ACLP comemora o Natal em ambiente virtual

A festa de confraternização que, anualmente, reúne os membros da Academia Cearense da Língua Portuguesa realizou-se, no último dia 17, em ambiente virtual, com expressiva participação dos acadêmicos. O Presidente da ACLP, Prof. Marcelo Braga, comandou o encontro, abrindo espaço para que todos lessem uma mensagem ou expressassem de outra forma seus sentimentos, nesse momento em que, afrontando terrível pandemia, o mundo cristão celebra, com grande esperança, mais um Natal.

O próprio Prof. Marcelo se somou às manifestações de júbilo e resiliência cantando uma canção. Posteriormente, ele transmitiu aos companheiros uma mensagem de agradecimento: “Parabenizo a todos pelo Natal de nossa ACLP. Foi um momento espontâneo, intimista, fraterno e alegre. O sentimento de pertencimento tomou conta de nós. Estávamos próximos, mesmo distantes fisicamente. Cada um com seu jeito especial, sua singularidade, preencheu nosso universo afetivo de significado cristão. Os ausentes se fizeram presentes no cenário de abraços virtuais. Feliz Natal para todos que compõem a canção da Língua Portuguesa da ACLP”.

Seguem-se os textos apresentados na reunião de 17/12:

Natal 2020

Batista de Lima – Cadeira nº 36

Que este natal seja de ventura, sonhos e leituras. Pode vir até com os severinos cabralinos, mas sem esquecer, no entanto, alguns adjetivos suaves e até metáforas pomposas que falem de um menino que nasceu em Belém. Pode vir com a tosse do Bandeira mas sem esquecer meu carneiro jasmim que nunca se esqueceu de mim lá do rebanho do Barros Pinho. Que venha na garupa palustre e bela da vaca estrela o seu companheiro o boi fubá, patativando aquele alagoano de Lima na sua reinvenção de Orfeu. Que as veredas atravessem os sertões de Rosa, desbravando rios que sejam baldos, mas sem a dor e sem o diabo em mim, Diadorim!

Neste Natal se não quintanares um gaúcho passarinheiro, te acertarei com fios de ovos, clariceando o bacamarte de Maria Moura no Tatu de Fideralina, com muita malassada e pão-de-ló.

Neste Natal vamos aos verdes mares bravios de nossa terra querida, vamos visitar a loura que o sol desposou e agora procura a sombra de um cajueiro pequenino carregadinho de flor para descanso do seu cansaço.

Que este natal não seja só da praça, mas que invada quintais, canteiros, cantares e altares. Que gingobelle do Meireles à Sapiranga, do Alphaville ao Araturi, da Aldeota à Urucutuba. Mas não esqueçam o sinal vermelho nem aquela figura que atravessa a rua vestida de Papai Noel. Afinal ali vai Jesus tristinho de máscara e álcool gel, com um saco pesado às costas, com os presentes de que mais precisamos: saúde, paz, felicidade e fraternidade, pão na mesa e amor no coração. Que as sementes do natal invadam nossos corações e germinem carregadas de paz, amor e felicidade. Feliz natal para todos. Amém.

Mensagem de Natal à ACLP

Frei Hermínio Bezerra de Oliveira – Cadeira nº 27

Um filósofo contou que um grupo de pensadores ateus tentou planejar um mundo sem Deus e sem leis. Depois de longa discussão concluíram: sem Deus sim, mas sem leis, não! Seria o caos. Foram elaborar as leis básicas e, ao chegar na oitava lei, eles constataram que já tinham seis dos mandamentos da lei de Moisés.

O historiador hebreu Yuval Harari Yoak dá uma definição laica de religião como: “Um sistema de normas e valores humanos, que se baseia na crença em uma ordem sobrenatural ou sobre humana”. É claro que a prática religiosa não é importada diretamente do céu. Inspirada por Deus – para os que creem – ela passou por longo período de elaboração na comunidade e sempre teve “aggiornamento” = atualização.

Jean-Paul Sartre (*1905 †1980) filósofo, ateu e anarquista, era engajado pelo direito e pela ética. Ao morrer deixou um manuscrito de 2000 pp. “Cahiers pour une Morale”, (Gallimard, 1983), que acaba de ser traduzido em português, por Eliana Sales Paiva, profa. de Filosofia da UECE. Nele, Sartre afirma: “O homem não crê, ele acredita que crê!” (CPM, 154) E ainda: “O ser humano é condenado a ser livre!” (CPM, 447) Ele considera a liberdade, um peso enorme para o ser humano. Mas é pela liberdade que nossos atos têm seu valor. Ele considera que a moral é possível, mas ela exige do ser humano, um ato contínuo de conversão.

