Palíndromos

                                        Ítalo Gurgel – Cadeira nº 17

Os palíndromos são palavras ou frases que podem ser lidas da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, sem alterar o sentido. Exercitá-los é mais uma forma de interagir com a palavra.

Um dos palíndromos mais antigos está em latim: “SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS” (O lavrador diligente conhece a rota do arado”). Este é considerado um palíndromo perfeito.

O maior palíndromo que se conhece é a palavra finlandesa SAIPPUAKIVIKAUPPIAS, de19 caracteres, que significa “vendedor de soda cáustica”. Já a palavra palindrômica mais extensa do nosso idioma é o superlativo de omisso, OMISSÍSSIMO.

Seguem-se frases palindrômicas:

  • A CARA DA JARARACA.
  • A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA.
  • A DROGA DA GORDA.
  • A MALA NADA NA LAMA.
  • A SACADA DA CASA.
  • A TORRE DA DERROTA.
  • ALI, LADO DA LILA.
  • ANOTARAM A DATA DA MARATONA.
  • ASSIM A AIA IA A MISSA.
  • ATACA O NAMORO.
  • LIVRE DO PODER VIL.
  • LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL.
  • ME VÊ SE A PANELA DA MOÇA É DE AÇO MADALENA PAES, E VEM.
  • MORRAM APÓS A SOPA MARROM.
  • O CASO DA DROGA DA GORDA DO SACO.
  • O CÉU SUECO.
  • O GALO AMA O LAGO.
  • O GALO DO LAGO.
  • O LOBO AMA O BOLO.
  • O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO.
  • O VÔO DO OVO.
  • OH, NÓ DE MARA MEDONHO!
  • OH, NOSSAS LUVAS AVULSAS, SONHO.
  • OVOS NELE, HELEN SOVO!
  • RIR, O BREVE VERBO RIR.
  • ROMA É AMOR.
  • ROMA ME TEM AMOR.
  • SÁ DA TAPAS E SAPATADAS.
  • SAIRAM O TIO E OITO MARIAS.
  • SECO DE RAIVA COLOCO NO COLO CAVIAR E DOCES.
  •  SOCORRAM-ME, SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS.
  • SUBI NO ÔNIBUS.
  • ZE DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ.

Alternativa

                       Vianney Mesquita*

*Acadêmico ocupante titular da Cadeira número 37, cujo patrono é Estêvão Cruz.

Consoante expressamos, em razão do largo e inadequado uso da dicção alternativa e suas variações cognatas, com acepções distintas daquelas que realmente conotam, impende tomar-se em consideração a ideia de que alternativa provém de alter (Latim) = outro, outra.

            Por conseguinte, existe, tão-só, UMA alternativa.

            Diz-se, em Português correto, a alternativa é esta, de sorte a não se cogitar em (cogita-se em) diversas alternativas, num “leque” de alternativas (Proh pudor!), porquanto, por definição, o vocábulo corresponde à Sucessão de duas coisas reciprocamente exclusivas, isto é, uma opção entre duas coisas.

            Efetivamente, pois, a opção – não sendo uma coisa – será a outra (alter), a alternativa.

            Opção será, pois, a alternativa para eliminar as construções frasais equivocadas, feitas, amiúde, a contrapelo das regras da Língua, desprezando, in casu, a procedência glossológica da palavra.

            Nascer morto

            Quiçá inglória seja nossa luta em objeção a expressões desse jaez. Todo o Mundo, até o escrevinhador da língua culta, como adiantamos há pouco, suporta, aceita e aplica palavras e expressões sem qualquer consistência glotológica. Pouco se lhe dá se está ou não depauperando a língua do Prof. Dr. Horácio Dídimo.

            Muita vez, são expressas até antíteses violentíssimas, como na consagrada (miserável consagração!) – e universalizada nas línguas românicas – dicção NASCER MORTO, utilizada pela Bioestatística, até em mensagens de lavra e responsabilidade estatais, no Brasil.

            Se NASCER significa, conceitualmente, começar a ter vida exterior, vir à luz, enxergar a luz, como pode alguém NASCER MORTO? Nascer, então, é o mesmo que morrer?

            Diga-se, por conseguinte, a mulher pariu um feto sem vida, delivrou um corpo morto, ou algo semelhante. NASCER, por conseguinte, foi, é e será, indefinidamente, o antônimo perfeitíssimo de morrer.

            Lamentavelmente, com alternativa, ainda alimentamos expectativa; com relação a nascer morto, entretanto, parece estar a “guerra” definivamente perdida, a não ser, entre nós do Ceará, com o adjutório da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

            Entre xis e ípsilon ou de xis a ípsilon?

            Eis a derradeira demonstração de emprego atrapalhado de expressões, na indicação, notadamente em trabalhos universitários, de intervalos de duas grandezas ou coisas.

            É necessário enxergar-se a grande diferença bem visível nas duas dicções, no caso, exempli gratia, de se apontar intervalo etário.

 Ao se expressar a ideia de que as pessoas ouvidas na pesquisa revelaram nas respostas idades de 28 a 40 anos, evidentemente, se depreende que os números lindeiros, as idades-limite inferior e superior, onde estão contidos 28 e 40, são 27 e 41 anos, isto é, aqueles que têm ENTRE 27 e 41 anos, na realidade contam DE 28 A 40 anos.

 Muitas vezes, os pesquisadores expressam que as crianças do seu experimento, por exemplo, nasceram entre 2011 e 2012, tal significando dizer que ainda não nasceram, porquanto, ENTRE 2011 E 2012, nada existe.

Então, rematando o caso, ENTRE os anos de 1927 e 1946, estão os períodos DE 1928 a 1945, não, como é constante e equivocamente apontado. ENTRE e E (aditiva) são intervalos de fora, e não devem ser contados, ao passo que DE-A hão de ser considerados.

De tal sorte, DE XIS A ÍPSILON # de ENTRE XIS E ÍPSILON.

Uso do ‘a’ ou ‘há’

Prof. Mourão – Acadêmico da cadeira nº 19, cujo Patrono é José de Sá Nunes.

 

  • Use há: a) quando indicar tempo decorrido, passado; quando equivalente a faz; b) quando for verbo haver no sentido de existir. O certo é, então: há dez dias, há duas semanas, porque há já quer dizer tempo passado, tempo passado, atrás. Ex.:

1) Não a vejo há mais de uma semana.

= Não a vejo faz mais de uma semana.

2) Há muitos torcedores no estádio.

= Existem muitos torcedores no estádio.

3) “Há bem pouco tempo que existiam ainda em certas ruas desta cidade cruzes negras pregadas pelas paredes de espaço em espaço.” = tempo decorrido. (Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias).

  • Use a: a) quando indicar tempo futuro; indicar distância, medida; b) quando admitir substituição pelas preposições em ou com. Ex.:

1) Eu confessarei tudo daqui a dez dias (tempo futuro).

2) Minha casa fica a duas quadras daqui (distância, medida).

3) Minha casa fica a três km do centro (distância, medida).

4) Estarei aqui a tempo para assinar o documento (em tempo, com tempo).