Neologia necessária

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

Pouca necessidade de pensar
experimentam aqueles que nunca precisam
de palavras novas.

Com assento na sentença epigrafada, de autoria do literato italiano Arturo Graf, de tripla nacionalidade, procedente de alemães, nascido em Atenas e com registro de óbito em Turim (19.01.1848 – 31.05.1913), firo o comentário que passo a proceder. Diz respeito a um pequeno busílis, por mim topado, sempre que se me depara algum escrito acerca da produção, comercialização, cultivo e movimentação agrícola e econômica do coco-da-baía, principalmente, e outros componentes palmáceos alimentares, amanhados como produtos para circulação no mercado, classificados como pertencentes a um só gênero Coco –  catulé, bocaiúva, macaúba, coco-espinho etc – os três derradeiros, notadamente, para natural sustento alimentar anima vili.

Não custa referir, pois é ensejado, ao fato de que o babaçu, que no Nordeste do Brasil é tomado pelo vulgo como “coco-babaçu”, não é parte do gênero Coco, mas pertence ao Orbygnia phalerata, além de constituir bem econômico de regular monta no âmbito do comércio de produtos de procedência agrícola no País.

Mencionados estudos, cujos textos relatoriados são por mim transitados para revista, procedem de programas brasileiros de pós-graduação em Agricultura, stricto sensu (com exame extensivo aos outros dois setores da produção), por exemplo, da Universidade Federal de Viçosa, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ (USP-Piracicaba), Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA-Mossoró) e, nomeadamente, oriundos do Curso de Economia Rural, da Universidade Federal do Ceará, Campus do Pici, aqui em Fortaleza, um dos melhores programas de pós-láurea em curso no Brasil.

Ler mais…Neologia necessária

Três plurais a serem explicados: alto-falantes, mapas-múndi e Ave-Marias

Prof. Raimundo Evaristo, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 40.

Há substantivos compostos que, desde muito tempo, têm despertado a atenção de estudiosos, em virtude de certas peculiaridades ausentes da maior parte dos demais, notadamente no âmbito da flexão de número. Isso é o que evidencia no caso de substantivos como alto-falante, mapa-múndi e ave-maria.

Conforme o Novíssimo CALDAS AULETE, Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa, edição de 2014, e o Dicionário de Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, 14ª edição, os aludidos substantivos têm, respectivamente, no plural, as formas alto-falantes, mapas-mundi e ave-marias. As gramáticas tradicionais também os registram dessa maneira.

Diante disso, norteado por uma visão sincrônica, o estudante mais interessado em inteirar-se acerca dos motivos de tais flexões vai deparar-se de uma série de duvidas, que, dada a sua complexidade, requer dele um estudo mais aprofundado.

A primeira delas diz respeito à não flexão do suposto adjetivo alto; a segunda vincula-se à ausência de flexão do nome “mundi” e à grafia deste com um “i”, final; a terceira refere-se à falta de flexão do nome “ave”.

Pelo que se observa, esses aspectos de cunho linguístico ventilados suscitarão explicações calcadas na história da língua.

Ler mais…Três plurais a serem explicados: alto-falantes, mapas-múndi e Ave-Marias

Recensão: Antônio de Araújo – Dos escaninhos da alma

Vianney Mesquita

Há defeitos que, bem manejados, brilham mais do que a virtude. (François Duque de La Rochefoucauld – *Paris,15.09.1613 – +17.03.1680).

Decerto não assiste razão a quem cogita na ideia de uma humanidade dispensada de toda a doença, na fruição de saúde ideal.

Este ponto é objeto de acuradas reflexões por parte de preclaras autoridades da Ciência Médica e seus esgalhos disciplinares e afins, merecendo ressalto o psiquiatra e pioneiro da Neurologia, facultativo estadunidense Walter Riese[*Berlin, 30.06.1890; Richmond (Virgínia), 1976].

Em estudo de 1950- Princípios de Neurologia – à Luz da História e seu Uso Atual, consoante assinala aquele expoente, uma perfeita higidez física e mental faria menos rica a raça de hoje, porquanto um imenso campo de atividade lhe seria poupado e recusado.

Ler mais…Recensão: Antônio de Araújo – Dos escaninhos da alma

Da Felicidade

Myrson Lima – Cadeira nº 14

Parece, à primeira vista, ingenuidade ou babaquice matutar sobre a felicidade. Pode constituir-se tema mais apropriado a livro de autoajuda, cheio de fórmulas mágicas, estilo “Como evitar preocupações e começar a viver”, “Aprenda inglês, dormindo”, “Como ser bem sucedido no emprego, sem fazer nada, somente assobiando e comendo pimentão”.