Neste tempo do Advento, em que nós cristãos nos preparamos para celebrar o Natal do Senhor. Os textos litúrgicos falam do fim do mundo criado e de vigilância. A liturgia insiste na “conversão”. Este termo, na navegação significa: “mudança de rota”, na ascese “mudança de vida, de comportamento, de atitude”. Para tanto, todos nós devemos “rever” e “prever”. Rever o ano sainte e prever o ano entrante, com possíveis mudanças e talvez “correção de rota”, em nossa vida.

O Natal é a celebração do nascimento de Cristo. Ele se encarnou para morrer na cruz e nos dar a oportunidade da salvação. Por sua morte, cada um de nós pode obter a salvação. Mas nós temos de fazer a nossa parte. Cristo – com a sua morte – não nos salva compulsoriamente. Santo Agostinho nos adverte: Qui creavit te, sine te, non salvabit te, sine te! = Aquele que te criou sem ti, não te salvará sem ti!

Nosso Papa Francisco – mestre em ensinamentos pontuais – nos adverte: “Não sejamos cristãos ritualistas, mas amemos de verdade!” Com frase simples ele chama atenção para o fato de que há cristãos preocupados com ritos. Jesus diz: “Nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu pai” (Mt 7,21). Dizer Senhor, Senhor é repetir amiúde ritos, orações e louvores… tendo isto como o essencial, sem dar atenção à caridade, às obras de misericórdia para com o outro e aos atos concretos de amor.

Sigamos o conselho de São Paulo: “Ergo, dum tempus habemus, operemur bonum ad omnes” = Portanto, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos. (Gl 6,10).

Natal nordestino

(Ao Papa Francisco e ao Padre Cícero)

Italo Gurgel – Cadeira nº 17

Quero um Natal sem barbas ou sentimentos postiços,
Sem falsa neve caindo do céu tropical
E sem a falsa alegria
De papais noéis adiposos.

Quero um Natal de luzes lamparinas
Alumiando preces sertanejas.
Quero o silêncio dos jingobéus adocicados
Para ouvir as rabecas em oração.

Quero um Natal como Ele quis:
Sem mãos estendidas nas esquinas
E sem a cusparada da opulência
No rosto dos deserdados.

Quero o Natal festejado em Vaticano de taipa,
Sem faustos, tapetes ou dosséis,
Como era, no tempo da estrela guia,
A casa de José – a casa e a marcenaria.

Quero um Natal sem mantos dourados,
Mas também sem trapos nem farrapos,
Sem balas nem crianças perdidas
Nas esquinas do crack e da miséria.

Quero um Natal sem o preconceito
Que corrói o coração dos ignaros.
Quero um Natal nordestino, aberto a todos os abraços,
Um Natal francisco, como Francisco, certamente, sempre quis.

Que boa nova Ele nos trouxe?

Raimundo Holanda – Cadeira nº 22

A igreja celebra o advento, do latim, “adventus”, ou seja, aquele que está por vir. É um período de espera em alguém muito importante. Quem é esse alguém? A história desse alguém começa assim:

Um anjo anuncia a Maria que ela há de dar à luz a uma criança. A jovem espanta-se. E o anjo:

– Não temas, será um menino, que deverá receber o nome de Jesus. E o anjo prossegue:

– Bendita és tu, entre as mulheres, e bendito é o fruto que nascerá de ti e este fruto chamar-se-á Jesus. E Maria:

– Eis a serva do Senhor, faça-se conforme deseja o Pai. E ela:

– “Magnificat anima mea dominus”. Minha alma exulta ao Senhor.

Hoje é Natal. Festeja-se o nascimento de uma criança tão esperada. O berço foi uma manjedoura. Quantas crianças nascem sem agasalhos, muitas delas abandonadas. Outras, cujas mães não lhes amamentam, porque os seios estão vazios. Nas periferias das cidades, principalmente, e Fortaleza não se exclui, tem-se notícias de crianças abandonadas em saco de lixo, vitimas de bala perdida; vítimas de estupros. Neste momento nos confraternizamos, trocamos presentes, símbolos de fraternidade que há entre nós.   Que lições para nossa vida o Natal nos traz?

Neste momento, nossas residências enchem-se de luz. Nasce uma criança que se tornou um de nós, e veio com a missão de nos pregar a boa nova. Para Ela entoamos hinos de louvor e de embalo:

“Eis na lapa, Jesus nosso bem/dorme em paz, ó Jesus”.

Que boa nova Ele nos trouxe? Veio com a missão de tocar nossos corações. Daí Ele ter dito que o seu reino não é deste mundo.

Ao nascer em uma manjedoura, nos trouxe ensinamentos de humildade, de desapego ao luxo. Ele tornou-se um de nós, para firmar uma eterna amizade. Sua mensagem resume-se nesta palavra: AMOR.

