima, que, acredito, fundamenta a assertiva inicial do ensaio.

[1] O símbolo §, interposição vertical de dois esses (ss), representa  a abreviatura da expressão latina signum sectionis (= sinal de separação ou de seção).

[2] Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ‘versalete’ é uma forma de letra escrita em maiúsculo no mesmo tamanho da minúscula. Já ‘versal’ tem dois sentidos: 1) o mesmo que letra maiúscula; 2) diz-se dessa letra de tamanho maior que a minúscula e formato próprio.

Novo Acordo IX

Frei Hermínio, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira 27

                         Diferenças entre o VOLP de Portugal e o do Brasil (09)

          Os 21 países de habla española têm um Dicionário Oficial, aceito e seguido por todos eles, editado pela RAE = Real Academia Espanhola. Este traz as palavras mais significativas usadas especialmente em cada um dos países do bloco. 

            A partir do II Acordo Ortográfico 1943/1945 existe o VOLP = Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Temos um editado no Brasil (2009) com 877 pp + XCVIII pp de anexos e um em Portugal (2009) com 643 pp com anexos não paginados. Uma comparação da quantidade de palavras contidas nas letras k, w, y dá uma ideia clara desta diferença: VOLP de Portugal nas letras: K, 88 pal. W, 78 pal. Y, 21 palavras. Nós constatamos no VOLP do Brasil nas letras: K, 236 pal. W, 239 pal. Y, 31 palavras. Nestas três letras o VOLP do Brasil tem 319 palavras a mais, do que o de Portugal.

            Usa-se hífen em palavras/locuções compostas que não contêm elementos de ligação… (Cfr. Base XV, 1, a). Os dois VOLP discordam com frequência nesta regra. O VOLP (PT) traz 86 expressões de dois termos, iniciando com “não”, de não-absorvente a não-volátil, todas com o hífen, seguindo a regra. O VOLP (BR) traz 60 expressões de dois termos iniciando com “não”, de não agressão a não vocálico, todas sem o hífen. As expressões inicial e final do VOLP (PT), não constam no VOLP (BR) e neste faltam 26 expressões constantes no VOLP de Portugal.

            Casos semelhantes:

1 – No VOLP (BR) tem mais-valia e não valia; o VOLP (PT) não traz a expressão não valia, mas certamente grafaria não-valia, com hífen, como todas as desta série. No VOLP (BR): fru-fru; xi-xi-xi… no VOLP (PT) elas são grafadas frufru e xixixi. No VOLP (BR) na letra X constam 1049 termos, no VOLP (PT) apenas 766 termos.

2 – No VOLP (BR) consta centroafricano = relativo à República Centro-Africana e centro-africano = relativo à África central. O VOLP (PT) traz apenas centro-africano. Há aí um contrassenso: o termo sem hífen refere-se ao nome com hífen e vice-versa. Conforme a Base XV, 2 deve ser centro-africano, como registra o VOLP (PT). O VOLP (BR) traz grafia única para úmido; o VOLP (PT) traz húmido e úmido. O VOLP (BR) traz zigue-zigue o VOLP (PT) grafa ziguezigue. O VOLP do Brasil traz “imexível” – termo que em 1990 celebrizou o Ministro Antônio Rogério Magri – mas o de Portugal ignora esta palavra.

3 – O VOLP (PT) traz sitiirgia, o do Brasil siti-irgia. As duas formas são inapropriadas. Trata-se da junção de duas palavras gregas, σιτία = alimentos + εἰργία = repulsão. Mais correto seria: sitieirgia ou melhor ainda, siteirgia. Eu me baseio em Ramiz Galvão (op. cit. Postagem 01). Os dicionários: A. Houaiss, Aurélio, A. Nascentes, Álvaro Magalhães, Frei Domingos Vieira, J. Mesquita de Carvalho, Silveira Bueno e Simões da Fonseca, não registram esta palavra. Se eu digo, paraliva e paravário, você terá dificuldade de compreender, mas se eu digo, paraoliva e paraovário, você compreende logo. Por isso, a palavra paralímpico – que nos teria sido imposta pelo COI em 2016 – para substituir paraolímpico, dói em nossos ouvidos. É técnica e sábia a norma de que na junção de dois termos haja mudança somente no 1° termo, do contrário, a compreensão torna-se difícil.

            Seria enfadonho multiplicar os exemplos: A confusão entre os VOLP do Brasil e o de Portugal é tamanha, que até nos faz lembrar o texto de Sérgio Porto:    “O Samba do louro doido”.

  E-mail para observações: freiherkol@yahoo.com.br

Novo Acordo – VIII

Frei Hermínio, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira 27

Palavras que podem vir a ser escritas com k, w, y (08)

            Com a volta das letras k, w, y – excluídas em 1931 – palavras portuguesas poderão vir a ser escritas com estas letras, se o povo passar a usá-las assim e a nossa Academia Brasileira de Letras sancionar. Muitos já estão grafando kilo, kilômetro… por simplificação. Mas é o uso quem vai definir. Em nosso livro VOCABULÁRIO… (Ver postagem 01) indicamos cerca de 1500 termos greco-latinos de origem, com k e/ou y.

