Recensão: Antônio de Araújo – Dos escaninhos da alma

Vianney Mesquita

Há defeitos que, bem manejados, brilham mais do que a virtude. (François Duque de La Rochefoucauld – *Paris,15.09.1613 – +17.03.1680).

Decerto não assiste razão a quem cogita na ideia de uma humanidade dispensada de toda a doença, na fruição de saúde ideal.

Este ponto é objeto de acuradas reflexões por parte de preclaras autoridades da Ciência Médica e seus esgalhos disciplinares e afins, merecendo ressalto o psiquiatra e pioneiro da Neurologia, facultativo estadunidense Walter Riese[*Berlin, 30.06.1890; Richmond (Virgínia), 1976].

Em estudo de 1950- Princípios de Neurologia – à Luz da História e seu Uso Atual, consoante assinala aquele expoente, uma perfeita higidez física e mental faria menos rica a raça de hoje, porquanto um imenso campo de atividade lhe seria poupado e recusado.

Ler mais…Recensão: Antônio de Araújo – Dos escaninhos da alma

O HOMEM E A CONQUISTA DOS ESPAÇOS

                            Ana Paula de Medeiros Ribeiro – Cadeira nº 12

Disse Voltaire que “Conquistar não é suficiente. É preciso saber seduzir.” Com esta sentença do prolífico escritor francês, inicio esta breve resenha da obra intitulada O homem e a conquista dos espaços: o que os alunos e os professores fazem, sentem e aprendem na escola (Fortaleza: LCR, 2006), de Paulo Meireles Barguil[1].

Ler mais…O HOMEM E A CONQUISTA DOS ESPAÇOS

Da Felicidade

Myrson Lima – Cadeira nº 14

Parece, à primeira vista, ingenuidade ou babaquice matutar sobre a felicidade. Pode constituir-se tema mais apropriado a livro de autoajuda, cheio de fórmulas mágicas, estilo “Como evitar preocupações e começar a viver”, “Aprenda inglês, dormindo”, “Como ser bem sucedido no emprego, sem fazer nada, somente assobiando e comendo pimentão”.

Há mesmo pessoas sisudas e compenetradas, que dizem com toda convicção que a felicidade não existe; o que há são momentos felizes, como ler um bom livro, comer tapioca molhada em água de coco, banhar-se nas piscininhas na maré secante, tomar caldo de cana na Praça do Ferreira, caminhar de manhã cedo pela Beira-Mar. Outras, como o poeta Vicente de Carvalho em Velho Tema, reconhecem que a felicidade existe, “mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos”.

Tom Jobim, não lhe nega a existência, contudo assegura que passa rápido: é “como a pluma, que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve”.

Ler mais…Da Felicidade

Discurso de Recepção – Posse 29/10/2016

POSSE SÊXTUPLA NA ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA

Vianney Mesquita

A  língua é um instrumento cujas
molas não convém deixemos ranger.
(RIVAROL).

(Antes de ferir esta oração, homenageio, nos 39 anos de criada a Academia, a figura emblemática de um dos instituidores deste Silogeu, o acadêmico e linguista Itamar Santiago de Espíndola, o qual se dizia quêfobo).

Esta referência descansa na ideação de não empregar, na elocução a ser proferida, em nenhuma ocasião, a palavra que).

Conquanto expressa recorrentemente, no entanto sem se tornar chavão, invito a sentença latina procedente do moto filosófico configurado na Escolástica: Esto brevis et placebis.

Embora suficientemente embaraçoso, pelo mundo de novos acadêmicos presentemente distinguidos, obedeço ao Serei breve para ser agradável, o lacial anexim expresso com vistas a não atemorizar os circunstantes com a imaginável longuidão da minha homilia (nisto não incorrerei), ao recepcionar meia dúzia de lentes, ora tornados partes titulares desde Sodalício, hoje com 39 anos perfeitos, em pleno vigor de atuação, desde quando fundado a instâncias do inolvidável mestre maior, cujo nome pronunciamos com saudade e respeito: Professor Hélio de Sousa Melo.

Ler mais…Discurso de Recepção – Posse 29/10/2016