O DIONISÍACO E O APOLÍNEO NO TRATADO DO SUBLIME

Um Tratado de arte requer antes da definição do assunto, o estabelecimento de um método para se conseguir essa definição. Sendo esta a proposta inicial do Tratado do Sublime, era de se esperar que a preocupação com o método levasse o texto a enveredar pelos labirintos exclusivos do apolíneo. Essa preocupação inicial vai se desfazendo à proporção que o autor estabelece pressupostos para conseguir o Sublime. Antes porém de adentrarmos os meandros desse texto, é interessante conhecermos alguns dados da sua autoria.

O Tratado do Sublime foi composto na primeira metade do século I da Era Cristã. Sua autoria pode ser de Longino, ou de Dionísio, ou de Dionísio Longino, ou ainda preferencialmente atribuída a um Anônimo. O que importa, no entanto, é saber que a obra se refere a um texto anterior de autoria de um mestre de retórica judeu, chamado Cecílio, que ensinava em Roma, no tempo de Augusto; e que o Anônimo, como o chamaremos daqui para a frente, julga incompleto, por ser “insuficientemente desenvolvido e erroneamente orientado, pois não tocava nos pontos essenciais” (BRANDÃO, 1988, p. 11).

Cecílio era defensor do acticismo, que significa correção gramatical e pureza da linguagem acima de tudo, e combatia a tendência oposta que propalava a genialidade, o entusiasmo e a paixão, mesmo com pequenos defeitos, como superação da pura correção e da mediocridade. O Anônimo não critica o acticismo, critica o exagero purista quando este vem em detrimento da liberação do Sublime em toda sua grandeza. É tanto que entre a persuasão (apolínea) e o arrebatamento (dionisíaco), ele prefere o segundo, mesmo achando que a função do método é esporear e frear os gênios ainda que prefira antecipar numa escala de valores, o “ter sorte” (natural) ou “tomar boas decisões” (artístico).

Há uma forma preliminar de conhecer o Sublime, que o Anônimo atribui ao evitar os vícios. Nesse tocante, ele apresenta emoções que não levam ao Sublime como a pena, os sofrimentos e os temores. Depois cita “qualidades frustradas” do estilo, ou seja, o estilo afetado, o estilo frio e o patético que não seja oportuno. Daí que o verdadeiro orador não pode ter sentimentos menores, pois a grandeza existe naturalmente nas palavras dos que possuem pensamentos graves. E por falar em grandeza, ele a coloca como substituidora da força, quando a juventude desemboca na velhice. Como parâmetro para essa colocação, o Anônimo cita o caso de Homero. Afinal, a Ilíada como mais dinâmica, marcada por mais ações e mais combate, vai dar lugar à Odisseia, mais narrativa, mais lenta, no entanto, marcada por maior grandeza e ponderação de seus personagens. Entre esses personagens, por que não colocar o próprio Homero, que, como autor, no envelhecimento, é um sol que se põe?

Após sugerir como evitar o vício, o Anônimo apresenta cinco fontes do Sublime literário. As duas primeiras dizem respeito aos pensamentos e sentimentos. São inatas, congênitas e inerentes ao ser humano. A primeira é “alçar-se a pensamentos sublimados”. A segunda é “a emoção veemente e inspirada”. Como se vê, as duas primeiras são dionisíacas. As três últimas, no entanto, são de natureza linguística, porquanto, apolíneas. São elas: as figuras, a nobreza da expressão e o ritmo.  Está nessa divisão, como se vê, o duplo modelo proposto pela retórica antiga, qual seja, a relação “natureza/ars” – pensamento e a relação “res/verba” – linguagem. Vamos então enfatizar aqui, as três fontes do Sublime que são centradas na linguagem, acentuando o valor principal das figuras, que não deixam de ser quase que uma matriz das outras duas, ou seja, da “nobreza da expressão” e do “ritmo”.

A primeira figura que o Anônimo apresenta como instauradora do Sublime, é a apóstrofe: “figura de juramento, o qual endeusa os antepassados, sugerindo que se deva jurar pelos que morreram, como se jura pelos deuses” (BRANDÃO, 1988, p. 14). O assíndeto é necessário para dar a impressão de alvoroço, já que as orações surgem como que desligadas umas das outras sem, no entanto, perderem a fluência. O efeito oposto é conseguido pelos conectivos e pelas perífrases, que servem para abrandar o “áspero da emoção forte”. Outra figura apresentada, é a epanáfora, que aparece apenas em forma de exemplificação, mas que coincide, modernamente, com o que é definido pelos estudiosos do assunto, ou seja: “repetição da mesma palavra, no princípio dos versos ou em cada membro do período” (BARROSO; LIMA, 1957, p. 479). O hipérbato é definido como “figura pela qual a ordenação das palavras e pensamentos é tirada da sequência regular; e é, por assim dizer, o mais verdadeiro cunho duma emoção violenta” (BRANDÃO, 1988, p. 22). Como se vê, pouco ou quase nada difere do que hoje dizem as gramáticas: “separação de palavras que pertencem ao mesmo sintagma, pela intercalação de um membro frásico” (CUNHA; CINTRA, 1985, p. 610). O hipérbato alcança o Sublime, dando a impressão de que mesmo com toda a expressividade, o discurso seja improvisado. Outras figuras que aparecem estudadas no texto do Anônimo, com menos ênfase, são: os poliptotos (ato de empregar, num período, uma palavra sob diversas formas gramaticais), as metáboles (ato de repetir uma ideia com termos diferentes), as acumulações, as gradações e as enálages: “troca de categoria gramatical, gênero, número, caso, pessoa, tempo, modo ou voz de uma palavra, por outra categoria, gênero, etc” (BRANDÃO, 1988, p. 23).