Encerro esta mensagem transcrevendo as sábias palavras de São Paulo e do Papa Francisco:

“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse AMOR, seria como o metal que soa ou como o sino que tine” (São Paulo).

“O poder deste menino, filho de Deus e de Maria, não é o poder deste mundo, baseado na força e na riqueza; é o poder do AMOR” . (Papa Francisco).

Oração retrospectiva 2020 – o conto de um ano difícil

Gorete Oliveira – Cadeira nº 1

O ano está indo embora. Resta-lhe pouco menos de quinze dias. Tenho pensado muito numa forma de agradecer a Deus. Queria ter um jeito bonito de agradecer a Deus! No retrospecto  que fiz, do réveillon até aqui, o espinho foi um só – o mesmo que nos aflige desde Sísifo – as dores foram muitas, mas aqui estou. Sobrevivi. As lágrimas vêm fortes, e a emoção me toca o coração quando a “fita” diante dos meus olhos relembra os momentos de quando eu em quedas emocionais, e Deus, a exemplo, do que fez na oração Pegadas na Areia, carregou-me no colo e colocou-me de pé em outro ponto do caminho. Obrigada, Senhor, por levantar-me! Desse outro ponto que Deus aumentou no meu conto, viria eu a fazer, refazer e contar outros tantos contos com os pontos que a costura do dia a dia me permitiu aumentar. É que um ano não é um engano ou desengano. Um ano é a soma dos resultados das nossas interações e contracenações. Ações nossas sobre os outros; ações dos outros sobre nós. A fita segue. E depois que atravessei a areia quente nos braços de Deus, estou aqui, forte, com saúde, neste quase Natal, dimensionando os passos. O ano foi também um ano de realizações. Obrigada, Senhor, pelas recompensas! E estas estão no meu próprio corpo. Obrigada, Senhor, pelos meus pés, que me levaram para longe de depressões em que eu poderia cair, mas não caí, e me conservaram no caminho da retidão, que sempre escolhi para andar; obrigada, Senhor, pela minha cabeça, que em momento algum produziu qualquer pensamento que não fosse justo, bom ou correto, mesmo quando as dores e as dificuldades me turvavam as ideias, e por ter tido a capacidade de estudar muito para realizar mais; obrigada Senhor, por minhas mãos porque foram hábeis em escrever bastante e continuam escrevendo muitas coisas que poderão mudar positivamente a vida de muita gente; obrigada, Senhor, por meu corpo inteiro, que nunca faltou a nenhum compromisso, não desfalcou nenhum grupo, conjunto ou equipe de trabalho, não deixou nenhuma aula vaga, não deixou ninguém esperando em vão, não deixou de atender ou ajudar a quem de mim precisou, não negou nenhum abraço; obrigada, especialmente, Senhor, por meu coração, que sempre dedicou meus atos e feitos a Ti, como um louvor! E agora, neste exato momento, agradeço-Te, Senhor, por minhas palavras, que sempre foram pródigas em desejar o bem para as pessoas, em falar de paz, falar como extensão de uma conduta pacífica. E, como vem aí 2021, que ele venha tal qual uma revoada de pombas brancas para todos os que fazem parte do mundo do meu coração: minha família, meus colegas, meus amigos e amigas, meus alunos e alunas, meus confrades e confreiras. Sou-te, Senhor, agradecida, por todos nós que conseguimos chegar até aqui sem sermos ceifados pela terrível pandemia que a tantos roubou o ar, até não poderem mais respirar, e deixarem para sempre esta vida,  partindo desesperadamente  em busca do oxigênio da eternidade. Sou, ainda, grata pelas luzes da ciência, que acenam para o mundo uma esperança a mais em forma de vacina. Glória, Senhor, por estarmos juntos, em expectativa, rezando pelo novo ano que se avizinha!

Tríptico literário [Releitura de três obras]

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

Oh, morte, como é amara tua lembrança, como rápida é tua vinda, como são ocultos os teus caminhos, como é duvidosa tua honra, e como é universal teu domínio! (Frei Luís de Granada. * Granada, 1505; Lisboa, 1588 23 anos!).

1 TANATOLOGIA – Vida e Morte no Dia a Dia

Por via da tradição, talvez religiosa cristã e no decurso dos tempos, eram praticamente proibidas na cultura do Ocidente reflexões atinentes a este tão natural fenômeno do decesso corporal, trânsito anímico, trespasse, exício da vida, antônimo perfeito do nascimento, verdade implacável. Morte.

Tema eivado de tanto preconceito, matéria a que se atribui, ainda, caráter de interdito, hoje o assunto perde, a pouco e pouco, seu mistério e é concertado, com frequência, em várias ocasiões e diversos lugares, mormente na ambiência universitária, onde se examinam com profundidade a origem, produção, conservação, repasse e progresso do conhecimento na sua mais extensiva amplitude temática.

