Gerúndio

Prof. Myrson Lima – Cadeira n°14 (28 de novembro de 2017)

1. É uma forma verbo-nominal, juntamente com o infinitivo e o particípio, que ocupou o espaço do antigo particípio presente.

Expressa uma ação que está em curso, ou ocorre simultaneamente, ou remete a uma ideia de progressão.

2. É caracterizado pela desinência –ndo precedida da vogal temática.

Exemplos:

  • amando; escrevendo; partindo.

3. Usa-se na forma simples e na forma composta (auxiliar no particípio composto e nas locuções)

Exemplos:

  • Falando, correndo, partindo.
  • Tendo (ou havendo) falado, corrido, partido.
  • Estar (ficar, continuar, permanecer, andar) falando. (Os portugueses diriam “estar (ficar, continuar, permanecer, andar) a falar”.)

4. O gerúndio indica um processo ainda incompleto, que pode expressar ou uma ação contínua;

  • ou uma ação antes da ação expressa pelo verbo da principal;
  • ou uma ação simultânea, ao lado do verbo da principal, com valor adverbial,
  • ou uma ação com ideia de progressão.

Exemplos:

  • Ficou escrevendo um artigo para a revista.
  • Vi alunos passeando no Iguatemi.
  • Estamos assistindo a uma palestra.
  • Expressões de alegria iam raiando em seu rosto.

5. Além do aspecto verbal, o gerúndio apresenta também um aspecto nominal, assumindo a função de advérbio ou de adjetivo.

Quando assume o valor adverbial, é utilizado sozinho ou com outros verbos.

Exemplos:

  • Fazendo assim, a cena muda (Se fizer assim)
  • Reclamava chorando (com choro).
  • Amanheceu chovendo (com chuva).

6. Modernamente, aceita-se o emprego do gerúndio com valor de adjetivo, para indicar qualidade dinâmica ao substantivo em oposição ao adjetivo que, comumente, atribui ao nome uma característica estática.

Exemplos:

  • Traga uma água fervendo. (Ninguém diz água fervente).
  • Sanduíche viajando. (Ninguém diz sanduíche viajante).
  • Decolagem autorizada: torre sabendo (sabedora de).

“Pelo grande cobertor não cumprindo nada das aparências”. (F. Pessoa)

7. Há uma tendência, apesar da condenação dos puristas, que veem nisso um galicismo de sintaxe, de alargar o uso do gerúndio como adjunto, equivalente a uma oração adjetiva. Tais formas gerundiais correspondem ao antigo particípio presente, ou seja, de natureza nominal, verdadeiros adjetivos.

Exemplos:

  • Um cofre contendo belíssimas joias (que contém).
  • Uma gramática registrando novos usos na linguagem (que registra).
  • Ouço o vento soprando (que sopra).
  • Há ainda muitas viagens, esperando-me (que me esperam).
  • Recebi dele um e-mail pedindo emprego (em que me pede).

Para Rodrigues Lapa (in Estilística da Língua Portuguesa), o emprego do gerúndio é, em certos casos, preferível à oração relativa.

8. O gerúndio, às vezes, é usado sozinho com sentido imperativo.

Exemplo:

  • Saindo! – dizia o professor para os alunos.

Vejam-se casos em que o emprego do gerúndio se apresenta inadequado:

a. Quando as ações expressas pelos dois verbos, gerúndio e verbo principal, não puderem ser simultâneas.

Exemplos:

  • Chegou sentando-se.
  • Adolfo Caminha nasceu em Aracati, entrando na Marinha de Guerra, transferindo-se para Fortaleza.

b. No início do período, quando a ação expressa pelo gerúndio é posterior à do verbo principal.

Exemplo:

  • Sendo detido duas horas depois, o assaltante fugiu.

NB – Depois da oração principal, o gerúndio pode expressar uma ação posterior, se equivale a uma oração iniciada pela conjunção e.

Exemplo: Os alunos chegavam à sala, ocupando em seguida as primeiras carteiras (e ocupavam)

c. Quando ocorre o encadeamento de gerúndios em que um se subordina ao outro.

Exemplo:

  • Entendendo dessa maneira, o problema vai-se pondo em uma perspectiva melhor, ficando mais clara situação.

10.

a) O gerúndio deve apresentar ideia de continuidade. Verifica-se isso, quando pode ser substituído pelo infinitivo regido da preposição

Exemplos:

  • Estava o deputado escondendo o dinheiro (a esconder)
  • Vi o vigia fiscalizando o quarteirão (a fiscalizar)

b) O gerúndio vem, muitas vezes, combinado em locuções com os auxiliares estar, andar, ir e vir, marcando uma ação durativa.

Exemplos:

  • Estavam dormindo profundamente.
  • O país anda vivendo dias de incerteza.
  • Vão-se acendendo as estrelas uma a uma.
  • A luz de um novo tempo vem chegando devagar.

c) O emprego do gerúndio é considerado tão problemático que alguns escritores procuram substituí-lo. O que é passível de crítica, no entanto, é o seu uso abusivo, inadequado.

d) Na redação, serve para evitar a repetição do conectivo que ou o emprego excessivo dos conectivos das orações desenvolvidas.

