Emprego do hífen

“A ortografia também é gente. A palavra é completa, vista e ouvida, e a gala da transliteração greco-romana veste-na do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.” (Fernando Pessoa)

Observações gerais:

a)O hífen é um sinal diacrítico (-) empregado para dividir sílabas em final de linha para ligar elementos das palavras compostas por justaposição (curto-circuito; banana-prata; banho-maria; franco-atirador; agro-doce; para-raios; afro-luso-brasileiro) e para unir pronomes átonos a verbos (amá-lo; telefonar-lhe; realizar-se-á; fá-lo-íamos)

b)Diacrítico é o sinal gráfico que se apõe a uma letra ou a um vocábulo para se indicar um valor fonológico especial, como o cedilha, os acentos agudo, circunflexo e grave, o trema e o hífen.

c)Não se emprega em geral o hífen nas locuções se houver algum elemento de ligação (fim de semana, mão de obra, fogão a gás,água de coco) e em certos compostos, em que se perdeu a noção de composição (paraquedas, mandachuva, pontapé, madrepérola, madressilva, girassol, passatempo, varapau).

d)Usa-se geralmente hífen quando um dos elementos da palavra composta ou derivada tiveracento ou til, como pré-; pós-; pró-; além-; recém-; aquém; grão-; grã-. Exemplos: pré-operatório; pós–graduação; pró-Brasil; além-mar; recém-nascido; aquém-Pireneus; grão-duque; Grã-Bretanha.

e)São hifenizados elementos repetidos com ou sem alternância vocálica ou consonântica. Exemplos: blá-blá-blá; fecha-fecha; pingue-pongue; ruge-ruge; zás-trás; bum-bum (som de tambor)

f)Usa-se hífen nos topônimos compostos porforma verbal ou aqueles cujos elementos estejam ligados por artigo. Exemplos: Passa-Quatro, Quebra-Dentes (SC); Baía de Todos-os-Santos. Entre-os-Rios, Trás-os-Montes.

g)São hifenizados os gentílicos derivados de topônimos compostos. Exemplos: belo-horizontino; mato-grossense-do-sul; pedro-segundense; são-gonçalense; juazeirense-do-norte.

HÍFEN COM PREFIXOS

 Regra nº 1. O hífen usa-se nos prefixos, quando a palavra seguinte começa por “h”. Não se emprega, porém, quando a palavra começa por “r” ou “s”, devendo essas consoantes duplicar-se. Exemplos: anti-herói; super-homem; a-histórico; antessala; autorretrato; antissocial; antirrugas; arquirraivoso; contrarrazões; contrarregra; contrassenso; megassena; minissérie; suprarrenal; ultrassonografia.

 Regra nº 2. Usa-se o hífen quando o prefixo é terminado por uma vogal e a palavra seguinte é iniciada pela mesma vogal Exemplos: anti-inflamatório: anti-inflacionário: arqui-inimigo; infra-axilar; macro-organização; micro-ondas.

 Regra nº 3. Se a última letra do prefixo for uma consoante idêntica à consoante do início dovocábulo seguinte, haverá hífen. Exemplos: sub-bibliotecário; hiper-rugoso; super-rápido.

 Regra nº 4. O hífen não é mais utilizado em palavra formada de prefixo terminado em vogal

seguida por palavra iniciada por vogal diferente. Exemplos: antiaéreo; autoajuda; autoescola,

contraindicação; contraordem; extraescolar; infraestrutura; intraocular; intrauterino; neonazismo;neoimpressionismo; semiaberto; semiárido; semiaculturado.

CASOS ESPECIAIS

Sempre recebem hífen, quando houver os prefixos: ex- vice- e sem-. Exemplos: ex-chefe; ex-secretário; vice-diretor; sem-terra, sem-família.

Usa-se hífen nas palavras compostas por justaposição cujos elementos constituem uma unidade sintagmática e semântica. Exemplos: ano-luz; azul-claro; médico-cirurgião; tenente-coronel; engenheiro-agrônomo; conta-corrente; turma–piloto; decreto-lei; edifício-sede; mesa-redonda; cachorro-quente; beira-mar; editor-chefe; diretor-presidente; diretor-executivo; diretor-superintendente; diretor-secretário; sócio-gerente; empresa-fantasma.

Usa-se hífen nas palavras compostas formadas por numerais ou pelo adjetivo “geral”;. Exemplos: primeiro-secretário, segundo-tenente; primeira-dama; segunda-feira; diretor-geral, relator-geral, ouvidor-geral; procurador-geral; advocacia-geral; secretaria-geral.

Usa-se hífen nos compostos em que o segundo elemento é um adjetivo pátrio e a palavra envolve mais de uma nacionalidade, região de origem ou etnia. Exemplos: afro-brasileiro; anglo-saxão; euro-asiático; luso-brasileiro; ibero-americano.

Não se usa hífen nas palavras compostas por justaposição, quando o segundo elemento é um adjetivo que denota os diversos graus de uma carreira. Exemplos: professor titular; professor adjunto; professor assistente; diretor administrativo; diretoria social; auxiliar técnico; consultor jurídico; gerente financeiro.

 

Não se emprega o hífen nos compostos por justaposição em que existe elemento ligação, exceto nos que designam espécies de plantas, flores, frutos, raízes, sementes ou espécies zoológicas. Exemplos: pé de moleque; folha de flandres; cão de guarda; azeite de dendê; cor de vinho; pôr do sol; dia a dia; brigadeiro do ar; dona de casa; mal de gota; ponto e vírgula; quarto e sala;bem-te-vi; porco-do-mato; ipê–do-cerrado; fava-de-santo-inácio. Exceções: água-de-colônia;arco-da-velha; cor-de-rosa; mais-que-perfeito; pé-de-meia; ao deus-dará; à queima-roupa.