O argumento do ocaso vital, evento imprescritível para aquele que viu aparecer a luz, mostra inexoravelmente sua extinção, cedo ou tarde, normalmente ou de inopino, por caducidade natural ou morbidade, ao nos fazer divisar, entre o ser extinto e o vivo, a mesma diferença entre a matéria bruta e a substância ativa.

Diversamente dos fatos ocorrentes nos organismos unicelulares, nos quais não há, necessariamente, fatalidade, a morte dos seres complexos é consequência inevitável da maquinaria anímica, a qual, ajuntando nos tecidos produtos acessórios, lentamente destrui a energia dos aparelhos até a supressão total.

A fim de conduzir esta reflexão ao patamar da naturalidade dos tratos mais ordinários – como os relativos à vida e à ciência – a sociedade inteligente descortinou uma teoria ordenada no tocante à morte, suas causas e eventos, especialmente o estudo dos mecanismos psicológicos empregados para superar os efeitos do fenômeno nas mentes de quem prossegue ou está na iminência de finar-se.

Amparadas nas conjecturas da Tanatologia, sub-ramo científico da Psicologia, as equipes de saúde desenvolvem, diuturnamente, em nosocômios de todo o Mundo, esse custoso ofício/arte de conceder refrigério, transpondo o corpo doente, prestes a consumir-se, e dedicando auxílio e conforto às almas atormentadas pela proximidade do próprio fim ou martirizadas com a imediação do termo existencial de uma pessoa dileta.

Convergindo à regular quantidade de trabalhos literoacadêmicos referentes a este moto de ascensa relevância, no Brasil, e de indescartável aplicação prática, em particular nos hospitais, os professores Annatália Gomes e Erasmo Ruiz Miessa escreveram um livro oportuníssimo, no qual reflexionam, com esmerado preparo e zelo, sobre a relação correta a ser estabelecida entre os profissionais de saúde e os doentes de quem cuidam holisticamente, em especial os enfermos de moléstias em quadro terminal, numa demonstração cabal dos aprestos intelectuais e do desvelo humanitário de ambos, ora ao bom serviço dos seus pares.

A obra Vida e Morte no Cotidiano (EdUECE)reflexões com o profissional de saúde – constitui aditamento valioso à literatura nacional do gênero, razão por que há de ser adotado nos diversos programas universitários de graduação, mestrado e doutorado, onde se estuda a analogia vida-morte, bem assim na formação em serviço do pessoal dos hospitais e congêneres.

Seus consulentes terão neste volume o romaneio correto e seguro para o desempenho de suas nobilitantes ações de intermediação paciente/doença grave, extensivamente aos seus componentes familiares, cujo padecimento à beira do leito será sensivelmente mitigado com a recepção das ideias aqui veiculadas, magnificamente expressas.

Da morte a férrea lei não se derroga./ Nas páginas fatais é tudo eterno! O que se escreve ali jamais se risca. (Manuel Maria Barbosa Du BOCAGE. *Setubal, 1765-+1805).

2 O DRAMA DO PACIENTE TERMINAL

A literatura, recorrentes vezes, recomenda-nos certas cautelas para que, ante a excessiva especialização dos conhecimentos, não percamos de vista as grandes conexões da ciência. De tal sorte, a interdisciplinaridade é praticada sempre mais pelos compositores do saber novo, o que significa o aporte dos melhores resultados, devolvendo às ideias parcialmente unificadas pela ciência o caráter de horizontalidade.

O ideário científico, de efeito, sejam quais forem as vertentes e taxinomias, opera constantemente sob relações e a consorciação de saberes é natural no decurso investigativo em demanda à certeza relativa, consoante orienta a Filosofia da Ciência.

Dessa maneira, compreensões aliadas são, muita vez, necessárias para realização de novéis sub-ramos da indústria humana, como ocorre, verbi gratia, com Bioestatística, Fisico-Química, Sociologia Jurídica, Economia Política, Jusfilosofia, Biônica e tantas outras comunhões de interesses metodológicos a servirem às causas epistemológicas.

Na linha raciocinativa deste ensaio de apreciável força de pesquisa, da autoria da Professora Doutora Preciliana Barreto de Morais, ela se favoreceu da Ciência de Augusto Comte (*Montpellier, 19.01.1798; +Paris, 05.09.1857), bem como de saberes correlatos, para interpretar, ao lume da dita Sociologia, situações extremas de clientes portadores de males terminais, sob os cuidados das equipes multiprofissionais, nos leitos e, na crescente falta destes, até em macas e cadeiras, no desconforto final da vida no interior e umbrais das casas de saúde.

Pungente e contagiante é a dor de quem guarda a certeza de que se vai dentro em pouco. Preocupantes as dúvidas e impasses daqueles a quem se cometeu a tarefa de cuidar dos pacientes acometidos de moléstias, a maioria das quais a Medicina ainda não controlou, como certas síndromes e alguns cânceres.