Exemplos:

  • Ele disse que deve haver indivíduos de tendências totalitárias, que preferem tal candidato (preferindo)
  • Ouço o vento que sopra e as árvores que crescem (soprando – crescendo)
  • Quando proferiu o deputado tais palavras, a assembleia dirigiu-lhe vaias e insultos, que confirmavam a grande revolta com as mudanças propostas pelo governo. (Proferindo – confirmando)

Gerundismo

É o emprego do gerúndio em forma de perífrases, acarretando a ideia temporal de futuro em vez do momento presente em curso.

É considerado um vício de linguagem e constitui-se um excesso linguístico em que se apela desnecessariamente para a perspectiva de um futuro com o intuito de reforçar a ideia da continuidade.

Prefere-se, no gerundismo, uma construção mais complexa com emprego de três verbos, em vez de apenas um ou de uma locução verbal. Verifica-se tal modismo principalmente em serviços de telemarketing e de atendimento ao consumidor.

Exemplos:

  • O senhor pode estar respondendo a um questionário?
  • Nossa empresa vai estar lhe enviando o modelo.
  • Outros exemplos com as devidas correções:

a) Vou estar transferindo sua ligação. (Gerundismo)

Vou transferir sua ligação. (Forma aceitável)

b) Desculpe, senhora, mas estamos tendo que fazer tudo manualmente. (Gerundismo)

Desculpe, senhora, mas temos que fazer tudo manualmente.(Forma aceitável)

c) Os estudantes vão estar pesquisando em casa na próxima semana. (Gerundismo)

Os estudantes vão pesquisar/ pesquisarão em casa na próxima semana (Forma aceitável)

d) Vamos estar encaminhando sua solicitação (Gerundismo)

Vamos encaminhar/ encaminharemos sua solicitação (Forma aceitável)

Exercícios resolvidos

Marque o uso adequado (S) e o inadequado (N), segundo a norma culta, quanto ao emprego do gerúndio.

  1. Chegou à sala cantando. (S)
  2. Chegou à sala sentando-se. (N)
  3. Ficou escrevendo a matéria. (S)
  4. Vi um jardim florescendo. (S)
  5. Vi uma caixa contendo fotografias do entrevistado.(S)
  6. Não vá ao apartamento à noite, pois vou estar dormindo. (N)
  7. Eu estarei dormindo, quando você chegar. (S)
  8. Alugou a casa tendo o número 40 de cor tirando a negro. (N)
  9. Desse jeito, ele vai levando a vida. (S)
  10. Vou estar transferindo a ligação em instantes. (N)
  11. Estarei transferindo a ligação, enquanto você pega os documentos. (S)
  12. Não me procure amanhã, porque vou estar viajando. (N)
  13. Eu vou estar pagando a você amanhã. (N)
  14. Chegando os convidados, começaram a reunião (S)
  15. Aluga-se casa, tendo três quartos, tendo luz e esgoto. (N)
  16. Trouxe água fervendo para o banho. (S)
  17. Vi o deputado contando dinheiro. (S)
  18. Irei estar enviando a nota fiscal amanhã. (N)
  19. Estamos conversando ao telefone. (S)
  20. Continuamos aprimorando nossos conhecimentos. (S)

Soneto Undecassilábico

“SONET’ÂNCIA”

                            Vianney Mesquita*

No começo dos ’80, ministrava na U.F.C. a disciplina Prática de Redação para estudantes do Curso de Comunicação Social, matéria obrigatória com seis módulos de quatro créditos, do primeiro semestre ao sexto.

Dos diversos escorregos linguísticos perpetrados contra nosso código, um dos que mais apareciam era a prática – inocente – daredundância, com significação assente na ideia de superfluidade, na superabundância vocabular desnecessária, com pleonasmos e abusos na ornamentação do discurso oral e escrito. Este só perdia para as escorregadelas ortográficas e impropriedades de concordância e regência de substantivos, adjetivos e verbos.

Além de haver a oportunidade de juntos corrigir esses excessos, afiguravam-se realmente engraçados os fatos sobejados dos escritos de alguns estudantes, os quais, pela míngua de maiores exigências e cuidados durante o primeiro e segundo graus – como se chamavam, então – esses descuidos (“lapso de engano de erro equivocado”, dizíamos, brincando) continuavam a baldear o repertório grafado de quem iria comunicar teores pelo caminho dosmedia massivos, evento realmente desabonador, se viesse a suceder.

De tal modo, era obrigatório que se cuidasse de removê-los o mais depressa possível, para que o futuro comunicador não ludibriasse o imenso universo de receptores, na contextura dos quais há milhões e milhões que acreditam cegamente em tudo o que é veiculado pelos meios de propagação maciça, de sorte que poderiam alargar consideravelmente, em progressão geométrica, o espectro de recepção equívoca dessas mensagens.

Numa das turmas, havia alguns ensaístas versificadores de boa qualidade, hoje poetas reconhecidos, e outros, como eu, curiosos e interessados, por diletantismo, no âmbito da cultura manifesta por via do metro. Divisei, então, a oportunidade de proceder a um exercício por meio dos sonetos, que, após alguns anos no limbo, em especial depois da Semana da Arte Moderna (fevereiro de 1922), eram praticados, sem muita obediência aos cânones dessa grade métrica, por muitas pessoas ligadas às letras e outras meramente amadoras e diletantes.