Entre as figuras, o Anônimo atribui um tratamento especial às metáforas, para isso, são apresentados três momentos sublimes do seu uso na poética clássica. Primeiro, em Demóstenes, para quem a metáfora é produto da ocasião; depois em Aristóteles, que utilizava “suavisadores” ainda hoje praticados, como as expressões: “como se”, “por assim dizer”, “se assim deve dizer” ou “se é preciso falar com mais temeridade”; e finalmente Platão. É em Platão, onde o uso de certas metáforas alçou voos tão longos, que muitas ainda hoje se aninham nos vastos espaços na modernidade. Afinal, ele chegou ao Sublime com felizes comparações do tipo: “a cabeça, uma acrópole; o pescoço, um istmo construído entre ela e o peito; as vértebras, diz ele, foram assentadas à maneira de dobradiças; a língua, pedra de toque do gosto; o coração, nó das veias; os condutos do corpo, desfiladeiros; e o pulmão, um estofado para amortecer o choque da cólera” (BRANDÃO, 1988, p. 32).

Apesar de enfatizarmos o estudo das figuras, o que o Anônimo considerava “anomalias” linguísticas, e nós consideramos uma “deformação” (dionisíaca) para se chegar a uma “reformação” (apolínea), o que objetivamos desde o início foi chegar a um posicionamento do autor com relação à obtenção do Sublime, levando-se em conta principalmente suas críticas iniciais ao apolíneo Cecílio. Mas para surpresa nossa, o que se observa é uma equidistância que o Anônimo estabelece entre as duas tendências, preferindo uma mesclagem entre ambas. Daí que, a conclusão que se extrai de todo o Tratado do Sublime, com relação a essa questão, é que o Anônimo defende uma perfeição resultante do equilíbrio entre: natureza e arte, persuasão e arrebatamento, o ter sorte e o tomar decisões, pensamento e linguagem, sensação e juízo, “deformação” e “reformação”, indivíduo e humanidade, o sistemático e o assistemático, enfim, um equilíbrio entre o dionisíaco e o apolíneo.

REFERÊNCIAS

BARROSO, Gustavo; LIMA, Hildebrando de. Pequeno dicionário brasileiro da Língua Portuguesa. 9. ed. São Paulo: Editora Civilização Brasileira S/A, 1957.

BRANDÃO, Roberto de Oliveira. Três momentos da poética antiga. In: A poética clássica/Aristóteles, Horácio, Longino. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1988.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Nova gramática do português  contemporânea. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

A Pontuação vai além dos pontos

  1. O que é pontuação?

 

Sentido etimológico (João Henrique): A palavra pontuação vem do termo latino punctuare (de punctum).

Pontuação, etimologicamente, é, pois, “a ação de pontuar, ou seja, de empregar corretamente os sinais de pontuação na escrita”.

Para Alexandre Passos, “a pontuação destina-se a dar, imediatamente, ao leitor, a ordem lógica do pensamento.” (…) O fim, pois, da pontuação é a clareza da linguagem, a qual por sua vez, leva clareza ao pensamento e distinção às ideias”.

Afirma Douglas Tufano: “Os sinais de pontuação são recursos que usamos na escrita para indicar as pausas ou a entonação de leitura, para realçar algum elemento ou para deixar claro o sentido da frase, evitando ambiguidades ou equívocos.”

Muito interessante também o pensamento de Mauro Ferreira: “O emprego dos sinais de pontuação contribui para a organização textual e, consequentemente, para a clareza e para a eficiência comunicativa do texto; muitas vezes é também fundamental para a expressividade dos enunciados”.

Resumindo:

A pontuação inclui sinais e procedimentos. Assim, podemos perceber a importância das pontuação, na escrita, e na oratória; e podemos considerá-la em dois sentidos restrito e amplo.

Pontuação em sentido restrito – emprego  dos tradicionais sinais de pontuação: ponto, vírgula, dois-pontos, ponto e vírgula, ponto de interrogação, ponto de exclamação, travessão, etc., visando, principalmente, às pausas, entonação de voz e ênfase.

Pontuação em sentido amplo – abrange toda a estruturação e organização de um texto (e do livro), através de sinais e procedimentos convencionados: o emprego parágrafos, alíneas e incisos, do apóstrofo e do asterisco; certos usos do hífen e da barra; os grifos em geral (itálico, negrito, sublinhado, etc.); as esquematizações; tamanho e fonte das letras; cores; o formato do texto, margens, espaços, divisões, subdivisões…

  1. Pontuação: finalidade e funções

 

Finalidade (ou função) principal: auxiliar na coesão, coerência, elegância e clareza do texto

Pausas e entonação da voz

Realce e expressividade

Distinção de elementos

Separação e estruturação

Apoio

Pontuação subjetiva

Pontuação objetiva

Pontuação distintiva

Pontuação subsidiária

Coesão

Coerência

Elegância

Clareza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os sinais de pontuação quanto à função:

 

→ Predominantemente melódicos, ou seja, indicam pausa emocional: o ponto de interrogação ( ? ); o ponto de exclamação ( ! ); as reticências ( … ); o travessão (– ); os parênteses ( (  ) ); as aspas, simples ( ‘ ’ ) e duplas ( “ ” ).

