S.O.S Português de A a Z

SEBASTIÃO VALDEMIR MOURÃO, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 19

almoços (ô) ou almoços (ó)– Este nome não aceita metafonia, ou seja, mudança de timbre no plural, portanto pronuncie com som fechado (ô) tanto no singular como no plural.

1) “Alguns preferem o Domingo, um dia mais fechado, mais familiar, pontuado de missas, pijamas, almoços solenes e avaliações.” (Juarez Leitão. Sábado estação de viver. p. 19, 2000).

2) (…) “outras festas e comemorações, eram festejadas com almoços e jantares sempre muito alegres…” (Regina Pamplona Fiuza, O Pão da Padaria Espiritual. p. 49, 2011).

Dicionário do Português da rua

belisco / abanar a cara

belisco – sm. – Diz-se de algo em pouca quantidade; o mesmo que beliscão; ato de comprimir a pele do outro com as pontas ou os nós dos dedos ou com as unhas, provocando dor intensa; 1ª pessoa do presente do indicativo do verbo beliscar; ato ou efeito de beliscar(-se); pessoa ou coisa muito pequena.

1. Quando pensei em comer do bolo, achei só um belisco.

2. Quando olhei para o berço, que vi aquela criaturinha tão pequena, disse: meu Deus, é um belisco de gente!

abanar a cara – Ameaçar alguém; agitar a mão à altura do rosto do outro como forma de ameaça.

1. Deu uma de valentão, abanando a cara do outro.        

2. Nunca abane a cara de um homem, se não tiver como se defender.

Predicação verbal – Transitividade verbal

Raimundo Holanda, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 22

Como introito, o dicionário eletrônico, Houaiss, apresenta estes conceitos de predicado.

  1. “Relação semântica existente entre um predicado e um argumento, pelo qual o predicado atribui propriedades à entidade representada pelo argumento”. Ex. A Academia Cearense da Língua Portuguesa congrega plêiades de estudiosos do vernáculo (grifo nosso).
  2. “Aquilo que se afirma ou se nega a respeito do sujeito da oração (p.ex., na frase ele é o maior mentiroso que já existiu, o predicado é quase tudo, com exceção de ele; na frase morreu o maior mentiroso que já existiu, o predicado é morreu)
  3. “Termo ou conjunto de termos atribuíveis, por meio de uma afirmação ou negação, ao sujeito de um juízo ou proposição”.

As gramáticas de nosso vernáculo, de modo especial, as tradicionais, classificam os verbos quanto à predicação em: transitivo direto; transitivo indireto; transitivo direto e indireto; intransitivo; ligação.

Faz-se necessário entendermos o conceito de transitividade.

Mattoso Câmara Jr., In: Dicionário de Linguística e Gramática, 11ª edição, conceitua Transitividade sob dois sentidos: 1) “estrito – necessidade, que há em muitos verbos, de se acompanharem de um objeto direto que complete a sua predicação”. No latim, língua de casos, esse complemento indispensável é expresso pelo acusativo. (V.g. Mater filiam pulchram amat).

O nome TRANSITIVO, dado a tais verbos em latim, decorreu da sua possibilidade de poderem passar para a voz passiva, numa transformação em que o objeto é feito paciente, no caso nominativo. Essa transformação existe em português. (V.g. Pedrinho vê fantasmas; fantasmas são vistos por Pedrinho).

Ler mais…

O Latim e o ensino da Língua portuguesa

RAIMUNDO DE ASSIS HOLANDA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 22

1. O Latim e os dialetos – Breve retrospectiva

O Latim, enquanto idioma, existia desde os tempos pré-históricos, porém foi a partir do século III a. C. que passou a adquirir uma forma literária, construindo-se aos poucos uma gramática com regras explícitas, cuja consolidação se deu por volta do século I a. C., que é considerado o período clássico do latim.

Ao lado do latim clássico, falado e escrito por pessoas letradas, havia o latim popular, latim vulgar, que assumia formas livres e sem a precisão de regras gramaticais, língua falada por pessoas do povo, a plebe.

Deste latim popular, originaram-se as línguas românicas, ou neolatinas, dentre elas, o português, o espanhol, o francês, o italiano.