Há, decerto, falhas de comunicação das equipes, particularmente em virtude de formações defeituosas. “Os livros somente ensinam sobre o comportamento do tumor” – queixa-se um sextanista, que remata: “E a conduta psicológica do doente?”

Faltam, na escolaridade e prática funcional de psicólogos, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas e outros agentes do cuidado, informações relevantes de natureza interdisciplinar, quando não para a reabilitação impossível, pelo menos na direção de abreviar o transe ou diferir a vida por algum tempo.

Evidentemente, enquanto perdurar esta situação – configurada no fim da existência dos pacientes, vacilações e embaraços das equipes multifuncionais, sujeitos da pesquisa da Autora – esses clientes vão prosperar como atores na ribalta da tragédia. O livro de Preciliana de Morais – atual docente da Universidade Estadual do Ceará – constitui libelo responsável e claro ao sistema educacional e de atenção à saúde no País, sendo, por este pretexto, fonte de fé para alicerçar investigações similares e embasar novas e urgentes políticas públicas para o setor.

… Por isso, oh Morte! Eu amo-te e não temo./ Por isso, oh Morte, eu quero-te comigo./Leva-me à região da paz horrenda!/Leva-me ao Nada, leva-me contigo! (Luiz José de JUNQUEIRA FREIRE. *Salvador, 31.12.1832; +24.6.1855 – 23 anos!).

3 PACIENTE MUITO ESPECIAL

Resulta deveras compensador o fato de se exercitar constantemente a observação, para dar asas ao talento criador.

Das atividades seculares do espírito, a que mais enleia parece ser a boa leitura, que possibilita a produção de um escrito escorreito, de uma alocução bem concatenada, porquanto vazada em códigos precisos e significações perfeitamente arrazoadas.

Somente a prática dial do exame atento sobre as coisas, bem como o adjutório da ação de ler – sem o que a observação fica limitada – são suficientes para se estabelecer uma mensagem límpida, sem vieses nem ruídos, decomponível com a máxima lucidez por quem a recebe.

Obviamente, há estruturas textuais bem mais leves e fáceis, acessíveis a maior quantidade de pessoas, nomeadamente os esquemas verbais constituídos com suporte na opinião comum. Até aqui, a langue e a parole  saussureanas correm mais livres, obedientes apenas às muitas regras da Língua Portuguesa. (Ferdinand Saussure – *Genebra, 26.11.1857; + Morges, 22.02.1913).

A situação começa a complicar, porém, quando se joga com a certeza relativa do fato científico, não raro se misturando – em sua manifestação oral ou grafada – com as elucubrações espirituais, a fim de dar conformação ao estilo. Mais complexo, ainda, se configura o texto (ou a fala), se a manifestação da verdade científica disser respeito às relações Homem/Natureza. O embaraço se proporciona, consideravelmente, se este Ser for criança, e caso a criança seja doente, e essa moléstia tenha gravidade, dolorosíssima, fatal, óbito iminente …

O Mundo e a História, entretanto, estão cheios de artistas que receberam o dom evangélico e o sopro paráclito da escrita, com incidência menor da dificuldade de estruturação. Eis que, no livro sob escólio, dá-se o caso de uma socióloga, com a função principal de pequena empresária, que achou de estudar a freguesia de instituição especial – a Casa do Menino Jesus, em Fortaleza-CE, cujos clientes se acham em várias fases de C.A.

Rossana Guabiraba discorre sobre o meritório trajeto de acompanhamento dos pequenos enfermos, em texto deveras comovente, haja vista as condições dos sujeitos em relação na sua pesquisa de cunho acadêmico. Entre outras recomendações de ordem humana e humanitária, a Autora indica encarecidamente aos leitores a necessidade de se procurar conhecer os estertores e consequências da morte, a fim de que o transe do cliente e dos circunstantes seja abrandado com o aceite da realidade, abraçando a resignação ante um sucesso irrecorrente.

Nesse poema de amor amplo e celeste – lembrando o simbolismo poético de Alphonsus de Guimaraens (Ouro Preto, 24.07.1870; Mariana, 15.07.1921) – Rossana alcançou a composição de um escrito claro e correto, de leitura cristalina, no qual impôs o vigor de pesquisadora, estruturando-o teoricamente com especialistas acreditados perante a comunidade investigadora de temas afins, com a vantagem de haver evitado compromisso com as desproporções da tanatologia esotérica, não científica, a qual transita solta entre os desavisados.

O escrito de Rossana Guabiraba, embora tenha o continente rápido como o decurso da doença referida, pontilhada de tanta amargura, possui conteúdo de grande alcance, pelo que deve ser lido e debatido, pois, decerto, vai servir de norte a outros estudiosos que intentem revolver o tema sob ângulos mais diversificados.