Compus, então, o undecassílabo – catorze versos com onze acentos, dois quartetos e dois tercetos – intitulado Sonet’ânciaeo ipso, soneto + redundância, para exame em sala de aula, com vistas a afastar das redações dos mass media esse viés do cadáver do defunto morto que morreu de morte morrida, do pássaro de asas, dos há dez anos atrás etc.

          Espero, contudo – e isto é por demais relevante – que a audiência dos meios onde essas linhas chegam, configurada na outra ponta da mensagem, não me assaque a tacha de redundante e “analfa”, porquanto os motivos para este exercício foram há pouco meridianamente explicados, de modo que a configuração da peça, lotada de vocábulos e expressões palavrosas e pleonásticas, foi feita para emprego somente em laboratório, vedado, por conseguinte, o seu curso pelo desmedido agrupamento de pessoas – a recepção mássica do recado comunicativo.

Vamos ao soneto.

SONET’ÂNCIA

Ensaio cavalgar meu jegue asinino,
Na fazendola rural, a fazendinha,
Terra particular, propriedade minha,
Onde, aliás, monto meu Pégaso equino.

Subo, para cima, em hirta e reta linha,
À procura, em caça a um porco suíno.
Pois houvera, antes, atacado a rinha
De galos, que brigavam luta de inopino.

Vi, então, com um sorriso nos lábios,
O meu porco bácoro preso e cativo.
E logo, breve, anotei nos alfarrábios

Carpatácios: “o porqueiro cerdo é vivo:
Então, pois, farei como os sapientes sábios:
Deixá-lo-ei renascente e redivivo”.

O PENSAMENTO NO ENSINO DA REDAÇÃO

HORA DO VENÁCULO – 28-6-2017

                                   Prof. Valdemir Mourão – Cadeira nº 19

Se considerada toda a amplidão em que se engloba o pensamento, há de se admitir que quando um aluno é privado de certas experiências, as consequências logo aparecem na mudança de seu comportamento, por isso que, quando ele apresenta um comportamento impulsivo, por exemplo, o professor costuma atribuir isto à falta de pensamento: a pessoa não para para pensar (cf. Raths, 1977). 

Ainda em Raths, pode-se encontrar outro exemplo de que o aluno não se concentra:

Em certo momento, não presta atenção ao que está fazendo e, por isso, fracassa em seu trabalho. Geralmente se supõe que isso resulte de negligência de rigor nos processos de pensamento. Quando existe acentuação de pensamento no currículo, os alunos tendem a modificar seu comportamento. Quando existem frequentes oportunidades para participar de grande diversidade de processos que exigem pensamento, a frequência de comportamento impulsivo tende a diminuir (Idem).

Pode-se aceitar que é possível transpor a capacidade de pensar do aluno à expressão escrita, dando-lhe oportunidade para exercer essa capacidade, aplicando processos que o levam ao exercício do pensamento através da escrita, pois é fundamental, ao escritor, “ter oportunidade para pensar e para discutir o pensamento”(Ibidem), para que ele consiga harmonizar o pensar e o escrever.

Redigir é, afinal, uma das formas de manifestação da linguagem a qual determina o pensamento que, por sua vez, é útil ao desenvolvimento da linguagem, cuja relação (pensamento-linguagem) é advertida por Greene (1976) ao afirmar que falar acerca do pensamento, ignorando a linguagem, seria uma forma extremamente incompleta de abordar o assunto. 

Por ser o pensamento um elemento determinado pela linguagem e por ser a redação uma das formas de manifestações da linguagem, sente-se, então, a necessidade de se partir da produção do aluno, porque a sua produção deve refletir o seu pensamento (ou a sua consciência) e a sua variedade linguística, se já não decapitada pela repressão do ensino tradicional. 

É oportuno transcrever relações possíveis entre o pensamento e a linguagem atribuídas por Greene (1976), para que se entenda melhor tal ligação: 

  1. A linguagem é necessária ao pensamento e determina-o;b) O pensamento precede a linguagem e é necessário ao seu desenvolvimento; c) Linguagem e pensamento têm raízes independentes.

Também vale apresentar duas funções distintas da linguagem, para que se tenha ciência de que a linguagem e o pensamento partilham o mesmo código linguístico, daí a interligação entre ambos, reforçando, assim, a existência de um auxílio mútuo:

A linguagem tem duas funções distintas: a comunicação externa com os seres humanos nossos semelhantes e, de igual importância, a manipulação internade nossos pensamentos íntimos. O milagre da cognição humana é que ambos esses sistemas usam o mesmo código linguístico e, assim, podem ser reciprocamente traduzidos – com mais ou menos êxito (Ibidem).

