NUMERAIS : GRAFIA E USO

Academia Cearense da Língua Portuguesa

Hora do Vernáculo – 29.8.2016.

 

NUMERAIS : GRAFIA E USO                                                    

                 

  1. Geralmente, não se iniciam frases com algarismos. Em tais casos, o número deve ser escrito por extenso. Exemplo: Vinte e nove anos completou minha filha. Exceção para o ano civil. Exemplo: 2015 foi um ano difícil para o país.
  2. Escrevem-se os algarismos de 1.000 em diante, usando-se o ponto, exceto na indicação do ano civil. Exemplos: Havia 45.674 torcedores na Arena Castelão. Moro na rua Princesa Isabel, 1.181. Nasceu em 1984. Estamos no ano de 2016.
  3. Na sucessão de papas, soberanos, séculos e capítulos, os números são ordinaisaté dez e os cardinais de onze em diante.

No português do Brasil, na enumeração de artigos de leis, decretos e portarias, emprega-se o ordinal até nove, daí por diante emprega-se o cardinal. Exemplos: Paulo VI (sexto); Pio X (décimo); Século IX (nono); Capítulo XXII (vinte e dois). Arts. 2º (segundo) e 3º (terceiro); Art. 10 (dez).

  1. 4. Os algarismos romanos são muito usados para esses casos acima, bem como para numerar assembleias, conferências, simpósios, encontros, congressos, etc. Cuidado com o vício de se colocar a abreviatura do ordinal (º), após o número romano.
  2. O numeral ordinal, como o nome indica, usa-se para indicar ordem ou série em que estão dispostos os seres e as coisas.Se o número anteceder o substantivo, emprega-se o numeral ordinal. Exemplos: Trigésimo capítulo, segunda sessão.
  3. Por brevidade e economia, usam-se muitas vezes os cardinais em vez dos ordinais. Exemplos: Página vinte e um em vez de “página vigésima primeira”. Moro na casa 1.985 desta rua em vez de “moro na milésima, nongentésima, octogésima quinta casa desta rua”.
  4. Segundo a Instrução Normativa nº 4, da Secretaria da Administração Federal. 6. 3.92. (Cf. D.O. de 4.3.92)“os numerais devem ser escritos por extenso quando constituírem uma única palavra (“quinze”, “trezentos”, “mil” etc.). Quando constituírem mais de uma deverão ser grafados em algarismos (“25”; “141” etc.).

Os numerais que indiquem percentagem seguem a mesma regra: a expressão “por cento” será grafada por extenso, se o numeral constituir uma única palavra (“quinze por cento”, “cem por cento”), e na forma numérica seguida de símbolo “%”, se o numeral constituir mais de uma palavra (“142%”, “57%”, etc.).

  1. “Os valores monetários devem ser expressos em algarismos, seguidos da indicação, por extenso, entre parênteses. Se o valor a ser mencionado estiver localizado no final de uma linha, não deve ser separado: o cifrão deve ser colocado em uma linha e o numeral na seguinte”.
  2. Usam-se algarismos em tabelas, relatórios econômicos, quadros estatísticos, demonstrativos, horários, etc. Empregam-se algarismos quando se indica ordem ou sequência (capítulo, páginas, folhas, modelos, canais, nomes de veículos, apartamentos, estradas, etc.). Exemplos: Canal 10; BR 222; CE 085; lápis nº 2; 2º ato; pág. 135; Apolo 7; Casa 2; Ap. 1.001.
  3. Usa-se, porém, igualmente algarismo na indicação de zonas, regiões, distritos, na indicação de resultados esportivos, na indicação de latitude e longitude, em contextos financeiros e bancários, na seriação de competições, resultados de votação, etc.
  4. 11. Quanto ao gênero,os cardinais são invariáveis, com exceção doumdois e as centenas de duzentos a novecentos. Exemplos : Uma banana;  duzentas bananas.
  5. Milhar, milhão, bilhão, trilhãosão substantivos masculinos. Os artigos e os numerais que os acompanham devem ficar, pois, no masculino. Exemplos: Um milhão participou da eleição. Os dois milhões e quatrocentas mil vítimas da guerra. Os milhares de homens. Os milhares de mulheres. Morreram dois milhares de crianças no conflito.
  6. Milhar, milhão, bilhão, trilhãopodem ser acompanhados da preposição de, quando seguidos de nome. Exemplos: Um milhão de judeus morreu (ou morreram). Os milhares de plantas.
  7. Milé numeral. O artigo e o numeral que o acompanham concordam com o substantivo que se segue. Exemplos: Os dois mil homens. As duas mil mulheres.
  8. 15.Mais demenos de exigem a concordância verbal com o numeral a que se refere. Exemplos: Mais de um conseguiu bolsa. Mais de dois conseguiram bolsa. Menos de quinze acadêmicos compareceram à sessão.
  9. Nonumeral fracionário, o verbo concorda com o numerador, segundo a maioria dos gramáticos. Exemplos: Um quinto dos eleitores preferiu este candidato. Dois quintos preferiram.
  10. Quando houvernúmero percentual, o verbo vai para o plural obrigatoriamente, se o termo especificador estiver também no plural; e preferencialmente vai para o singular, se o termo especificador estiver no singular. Exemplos: Trinta por cento dos alunos saíram. Trinta por cento da turma saiu (ou saíram).
  11. O primeiro dia do mês é indicado preferencialmente por ordinal. Exemplos: Em 1° de maio, comemora-se o Dia do Trabalho; em 1° de abril, o Dia da Mentira.
  12. Onumeral multiplicativo indica o aumento proporcional da quantidade. Exemplos: duplo (dobro, dúplice); triplo (tríplice); quádruplo; quíntuplo; sêxtuplo; sétuplo; óctuplo; nônuplo; décuplo; cêntuplo. Exemplos: A sala estava com o quádruplo da capacidade. O salto triplo. A sêxtupla aliança.
  13. Onúmero fracionário exprime parte da unidade. Exemplos: meio, terço, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, onze avos, doze avos, etc De mil em diante, o fracionário tem a nomenclatura do ordinal (milésimo, milionésimo, bilionésimo, trilionésimo). Os fracionários são normalmente empregados como substantivos com exceção de meio. Exemplos: Um terço da farinha. Meia (numeral fracionário) maçã (substantivo).

Observação: Avos é um substantivo fictício tirado da terminação de oitavo.

 

“Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para as frases; o algarismo não tem frase nem retórica.”  Machado de Assis  (Crônica de 15 de agosto de 1876 )

 

Prof. Myrson Lima – Cadeira nº 14   

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