Caminhos de uma vida fértil

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

Artigo Inaugural da obra Notações de um Percurso Pessoal e Acadêmico – VM

A Ciência é o cemitério das ideias mortas.
(MIGUEL DE UNAMUNO)

Prof. Raimundo Mariano.

Antes de adentrar, com elevada satisfação, os escólios a respeito do autor deste livro, o cientista piauiense, militante das Ciências da Terra – Geologia e seus ramos disciplinares, internacionalmente conhecido e apreciado, intento preparar os solos, com seus horizontes texturais, a fim de melhor assentar meus motivos condutores das notas, procedendo a informações propedêuticas sobre minha inserção na mesma Casa de Saber onde opera o autor da obra sob comento, publicado pela Expressão Gráfica – o pesquisador Prof. Dr. Raimundo Mariano Gomes Castelo Branco.

Na qualidade de cearense, sob o prisma do conhecimento e da cultura – embora infinitamente abaixo do estatuto acadêmico do produtor desta obra –  minha referência fundamental assenta na Universidade Federal do Ceará, conjunto acadêmico modelar fundado pelo extraordinário Prof. Antônio Martins Filho, no recuado ano de 1954, ao congregar algumas faculdades e escolas isoladas de Fortaleza, concedendo-lhes caráter universitário.

Universidade – não demora reiterar – conforma uma instituição de ensino e procura da informação ordenada, constituída por um conjunto dos mencionados institutos, destinados a promover a formação profissional e científica em nível superior, bem como efetivar demanda teórica e prática na maioria das vertentes da recepção do saber humanístico, artístico e tecnológico, bem como proceder à divulgação de seus resultados a  uma vasta comunidade receptora.

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Texto Científico Plenamente Decodificável por Leigos

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

A Ciência é o grande antídoto do veneno do entusiasmo
e da superstição
. (ADAM SMITH – filósofo e economista grão-britano
– Escócia. Kilkcardy, 5.6.1723; Edimburgo, 17.7.1790 – 67 anos).

Transitei pela agradável experiência de deparar para ler os originais do livro Impactos Ambientais da Implantação de Parques de Energia Eólica no Brasil, constante de dezenove capítulos defendidos por um pugilo de investigadores das Ciências da Terra, em sua maioria docentes da Universidade Federal do Ceará, de projeção internacional.

O volume, organizado – e também escrito – pelos professores doutores Adryane Gorayeb Nogueira Caetano, Antônio Jeovah de Andrade Meireles e Christian Brannstrom (este visitante), do Departamento de Geografia da mencionada Academia, encontra-se no prelo, nas oficinas da Imprensa Universitária dessa Instituição, e vai ser editado com o sinete da legendária Edições UFC, como parte da Coleção de Estudos Geográficos dessa Universidade.

Os assinantes dos capítulos são pesquisadores de elevado renome no concerto de altos estudos da Ciência Geográfica e de seus variados ramos disciplinares, todos acreditados pelos órgãos de apoio no âmbito da investigação ordenada desse conjunto de saberes, como CNPq, FINEP, CAPES et reliqua.

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Neologia necessária

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

Pouca necessidade de pensar
experimentam aqueles que nunca precisam
de palavras novas.

Com assento na sentença epigrafada, de autoria do literato italiano Arturo Graf, de tripla nacionalidade, procedente de alemães, nascido em Atenas e com registro de óbito em Turim (19.01.1848 – 31.05.1913), firo o comentário que passo a proceder. Diz respeito a um pequeno busílis, por mim topado, sempre que se me depara algum escrito acerca da produção, comercialização, cultivo e movimentação agrícola e econômica do coco-da-baía, principalmente, e outros componentes palmáceos alimentares, amanhados como produtos para circulação no mercado, classificados como pertencentes a um só gênero Coco –  catulé, bocaiúva, macaúba, coco-espinho etc – os três derradeiros, notadamente, para natural sustento alimentar anima vili.

