Morre o Prof. Genuíno Sales, um apaixonado pela Educação

Faleceu sábado passado, 29 de setembro, aos 80 anos, o Prof. Genuíno Sales, ocupante da cadeira nº 23 da Academia Cearense da Língua Portuguesa, entidade que presidiu em duas ocasiões: entre 1994 e 1998, e de 2006 a 2008. Genuíno era membro, igualmente, da Academia Cearense de Letras (ACL), onde ocupava a cadeira nº 9, e sócio correspondente da Academia Piauiense de Letras no estado do Ceará. O sepultamento realizou-se, às 18 horas, no Cemitério Parque da Paz.

Genuíno Francisco de Sales nasceu em Pedro II, Piauí, no dia 15 de abril de 1938. Bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, em 1966, graduou-se em Letras, pela Universidade Estadual do Ceará, em 2001.

Foi professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira de vários colégios de Fortaleza. Também atuou como Diretor de Ensino da Organização Educacional Faculdade Farias Brito. Em seu discurso de posse na ACL, confessou: “Profissional da educação – tenho aprendido no Ceará mais do que ensinado. Ousei tornar-me professor do ensino médio porque amo a educação da juventude – meu maior ideal – minha induvidosa vocação. Há 50 anos vivo a emoção da certeza de que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. A juventude é a fase mais formosa da vida, é a vida no seu maior esplendor. A essência de todos os seus encantos. O vaticínio da perenidade do amor entre os homens.”

Poeta e contista, publicou os seguintes livros: Bem na safena, 2000; EntreMentes (poesias), 2003; Análise sintática (Caderno do Genuino), 2003; Os sertões, 2003; e Fins d´Água, 2005.

Prêmios, títulos e condecorações: I Concurso Ceará de Literatura, no gênero conto; título de Cidadão Cearense; Medalha do Mérito Renascença em grau de Oficial, do governo do estado do Piauí; Intelectual do Século, outorgado pela Prefeitura Municipal de Pedro II, Medalha do Mérito Cultural, conferida pela Câmara Municipal de Pedro II e notório saber pela Universidade Estadual do Ceará. Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 29 de junho de 2006, ocasião em que foi saudado pela acadêmica Giselda Medeiros.

A seguir, transcrevemos aquele que Genuíno, certa ocasião, considerou seu melhor poema:

PRESENÇA

Eu gosto de não te ver
para não sentir em vão
com tua presença esquiva
o pecado inevitável.

Eu gosto de não te encontrar
para não sofrer a tentação
do irrealizável.

Mas mesmo sem querer te vejo
e mesmo sem querer te encontro.
E se te vejo peco.

E se te encontro sofro
sofro e peco
porque a tua presença onírica
é a volúpia de minha solidão
na certeza do impossível
em que pulveriza meu sonho.

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