Ainda referente ao pensamento, dentro do que interessa para este trabalho, tem lugar uma transcrição de Lima (1970):

O pensamento é uma atividade mental que envolve a manipulação de símbolos, sinais, conceitos ou ideias simbolicamente representados. (…) Se Considerarmos a memória como um arquivo, pensamento é o termo (sic) utilizado para descrever as diversas maneiras que temos para recuperar, examinar, combinar e reagrupar as informações arquivadas. A memória, a aprendizagem, o pensamento e a linguagem são processos intimamente (sic) interligados.

Este enunciado diz respeito especificamente ao que interessa esta pesquisa, visto que mostra que há ligação entre as operações de pensamento, a aprendizagem e a linguagem (elementos frequentes no ato de redigir e indispensáveis ao ensino deste ato). 

Se, por outro lado, o processo que estimula o aluno ao uso do pensamento – que deve refletir no seu comportamento e na sua linguagem – deve ser uma tarefa do professor, a mudança em si deve ser do aluno. Logo, compete ao mestre criar em cima da redação do aluno atividades que provoquem pensamento, que ativem a sua consciência, para que a alteração apresentada por ele recaia na sua própria produção: assim, fica detectada a influência do pensamento no ensino da redação. 

Para que isso ocorra, no entanto, com maior eficácia, presume-se que se deva partir da manifestação escrita do aluno, ainda que com suas variações, sem, todavia, estigmatizá-las, para se alcançar a língua padrão. Feito isso, poder-se-á levar o aluno a conhecer diferentes variações linguísticas e usá-las convenientemente, quando solicitado a expressar-se por escrito, refletindo, portanto, um melhor ordenamento do binômio pensamento-linguagem. 

As atividades sugeridas, a partir da produção escrita do aluno, podem ser desde a reestruturação de frases do texto, de períodos e de parágrafos, além de substituições de verbos, de complementos e/ou de sujeitos. 

O importante, portanto, é que estas atividades ativem o pensamento do aluno para que ele transforme a sua variação linguística em norma culta.

                        SUGESTÕES PARA OS PROFESSORES DE LÍNGUA

            Diante dos resultados favoráveis encontrados, a partir da aplicação de Operações de Pensamento, resta sugerir alguns pontos óbvios e implícitos no decorrer do trabalho.

  1. Que as operações de pensamento sejam aplicadas durante o trabalho de análise da produção do aluno.
  2. Que este trabalho seja feito também junto às composições de outras disciplinas, mesmo diante daquelas que têm como base o número. Acredite: Isso é possível.
  3. Que o trabalho de estudo da composição do aluno abranja a análise do código linguístico e doconteúdo, além da reestruturação frasal no texto e do uso de elementos coesivos.
  4. Que o ponto fundamental do trabalho de produção e análise de texto seja levar o aluno a refletirsobre a própria produção, fazendo-o sentir ou produzir a harmonia entre o pensar e o escrever.
  5. Que, mesmo com os conteúdos programáticos impostos pela escola, seja dada ênfase ao pensamento e ao uso da língua como fator final da produção da linguagem.
  6. Que a norma culta seja o fim do processo do ensino de língua, mas nunca o princípio nem o meio, e que este fim não sirva de repressão do uso da variação linguística do aluno.
  7. Que o processo de correção não seja um mero apontar de erros, mas um motivo de análise do ato de comunicação do indivíduo, sem que estes erros sirvam de punição para o aluno.

            Com a aplicação dessas sugestões por parte do professor, poder-se-á crer em uma possívelexpressão escrita mais próxima dos desejos dos mestres de língua.  

                      

                                    BIBLIOGRAFIA

  1. BAKHTIN, Mikhail (V. N. Volochínov), (1986).Marxismo e filosofia dalinguagem. 3ª ed.,   

       São Paulo, Ed. Hucitec. (tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira).

  1. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda (s.d.).Novo dicionário dalíngua portuguesa. 1ª  

       ed., 4ª impressão, RJ, Ed. Nova Fronteira.

  1. GREENE, Judith (1976). Pensamento e linguagem. 2ª ed., RJ, Zahar.
  2. GAGNÉ, Gilles (1983).Norme et enseignement de la languagematernelle. InBédard Edith

       e Jacques Manrais (org.). La norme linguistique, Québec, p. 463-509.

  1. GARMADI, J. (1973).Introdução à sociolinguística. Lisboa, Publicações Dom Quixote.
  2. GENOUVRIER, Emile e PEYTARD, Jean [1973].Linguística e ensinodo português. Coimbra,

       Almedina. (Tradução de Rodolfo Ilari).

  1. GUILLAUME, Gustavo (b, 1973).Leçons de linguistique,1948-1949, série C, Grammaire

       particulière du français et grammaire générale (IV), publiées par Roch Valin, Québec,   

       Presses de l’Université Laval et Paris, Klincksieck.

  1. JOHNSON, Wendell (1977).Impossível redigir redação.In: Uso e mau uso da linguagem,

       org. por S. I. HAYAKAWA (Tradução: Paulo V. Damásio Filho). SP, Pioneira.

  1. LIMA, Lauro de Oliveira (1982).O ensino reprovado: adaptado por autor desconhecido de

      “Oliveira Lima: Acabou no Brasil a escola normal”. Int: O GLOBO, RJ, p. 12, 2ª clichê, 09:02.