A partir do século III d.C., com a expansão do cristianismo, a língua latina, com influências eclesiásticas, predominou no ensino do latim, até o início dos anos 60. O latim passa a ser considerado língua morta. Nas palavras de João Bortolanza (UFMS): “com isso, o que morreu foi a diacronia do português”. 

Ler mais…

Soneto Undecassilábico

“SONET’ÂNCIA”

                            Vianney Mesquita*

No começo dos ’80, ministrava na U.F.C. a disciplina Prática de Redação para estudantes do Curso de Comunicação Social, matéria obrigatória com seis módulos de quatro créditos, do primeiro semestre ao sexto.

Dos diversos escorregos linguísticos perpetrados contra nosso código, um dos que mais apareciam era a prática – inocente – daredundância, com significação assente na ideia de superfluidade, na superabundância vocabular desnecessária, com pleonasmos e abusos na ornamentação do discurso oral e escrito. Este só perdia para as escorregadelas ortográficas e impropriedades de concordância e regência de substantivos, adjetivos e verbos.

Além de haver a oportunidade de juntos corrigir esses excessos, afiguravam-se realmente engraçados os fatos sobejados dos escritos de alguns estudantes, os quais, pela míngua de maiores exigências e cuidados durante o primeiro e segundo graus – como se chamavam, então – esses descuidos (“lapso de engano de erro equivocado”, dizíamos, brincando) continuavam a baldear o repertório grafado de quem iria comunicar teores pelo caminho dosmedia massivos, evento realmente desabonador, se viesse a suceder.

De tal modo, era obrigatório que se cuidasse de removê-los o mais depressa possível, para que o futuro comunicador não ludibriasse o imenso universo de receptores, na contextura dos quais há milhões e milhões que acreditam cegamente em tudo o que é veiculado pelos meios de propagação maciça, de sorte que poderiam alargar consideravelmente, em progressão geométrica, o espectro de recepção equívoca dessas mensagens.

Numa das turmas, havia alguns ensaístas versificadores de boa qualidade, hoje poetas reconhecidos, e outros, como eu, curiosos e interessados, por diletantismo, no âmbito da cultura manifesta por via do metro. Divisei, então, a oportunidade de proceder a um exercício por meio dos sonetos, que, após alguns anos no limbo, em especial depois da Semana da Arte Moderna (fevereiro de 1922), eram praticados, sem muita obediência aos cânones dessa grade métrica, por muitas pessoas ligadas às letras e outras meramente amadoras e diletantes.

Compus, então, o undecassílabo – catorze versos com onze acentos, dois quartetos e dois tercetos – intitulado Sonet’ânciaeo ipso, soneto + redundância, para exame em sala de aula, com vistas a afastar das redações dos mass media esse viés do cadáver do defunto morto que morreu de morte morrida, do pássaro de asas, dos há dez anos atrás etc.

          Espero, contudo – e isto é por demais relevante – que a audiência dos meios onde essas linhas chegam, configurada na outra ponta da mensagem, não me assaque a tacha de redundante e “analfa”, porquanto os motivos para este exercício foram há pouco meridianamente explicados, de modo que a configuração da peça, lotada de vocábulos e expressões palavrosas e pleonásticas, foi feita para emprego somente em laboratório, vedado, por conseguinte, o seu curso pelo desmedido agrupamento de pessoas – a recepção mássica do recado comunicativo.

Vamos ao soneto.

SONET’ÂNCIA

Ensaio cavalgar meu jegue asinino,
Na fazendola rural, a fazendinha,
Terra particular, propriedade minha,
Onde, aliás, monto meu Pégaso equino.

Subo, para cima, em hirta e reta linha,
À procura, em caça a um porco suíno.
Pois houvera, antes, atacado a rinha
De galos, que brigavam luta de inopino.

Vi, então, com um sorriso nos lábios,
O meu porco bácoro preso e cativo.
E logo, breve, anotei nos alfarrábios

Carpatácios: “o porqueiro cerdo é vivo:
Então, pois, farei como os sapientes sábios:
Deixá-lo-ei renascente e redivivo”.