→ Predominantemente pausais: o ponto ( . ) – indicando pausa conclusiva; a vírgula ( , ), o ponto e vírgula ( ; ) e os dois-pontos ( : )– indicando pausa não conclusiva.

→ Sinais estilísticos, de destaque, ou ênfase: a vírgula, o ponto e vírgula, os dois-pontos, as aspas, o travessão, os parênteses (estes principalmente);

→ Sinais distintivos certos empregos dos sinais de pontuação quando identificam ou separam dados ou elementos, ou partes do discurso, e outras indicações específicas (na comunicação linguística).

. → Sinais subsidiários os sinais que servem de apoio em linguagens técnicas e científicas, segundo normas e convenções específicas. Ex.: o emprego dos sinais na Matemática.

 

Observações:

1ª) A pausa e a melodia vêm associadas.

2ª) Como lembra Joaquim Mattoso Câmara Júnior (Manual de expressão oral e escrita), a pontuação é usada “para suprir, na escrita, a ênfase dada pelo tom de voz, a mímica, incluindo-se a expressão fisionômica e o jogo de pausas e cadências da linguagem oral. (…) mas nunca de maneira absoluta no que se refere à correspondência entre as pausas de suspensão rápida de voz e as vírgulas, porque por uma convenção tradicional as razões de ordem lógica [ou seja, sintática] interferem aí com as de natureza meramente rítmica”. Portanto, entre os sinais pausais, consideremos também a função de separação dos termos da frase.

3ª) Os sinais de pontuação, em geral, têm potencial enfático.

  1. Origem e evolução histórica da pontuação

 

Finalidade inicial. “A pontuação surgiu para ajudar as pessoas a ler em voz alta. Até alguns séculos atrás, a maior parte da população não sabia ler e, por isso, as poucas que sabiam precisavam ler em voz alta. Para ajudar essas pessoas na Antiguidade, sinais conhecidos como “pontos’ eram adicionados às páginas dos textos. (…) Esses pontos indicavam aos leitores quando deveriam fazer uma pausa ou respirar, e o que deveriam enfatizar.” (Úrsula Dubosarsky)

A pontuação remonta da Antiguidade, antes mesmo dos manuscritos em papiros e pergaminhos. Vem da longínqua época de inscrições em pedras, muralhas e túmulos, Entre os séculos II e IV a.C.

→ O ponto. Primeiro sinal registrado. Surgiu, não com a função de pausa, mas como sinal distintivo: para separar as palavras, que eram escritas com todas as letras maiúsculas, e estas a igual distância um as das outras; e nas abreviações de palavras.

→ Os antigos também separavam as palavras com dois ou três pontos alinhados verticalmente, ou em triângulo, em quadrado, em rombo, ou em losango; há registros xX; outros com um pequeno círculo em preto ou em branco; com desenho, como uma cruz, um coração; e até ramos de folhas.

Aristóteles (séc. IV a.C.) conhecia o uso dos pontos. Nos seus manuscritos(Rhetorica), lamentava não poder fazer pausa nos escritos de Heráclito.

Cícero (De Oratore, séc I a. C.) alude a sinais destinados a pausas e modulação de voz na leitura (‘libreriorum notae, notas dos livreiros ou dos leitores).

→ Aristófanes de Bizâncio (séc. II a.  C.). Separava os diferentes membros do discurso por meio de três sinais: o ponto perfeito, para indicar a conclusão do sentido, colocado à extremidade superior da última palavra; o subponto, posto na posição do ponto atual, mas indicando a suspensão da frase, ou seja, a pausa para respiração equivalente a dois fôlegos; e o ponto médio, posto em meia altura da última letra, indicava um sentido ligeiramente suspenso pela ponto. Correspondiam essas anotações, respectivamente, aos nossos modernos ponto, dois-pontos e vírgula. E a alínea, que serviu algumas vezes para separar os membros ou submembros do discurso, formando versículos. Mais tarde, segundo os beneditinos, São Jerônimo introduziu esta distinção, por versículo ou verseto, nos manuscritos da Santa Escritura, a fim de facilitar a leitura.

Até o séc. IX da Era Cristã, faltou uniformidade, e mesmo emprego, na pontuação. Mas, neste século, houve certo predomínio do ponto seguindo Aristófanes (nas três posições), especialmente pelos latinos; o ponto e vírgula é usado no fim de frase, para marcar as interrogações.

No séc. X, no império de Carlos Magno, se deu a latinização das denominações gregas dos sinais: koma (= tronco) passou a incisum (= que corta ou separa palavras), depois vírgula em português – embora em espanhol continue coma; kolon passou a membrum (= membro), depois punctum.

No século XV, a invenção da imprensa disseminou o sistema de pontuação. Especialmente com o aparecimento dos livros modernos, porque os primeiros impressores não seguiam as regras existentes de pontuação, ainda não universalmente observadas nesse século.

