Birita

Significados:

a) Cachaça, pinga, aguardente, por extensão qualquer bebida alcoólica.
b) Apelido que se acrescenta a um nome de um cachaceiro: Chico Birita. Manel Birita.
Estrofe de Aldemá de Morais, da Academia dos Cordelistas do Crato

“Birita” é o nome dado

A um tipo de cachaça.

O caboclo no engenho

Bebe em cuia de cabaça

É vendida em botequim

Seus clientes: “Papudim”,

“Pé inchado” e “Arruaça”.

Escambau

Origem provável: No Brasil Império, era comum os portugueses que aqui viviam fazer o “escambo”, que consistia na troca direta de mercadorias sem o uso de moeda corrente, na maioria das vezes, gêneros de última necessidade, em uma grande feira chamada escambau.

Significados

Significa etc e tal. Comprou farinha, rapadura, carne seca e o escambau.

Escambau também se usa para denominar as pessoas de baixa condição social.

Trova

Bater fofo é não cumprir

Etecetera é escambau

Sujar muito é encardir

Quem acusa, cai de pau

Confusão é funaré

Carta curinga é melé

Atacar é só de mau.

Distrenado

Sentido no cearensês: sem graça, encabulado.

Exemplo: Depois que fez esta besteira, ficou todo distrenado.

Trova de Josenir Lacerda, cordelista do Crato.

Se o sujeito tá confuso

Tristonho e encabulado

Com vergonha, constrangido

Feito um cão escorraçado

Tem gente que olha e diz:

– Aquele pobre infeliz

Tá sem graça, “distrenado”.

Acento diferencial

A) O acento diferencial pelo acento gráfico (de intensidade) deixa de existir (agudo ou circunflexo) nas palavras homógrafas paroxítonas. Exemplos:

1) coa, coas (verbo coar e subst.: coação, ato de coar) 2) para (verbo parar) ≠ para ( preposição);

3) pela, pelas (v. pelar e substantivo: jogo, bola de borracha, ato de pelar) ≠ pela(s){ comb. per + la(s) };

4) pelo (v. pelar), ≠ pelo ( comb. de per + lo); 4) pelo, pelos (subst.: cabelo, fio delgado) ≠ pelo {comb. de per + lo(s)};

5) pera ( subst.: fruta, interruptor elétrico ); pera (subst.: usada no composto pêra-fita: grande pedra fincada no chão; monumento de pedra) ≠ pera ( prep. arcaica, ainda de uso oral popular );

6) pero (subst.:fruta; variedade de maçã; nome dado aos portugueses pelos índios) ≠ pero (conjunção antiga);

7) pola, polas (subst.: sova, pancadaria) ≠ pola, polas {forma antiga de por + la(s) };

8) pola, polas (subst.: broto, galho pequeno) ≠ pola, polas { formas antigas de por + la(s) };

9) polo, polos ( subst.: extremidade, jogo) ≠ polo, polos1 {formas antigas de por + lo(s) };

10) polo, polos (subst.: gavião pequeno) ≠ polo, polos {forma antiga de por + lo(s) }.

EXCEÇÕES: 1) pôde (v. poder, pret. perf..) ≠ pode (v. pres. ind.); 2) pôr (v.) ≠ por (preposição).

CUIDADO! Os monossílabos ás (tônico, carta de baralho) ≠ as (artigo plural, átono) e más (advérbio, singular de má) ≠ mas (conjunção) se incluem ao grupo dos monossílabos tônicos, portanto não entram na regra das paroxítonas.

B) O acento diferencial morfológico é o que distingue a terceira pessoa do plural dos verbos ter e vir (e seus derivados) da terceira pessoa do singular. Exemplos:

1) ele tem ≠ eles têm;

2) ele vem ≠ eles vêm;

3) ele detém ≠ eles detêm; 4) ele provém ≠ eles provêm.

ATENÇÃO! Nas formas verbais em que acrescenta um pronome oblíquo (ver colocação de pronomes), deve-se ignorar o pronome e enquadrá-las normalmente às regras de acentuação. Exemplo:

1) Fi-lo (não acentuado); escrevê-lo; fá-lo-íamos (com dois acentos); pô-lo-ia; esperá-lo-íamos; amá-la-íeis; fá-lo-ás; pô-lo.

C) O acento diferencial de timbre foi abolido na Reforma Ortográfica de 1971, com exceção da forma verbal pôde, já explicado e exemplificado no acento diferencial de intensidade.

Vocabulário: abstêmio

Diacronicamente, significa aquele que se priva de vinho. Vem do verbo abster, do latim abstinere, cuja origem é abstemium (de temum, temetum, vinho) com o prefixo -abs, que exprime afastamento. Fem.: abstêmia.

  • Sincronicamente, significa o afastamento de qualquer bebida, de drogas, não apenas de vinho. Exemplos:

1) Conversando com um amigo, disse: – Há duas semanas faço abstinência de cerveja.

2) O rapaz está em abstinência de drogas há meses.

crê, crer; dá, dar; lê, ler; vê, ver; está, estar; ri, rir.

Escreve-se com r, quando se pode substituir o verbo em questão por permanecer, oferecer ou sinônimos no infinitivo.
Escreve-se sem r, quando se pode substituir o verbo em questão por permanece, oferece ou sinônimos na 3a pessoa do singular, ou seja, sem r. Exemplos:

1) Ninguém está duvidoso = Ninguém permanece duvidoso.

2) Ninguém pode estar com dúvidas = Ninguém pode permanecer com dúvidas.

3) Ele só dá o que tem = Ele só oferece o que tem.

4) Ele só pode dar o que tem = Ele só pode oferecer o que tem.

5) O homem crê no dinheiro, na fama e na consciência.

6) Crer em ti é uma questão de sobrevivência.

7) Ela lê minha mão como se lesse meu coração.

8) Meus filhos gostam de ler romances.

9) O ser que vê a verdade encontra a paz eterna.

10) Todo mundo ri antes do tempo.

11) Quem quiser rir de mim que o faça à minha frente.

ATENÇÃO! Somente os verbos crê, dê, lê, vê (crer, dar, ler, ver) e seus derivados são escritos na 3a pessoa do pl. com dois “ee” como creem, deem, leem, veem, descreem, desdeem, releem, reveem.

Olhe! Ele crê. / Eles creem. Que ele dê. / Que eles deem. Ele lê. / Eles leem. Ele vê. / Eles veem.