Nos vocábulos compostos por aglutinação, o hífen permanece. Exemplos: fins-d’água; estrela-d’alva; pai-d´égua; olho-d’água.

Sub recebe hífen, se o vocábulo seguinte começar por ‘h’, ‘b’ ou ‘r’. Exemplos: sub-hélice; sub-base; sub-raça; sub-humano; sub-humanidade. Aceitam-se também subumano;subumanidade.

Mal recebe hífen, se a palavra seguinte começa por “h”, “vogal” ou “l” Exemplos: mal-humorado; mal-educado; mal-estar; mal-limpo; malcriado; malmequer.

Bemrecebe hífen nos compostos sem elemento de ligação. Exemplos: bem-criado; bem–falante; bem-vindo; bem-aventurado; bem-estar; bem-humorado; bem-me-quer. Quando o advérbio bem aparece aglutinado com o segundo elemento, não há hífen. Exemplos: benfeito;benfazejo; benfeitor; bem-querer ou benquerer; bem-querença ou benquerença.

Na formação com os prefixospan- e circum- , haverá hífen se o segundo elemento começar por h, vogal, m ou n. Exemplos: pan-helenismo, pan-americano, pan-mítico, pan-negritude, circum-hospitalar, circum-escolar, circum-meridiano, circum-navegação, no entanto pan-Brasil; pambrasileiro; pambrasileirismo. (Encarte de correções e aditamentos da 5ª.ed.do VOLP)

Com os prefixosco-, re-, pre-, (sem acento), pro- (sem acento) nunca haverá hífen, mesmo se o vocábulo seguinte começar por “h’”. Exemplos: coerdeiro; coautor; coerança; cosseno; reexame; reenvio; preexistência; preeleger; procônsul; provigário-geral.

Não e quase, quando empregados com função prefixal, não recebem hífen. Exemplos: tratado de não agressão; não violência; não fumante; quase irmão; quase contrato.

Existe hífen nos vocábulos formados pelos sufixos – açu (grande); – guaçu (grande); – mirim(pequeno), quando o exige a pronúncia (capim-açu) ou quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada graficamente (Acaraú-mirim; Pará-mirim; Amoré-guaçu; tatuaçu).
Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam formando encadeamentos vocabulares. Exemplos: a ponte Rio-Niterói; o percurso Lisboa-Coimbra-Porto; a estrada Rio-Santos; a ligação Fortaleza-Recife.

Exercício de fixação: confira as letras em que ocorreu erro (marcado em negrito):

() mini-hotel; semiescravo; sub-raça; subestação; anticristo; cata-vento

() anti-inflacionário; radiorreceptor; socioeconômico; subsolo; obra-prima

() microondas; autoajuda; ultrassom, sócio-gerente; paraquedas; finca-pé

() circum-ambiente; hiper-realista; cosseno; anti-Sarney; pan-Brasil

( ) antissequestro; coeducação; defensor público; porco-do-mato

() agronegócio; radiorrelógio; subcomandante; pré-natal; professor adjunto

g .( ) eurocomunista; coprodutor; coerdeiro; contrassinal; grã-fina; subchefe

h .( ) contra-ordem; conta-corrente; supersônico; corréu; radio-cassete

( ) suprassumo; megaoperação; procurador-geral adjunto; biorritmo

( ) antessala; semioficial; conta-gotas; radiotáxi; maria vai com as outras

() megassalário; microssistema; bielorusso; decreto-lei; suboficial

( ) megassena; circum-navegação; autoescola; ti-ti-ti; pambrasileiismo

m.( ) poli-infecção; pan-negritude; pan-americano; fins-d´água; sem-número

() autoelogio; autossuficiente; ex-vice-primeiro-ministro; beira-mar; malmequer

() direção-geral; procurador-chefe; aerossol; preexistir; mal-educado

() projeto-piloto; subsecretário; afrodescendente; afro-brasileiro; anglo-saxão

() intrauterino; cor-de-rosa; neorreitor; blá-blá-blá; alto-astral; café com leite

() supersecretário; café da manhã; comum de dois; advocacia-geral da União

() água-de-colônia; dia a dia; diretor-secretário; ponto-final; ponto e vírgula

( ) neossocialismo; inter-racial; contraindicação; infantojuvenil; feijão-verde

() água de coco; fim de semana; aerossol; pai-d’égua; vaga-lume; tique-taque

() cor de vinho; à queima-roupa; sub-hélice; mal-estar; mega-hertz; antissocial

w.( ) pé-de-meia; ano-base; azul-celeste; supersônico; mau-caratismo; má-fé

() estrela-d´alva; perfurocortante; mesa-redonda; norte-rio-grandense

() reenviar; professor assistente; preto-e-branco; belo-horizontino; carro-pipa

() tim-tim; antiaéreo; bem-vindo; Benvindo; semiárido; matéria-prima; zás-trás.

Referências bibliográficas

– ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 5.ed. Rio de Janeiro, Global Ed., 2009.

– ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Dicionário escolar da língua portuguesa. 2.ed.São Paulo, Companhia Editora Nacional, 2008.

– ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Encarte de correções e aditamentos à 5ª.ed. Fonte: internet.

– LIMA, Myrson. O essencial do português.7.ed.Fortaleza, Editora ABC, 2008.

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