Miragem

GISELDA DE MEDEIROS, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 16

Bem sei. O amor chegou, me fez visita.
E me deixou atônita, sem mim.
Chegou qual beduíno que, além, fita
uma miragem, qualquer cousa assim.

E sem pedir licença, foi entrando…
E, se apossando do que havia em mim,
rasgou meu peito, e, assim, foi-se alojando
no espaço acetinado de carmim.

Bendigo-te, ó miragem! Estou vencida!
Podes entrar… é tua esta morada,
onde ainda canta, em cada canto, a vida.

Só uma cousa, amor, eu mais almejo:
ama-me muito, faze-me tua amada,
para que, deusa, eu surja do teu beijo.

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