Há mesmo pessoas sisudas e compenetradas, que dizem com toda convicção que a felicidade não existe; o que há são momentos felizes, como ler um bom livro, comer tapioca molhada em água de coco, banhar-se nas piscininhas na maré secante, tomar caldo de cana na Praça do Ferreira, caminhar de manhã cedo pela Beira-Mar. Outras, como o poeta Vicente de Carvalho em Velho Tema, reconhecem que a felicidade existe, “mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos”.

Tom Jobim, não lhe nega a existência, contudo assegura que passa rápido: é “como a pluma, que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve”.

Ler mais…Da Felicidade

Sobre teoria dos afetos

Giselda Medeiros

Bem-aventurados sejam aqueles que saem pela vida a espargir sementes de Poesia! Porque a Poesia é sândalo. É luz. É emoção. É voo do espírito em sua fecundidade, planando sobre as cousas efêmeras e eternas, consubstanciado em límpidos alicerces de verdade, rumo à incomensurabilidade do Ideal.

Assim, nítida e clara como os cristais, carregada de emoção, chega-nos Neide Azevedo Lopes, a nos oferecer, nesse seu tratado poético, as teorias, os enunciados de sua visão de mundo, trabalhados sob a fina vestimenta de arrojadas metáforas, sinestesias, símbolos e alegorias, para que nós, seus leitores, os decodifiquemos e, desse modo, passemos a partilhar de todas as minuciosidades notáveis de sua poesia, em seus compridos voos de aspirações e inspiração.

Assim é que Teoria dos Afetos apresenta-se-nos sob a embalagem do lirismo, esse fundamento que traz à Poesia as palpáveis cores da emoção, trabalhada num ritmo intenso de luz e cores através de palavras que denotam, sobretudo, a presença do valor visual e emotivo, o que é geralmente produzido pelo efeito das metáforas, inteligentemente, empregadas aqui.

Diante desse arrebatamento emocional, dessa volúpia do sentir, desse grande soluço diante das ansiedades da vida neste caos dos espíritos e dos tempos, ainda nos arrebata, em Teoria dos Afetos, o estilo da Autora. Considerado “o sol da escrita”, o estilo traz força e profundidade à obra, o que está visível no livro em questão.

A Autora sabe trabalhar as palavras, impingindo nelas ora a placidez de uma música suave, ora o estrépito de um trovão. Isso porque Neide possui rara percepção estética e sabe imprimir na palavra as sensações visuais, olfativas, palatais, tácteis, numa exatidão primorosa de visualização estética de cor, forma, som e sabor.

Nossos parabéns, pois, à Neide Azevedo Lopes pela publicação de mais esta primorosa obra. Obrigada, Poeta, por nos deleitar com versos e expressões tão maravilhosos como: “A taciturna tarde tece teias”; “Escorre a noite / lenta, gotejante, morna.”; “Do vão da porta, passam sóis e sombras”; “Esgarçada lembrança”; “A porta emoldura-se em alegrias”; Na sutileza dos teus dedos, cristalizam-se ausências”; “Teus indecifráveis olhos, sentinelas sutis dos meus espaços”; e muitos, muitos outros que nos enternecem olhos, coração e vida.

A obra está, agora, em nossas mãos. Que possamos, pois, apreciar os versos de Teoria dos Afetos, “tecendo sonhos”, ao sabor do “vento acordando a areia”, sob o olhar da “lua, travesseiro de seda”, vestindo-nos com as cores de um esplendente arco-íris, na rumorosa tarde da Poesia.

O Autocídio sob a Óptica do Filósofo, Teólogo e Bioeticista Paranaense Luiz Antônio Bento (1)

Socorro Lima Mesquita e Vianney Mesquita (2)

O Deus que em nós impera proíbe que partamos sem o seu consentimento. (Marco Túlio CÍCERO).

Procedeu-se, em atendimento a fins acadêmicos, à leitura do livroBioética – desafios éticos no debate contemporâneo, onde o sacerdote católico, filósofo e teólogo paranaense Luís Antônio Bento evoca o fato de o ser humano atual perpassar difícil fase da história, permeada por múltiplas e rápidas transformações, alastradas globalmente. Essas mudanças – aduz o Autor – interferem nos modos de pensar e agir, afetando as relações socioculturais e até vinculações religiosas.

Na interpretação livre operada em parte do texto, compreendeu-se o ato suicida, do modo como divisa o Escritor – sob o ponto de vista da confissão católica e sem descer a explicações da Ciência Psicológica nem de outras fontes disciplinares – ao expressar a noção de que, perante tantas inovações, a pessoa entra em crise, sente-se insegura, de modo que não sabe o caminho a seguir.

Ler mais…O Autocídio sob a Óptica do Filósofo, Teólogo e Bioeticista Paranaense Luiz Antônio Bento (1)