Que sonho curto, camaradas!

RITACY DE AZEVEDO TELES, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 23

Surpreendi-me quando abri o portão. As pessoas que vi não eram os amigos brilhantes que eu esperava para o aniversário do meu primo nem os dois jornalistas que registrariam o evento nas redes sociais. Eram quatro desconhecidos: um casal e duas crianças. Eram esquálidos e pareciam sentir profunda dor e vergonha. Vinham portando sacos e restos de comida e já cheiravam mal. Talvez tivessem caminhado dias. A princípio, quis lhes dar água e algum alimento, mas eles me despertaram uma responsabilidade muito maior que essa, e chamei mamãe para rogar-lhe que os acolhesse.

Depois do aniversário, do qual se mantiveram distantes, chamei a mulher. Ela me revelou que haviam saído de um sítio após perder as duas vacas, o boi e algumas ovelhas. Disse que não havia água alguma quando deixaram sua região e que, após andarem cerca de cem quilômetros, uma das crianças passara a sentir náuseas e febre. Fora estranho, pois não gripara nem tivera desarranjo, e o fato é que lá ficara, em cova rasa, com cruz de pau seco. Foi aí, deixando emergir algo recôndito no ser e normalmente preguiçoso, um resquício de bondade, que resolvi fazer minha aquela família. Dei-lhe um espaço em um quarto do quintal, consegui emprego para o pai e para a mãe e apadrinhei a garota.

Hoje, vinte anos depois de tudo, estamos reunidos em comemoração. O rapaz comprou um pequeno sítio para os pais, que estão voltando às suas raízes campestres. Vão, porém, sozinhos. O filho tem atividades na cidade, pois é engenheiro e cuida de obras na orla marítima. A moça também não pode acompanhá-los: é a única cardiologista do lugar, há muitos pacientes que necessitam de sua presença e o interior nada lhe oferece.

Hoje é dia de chorarmos, pois sentiremos saudades de todos. O casal partirá, e os dois filhos, apesar de estarem por perto, casarse-ão em breve. Todos foram importantes na minha vida e na de minha família, pois nos fizeram ver que temos responsabilidades uns pelos outros, que a vida só é plena se fizermos algo que nos sublime a humanidade. Você gostou dessa história de destinos, leitor? Linda, não?! Lindo mesmo seria se esse sonho de bondade se realizasse mais que uma vez em cem, não é mesmo?! E lindo, lindíssimo, no exagero maior do superlativo, seria se, nos anseios da mediocridade social, sempre mascarada por discursos rasos, prescindíssemos das forminhas finais de chantilly, hem?!

Memórias esparsas – Flagrantes da Vida Real (Releitura Analítica)

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

A sorte serve-se, às vezes, dos nossos defeitos
para nos elevar. (FRANÇOIS, Duque de La Rochefoucauld –
*Paris, 15.09.1613; +17.03.1680).

“Memória como o único paraíso de onde não se pode ser expulso.”

1 INTRODUÇÃO – Inexistência de Total Saúde

Certamente não assiste razão a quem cogita na noção de uma humanidade dispensada de toda a doença, na ideal fruição de saúde. Contrariamente ao pretendido pela OMS (BUSS, 2000), ao prescrever ausência patológica total e gozo de bem-estar completo, sempre haverá um senão, seja um ai! no corpo ou mesmo um ui! na alma. Normalmente ocorre a afluência dos dois, via de regra multiplicados nos seus influxos negativos, ao residirem, sem nosso habite-se, tanto em meio corporal quanto no círculo anímico.

Este ponto é objeto de acuradas reflexões por parte de preclaras autoridades da Ciência Médica e seus esgalhos disciplinares e afins, merecendo ressalto o psiquiatra e pioneiro da Neurologia, facultativo estadunidense Walter Riese [Berlin, 30.06.1890; Richmond (Virgínia), 1976].

Em estudo de 1959 – A History of Neurology – como assinala aquele expoente, uma perfeita higidez física e mental faria menos rica a raça de hoje, porquanto um imenso campo de atividade lhe seria poupado e recusado.  Na intelecção de Riese, uma pessoa idealmente sã jamais nos ensinaria tudo de sua capacidade, até seu ponto maior de resistência, quando as moléstias, corpóreas e psíquicas, acham de acometê-la.

Entre vários exemplos reproduzidos pela História, sob tal aspecto, remeto-me a uma leitura feita na infanto-adolescência (a propalada aborrecência), salvante lapso rememorativo, na Nova Seleta, organizada pelo escritor cratense Romão Filgueiras Sampaio (18.11.1915 – 28.01.1994), sendo oportuno pinçar o caso de Helen Adams Keller (1880-1968), do qual procederei a relato ligeiro um pouco à frente, cotejando-a com Antônio de Araújo Costa Filho (2008), cujo Memórias Esparsas – Flagrantes da Vida Real termino de reler.