  1. MIRA Y LÓPEZ, Emílio (1966).El pensamiento:leyes y factores, límites y possibilidades del

       pensamento. Buenos Aires, Editorial Kapelsusz.

  1. MIRANDA, José Fernando (1985).Arquitetura da redação.7ª ed., ampliada e reformulada,

       Sagra, 3º V.

  1. OLIVEIRA FILHO, Paulo de (1987).Fundamentos da redação.SP, Lua Nova Editora.
  2. RATHS, Louis Edward; ARTHUR, Jonas; ARNOLD, M. Rothstein e WASSERMANN, Selma

       (1977). Ensinar a pensar: teoria e aplicação. 2ª ed., SP, EPU. (Tradução: DANTE MOREIRA LEITE). 

Emprego do Infinitivo

ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA – 40 anos

Hora do Vernáculo – Prof. Myrson Lima – Cadeira nº14 – 28.3.2017.

             

            O infinitivo é uma das três formas nominais do verbo (infinitivo – gerúndio – particípio).

             São assim chamadas, porque assumem a função de nome (substantivo – advérbio – adjetivo).

Exemplos:

Estudar dá cultura.

Estudando, conseguirás aprovação.

Encerrada a reunião, nós nos retiramos.

 

  1. Infinitivoimpessoal: É inflexível, sem sujeito. Apresenta o verbo sem nenhuma especificação de modo, de tempo, de número, de pessoa. É a forma que encontramos registrada nos dicionários. Corresponde a um substantivo puro e provém do infinitivo latino em – re. Exemplos: amare, venire, audire.

Exemplos: Orar e trabalhar são duas importantes atividades do ser humano. Viver. O maior mandamento é amar o próximo.

 

  1. Infinitivo pessoal: Há referência a uma pessoa do discurso. Possui sujeito próprio ou o mesmo sujeito do verbo com que se articula. Poderá ou não flexionar-se.

Exemplos:   

Declararam estar prontos para o concurso.

Elas supõem sermos honestos.   

 

  1. Infinitivo pessoal flexionado: com flexão de número e pessoa.

Exemplos: amar eu, amares tu, amar ele, amarmos nós, amardes vós, amarem eles.

Às vezes, com flexão zero (1ª. e 3ª. pessoas do singular)

É esse infinitivo pessoal flexionado, mal regulamentado pela gramática, que se constitui um idiotismo da língua portuguesa.

 

  1.  Infinitivo pessoal não flexionadohá referência a um sujeito, mas a forma se confunde com a do infinitivo impessoal. De uso frequente nas locuções verbais.

Exemplos:

Eles não podem fazer tudo sozinhos.

As crianças brincam sem saber que há perigos no jardim.

    Observações:

  • Não são claramente definidas pela gramática todas as regras do emprego do infinitivo pessoal flexionado e do infinitivo pessoal não flexionado. São registradas apenas as tendências que se observam em seu emprego.
  • A opção entre a forma flexionada ou não flexionada pertence mais ao campo da estilística do que propriamente da gramática.
  • Geralmente, quando mais se quer realçar a ação, prefere-se a forma não flexionada, quando se realça o agente, usa-se a forma flexionada.

 

               Infinitivo flexionado

É flexionado, entre outros casos, quando

  1. a)O verbo tiver sujeito próprio, diferente do sujeito da oração principal.

       Exemplo: Declaramos estarem prontos os trabalhos.

  1. b)O verbo for reflexivo.

Exemplo: Foram obrigados a se refugiarem ali.

  1. c)Quando houver ideia de reciprocidade.

Exemplo: Vivem juntos sem se incomodarem.

  1. d)Quando vier preposicionado, antecedendo a oração principal.

Exemplo: Para passares no processo seletivo, é preciso muito estudo.

 

Infinitivo não flexionado

É não flexionado, entre outros casos, quando houver

  1. a)o sujeito do infinitivo idêntico do verbo regente.

Exemplo: Declaramos estar prontos para a viagem.

  1. b)uma locução verbal.

Exemplo: Queremos sair cedo.

  1. c)um pronome oblíquo como sujeito do verbo seguinte.

Exemplo: Vi-o sair.

  1. d)um sentido passivo.

Exemplo: Textos fáceis de ler.

 

  • O infinitivo é, muitas vezes, confundido com o futuro do subjuntivo. Para que isso não ocorra, coloca-se antes a preposição por para identificar o infinitivo e a conjunção quando ou se para o caso de futuro do subjuntivo.

Exemplos: Foi condenado por falar a verdade. Quando eu falar a verdade…

 

Desafio 1

Vocês devem, sempre que possível, fazer ou fazerem a fiscalização?

Resposta:

A resposta é vocês devem fazer a fiscalização.

Regra: Em locuções verbais, deve-se usar o infinitivo pessoal não flexionado.

Outros exemplos:

Os peritos devem analisar o avião acidentado com urgência.

Os contribuintes poderão pagar antecipadamente o Imposto de Renda.

Vamos estudar todos os casos de corrupção.

Desafio 2

Os técnicos estão aqui para resolver ou resolverem o problema?

Resposta:

O correto é os técnicos estão aqui para resolver.