Séc. XVI,

Surge o hífen. Segundo João Ribeiro (apud Alexandre Passos) uma pequena figura semelhante a um arco de círculo), “posto acima e no fim da palavra para indicar estreita ligação com o vocábulo seguinte”.

Antenor Nascentes (apud Jorge Viana de Moraes) tem versão diferente sobre a origem do hífen: “Chamado divisão por Duarte Nunes de Leão e conjunção por Madureira Feijó, era formado por um traço pequeno horizontal, um v e outro traço horizontal. Perdeu depois o v e os dois traços foram reduzidos a um”.

O impressor francês Guillemin inventa as aspas (guillemets, em francês). Antes, o discurso direto era marcado por um grifo, como o sublinhado. Aparecem os grifos ou itálicos, como usamos hoje.

O gramático português João de Barros (também no séc. XVI) chama de pontos as notações sintáticas.

(séc. XVII):

Duarte Nunes de Leão lista: a vírgula, o ponto, o ponto e vírgula (embora não lhe dê este nome), o ponto interrogativo, o ponto admirativo, o parágrafo e o meio círculo; e ainda, as reticências e o travessão.

O ponto interrogativo representado por uma variante em forma de gancho da letra Q, abreviatura da palavra latina QUAESTIO (pergunta); e a última letra dessa palavra representando o ponto inferior do sinal.

No século XVIII:

João de Morais Madureira Feijó, em Ortographia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a língua portugueza (1739), cita os dois pontos e o parêntesis com a forma atual; apresenta o sinal §, significando signum sectionis, sinal de seção ou divisão; e ainda outras notações léxicas, entre as quais, o asterisco e o apóstrofo.

O símbolo do parágrafo era então um triângulo retângulo com um dos lados numa linha horizontal superior e outro numa vertical.

Somente no séc. XIX, passa-se a escrever com mais rigor de pontuação. Acumulação de todo esse cabedal histórico. Contudo, lembra o Prof. João Henrique que escritores famosos não o faziam. E cita Alexandre Dumas, que se notabilizou “por sua parcimônia, quase, diríamos escassez de emprego de sinais”.

 

  1. Curiosidades atuais.

 

Segundo Dubosarsky, o interrobang ( ), foi patenteado por Martin Speckter, em 1962, para substituir o emprego simultâneo do ponto de interrogação e do ponto de exclamação.

Não vingou. Teria sentido? Um sinal indicar essas diferentes pausas melódicas (as sequências ?! / !?)?. Vamos conferir:

Que país é este?! / Que país é este!?

Outro fato curioso é o que está ocorrendo com o travessão. Vê-se o uso de um só sinal (o traço menor ou o maior) tanto para o hífen, quanto para o travessão, sobretudo nos jornais,

Será que tal procedimento vai vigorar?

A barra ( / ), um dos mais novos sinais de pontuação tem largo emprego, quer substituindo o hífen, ou parênteses, quer em aplicações próprias.

Sobre parêntese, parênteses, parêntesis (orientação ortográfica):

O parêntese (cada parte deste sinal, a abertura ou fechamento; a inserção cercada por esses sinais; desvio da conversa; sinal matemático).

Os parênteses: o sinal com as duas partes.

O parêntesis, os parêntesis (s. c. de gên.).

Abrir parêntese. / Abrir parêntesis. Fechar parêntese. / Fechar parêntesis. Escrever entre parênteses. / Escrever entre parêntesis.

Dubosarsky alerta ainda para o fato de que a pontuação muda inclusive geograficamente. A interrogação, por exemplo, no grego é assinalada pelo ponto e vírgula; no árabe, o mesmo sinal que usamos em português, mas posto no início da frase, com a abertura ao contrário; já o espanhol, além do ponto de interrogação no final da frase, põe outro no início, de cabeça para baixo. Holandeses e finlandeses usam como aspas os sinais <<  >>.

  1. Fontes bibliográficas:

ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática Metódica da Língua Portuguesa. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro:: Lucerna, 2004.

BELTRÃO, Odacir & BELTRÃO, Mariúsa. A pontuação hoje; normas e comentários. 3. ed. S. Paulo: Atlas, 1999.

CAMARA JÚNIOR, Joaquim Mattoso. Manual de expressão oral e escrita. Petrópolis: Vozes, 1986.

CUNHA, Celso & CINTRA, L. F. Lindley. Nova Gramática do português contemporâneo. 5. ed. S. Paulo: Lis Gráfica e editora, 2008.

D’ÁVILA, Suzana. Gramática – uso & abuso. São Paulo: Editoras do Brasil, 1997.

FARACO, Carlos Emílio, MOURA Francisco Marto de & MARUXO JR. José Hamilton. Gramática Nova. São Paulo: Ática, 2012.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da língua portuguesa. Ed. Nova Fronteira.

FERREIRA, Mauro. Aprender e Praticar Gramática. São Paulo: FTD, 2011.

GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna; Aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 6. ed. Rio de Janeiro: Ed. Da Fundação Getúlio Vargas, 1977.

HENRIQUE, João. Pontuação; sua história e emprego. Porto Alegre: Oficina Gráfica do Instituto Técnico Profissional do R. G. S., 1941.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro Salles & FRANCO, Francisco M. de M. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

LAURIA, Maria Paula Parisi. A Pontuação. S. Paulo: Atual, 1989.