2 MEMÓRIA E REGRESSÃO

Aqui, procedo a uma digressão, em expediente mais parecido com um colchete ou até uma chave. Sem perder, entanto, o liame com as mencionadas defeituações materiais e da psique, peço a vênia do leitor para compor parêntese maior, a fim de me reportar à memória, cuja falta representa manifestação enfermiça peculiar, nas mais das vezes, à idade cronológica, sendo algo não muito fácil de entendimento, nomeadamente por parte de leigos nesta seara, conforme sou.

Nem todas as pessoas, evidentemente, são favorecidas com a propriedade de preservar e trazer à evocação certas situações de consciência há muito passadas e tudo aquilo quanto a elas está associado. Há algum tempo, exempli gratia, a pouco e pouco, me vinha o lapso de memória, o conhecidíssimo branco.

Agora, contudo, ao descer os degraus vitais, em obediência ao normalíssimo fim organísmico (consoante sucede com o fenômeno do nascimento) e ao qual a sociedade ocidental ainda não se habituou –  me aportam muitas dessas alvuras escurecedoras da lembrança, obstando-me o processamento dos dados.

Em sentença lapidar, de quando em vez repetida, Napoleão Bonaparte exprimiu: cabeça sem memória, cidadela sem guarnição. Entrementes, o escritor alemão, apreciado produtor do livro Titã e Héspero, João Paulo Frederico Richter, exprimiu a memória como o único paraíso de onde não se pode ser expulso.

A vida e a literatura estão, por conseguinte, pontilhadas de remissões a este conceito, e não somente renomeados autores, em todas as línguas literárias, registaram suas lembranças e as legaram à posteridade, pois, mesmo não sendo escritores de ofício, seres dotados desta faculdade, em quantidade considerável, assinalam, à farta, sua existência por intermédio da pontoação de suas recordações, editadas em receptáculo de papel e, hoje, em suportes eletrônicos.

Evocação, porém – é cediço – constitui circunstância complicada, supondo a manutenção de expressões anteriores, sua reprodução e revivescimento, bem como a própria localização. A faculdade da lembrança, decerto, não depende unicamente da mudança de elementos nervosos, mas reclama ligações dinâmicas entre estes. Assim, quanto mais se repetir a associação de tais componentes, tanto mais a ideia será preservada.

De tal sorte, este talvez seja o fenômeno explicativo de serem as evocações mais velhas as derradeiras a aparecer, pela via fenomênica da regressão, estádios já percorridos pela pessoa em seu desenvolvimento, em circunstâncias de estresse e experiências de conflitos interiores e externos.

Evidentemente, por ser fora de propósito, não alimento a tenção de ensaiar nesta senda na qual sou insipiente, pois contraposta aos meus assuntos de exame. Nada obsta observar, entretanto, a necessidade de a imagem recordada se confirmar como algo já conhecido.

3 HELLEN KELLER E COSTA FILHO

Dessa maneira, depois de tergiversar da temática principal ora sob relato, volto a Helen Keller, fecunda escritora dos EEUU, a quem um ataque de escarlatina tolheu a visão e subtraiu a audição, quando contava apenas um ano e sete meses e, no entanto, sob os cuidados de Anne Sullivan (1866-1936), aprendeu muitas línguas e História Latina, havendo escrito vários livros da mais distinta verve criadora, pintando paisagens e descrevendo sons. Com sua força de fé, revelada na autobiografia A História da minha Vida, disse haver criado seu mundo, pois, “[…] com visão, fiz para mim os dias e as noites, divisando nas nuvens o arco-íris e, para mim, a própria noite se povoou de estrelas”. (Apud LELLO & LELLO, 1983).

Transpondo, com efeito, todo esse balanço negativo, Helen Keller demonstrou na doença, imposta como um fado, a possível vertente perpétua de enriquecimento da Natureza. Daí a opinião de Walter Riese, há pouco expressa, para quem a noção do homem, do qual moléstia e padecimento estejam ausentes, será sempre imperfeita.

Ao proceder a um cotejamento de HK com Antônio de Araújo da Costa Filho, autor de Memórias Esparsas – Flagrantes da Vida Real (EDUECE-2008), vejo haver sido ele guardado pelo desvelo de sua família. Enriqueceu-lhe o caráter o fato de haver sobrelevado as limitações físicas, pois não teve a ventura de, na realidade do Tio Sam, deparar uma Anne Sullivan a lhe seguir os passos, alumiar-lhe a senda vital e a ele conceder os favores permitidos a Helen Keller, tornada paradigma de superação.