O PENSAMENTO NO ENSINO DA REDAÇÃO

HORA DO VENÁCULO – 28-6-2017

                                   Prof. Valdemir Mourão – Cadeira nº 19

Se considerada toda a amplidão em que se engloba o pensamento, há de se admitir que quando um aluno é privado de certas experiências, as consequências logo aparecem na mudança de seu comportamento, por isso que, quando ele apresenta um comportamento impulsivo, por exemplo, o professor costuma atribuir isto à falta de pensamento: a pessoa não para para pensar (cf. Raths, 1977). 

Ainda em Raths, pode-se encontrar outro exemplo de que o aluno não se concentra:

Em certo momento, não presta atenção ao que está fazendo e, por isso, fracassa em seu trabalho. Geralmente se supõe que isso resulte de negligência de rigor nos processos de pensamento. Quando existe acentuação de pensamento no currículo, os alunos tendem a modificar seu comportamento. Quando existem frequentes oportunidades para participar de grande diversidade de processos que exigem pensamento, a frequência de comportamento impulsivo tende a diminuir (Idem).

Pode-se aceitar que é possível transpor a capacidade de pensar do aluno à expressão escrita, dando-lhe oportunidade para exercer essa capacidade, aplicando processos que o levam ao exercício do pensamento através da escrita, pois é fundamental, ao escritor, “ter oportunidade para pensar e para discutir o pensamento”(Ibidem), para que ele consiga harmonizar o pensar e o escrever.

Redigir é, afinal, uma das formas de manifestação da linguagem a qual determina o pensamento que, por sua vez, é útil ao desenvolvimento da linguagem, cuja relação (pensamento-linguagem) é advertida por Greene (1976) ao afirmar que falar acerca do pensamento, ignorando a linguagem, seria uma forma extremamente incompleta de abordar o assunto. 

Por ser o pensamento um elemento determinado pela linguagem e por ser a redação uma das formas de manifestações da linguagem, sente-se, então, a necessidade de se partir da produção do aluno, porque a sua produção deve refletir o seu pensamento (ou a sua consciência) e a sua variedade linguística, se já não decapitada pela repressão do ensino tradicional. 

É oportuno transcrever relações possíveis entre o pensamento e a linguagem atribuídas por Greene (1976), para que se entenda melhor tal ligação: 

  1. A linguagem é necessária ao pensamento e determina-o;b) O pensamento precede a linguagem e é necessário ao seu desenvolvimento; c) Linguagem e pensamento têm raízes independentes.

Também vale apresentar duas funções distintas da linguagem, para que se tenha ciência de que a linguagem e o pensamento partilham o mesmo código linguístico, daí a interligação entre ambos, reforçando, assim, a existência de um auxílio mútuo:

A linguagem tem duas funções distintas: a comunicação externa com os seres humanos nossos semelhantes e, de igual importância, a manipulação internade nossos pensamentos íntimos. O milagre da cognição humana é que ambos esses sistemas usam o mesmo código linguístico e, assim, podem ser reciprocamente traduzidos – com mais ou menos êxito (Ibidem).

Ainda referente ao pensamento, dentro do que interessa para este trabalho, tem lugar uma transcrição de Lima (1970):

O pensamento é uma atividade mental que envolve a manipulação de símbolos, sinais, conceitos ou ideias simbolicamente representados. (…) Se Considerarmos a memória como um arquivo, pensamento é o termo (sic) utilizado para descrever as diversas maneiras que temos para recuperar, examinar, combinar e reagrupar as informações arquivadas. A memória, a aprendizagem, o pensamento e a linguagem são processos intimamente (sic) interligados.

Este enunciado diz respeito especificamente ao que interessa esta pesquisa, visto que mostra que há ligação entre as operações de pensamento, a aprendizagem e a linguagem (elementos frequentes no ato de redigir e indispensáveis ao ensino deste ato). 

Se, por outro lado, o processo que estimula o aluno ao uso do pensamento – que deve refletir no seu comportamento e na sua linguagem – deve ser uma tarefa do professor, a mudança em si deve ser do aluno. Logo, compete ao mestre criar em cima da redação do aluno atividades que provoquem pensamento, que ativem a sua consciência, para que a alteração apresentada por ele recaia na sua própria produção: assim, fica detectada a influência do pensamento no ensino da redação. 