LUFT, Celso Pedro. A Vírgula; considerações sobre o seu ensino e o seu emprego. 2. ed. S. Paulo: Ática, 1998.

PASCHOALIN & SPADOTO. Gramática; teoria e exercícios. São Paulo, FTD, 2008.

Passos, Alexandre. A Arute de pontuar (notações sintáticas). Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti. 1959:

PROENÇA FILHO, Domício. Noções de Gramática em tom de conversa; língua portuguesa. S. Paulo: Ed. do Brasil, 2003.

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa Gramática: Teoria e prática. 20. ed. S. Paulo: Atual, 1994.

——————————. Novíssima Gramática Ilustrada Sacconi. São Paulo: Nova Geração, 2008.

SELEÇÕES READER’S DIGEST. Rio de Janeiro: Plural Editora e Gráfica, nov. 2008.

TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa; Gramática. 3. Ed. São Paulo:  Moderna, 1996.

https://educacao.uol.com.br (Sinais de pontuação – Origem histórica dos sinais. Jorge Viana de Moraes)

                   OLÍMPIO ARAÚJO

                   CADEIRA 21

PodRiso? – Que é isso?

Para além da cacofonia: a semiótica e a produção de sentidos

As considerações deste texto foram elaboradas na introdução de um relatório técnico sobre a produção de um podcast, num curso de Comunicação Social – RTV. Esse produto recebeu nome e grafia de PodRiso. E As orientações apontaram para o neologismo, e para   como deve ser pronunciada a nova palavra. Comecei por uma explicação apontada para a grafia transgressora, que, ao mesmo tempo, serve à (ou serve de) identidade visual do produto recém-criado. Com algumas adaptações, fiz este recorte, e contextualizo-o, aqui, como uma reflexão para a Hora do Vernáculo. Expus naquela introdução o que segue nos próximos parágrafos, à exceção do último, que tem por finalidade concluir este breve recorte.

Antes de qualquer outra consideração, é pertinente explicar por que se criou a palavra PodRiso, assim mesmo, com essa grafia que extrapola os processos de formação de palavras da língua portuguesa. Há nisso propósitos mais semânticos e semiológicos do que morfológicos. Mas é bem verdade que esses propósitos não se alcançariam se a palavra não tivesse tal morfologia.

O primeiro elemento da estrutura, [pod-], diz respeito ao produto que representa (podcast). O segundo elemento, [-riso], diz respeito à área temática que remete ao conteúdo do produto. Quer dizer, o riso, com seus requisitos ao cômico e ao humor. Quanto ao R maiúsculo no meio da palavra, a finalidade é orientar a pronúncia, marcando bem o encontro dos dois elementos da estrutura, bem como o que resulta desse encontro. E ainda, além desse resultado, desvia da mente a pronúncia inevitável, mas indesejável para nosso produto, se a grafia fosse com essa letra minúscula, ou, ainda, em caso de uma escolha por caixa alta, com todas maiúsculas.

O R maiúsculo no meio já causa estranheza, e ao mesmo tempo, provoca uma pausa para a percepção de qual pronúncia emitiria algum significado plausível. Isso foi intencional. Quando a palavra é pronunciada, soam cacófatos propositais como (pó de riso) ou (pode riso). E o que isso tem de coerência? No primeiro caso, considerando-se que pó resulta da fragmentação de sólidos, pó de riso, entre outras coisas, pode significar fragmentos de riso ou riso fragmentado (que pode penetrar tanto nas frestas mais apertadas, quanto se espalhar pelos ares, levado pelo vento), por exemplo. No segundo caso, é possível remeter a, apenas, uma permissão para rir ou produzir riso. Assim, pode riso traz em si a possibilidade de remeter a uma liberdade de expressão, e de expressar-se pelo cômico e pelo humor. Pode riso pode ser uma chancela que diz: abaixo a toda repressão que suprime o riso.

Se a grafia dessa letra seguisse o curso natural da língua (em minúscula) resultaria em algo nefasto que não levaria a nenhum reflexo da realidade, pois nada significaria. Não haveria nem mesmo cacofonia. Numa formação normativa da escrita da língua (podriso), desapareciam os significados dos elementos formativos (pod+riso). Consequentemente, desapareceriam junto as significações compatíveis com o produto e os desdobramentos do seu conteúdo. Aliás, tudo se perderia aí, pois podriso não pode ser palavra, justamente porque lhe falta significado. Certamente, ao ser lida, essa sequência de letras soaria algo como (po-dri-so). Mas, e aí? Aonde isso leva, se nada significa? Exatamente ao que qualquer um pode pensar: a nada.

É oportuno lembrar que, ao usar dessa engenharia, não é intenção nossa enquadrar esse neologismo em um processo de formação de palavras normalizado gramaticalmente, mas sim apresentar um recurso, de certa forma, artístico, de produção de sentido. Uma transgressão, é isso que é. Não escolhemos um nome para o podcast que propusemos produzir. Em vez disso, pesquisamos possibilidades até chegar ao que comunicaria exatamente o que pretendíamos dizer, e lhe criamos um nome. A originalidade e a comunicação do PodRiso com as linguagens da arte e da semiótica, dentre outras linguagens, portanto, podem ser observadas e descritas já, de saída, pelo próprio nome PodRiso.