4 CONCLUSÃO – A Obra de Costa Filho

Ao considerar os comentários procedidos na seção imediatamente anterior deste curto escrito, nem  por isso, todavia, Antônio de Araújo Costa Filho deixou de se crer propício à vida, dignitário de sua condição humana, admiravelmente revelada nos exemplos da peleja, resignação e vitória, bem no espírito do pensamento de Walter Riese, consoante é expresso no esforço de açular a memória e ajuntar seus alfarrábios para reuni-los em um volume, denotativo do seu preparo intelectual, na constância da autodidaxia, sem ocorrer sub tegmini fagi da escola formal e com seu ror de limitações.

Autodidata e na solidão de suas faltas corporais, porém, alcançou mais este galardão, o qual, distante de ser um triunfo de Pirro, aflui à opinião rieseana, cuja ideia de homem, sem neste haver doença nem sofrimento, será perpetuamente inexata.

Costa Filho, nesta seleção de muito bem trabalhados escritos, demonstra, à exuberância, a aptidão humana do sobrepujamento, malgrado os desprovimentos orgânicos, na conquista de um de seus anelos desde há muito acalentado, fazendo-o – e isto é o mais relevante – de modo inteligente, tanto no conteúdo como no formato, legando-nos uma peça literária e artística de indiscutível valor, produzida no recôndito de seu corpo fisiologicamente defeituoso, no encoberto de sua alma vizinha da perfeição e nos escaninhos de um coração referto de amor.

REFERÊNCIAS

BUSS, Paulo Marchiori. Promoção de Saúde e Qualidade de Vida. Ciência e Saúde Coletiva. V.5.n.1, 2000, pp. 163-77.

COSTA FILHO, Antônio de Araújo. Memórias Esparsas – Flagrantes da Vida Real. Fortaleza: Editora da UECE (EDUECE), 2008.

LELLO, José; LELLO, Edgard (Dir.) Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro em 2 volumes. Porto: Lello & Irmão, 1983.

MESQUITA, Vianney. Arquiteto a Posteriori. Fortaleza: Imprensa Universitária – UFC, 2013. 252 pp.

RIESE, Walter. A History of Neurology. New York, MD. Publications, 1959.

A volta ao de sempre

CLAUDER ARCANJO, Membro Correspondente da Academia Cearense da Língua Portuguesa

— Calma! Isso tudo vai passar.

Resolveu, então, ouvi-lo e resistir. As mazelas do isolamento consumiam-lhe o juízo, mas decidiu se submeter ao regramento imposto.

&&&

Certa manhã cobrou-lhe resposta, pálido e com as forças combalidas:

— Passou? Posso sair?

O amigo olhou-lhe com a ternura dos crédulos e asseverou:

— Logo, logo entraremos num novo normal. Nada será como antes. O sacrifício valerá a pena.

— …

Conteve o protesto; a engolir, cuspe amargo da revolta, o que sairia de sua boca após as reticências. E se enfiou, uma vez mais, na solidão.

&&&

Um ano depois a porta se abriu, e o seu amigo entrou, a anunciar:

— A cidade está livre! Novos dias, áureos tempos. Estamos em festa. A partir de agora nada mais será como antes.

Ele, então, fez a barba, aparou o bigode, vestiu o seu melhor terno, perfumou-se. Contudo, mal pôs os pés na rua, concluiu: “Estou de volta ao de sempre”.

Estudante em nosso espelho!

Profª RITACY AZEVEDO, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 23

Quem é você, estudante?
Para si,
Para mim,
Para o outro?
Para o seu lugar?
Para o mundo?
Para si?!!

Que tamanho tem você no espelho, estudante?
Em quantos graus ele o amplia?
O que faz nele? Para quê? Para quem?
E por quê! E como faz? E por quê?

Quem é você no nosso espelho da vida?
Em que posição se vê?

Eu o vejo refletido, estudante!
Eu já o vi tanto em dúvida!
Eu já o vi levado no vento!
Eu já o vi rolando na onda!
Eu já o vi cansado e sem rumo!

Mas já vi outro em você!
Você crescido no espelho!

Finque o pé, estudante!
Pegue prumo!
Finque o pé!
Deixe passar o vento,
Com seus tantos outros seres, cenas e visões!

Finque o pé!
Fique um pouco!
Defina-se para tentar acertos!
E saia tirando firme o pé da areia frouxa que tentar retê-lo!
Segure o corpo bamba que tenta seguir a leva!

Finque o pé, estudante!
Você não mudará tudo!
Não mudará o vento, não mudará as ondas!
Não mudará a todos!
Mas poderá mudar a si!
Poderá mudar a mim e a tantos outros seres como tu!

Você mudará uma fatia do mundo!
Lute contra o vento!
Finque o pé!

Ritacy  Azevedo, 11/08/2020