Derrama de pérolas

GORETE OLIVEIRA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 1.

Chorei as lágrimas que eu tinha
Mas não chorei todas ainda
Guardei uma nascente no veio da cacimba
Para o rio que mais tarde vinha.

Deixei correr o rio que vinha
Mas não dei vazão plena à corrente
Retive em mão translúcidos cristais de sal
Das pérolas que dos olhos caíam.

Colhi dos olhos as pérolas que caíam
Senti o aço cortando a frio sangue
O cetim da pele das pétalas da face

Onde corriam as lágrimas que espalhei
No limo branco das pedras que transformei
Em pérolas que aos porcos atirei.

Fortaleza, 15 de maio de 2019.

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