Para que isso ocorra, no entanto, com maior eficácia, presume-se que se deva partir da manifestação escrita do aluno, ainda que com suas variações, sem, todavia, estigmatizá-las, para se alcançar a língua padrão. Feito isso, poder-se-á levar o aluno a conhecer diferentes variações linguísticas e usá-las convenientemente, quando solicitado a expressar-se por escrito, refletindo, portanto, um melhor ordenamento do binômio pensamento-linguagem. 

As atividades sugeridas, a partir da produção escrita do aluno, podem ser desde a reestruturação de frases do texto, de períodos e de parágrafos, além de substituições de verbos, de complementos e/ou de sujeitos. 

O importante, portanto, é que estas atividades ativem o pensamento do aluno para que ele transforme a sua variação linguística em norma culta.

                        SUGESTÕES PARA OS PROFESSORES DE LÍNGUA

            Diante dos resultados favoráveis encontrados, a partir da aplicação de Operações de Pensamento, resta sugerir alguns pontos óbvios e implícitos no decorrer do trabalho.

  1. Que as operações de pensamento sejam aplicadas durante o trabalho de análise da produção do aluno.
  2. Que este trabalho seja feito também junto às composições de outras disciplinas, mesmo diante daquelas que têm como base o número. Acredite: Isso é possível.
  3. Que o trabalho de estudo da composição do aluno abranja a análise do código linguístico e doconteúdo, além da reestruturação frasal no texto e do uso de elementos coesivos.
  4. Que o ponto fundamental do trabalho de produção e análise de texto seja levar o aluno a refletirsobre a própria produção, fazendo-o sentir ou produzir a harmonia entre o pensar e o escrever.
  5. Que, mesmo com os conteúdos programáticos impostos pela escola, seja dada ênfase ao pensamento e ao uso da língua como fator final da produção da linguagem.
  6. Que a norma culta seja o fim do processo do ensino de língua, mas nunca o princípio nem o meio, e que este fim não sirva de repressão do uso da variação linguística do aluno.
  7. Que o processo de correção não seja um mero apontar de erros, mas um motivo de análise do ato de comunicação do indivíduo, sem que estes erros sirvam de punição para o aluno.

            Com a aplicação dessas sugestões por parte do professor, poder-se-á crer em uma possívelexpressão escrita mais próxima dos desejos dos mestres de língua.  

                      

                                    BIBLIOGRAFIA

  1. BAKHTIN, Mikhail (V. N. Volochínov), (1986).Marxismo e filosofia dalinguagem. 3ª ed.,   

       São Paulo, Ed. Hucitec. (tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira).

  1. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda (s.d.).Novo dicionário dalíngua portuguesa. 1ª  

       ed., 4ª impressão, RJ, Ed. Nova Fronteira.

  1. GREENE, Judith (1976). Pensamento e linguagem. 2ª ed., RJ, Zahar.
  2. GAGNÉ, Gilles (1983).Norme et enseignement de la languagematernelle. InBédard Edith

       e Jacques Manrais (org.). La norme linguistique, Québec, p. 463-509.

  1. GARMADI, J. (1973).Introdução à sociolinguística. Lisboa, Publicações Dom Quixote.
  2. GENOUVRIER, Emile e PEYTARD, Jean [1973].Linguística e ensinodo português. Coimbra,

       Almedina. (Tradução de Rodolfo Ilari).

  1. GUILLAUME, Gustavo (b, 1973).Leçons de linguistique,1948-1949, série C, Grammaire

       particulière du français et grammaire générale (IV), publiées par Roch Valin, Québec,   

       Presses de l’Université Laval et Paris, Klincksieck.

  1. JOHNSON, Wendell (1977).Impossível redigir redação.In: Uso e mau uso da linguagem,

       org. por S. I. HAYAKAWA (Tradução: Paulo V. Damásio Filho). SP, Pioneira.

  1. LIMA, Lauro de Oliveira (1982).O ensino reprovado: adaptado por autor desconhecido de

      “Oliveira Lima: Acabou no Brasil a escola normal”. Int: O GLOBO, RJ, p. 12, 2ª clichê, 09:02.

  1. MIRA Y LÓPEZ, Emílio (1966).El pensamiento:leyes y factores, límites y possibilidades del

       pensamento. Buenos Aires, Editorial Kapelsusz.

  1. MIRANDA, José Fernando (1985).Arquitetura da redação.7ª ed., ampliada e reformulada,

       Sagra, 3º V.

