A mulher missiva

CLÁUDER ARCANJO, membro correspondente da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

O dia não raiava, nem o tempo sarava do choro da noite. Sim, a madrugada como se derramara em lágrimas naquela chuva fina e renitente. Eu, as horas em claro, acompanhando a goteira; os pingos caindo dentro do balde posto no meio do quarto. Maldito gotejado!

Confesso que a insônia não vinha só do gotejar. Não, este apenas tornava mais viva a ferida da decepção. Aberta quando rasguei o envelope amarelo, tipo comercial, e me pusera a correr os olhos pelas letras cursivas, dispostas no papel branco e pautado. Recado direto e claro. Faca afiada no peito da esperança.

— Maldita missiva!

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