Regra: Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo da primeira oração, deve-se usar a forma inflexionada.

Outros exemplos:

Os torcedores vieram ao estádio só para vaiar o time.

Nós saímos a fim de almoçar juntos.

 

Desafio 3

Declaramos estar ou estarem prontos os relatórios?

Resposta: A resposta é estarem prontos os relatórios.

Regra: O infinitivo se flexiona, quando os sujeitos dos verbos são diferentes.

Outros exemplos:

O diretor mandou os funcionários irem à reunião.

A bolsa fez os preços subirem.

 

Desafio 4

O professor liberou seus alunos para ir ou para irem ao jogo? 

Resposta: O aconselhável é o professor liberou os alunos para irem ao jogo.

Regra: Em caso de ambiguidade, é aconselhável flexionar o infinitivo.

Outros exemplos:

O juiz pediu aos escrivães para saírem da sala.

O fotógrafo solicitou aos presentes para mudarem a cena.

 

Desafio 5

Mandei-os entrar ou mandei-os entrarem?

Resposta: A resposta é mandei-os entrar.

Regra: Se o sujeito do infinitivo for expresso por um pronome oblíquo (= o, os, a, as, lo, los, la, las no, na, nos, etc.), com verbos causativos ou sensitivos (mandar, deixar, fazer, ver, ouvir, sentir e sinônimos), a praxe é não flexionar o infinitivo.

Outros exemplos:

Fui vê-los fazer a apreensão / Fui ver os auditores fazerem a apreensão.  

Deixei-os sair para a palestra / Deixei os alunos saírem para a palestra.

Fizeram-nos renunciar ao mandato / Fizeram os deputados renunciarem ao mandato.

 

Desafio 6

Eles foram proibidos de sair ou saírem?

Resposta: O aconselhável é foram proibidos de sair.

 Regra: Não se flexiona o infinitivo com preposição que funcione como complemento de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo principal.

Outros exemplos:

Os manifestantes foram impedidos de entrar. Os retardatários foram obrigados a ficar em pé.Eles têm necessidade de estar sempre discutindo.

 

Desafio 7

Foram obrigados a se refugiar ou se refugiarem no banco?

Resposta: O aconselhável é foram obrigados a se refugiarem.

Regra: O infinitivo se flexiona, se o verbo for reflexivo.

Outros exemplos:

As crianças tiveram de se esconderem do psicopata.

Os acusados foram convidados a se apresentarem ao chefe.

 

Desafio 8

Vivem juntos sem se incomodar ou se incomodarem?

Resposta: O usual é vivem juntos sem se incomodarem.

Regra: Quando houver ideia de reciprocidade, o infinitivo se flexiona.

Outros exemplos:

Eles convivem sob o mesmo teto sem se agredirem.

Eles saíram da reunião após se cumprimentarem.

 

Desafio 9

Textos fáceis de interpretar ou textos fáceis de interpretarem?

Resposta: O aconselhável é textos fáceis de interpretar.

Regra: Quando houver o sentido passivo, o infinitivo não se flexiona.

Outros exemplos:

Havia relatórios difíceis de concluir.

Tabelas fáceis de elaborar.

 

Desafio 10

Alegram-se por ter ou terem visto o cantor?

Resposta: O aconselhável é alegram-se por terem visto o cantor.

Regra: Para alguns gramáticos, convém flexionar o infinitivo, quando é possível a substituição por uma forma modal.

Explicação: Alegram-se por terem visto o cantor (alegram-se, porque viram o cantor)

Outros exemplos:

Já tivemos oportunidade de nos retratarmos. (de que nos retratássemos)

Afirmo terem chegado os computadores. (que chegaram)

Treinar os atletas para estarem aptos a competir. (para que compitam)

REMÉDIO PARA BARATA

(Periplaneta americana)

Vianney Mesquita

Em determinada ocasião, aqui em Fortaleza, fui a um depósito de material de construção, em verdade um empório de mercadorias não comestíveis, em razão da enorme variedade de produtos, e pedi a um dos caixeiros (palavra fora de moda = balconista) algum REMÉDIO PARA BARATAS.

Incontinenti, ele, alegre e zombeteiro, me respondeu, indagando: – “Então, as bichinha do senhor tão doente?” (sic).

A pergunta produziu nas demais pessoas, de fora e dentro do balcão, um jorro de riso, pela graça realmente originada, em decorrência da falta de conhecimento – dele e de seus circunstantes – a respeito das características homonímicas e polissêmicas de termos e dicções do léxico português, fato, aliás, a tornar este código glossológico uma língua admiravelmente literária.

A surpresa e o aborrecimento, entretanto, bem depois, se dissolveram, quando cuidei do fato de aqueles compradores e caixeiros da loja constituírem um conjunto desprovido de maiores haveres informativos, com escolaridade insuficiente para o alcance daquilo por mim retrucado, ao explicar ao protagonista do chiste, evidentemente com termos diversos dos expressos à frente, o fato de ele não ter razão, pois REMÉDIO possui diversas acepções, aplicáveis na dependência de certas necessidades e circunstâncias.