  1. OLIVEIRA FILHO, Paulo de (1987).Fundamentos da redação.SP, Lua Nova Editora.
  2. RATHS, Louis Edward; ARTHUR, Jonas; ARNOLD, M. Rothstein e WASSERMANN, Selma

       (1977). Ensinar a pensar: teoria e aplicação. 2ª ed., SP, EPU. (Tradução: DANTE MOREIRA LEITE). 

Emprego do Infinitivo

ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA – 40 anos

Hora do Vernáculo – Prof. Myrson Lima – Cadeira nº14 – 28.3.2017.

             

            O infinitivo é uma das três formas nominais do verbo (infinitivo – gerúndio – particípio).

             São assim chamadas, porque assumem a função de nome (substantivo – advérbio – adjetivo).

Exemplos:

Estudar dá cultura.

Estudando, conseguirás aprovação.

Encerrada a reunião, nós nos retiramos.

 

  1. Infinitivoimpessoal: É inflexível, sem sujeito. Apresenta o verbo sem nenhuma especificação de modo, de tempo, de número, de pessoa. É a forma que encontramos registrada nos dicionários. Corresponde a um substantivo puro e provém do infinitivo latino em – re. Exemplos: amare, venire, audire.

Exemplos: Orar e trabalhar são duas importantes atividades do ser humano. Viver. O maior mandamento é amar o próximo.

 

  1. Infinitivo pessoal: Há referência a uma pessoa do discurso. Possui sujeito próprio ou o mesmo sujeito do verbo com que se articula. Poderá ou não flexionar-se.

Exemplos:   

Declararam estar prontos para o concurso.

Elas supõem sermos honestos.   

 

  1. Infinitivo pessoal flexionado: com flexão de número e pessoa.

Exemplos: amar eu, amares tu, amar ele, amarmos nós, amardes vós, amarem eles.

Às vezes, com flexão zero (1ª. e 3ª. pessoas do singular)

É esse infinitivo pessoal flexionado, mal regulamentado pela gramática, que se constitui um idiotismo da língua portuguesa.

 

  1.  Infinitivo pessoal não flexionadohá referência a um sujeito, mas a forma se confunde com a do infinitivo impessoal. De uso frequente nas locuções verbais.

Exemplos:

Eles não podem fazer tudo sozinhos.

As crianças brincam sem saber que há perigos no jardim.

    Observações:

  • Não são claramente definidas pela gramática todas as regras do emprego do infinitivo pessoal flexionado e do infinitivo pessoal não flexionado. São registradas apenas as tendências que se observam em seu emprego.
  • A opção entre a forma flexionada ou não flexionada pertence mais ao campo da estilística do que propriamente da gramática.
  • Geralmente, quando mais se quer realçar a ação, prefere-se a forma não flexionada, quando se realça o agente, usa-se a forma flexionada.

 

               Infinitivo flexionado

É flexionado, entre outros casos, quando

  1. a)O verbo tiver sujeito próprio, diferente do sujeito da oração principal.

       Exemplo: Declaramos estarem prontos os trabalhos.

  1. b)O verbo for reflexivo.

Exemplo: Foram obrigados a se refugiarem ali.

  1. c)Quando houver ideia de reciprocidade.

Exemplo: Vivem juntos sem se incomodarem.

  1. d)Quando vier preposicionado, antecedendo a oração principal.

Exemplo: Para passares no processo seletivo, é preciso muito estudo.

 

Infinitivo não flexionado

É não flexionado, entre outros casos, quando houver

  1. a)o sujeito do infinitivo idêntico do verbo regente.

Exemplo: Declaramos estar prontos para a viagem.

  1. b)uma locução verbal.

Exemplo: Queremos sair cedo.

  1. c)um pronome oblíquo como sujeito do verbo seguinte.

Exemplo: Vi-o sair.

  1. d)um sentido passivo.

Exemplo: Textos fáceis de ler.

 

  • O infinitivo é, muitas vezes, confundido com o futuro do subjuntivo. Para que isso não ocorra, coloca-se antes a preposição por para identificar o infinitivo e a conjunção quando ou se para o caso de futuro do subjuntivo.

Exemplos: Foi condenado por falar a verdade. Quando eu falar a verdade…

 

Desafio 1

Vocês devem, sempre que possível, fazer ou fazerem a fiscalização?