Exemplos: acólyto, alektoromancia, anályse, apócryfo, barýtono, butyrômetro, cályce, cysne, dactilioteca, dynamite, eclypse, embryão, farynge, fylófago, fýsica, glycose, glyptoteca, hypoteca, hysteria, kaos, karáter, kassia, katecismo, kerigma, kiromancia, labyrinto, lágryma, lyra, lýrio, mártyr, mesófryo, myalgia, mycetografia, mytologia, nyctógrafo, nyctotyflose, nynfa, nynfoide, obeliscolýcnio, octógyno, ófryo,  polyglota, psycrofobia, pyrilampo, rizofylo, rytmo, sybarita, sycomancia, sycofanta, sýlaba, symbiose, sýmbolo, sympatia, synagoga, syndérese, synédoque, synérese, synfonalaxia, synfonia, sýnodo, sýstole, urocyanina, xantofyla, xyloide, xylólatra, xylomancia, xystóforo, zelotypia, zéfyro, zygodactilia, zygoma, zygomorfo, zygostata, zigoteca…

Atenção: quando acima eu disse “poderão” não foi no sentido de “deverão”. Com certeza não teremos um uso generalizado de termos grafados com k, w, y, apenas uma palavra ou outra e ao longo do tempo. Isto porque a tendência mais forte é seguir a eufonia e porque em numerosos casos, a etimologia não simplifica a palavra.

            Termos do alemão, árabe, hebreu, holandês, inglês, japonês, russo, sânscrito, turco: criket, folklore, harakiri, hokey, ianke, ikebana, karaokê, karatê, karateca, karma, kastina, kefir, kermesse, kibutz, kimomo, kiosque, perestroika, troika, uisky, yoga…

            Termos de tupi, guarani e de línguas nativas, onde temos palavras com k, w, y. Para facilitar a compreensão de alguns nomes menos usados eu fiz a divisão em classes.

Animais: katita, kururu, kutia, jakaré, kaninana, kapívara, mokó, mukura, paka…

Abelhas: iray, jatay, jaty, mandaguary, mandassaya, moskito, mundury…

Alimentos: karibé, karimã, katolé, mandioka, mukunã, paçoka, tapioka, tukupy…

Aves: akauã, bakurau, jaku, jurity, kaboré, maguary, sabaku, sokó, tukano, tuyuyu…

Cidades: Akary, Aracaty, Kamucim, Kanindé, Krateús, Jukás, Pirakuruka, Ykó, Ypu…

Frutas: aratikum, bakaba, bakury, katolé, kupu, mandakaru, marakujá, matury, peki…

Insetos: karapanã, kupim, marakajá, muriçoka, mutuka, taioka, tapiukaba, trakuá…

Objetos: arapuka, arataka, kicé, koité, kuia, pataku, tapiry, tipity, tipoya, tukum…

Peixes: akará, araku, baku, jukiá, jurupoka, kará, paku, piraruku, tambaki, tukunaré…

Plantas: jakarandá, jekitibá, juká, kamará, katanduva, kopaíba, oitisika, takuara…

Tribos: amawaka, kaetés, kanela, kapíxaba, karajás, karakaraí, kariri, karioka, tikuna…

Vários: kaiçara, kaipora, kauim, kunhã, kurumim, kurupira, maraká, tokaia, ypueira…

             

            Termos do banto, ioruba, kicongo, kimbundo e umbundo:

kabaça, kadiado, kaju, kandeia, kalundu, kalunga, kanjica, kapoeira, karuru, katimba, katinga, kiabo, kilombo, kizila, kitute, kizumba, kimbanda, kindim, komboio, maka, makina, mukama, yansã, yorubá, xikote…

A lista é extensa. (Vide VOCABULÁRIO… op. cit. na Post. 01, pp 239  a 245). Disponível na Editora Armazém da Cultura, Fortaleza.

Email para observações: freiherkol@yahoo.com.br

PORTUGUÊS DA RUA

Valdemir Mourão, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 19

bunda-canastra (ou bundacanastra ou bundacanasca)Variações linguísticas sem prestígio social: cambalhota com as pernas para o ar.

  1. “As brincadeiras passavam a ser inteiramente diversas. Pulos, bundas-canastras…” (José Figueiredo Filho. O Folclore no Cariri, p.72, in: Tomé Cabral. Novo Dicionário de termos e expressões populares, 1982).

ANTÍTESE

ANTÍTESE                      

Os dias sucederam silenciosos, como se partissem e voltassem em surdina

Os longos trajetos sinalizavam o bem e o mal, no curto instante

As nuvens de sombras e claridades adornavam o céu de rosas

Esperançosa, corria sem norte na expectativa circunstante

Do outro lado, o mar de águas valentes soluçava em crespas ondas

À noite, enquanto a lua se vestia de dourado, acinzentava-se de dor

Ali, na profunda fresta de si, olhava para o alto e a fé reacendia em risos

O peito arfava na busca d’alma, sentiu certo temor

As palavras sussurravam imperceptíveis no místico paraíso

Nem sei ao certo o que digo, confusa na chegada e no percurso das partidas

O sol de cachos amarelos encontra a noite adornada com seus véus de prata

E eu, em regozijo pleno, crio raízes na rasa terra de sonhos e ilusões perdidas

Mas ei que vejo os fios de ouro! Eles me ligam ao eterno cosmo

No inefável cenário, desperto e adormeço na atitude grata

Eis, que o dia nasce e envelhece, no diáfano mistério da vida

 

Anotações – Nesse dia em que escrevi o poema, estávamos na Oficina de Poesia, presencial, da Nova Acrópole (NA) numa aula sobre antítese, paradoxo (figuras de linguagem).