Impossível é dizer, todavia, não me haja o motejo causado enfado, conforme adiantei, notadamente pelo fato de haver ocorrido publicamente. Passemos a refletir, contudo, tendo por mote este sucesso passado no depósito, a respeito de algumas significações do termo “remédio”.

Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2005) colheram no Fichário do Índice do Vocabulário Português Medieval, de Antônio Geraldo da Cunha (Fundação Casa de Rui Barbosa. Rio de Janeiro, 1986), o ano de1390 como o de registro do vocábulo REMÉDIO, palavra polissêmica por excelência, consoante pode ser divisado à frente.

Cumpre informar, por oportuno, o significado, em Lexicologia e Linguística, do termo polissemia, hic est, a propriedade de certas palavras e expressões denotarem bem mais de um sentido, como  ocorrente em:

–  manga –1 de camisa; 2 de farol; 3 fruta (propriedade do fruto comestível); 4 local de pastagem de animais; 5 verbo mangar; etc.;

 

– quarto – 1 posição de número quatro numa sequência; 2 correspondente a cada uma das partes da divisão de um todo (um quarto de litro); 3 aposento ou divisão da casa onde se dorme (alcova, dormitório); 4 partes laterais da região da coxa (meia bunda) etc.

– prato – 1 vasilha; 2 comida; 3 iguaria; 4 de balança; 4 de banda de música; 5 manzape; 6 guloseima, 7 notícia em voga (prato do dia) etc.

Sob o prisma da Gramática, a polissemia é fenômeno ordinário nas línguas naturais, sendo incontáveis os vocábulos expressos por seu intermédio. É diferente de homonimia, por ser a mesma palavra e não unidades de ideias com procedências diversas, as quais convergiram foneticamente.

São causas da polissemia, apontadas por Houaiss e Villar (Opus citatum):

–  empregos figurados, por metáfora ou metonímia, extensão de sentido, analogia etc; e

–  empréstimo de acepção expressa pela palavra noutra língua.

Seu étimo é do francês polysémie, procedente do grego polúsëmos, os on, – “com muitos sentidos” (grego poli- = numeroso; sema- = ato, sinal, marca + o sufixo ia).

REMÉDIO é, pois, como exprimi, noutros torneios, para o caixeiro do depósito à Avenida Jovita Feitosa, aqui na Capital, em acepção estendida, tudo aquilo – substância ou recurso – empregado não somente para combater uma doença ou fazer cessar uma dor, mas também expediente para amatar sofrimentos morais, atenuar os males da vida, eliminar uma inconveniência, um mal, um transtorno.

REMÉDIO configura um recurso, uma solução; instrumento de proteção, para auxilio ou remendo de falha ou defeito. É emenda, corretivo, “regulagem”, retificação.

Como vocábulo polissêmico por excelência, por exemplo, no campo jurídico, refere-se a uma providência para reparar um dano ou estabelecer relação de direito interrompida (“REMÉDIO jurídico”). A Penitência ou Confissão, terceiro Mandamento da Igreja Católica, é “REMÉDIO” religioso; no mesmo passo, a seção do divã do psicanalista representa “REMÉDIO” psicológico.

Na sua ampla variação sinonímica, REMÉDIO” é, ainda, droga, emenda, expediente, forma, jeito, maneira, medicamento, meizinha, curativo, penso, modo, recusa, saída, salvatório.

Por qual pretexto, então, remédio deixaria de ser veneno para acabar com as minhas saudáveis e serelepes “Periplanetae americanae” de estimação?

OBS. Peço atenção para o fato de eu não haver empregado vez nenhuma a partícula “quê”, para render homenagem ao professor. e nosso acadêmico, Itamar Espíndola, o qual era “quêfobo

NUMERAIS : GRAFIA E USO

Academia Cearense da Língua Portuguesa

Hora do Vernáculo – 29.8.2016.

 

NUMERAIS : GRAFIA E USO                                                    

                 

  1. Geralmente, não se iniciam frases com algarismos. Em tais casos, o número deve ser escrito por extenso. Exemplo: Vinte e nove anos completou minha filha. Exceção para o ano civil. Exemplo: 2015 foi um ano difícil para o país.
  2. Escrevem-se os algarismos de 1.000 em diante, usando-se o ponto, exceto na indicação do ano civil. Exemplos: Havia 45.674 torcedores na Arena Castelão. Moro na rua Princesa Isabel, 1.181. Nasceu em 1984. Estamos no ano de 2016.
  3. Na sucessão de papas, soberanos, séculos e capítulos, os números são ordinaisaté dez e os cardinais de onze em diante.

No português do Brasil, na enumeração de artigos de leis, decretos e portarias, emprega-se o ordinal até nove, daí por diante emprega-se o cardinal. Exemplos: Paulo VI (sexto); Pio X (décimo); Século IX (nono); Capítulo XXII (vinte e dois). Arts. 2º (segundo) e 3º (terceiro); Art. 10 (dez).