Resposta:

A resposta é vocês devem fazer a fiscalização.

Regra: Em locuções verbais, deve-se usar o infinitivo pessoal não flexionado.

Outros exemplos:

Os peritos devem analisar o avião acidentado com urgência.

Os contribuintes poderão pagar antecipadamente o Imposto de Renda.

Vamos estudar todos os casos de corrupção.

Desafio 2

Os técnicos estão aqui para resolver ou resolverem o problema?

Resposta:

O correto é os técnicos estão aqui para resolver.

Regra: Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo da primeira oração, deve-se usar a forma inflexionada.

Outros exemplos:

Os torcedores vieram ao estádio só para vaiar o time.

Nós saímos a fim de almoçar juntos.

 

Desafio 3

Declaramos estar ou estarem prontos os relatórios?

Resposta: A resposta é estarem prontos os relatórios.

Regra: O infinitivo se flexiona, quando os sujeitos dos verbos são diferentes.

Outros exemplos:

O diretor mandou os funcionários irem à reunião.

A bolsa fez os preços subirem.

 

Desafio 4

O professor liberou seus alunos para ir ou para irem ao jogo? 

Resposta: O aconselhável é o professor liberou os alunos para irem ao jogo.

Regra: Em caso de ambiguidade, é aconselhável flexionar o infinitivo.

Outros exemplos:

O juiz pediu aos escrivães para saírem da sala.

O fotógrafo solicitou aos presentes para mudarem a cena.

 

Desafio 5

Mandei-os entrar ou mandei-os entrarem?

Resposta: A resposta é mandei-os entrar.

Regra: Se o sujeito do infinitivo for expresso por um pronome oblíquo (= o, os, a, as, lo, los, la, las no, na, nos, etc.), com verbos causativos ou sensitivos (mandar, deixar, fazer, ver, ouvir, sentir e sinônimos), a praxe é não flexionar o infinitivo.

Outros exemplos:

Fui vê-los fazer a apreensão / Fui ver os auditores fazerem a apreensão.  

Deixei-os sair para a palestra / Deixei os alunos saírem para a palestra.

Fizeram-nos renunciar ao mandato / Fizeram os deputados renunciarem ao mandato.

 

Desafio 6

Eles foram proibidos de sair ou saírem?

Resposta: O aconselhável é foram proibidos de sair.

 Regra: Não se flexiona o infinitivo com preposição que funcione como complemento de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo principal.

Outros exemplos:

Os manifestantes foram impedidos de entrar. Os retardatários foram obrigados a ficar em pé.Eles têm necessidade de estar sempre discutindo.

 

Desafio 7

Foram obrigados a se refugiar ou se refugiarem no banco?

Resposta: O aconselhável é foram obrigados a se refugiarem.

Regra: O infinitivo se flexiona, se o verbo for reflexivo.

Outros exemplos:

As crianças tiveram de se esconderem do psicopata.

Os acusados foram convidados a se apresentarem ao chefe.

 

Desafio 8

Vivem juntos sem se incomodar ou se incomodarem?

Resposta: O usual é vivem juntos sem se incomodarem.

Regra: Quando houver ideia de reciprocidade, o infinitivo se flexiona.

Outros exemplos:

Eles convivem sob o mesmo teto sem se agredirem.

Eles saíram da reunião após se cumprimentarem.

 

Desafio 9

Textos fáceis de interpretar ou textos fáceis de interpretarem?

Resposta: O aconselhável é textos fáceis de interpretar.

Regra: Quando houver o sentido passivo, o infinitivo não se flexiona.

Outros exemplos:

Havia relatórios difíceis de concluir.

Tabelas fáceis de elaborar.

 

Desafio 10

Alegram-se por ter ou terem visto o cantor?

Resposta: O aconselhável é alegram-se por terem visto o cantor.

Regra: Para alguns gramáticos, convém flexionar o infinitivo, quando é possível a substituição por uma forma modal.

Explicação: Alegram-se por terem visto o cantor (alegram-se, porque viram o cantor)

Outros exemplos:

Já tivemos oportunidade de nos retratarmos. (de que nos retratássemos)

Afirmo terem chegado os computadores. (que chegaram)

Treinar os atletas para estarem aptos a competir. (para que compitam)