Não custa referir, pois é ensejado, ao fato de que o babaçu, que no Nordeste do Brasil é tomado pelo vulgo como “coco-babaçu”, não é parte do gênero Coco, mas pertence ao Orbygnia phalerata, além de constituir bem econômico de regular monta no âmbito do comércio de produtos de procedência agrícola no País.

Mencionados estudos, cujos textos relatoriados são por mim transitados para revista, procedem de programas brasileiros de pós-graduação em Agricultura, stricto sensu (com exame extensivo aos outros dois setores da produção), por exemplo, da Universidade Federal de Viçosa, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ (USP-Piracicaba), Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA-Mossoró) e, nomeadamente, oriundos do Curso de Economia Rural, da Universidade Federal do Ceará, Campus do Pici, aqui em Fortaleza, um dos melhores programas de pós-láurea em curso no Brasil.

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Três plurais a serem explicados: alto-falantes, mapas-múndi e Ave-Marias

Prof. Raimundo Evaristo, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 40.

Há substantivos compostos que, desde muito tempo, têm despertado a atenção de estudiosos, em virtude de certas peculiaridades ausentes da maior parte dos demais, notadamente no âmbito da flexão de número. Isso é o que evidencia no caso de substantivos como alto-falante, mapa-múndi e ave-maria.

Conforme o Novíssimo CALDAS AULETE, Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa, edição de 2014, e o Dicionário de Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, 14ª edição, os aludidos substantivos têm, respectivamente, no plural, as formas alto-falantes, mapas-mundi e ave-marias. As gramáticas tradicionais também os registram dessa maneira.

Diante disso, norteado por uma visão sincrônica, o estudante mais interessado em inteirar-se acerca dos motivos de tais flexões vai deparar-se de uma série de duvidas, que, dada a sua complexidade, requer dele um estudo mais aprofundado.

A primeira delas diz respeito à não flexão do suposto adjetivo alto; a segunda vincula-se à ausência de flexão do nome “mundi” e à grafia deste com um “i”, final; a terceira refere-se à falta de flexão do nome “ave”.

Pelo que se observa, esses aspectos de cunho linguístico ventilados suscitarão explicações calcadas na história da língua.

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Recensão: Antônio de Araújo – Dos escaninhos da alma

Vianney Mesquita

Há defeitos que, bem manejados, brilham mais do que a virtude. (François Duque de La Rochefoucauld – *Paris,15.09.1613 – +17.03.1680).

Decerto não assiste razão a quem cogita na ideia de uma humanidade dispensada de toda a doença, na fruição de saúde ideal.

Este ponto é objeto de acuradas reflexões por parte de preclaras autoridades da Ciência Médica e seus esgalhos disciplinares e afins, merecendo ressalto o psiquiatra e pioneiro da Neurologia, facultativo estadunidense Walter Riese[*Berlin, 30.06.1890; Richmond (Virgínia), 1976].

Em estudo de 1950- Princípios de Neurologia – à Luz da História e seu Uso Atual, consoante assinala aquele expoente, uma perfeita higidez física e mental faria menos rica a raça de hoje, porquanto um imenso campo de atividade lhe seria poupado e recusado.

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Da Felicidade

Myrson Lima – Cadeira nº 14

Parece, à primeira vista, ingenuidade ou babaquice matutar sobre a felicidade. Pode constituir-se tema mais apropriado a livro de autoajuda, cheio de fórmulas mágicas, estilo “Como evitar preocupações e começar a viver”, “Aprenda inglês, dormindo”, “Como ser bem sucedido no emprego, sem fazer nada, somente assobiando e comendo pimentão”.

Há mesmo pessoas sisudas e compenetradas, que dizem com toda convicção que a felicidade não existe; o que há são momentos felizes, como ler um bom livro, comer tapioca molhada em água de coco, banhar-se nas piscininhas na maré secante, tomar caldo de cana na Praça do Ferreira, caminhar de manhã cedo pela Beira-Mar. Outras, como o poeta Vicente de Carvalho em Velho Tema, reconhecem que a felicidade existe, “mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos”.

Tom Jobim, não lhe nega a existência, contudo assegura que passa rápido: é “como a pluma, que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve”.

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