Enfim, seguiu-se, para o batismo desse podcast, ainda que sem muito pensar nisto, uma constante histórica do mundo das invenções e da criação das coisas, a qual observei em outro momento de vida. Certa vez, numa aula de português instrumental, numa turma de Segurança do Trabalho, observando a dimensão tecnológica do hipertexto, lancei a observação, e os alunos se deram conta também de que, para cada invento, pelo menos, lançado no mundo, lançou-se junto um impacto nos vernáculos. Isto, no entanto, é outra pesquisa, oportuna para outra Hora do Vernáculo.

Professora Gorete Oliveira

(Texto para ser apresentado na Hora do Vernáculo da reunião da ACLP de 25 de março de 2021).

Fortaleza, 24 de março de 2021.

Contagem de Oração

Evaristo, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 4o

A Língua Portuguesa tem mostrado, em suas situações de uso, determinados casos diante dos quais o docente, nas suas análises e no exercício dessa prática em sala de aula, vai ter de acionar certos conhecimentos nem sempre familiares ao discente, sobretudo no Ensino Médio. Neste, como é sabido, o ensino gramatical tem passado por profundas e nítidas transformações, no mais das vezes, questionáveis, a mais conhecida das quais é a própria restrição do referido estudo, o que parece por demais contraditório.

Nesta despretensiosa exposição, vamos deter-nos sobre algo aparentemente simples: a contagem de orações de um período, assunto ainda presente em provas de concursos.

É conhecido dos estudantes, por meio de compêndios gramaticais, que uma oração é formada por um componente verbal explícito ou implícito ou por perífrase verbal nessa mesma condição. A título de esclarecimento, perífrase verbal (= locução verbal) é a união de dois ou mais verbos, o primeiro dos quais é denominado auxiliar.

Observe-se esta série de exemplos:

  1. A escola deve cumprir o papel dela.
  2. O time vai viajar à Europa.
  3. O time deve estar viajando neste período.
  4. O livro já deve ter sido lido pelos alunos.
  5. O livro deve ter podido ser lido pelos alunos.
  6. O documento pode estar sendo avaliado pelo tabelião.

Como se evidencia, uma locução verbal pode ser constituída por até quatro ou cinco verbos, e o primeiro deles costuma vir flexionado.

Outro caso que se nos apresenta é o que se expressa com a presença de elipse consubstanciada por um zeugma, ou seja, verbo retrocitado, como aparece nestes versos antológicos de Gonçalves Dias: “Nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores”.

Entretanto, em que pese à simplicidade revelada pelos casos vistos no que tange à contagem de orações, há outros, alguns dos quais vão ser explanados, que suscitam maior observação do analista.

1º Com verbo parecer no singular seguido de infinitivo flexionado;

Exs:

  1. As barcas parece voarem. (infinitivo flexionado)
  2. As crianças parecia chorarem. (infinitivo flexionado)

Em ambas as construções, os verbos pospostos ao parecer, o qual está na 3ª pessoa do singular, estão no infinitivo flexionado, o que sinaliza a existência de duas orações, sendo a segunda subordinada substantiva subjetiva, razão pela qual o primeiro verbo fica no singular. Se o primeiro estivesse no plural e o segundo não flexionado, haveria só uma oração, e a dupla de verbos formaria uma perífrase verbal.

2º Com pronome reto ou substantivo como sujeito com verbo implícito;

Exs:

  1. Tu na trave, não passa bola para as redes.
  2. Os repórteres no gramado, o jogo não começa.

Em ambas as construções, é possível a inserção do gerúndio teórico do verbo estar, com cuja presença se forma uma reduzida de gerúndio de caráter adverbial: “Estando tu na trave” e “Estando os repórteres no gramado”. Na segunda construção, mediante a anteposição da preposição com, o sujeito “os repórteres” passa a ser um adjunto adverbial de causa como termo, a saber: “Com os repórteres no gramado, o jogo não começa”.

3º Com adjetivo ou substantivo no início do período e não deslocável para depois do verbo explícito;

Exs:

  1. Rica, a baronesa não ajudava os pobres.
  2. Príncipe, ele conversava com os humildes.

Como se observa, as duas construções aceitam a inserção do gerúndio teórico sendo, que pode vir antecipado de mesmo ou ainda, advérbios de valor concessivo.

Note-se que tais nomes não são deslocáveis para depois dos verbos explícitos, o que reforça a ideia de que não funcionam como simples predicativo do sujeito conforme defendem alguns estudiosos. Em outros termos, trata-se de dois nomes com valor de oração, diferentemente do que ocorre nestes exemplos: “Irritada, a atriz deixou o palco”; “A atriz deixou o palco, irritada”; “Preocupado, o gerente leu a carta”; e “O gerente leu a carta, preocupado.”.

4º Com conjunção subordinativa sem verbo explícito;

Exs:

  1. Quando preocupado, o artista mostrava muita irritação.
  2. Embora estudioso, o estudante tinha dificuldade nas provas.

Percebe-se, no que toca às frases anteriores, que os segmentos, nos quais há conectivos subordinativos, aceitam, respectivamente, as formas verbais “estava” e “fosse”, o que sinaliza a ocorrência de orações com a elipse do ser, verbo copulativo.

