absolutamente

Significa completamente, ilimitadamente, inteiramente, de modo absoluto; de modo nenhum; de jeito algum; sem dúvida que sim; certamente que sim;

Atualmente este advérbio passou a ser usado como partícula de reforço e outras vezes como simples negativa. É comum ser usado, na pronúncia, com uma 3ª tônica, incluindo um -i após a 1ª sílaba -ab (abisolutamente). Este procedimento é incorreto, porque se deve proferir o -b levemente (absolutamente). Exemplos.:

1) – O que se espera dos atuais políticos brasileiros? – Nada, absolutamente nada.

2) “Não permito absolutamente que você permita isso”. (AH, DHLP) = de jeito algum.

3) “- Desejas passar? — Absolutamente, minha senhora”. (AH, DHLP) = sem dúvida que sim.

x ou ch?

Depois de ditongo, geralmente se emprega -x.

Ex.: afrouxar, encaixe, feixe, baixa, faixa, frouxo, rouxinol, trouxa, peixe, etc. Mas cuidado com as exceções: encher e seus derivados (enchimento, enchente, enchido, preencher), etc e quando -en se junta a um radical iniciado por -ch: encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro), etc.

abusar demais.

Abusar significa exceder-se no uso de alguma coisa; usar em excesso.

Demais significa excessivamente, em demasia, por isso evite essa tautologia (V.), redundância. Use apenas abusar. Ex:

1) Abusava de perfumes.

2) Abusava da confiança do patrão.

CUIDADO! Nunca use: Abusava demais (…).

Os zeros da redação do Enem

Myrson Lima – Cadeira nº 14 da ACLP

O MEC divulgou o resultado das notas de redação do Enem de 2014: mais de meio milhão de candidatos zeraram a prova; apenas 250 obtiveram nota máxima em um universo superior a seis milhões de alunos (dos 25 mil textos, apenas um recebeu nota mil).

O fato é preocupante e merece reflexão, pois a diferença é significativa, se compararmos com os resultados do Enem nos dois últimos anos.

Em 2012, em 4.113.558 textos, tiraram nota zero um pouco mais de 72 mil candidatos; enquanto mais de dois mil obtiveram a nota máxima. Em 2013, em 5.049.249 textos, houve 106.742 redações anuladas e 481 atingiram os mil pontos. Constata-se, portanto, que em 2014, o número de redações zeradas foi quase cinco vezes maior do que em 2013, em que já vigoravam os atuais critérios de correção.

Alguns questionamentos se impõem. Será que piorou assim tão significativamente o ensino da redação no ensino médio e fundamental nos dois últimos anos? Será que o MEC, na tentativa de corrigir os desgastes dos anos anteriores em que foi frouxa a correção, exagerou na dosagem visando moralizar o processo? Será que se pode atribuir os resultados somente à crônica carência de leitura e à falta de exercícios de produção textual dos alunos? Será que não há em nossas instituições deficiências graves no ensino da redação e na formação de quadro de corretores?

O ministro da Educação, Cid Gomes, foi feliz, ao afirmar, mesmo polidamente, que o tema da redação (Publicidade infantil em questão no Brasil) não foi tão debatido pela mídia e pela sociedade brasileira quanto o de 2013 (Lei seca).

Deveria ter acrescentar que também foi mal formulado com a ambígua expressão “em questão”. Apesar disso, a proposta foi mais pertinente do que o de 2012 em que se criou um factoide ao impor ao candidato a defesa de uma tese sobre um algo irreal, não observado no país “Movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI”.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) está a merecer um “puxão de orelhas” do novo ministro. É preciso que haja critérios mais objetivos e mensuráveis na correção, escolha de temas pertinentes à realidade, diálogo permanente entre o instituto responsável pelo Enem e as escolas, os especialistas e os agentes envolvidos com o ensino da redação. Tais iniciativas contribuiriam para se evitarem flagrantes injustiças e disparates na atribuição das notas e para se atingirem, no final, resultados mais fiéis e confiáveis da atual realidade educacional brasileira.

Myrson Lima (Da Academia Cearense da Língua Portuguesa)

Palíndromos

                                        Ítalo Gurgel – Cadeira nº 17

Os palíndromos são palavras ou frases que podem ser lidas da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, sem alterar o sentido. Exercitá-los é mais uma forma de interagir com a palavra.

Um dos palíndromos mais antigos está em latim: “SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS” (O lavrador diligente conhece a rota do arado”). Este é considerado um palíndromo perfeito.

O maior palíndromo que se conhece é a palavra finlandesa SAIPPUAKIVIKAUPPIAS, de19 caracteres, que significa “vendedor de soda cáustica”. Já a palavra palindrômica mais extensa do nosso idioma é o superlativo de omisso, OMISSÍSSIMO.

Seguem-se frases palindrômicas:

  • A CARA DA JARARACA.
  • A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA.
  • A DROGA DA GORDA.
  • A MALA NADA NA LAMA.
  • A SACADA DA CASA.
  • A TORRE DA DERROTA.
  • ALI, LADO DA LILA.
  • ANOTARAM A DATA DA MARATONA.
  • ASSIM A AIA IA A MISSA.
  • ATACA O NAMORO.
  • LIVRE DO PODER VIL.
  • LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL.
  • ME VÊ SE A PANELA DA MOÇA É DE AÇO MADALENA PAES, E VEM.
  • MORRAM APÓS A SOPA MARROM.
  • O CASO DA DROGA DA GORDA DO SACO.
  • O CÉU SUECO.
  • O GALO AMA O LAGO.
  • O GALO DO LAGO.
  • O LOBO AMA O BOLO.
  • O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO.
  • O VÔO DO OVO.
  • OH, NÓ DE MARA MEDONHO!
  • OH, NOSSAS LUVAS AVULSAS, SONHO.
  • OVOS NELE, HELEN SOVO!
  • RIR, O BREVE VERBO RIR.
  • ROMA É AMOR.
  • ROMA ME TEM AMOR.
  • SÁ DA TAPAS E SAPATADAS.
  • SAIRAM O TIO E OITO MARIAS.
  • SECO DE RAIVA COLOCO NO COLO CAVIAR E DOCES.
  •  SOCORRAM-ME, SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS.
  • SUBI NO ÔNIBUS.
  • ZE DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ.