Colo de mãe

ANIZEUTON LEITE, membro correspondente da Academia Cearense da Língua Portuguesa

O colo de mãe é lugar sagrado que acolhe, aconchega, embala e acalenta. Lugar seguro que o filho procura nos momentos de dor, medo ou dúvida. Conforto que traduz sem palavras a linguagem inequívoca do amor, da atenção e do benquerer. Quem nunca sentiu o aconchego e a proteção do colo materno é um órfão ainda que tenha mãe.

O choro cessa, a tristeza dissipa, o medo desaparece e a paz se faz presente com a presença maternal. Fortaleza que ampara, consola, aconselha, reza e sofre junto. Mãe e amiga que conhece a linguagem do olhar, pois possui a sensibilidade dos poetas. Sensibilidade para compreender as palavras que não são ditas, o pedido de ajuda que não é verbalizado.

A figura materna transmite amor, sabedoria, paciência e misericórdia. Mãe é doação. Doação que faz esquecer suas dores e tomar para si o sofrimento do outro. Ser mãe é ter sempre uma atitude altruísta; é enxergar seus filhos sempre como criança.

A escultura Pietá, de Michelangelo, retrata, de maneira belíssima, o cuidado e o colo da mãe. Mãe que pega seu filho no colo, que limpa as feridas e que o acalenta em seus braços pela última vez. Braços que tantas vezes pegaram sua cria, conduziram, abraçaram e aconchegaram em seu peito. Mãe que sofre, mas que não se desespera. Mãe que permanece junto até o fim.

O colo de mãe pode ser entendido também como a metáfora do zelo, do cuidado e do amor oferecidos por esse ser, humano e divino, que sabe amar sem pedir nada em troca. Mãe é sinônimo de sabedoria, paciência e carinho. Mãe é um ser que dicionário ou poeta algum é capaz de descrever. Ser mãe é ser, antes de tudo, indefinível.

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