5º Com a locução COMO SE ou pronome QUEM com valor hipotético;

Exs:

  1. O menino se comportou como se fosse um adulto.
  2. Ele fala como quem tem autoridade.

Nas duas construções, é possível inserir ou repetir o verbo da principal no futuro do pretérito, a saber: se comportaria e falaria, no que se configura o caráter hipotético nessas orações implícitas.

Vale ressaltar a ocorrência de braquilogia, emprego de uma expressão mais curta equivalente a outra mais ampla ou de estrutura mais complexa: Procedeu como se fosse um rei, (em lugar de: Procedeu como procederia se fosse um rei.)

Nota: a locução adverbial uma vez também pode trazer um verbo implícito, formando uma oração.

Ex: Uma vez doente, não saí de casa. (=Uma vez estando doente)

Pelo evidenciado dessa breve análise, o reconhecimento das orações revela algumas nuances (as) muitas vezes ofuscadas pela “pílula dourada”, ou seja, o didatismo em excesso, deixando o discente sem o conhecimento de certas estruturas sintáticas que repercutem na semântica dos enunciados.

Atente para as orações destacadas nos períodos, levando em consideração as que estão implícitas entre outros aspectos:

  1. “Capitu confessou-me um dia que esta razão acendeu nela o desejo de o saber.” (M.A, Dom Casmurro, pág.82)
  2. Uma vez no seu discreto quartinho, bateu a porta com força.” (A.C, A normalista, pág.71)
  3. “Não me atrevi a dizer nada; ainda que ajudasse, faltava-lhe língua” (M.A, Dom Casmurro, pág.88)
  4. “João da Mata caminhava devagar, automático, como quem vai com uma ideia fixa.” (A.C, A normalista, pág.41)
  5. “Como estava com a vista curta, falou sem levantar a cabeça, repetindo os conselhos que me dava quando eu era menino.” (G.R, São Bernardo, pág.57)
  6. “O sol declinava rapidamente e a noite, descendo do céu, envolvia a terra nas sombras desmaiadas que acompanhavam o ocaso.” (J.A, Cinco minutos, pág.39)
  7. Quando moça, tinha seus vinte anos, abrira casa na rua da Lampadosa.” (A.C, O Bom Crioulo, pág.41)
  8. “(…) deixei-me ficar na mesma posição e cismei que estava sentado perto de uma mulher que me amava e que se apoiava sobre mim.” (J.A, Cinco minutos, pág.12

Bibliografia

  1. Aguiar, Martins. Repasse Crítico da Gramática Portuguesa. Fortaleza: Casa de José de Alencar, Programa Editorial, 2ª edição, 1996.
  2. Ali, Manuel Said. Gramática Secundária da Língua Portuguesa. 7ª ed. São Paulo: Melhoramentos/s/d
  3. Azeredo, José Carlos de. Fundamentos da Gramática do Português. 3ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
  4. Arnauld, Antoine et al. Gramática de Port-Royal; Tradução Bruno Fregni Basseto, Henrique Graciano Muracho – São Paulo: Martins Fontes, 1992.
  5. Elia, Sílvio. Língua e literatura. 4ª ed. São Paulo. Companhia Editora Nacional, 1974.
  6. Jota, Zélio dos Santos. Dicionário de linguística. 2ª ed. Rio de Janeiro. Presença, 1981.
  7. Kuri, Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática, 9ª ed, São Paulo, 2001. Ática.
  8. Barreto, Mário. Novos estudos da língua portuguesa. 3ª ed. Rio de Janeiro. Presença, 1980;
  9. Barreto, Mário. Últimos estudos. 2ª ed. Rio de Janeiro. Presença, 1986;
  10. Bechara, Evanildo. Lições de Português pela análise sintática. 16ª ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
  11. Cunha, Celso. Gramática da Língua Portuguesa, 3ª ed. Rio de Janeiro, FENAME, 1976.
  12. Luft, Celso Pedro. Moderna Gramática Brasileira. 15ª ed. São Paulo: Globo, 2002.
  13. Macambira, José Rebouças. A estrutura da oração reduzida. Fortaleza: Imprensa Universitária, 1971.
  14. Macambira, José Rebouças. A estrutura do vernáculo. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, 1986.

Hora do Vernáculo – A defectibilidade do verbo CABER

MARCELO, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 18

Antes de iniciarmos a análise sobre a possibilidade de se considerar, diferentemente das gramáticas normativas, o verbo CABER como defectivo, atenhamo-nos à origem da palavra defectivo.

Defectivo vem do Latim DEFECTIVUS de DEFECTUS (falha, fraqueza) – particípio passado de DEFICERE – DE prefixo (separação) + FACERE (fazer).

De acordo com a Norma, são chamados de defectivos os verbos que não apresentam conjugação completa. Isso ocorre especialmente no presente do indicativo e nos seus derivados: presente do subjuntivo e imperativo. A maioria das gramáticas distribuem os verbos defectivos em três grupos, assim classificados:

1º Grupo – verbos que não apresentam a primeira pessoa do singular do presente do indicativo como abolir, colorir, extorquir, explodir

2º Grupo – verbos conjugados apenas nas formas arrizotônicas do presente do indicativo na primeira pessoa do plural e na segunda pessoa do plural como adequar, falir, precaver-se, remir …

3º Grupo – verbos unipessoais e impessoais como miar, coaxar, chover, trovejar…..

Observação – alguns gramáticos apresentam os unipessoais e os impessoais como sendo o 1º grupo.

Exemplo de conjugação dos defectivos de 1º e 2º Grupos

        COLORIR                             ADEQUAR

Presente do Indicativo       Presente do Indicativo

Eu—–Eu——–
TucoloresTu———-
ElecoloreEle———–
NóscolorimosNósadequamos
VóscolorisVósadequais
ElescoloremEles———-


Quanto ao imperativo, os verbos do primeiro grupo poderão ser conjugados no afirmativo na segunda pessoa do singular tu e na segunda pessoa do plural vós, mas não no negativo, visto que o negativo se conjuga de acordo com o presente do subjuntivo sem a primeira pessoa. Já os verbos do segundo grupo apresentarão a conjugação no imperativo afirmativo apenas da segunda pessoa do plural vós. Assim fica a conjugação:

              COLORIR                                                         ADEQUAR

Imperativo  Afirmativo                                     Imperativo Afirmativo

colore

Tu

——–

Tu

———–

Você

——-

Você

———–

Nós

——-

Nós

colori

Vós

adequai

Vós

———–

Vocês

——-

Vocês


Feita essa explanação acerca dos verbos defectivos, poderemos agora entender a defectividade do verbo CABER. Consoante o conceito de defectividade, a Gramática Normativa expõe que os verbos defectivos são aqueles que não apresentam conjugação completa. Essa não conjugação  completa se dá por certos motivos como eufonia (colorir), homofonia (falir) e também pela relação semântica do verbo. É exatamente nessa relação semântica que o verbo irregular CABER poderia também ser classificado como defectivo.

O verbo CABER apresenta conjugação completa no presente do indicativo e, consequentemente, no presente do subjuntivo (tempo derivado da primeira pessoa do presente do indicativo). No entanto, não se conjuga no imperativo afirmativo nem no negativo, embora o imperativo afirmativo seja derivado das 2ª pessoas do singular e do plural do presente do indicativo e o imperativo negativo seja conjugado a partir do presente do subjuntivo sem a primeira pessoa. E isso se dá por qual motivo? Na verdade, pela semântica do verbo. Não há como mandar alguém caber em algum lugar, ou suplicar para que alguém caiba em algum lugar. A ausência da conjugação, no referido modo, não ocorre pelo não uso, como acontece, por exemplo, com o verbo PODER, o qual permite o emprego do imperativo pela sua diversidade semântica, mas não pela ideia de sentido.

Observemos a conjugação do verbo CABER no presente do indicativo e no presente do subjuntivo

                  Presente do Indicativo                            Presente do Subjuntivo

Eu

caibo

Eu

caiba

Tu

cabes

Tu

caibas

Ele

cabe

Ele

caiba

Nós

cabemos

Nós

caibamos

Vós

cabeis

Vós

caibais

Eles

cabem

Eles

caibam

Do aumentativo e do diminutivo

MYRSON LIMA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 14

Aumentativo – Diz-se do grau que acrescenta ao substantivo o caráter de aumento de dimensões. Indica geralmente tamanho, mas pode apontar também disformidade, brutalidade, falta de medida, desprezo, afeto. Emprega-se geralmente o sufixo – ão para o masculino e o sufixo – ona para o feminino: garotão, garotona; xerifão, xerifona. Outros exemplos: cavalão, gavetona, janelona, livrão.

Às vezes, o sufixo -ão é anexado a palavras femininas: cabeça-cabeção; caldeira-caldeirão; casa-casarão; loja-lojão; mulher-mulherão; porta-portão.

Alguns aumentativos, bem como os diminutivos, tendem a separar-se da palavra primitiva a tal ponto que o falante já não recorda sua procedência. Exemplos: barranco (de barro), montanha (de monte), peanha (de pé).

Alguns aumentativos apresentam forma especial sem o – ão, nem o – ona:

cabeçorra; bocarra; brancarrão; mulheraça; vozeirão.

Diminutivo – O substantivo, quanto ao grau, se flexiona em aumentativo e diminutivo. Existem    vários sufixos  para formar    o diminutivo. O mais frequente é o sufixo – inho  ( livrinho, portinha, Mateusinho) e  sua variante – zinho, usado com os vocábulos terminados em consoante (lugarzinho), nasal (nuvenzinha) ou vogal tônica (cafezinho).

Note-se quando o substantivo termina pela letra m, (como ocorreu em nuvem do exemplo acima), substitui-se essa letra pelo n.

Outros exemplos de diminutivos: coisinha, lapisinho, gatinho, bonequinho; cãozinho, pazinha, irmãozinho, fezinha, relampogozinho.

O diminutivo às vezes denota também carinho ou desprezo (paizinho, jornaleco). Há diminutivos que se desgarraram do étimo latino e se constituem novos substantivos com um significado especializado. Exemplos: glóbulo (de globo); ventrículo (de ventre); película (de pele); furúnculo (de furo); úvula (de uva); módulo (de modo); clavícula (de clave); porciúncula (de porção).

(Do livro “Português e algo mais para o dia a dia” a ser publicado depois da pandemia)