  1. 4. Os algarismos romanos são muito usados para esses casos acima, bem como para numerar assembleias, conferências, simpósios, encontros, congressos, etc. Cuidado com o vício de se colocar a abreviatura do ordinal (º), após o número romano.
  2. O numeral ordinal, como o nome indica, usa-se para indicar ordem ou série em que estão dispostos os seres e as coisas.Se o número anteceder o substantivo, emprega-se o numeral ordinal. Exemplos: Trigésimo capítulo, segunda sessão.
  3. Por brevidade e economia, usam-se muitas vezes os cardinais em vez dos ordinais. Exemplos: Página vinte e um em vez de “página vigésima primeira”. Moro na casa 1.985 desta rua em vez de “moro na milésima, nongentésima, octogésima quinta casa desta rua”.
  4. Segundo a Instrução Normativa nº 4, da Secretaria da Administração Federal. 6. 3.92. (Cf. D.O. de 4.3.92)“os numerais devem ser escritos por extenso quando constituírem uma única palavra (“quinze”, “trezentos”, “mil” etc.). Quando constituírem mais de uma deverão ser grafados em algarismos (“25”; “141” etc.).

Os numerais que indiquem percentagem seguem a mesma regra: a expressão “por cento” será grafada por extenso, se o numeral constituir uma única palavra (“quinze por cento”, “cem por cento”), e na forma numérica seguida de símbolo “%”, se o numeral constituir mais de uma palavra (“142%”, “57%”, etc.).

  1. “Os valores monetários devem ser expressos em algarismos, seguidos da indicação, por extenso, entre parênteses. Se o valor a ser mencionado estiver localizado no final de uma linha, não deve ser separado: o cifrão deve ser colocado em uma linha e o numeral na seguinte”.
  2. Usam-se algarismos em tabelas, relatórios econômicos, quadros estatísticos, demonstrativos, horários, etc. Empregam-se algarismos quando se indica ordem ou sequência (capítulo, páginas, folhas, modelos, canais, nomes de veículos, apartamentos, estradas, etc.). Exemplos: Canal 10; BR 222; CE 085; lápis nº 2; 2º ato; pág. 135; Apolo 7; Casa 2; Ap. 1.001.
  3. Usa-se, porém, igualmente algarismo na indicação de zonas, regiões, distritos, na indicação de resultados esportivos, na indicação de latitude e longitude, em contextos financeiros e bancários, na seriação de competições, resultados de votação, etc.
  4. 11. Quanto ao gênero,os cardinais são invariáveis, com exceção doumdois e as centenas de duzentos a novecentos. Exemplos : Uma banana;  duzentas bananas.
  5. Milhar, milhão, bilhão, trilhãosão substantivos masculinos. Os artigos e os numerais que os acompanham devem ficar, pois, no masculino. Exemplos: Um milhão participou da eleição. Os dois milhões e quatrocentas mil vítimas da guerra. Os milhares de homens. Os milhares de mulheres. Morreram dois milhares de crianças no conflito.
  6. Milhar, milhão, bilhão, trilhãopodem ser acompanhados da preposição de, quando seguidos de nome. Exemplos: Um milhão de judeus morreu (ou morreram). Os milhares de plantas.
  7. Milé numeral. O artigo e o numeral que o acompanham concordam com o substantivo que se segue. Exemplos: Os dois mil homens. As duas mil mulheres.
  8. 15.Mais demenos de exigem a concordância verbal com o numeral a que se refere. Exemplos: Mais de um conseguiu bolsa. Mais de dois conseguiram bolsa. Menos de quinze acadêmicos compareceram à sessão.
  9. Nonumeral fracionário, o verbo concorda com o numerador, segundo a maioria dos gramáticos. Exemplos: Um quinto dos eleitores preferiu este candidato. Dois quintos preferiram.
  10. Quando houvernúmero percentual, o verbo vai para o plural obrigatoriamente, se o termo especificador estiver também no plural; e preferencialmente vai para o singular, se o termo especificador estiver no singular. Exemplos: Trinta por cento dos alunos saíram. Trinta por cento da turma saiu (ou saíram).
  11. O primeiro dia do mês é indicado preferencialmente por ordinal. Exemplos: Em 1° de maio, comemora-se o Dia do Trabalho; em 1° de abril, o Dia da Mentira.
  12. Onumeral multiplicativo indica o aumento proporcional da quantidade. Exemplos: duplo (dobro, dúplice); triplo (tríplice); quádruplo; quíntuplo; sêxtuplo; sétuplo; óctuplo; nônuplo; décuplo; cêntuplo. Exemplos: A sala estava com o quádruplo da capacidade. O salto triplo. A sêxtupla aliança.
  13. Onúmero fracionário exprime parte da unidade. Exemplos: meio, terço, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, onze avos, doze avos, etc De mil em diante, o fracionário tem a nomenclatura do ordinal (milésimo, milionésimo, bilionésimo, trilionésimo). Os fracionários são normalmente empregados como substantivos com exceção de meio. Exemplos: Um terço da farinha. Meia (numeral fracionário) maçã (substantivo).

Observação: Avos é um substantivo fictício tirado da terminação de oitavo.

 

“Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para as frases; o algarismo não tem frase nem retórica.”  Machado de Assis  (Crônica de 15 de agosto de 1876 )

 

Prof. Myrson Lima – Cadeira nº 14