Luto na ACLP – Morre o Prof. Carlos d’Alge

Carlos Neves D’Alge

A Academia Cearense da Língua Portuguesa externa seu profundo pesar pela morte do Prof. Carlos Neves d’Alge, ocorrida na noite de quarta-feira, dia 20, em Fortaleza/CE.

Carlos d’Alge nasceu a 24 de julho de 1930, em Chaves, Portugal, mas cedo se transferiu para o Brasil, sendo brasileiro por opção. Em 1958, radicou-se no Ceará. Fez o curso científico no Colégio Cearense do Sagrado Coração, ao mesmo tempo em que cursava Contabilidade na Escola de Comércio Padre Champagnat. Licenciou-se em Letras Neolatinas pela Faculdade Católica de Filosofia e bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

Na UFC, foi Professor Titular de Literatura Portuguesa do Departamento de Literatura (Centro de Humanidades) e atuou em diversas outras instâncias da instituição, como Diretor da Casa de Cultura Portuguesa, Diretor do Centro de Humanidades, Chefe de Gabinete da Reitoria e Pró-Reitor de Extensão. Na Unifor, foi professor e Diretor do Centro de Humanidades. Como professor visitante, ministrou cursos de Literatura Brasileira e Portuguesa na Universidade de Colônia, Alemanha.

Trabalhou, no Rio de Janeiro, no “Correio da Manhã” e, em Fortaleza, em “O Jornal”, “A Fortaleza”, “Ceará Jornal”, “O Povo” e “O Estado”. Foi comentarista político de televisão nos anos 1991/1992 e conduziu no rádio um programa de debates.

Principais obras publicadas: Aspectos da nova Literatura Portuguesa, 1965; Terra do mar grande, 1970; Sintaxe do compromisso (poesias), 1980; Exílio imaginário, 1983; O território da palavra, 1990; O sal da escrita, 1997; A mulher de passagem, 1993; Em busca da utopia, 1995; e Antologia Terra da Luz, Poetas, 1998.

Era membro fundador Academia Cearense da Língua Portuguesa, onde ocupava a Cadeira nº 22, patroneada por José Leite de Vasconcelos. Presidiu a entidade entre 1986 e 1990. Também era membro da Academia Cearense de Letras (Cadeira nº 36).

O corpo do Prof. Carlos d’Alge está sendo velado na Funerária Ternura (Rua Padre Valdevino, 2255 – Fortaleza), onde, às 15:00 será celebrada missa de corpo presente. O sepultamento será, às 16:30h, no Cemitério Parque da Paz.

Homenagens, lançamento de livros e posse de acadêmicos marcam os 40 anos da ACLP

Com grande presença de público, a Academia Cearense da Língua Portuguesa realizou, no dia 27 de outubro de 2017, sessão solene comemorativa de seus 40 anos. Vinte e cinco acadêmicos estiveram presentes no Teatro Nila Gomez de Soárez, da UNI 7, onde tomaram posse três novos membros da ACLP: Gorete Oliveira, Margarete Fernandes e Evaristo Nascimento. Também foi prestada uma série de homenagens, seguindo-se o lançamento de livros.

Compuseram a mesa o Presidente da Academia, Valdemir Mourão; Sérgio Melo, filho do fundador Hélio Melo; Ednilo Gomez de Soárez, agraciado com a Medalha do Mérito Cultural Hélio Melo, anfitrião do evento; acadêmico Teoberto Landim, apresentador da revista “Vernáculo” e dos livros “Iraceminha”, de Valdemir Mourão, “Português – Fala e escrita” do acadêmico Marcelo Braga e “Dentro de mim, o mar”, da acadêmica Regine Limaverde; Vianney Mesquita para saudar os novos acadêmicos; Cirlene Setúbal representando a Casa Juvenal Galeno; Dr. Nonato Soares de Castro, Presidente do Conselho Consultivo da Academia Nacional de Saúde das Polícias Militares e Bombeiros Militares do Brasil, Vice-presidente da Academia Cearense de Odontologia e representante da Sociedade Brasileira de Periodontologia; Aldânia Lima, apresentadora da primeira edição de “Iraceminha”; Senador Mauro Benevides e Fernanda Quinderé, representando todas as entidades que se reúnem no Palácio da Luz da Academia Cearense de Letras.

O acadêmico Vicente Alencar, que atuou como mestre de cerimônia, registou a presença de várias personalidades e leu mensagens enviadas à Academia saudando o transcurso dos 40 anos. Em seguida, foram entregues os diplomas de Honra ao Mérito à família dos acadêmicos José Alves Fernandes e José Rogério Fontenele Bessa, e de Patrono Emérito aos familiares dos acadêmicos fundadores.

A Medalha do Mérito Cultural Hélio Melo foi entregue por seu filho Sérgio Melo ao Dr. Ednilo Gomes de Soárez. A mesma distinção foi outorgada ao Chanceler Aírton Queiroz, in memoriam, mas somente seria entregue dia 8/11/2017, no gabinete do Dr. Edson Queiroz Neto, tendo em vista que, na ocasião, a família se encontrava na Europa, para onde levara uma exposição de arte.

Encerrada a solenidade, os acadêmicos reuniram-se para que se produzisse foto oficial. Seguem-se esta e outras imagens do evento.

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Gerúndio

Prof. Myrson Lima – Cadeira n°14 (28 de novembro de 2017)

1. É uma forma verbo-nominal, juntamente com o infinitivo e o particípio, que ocupou o espaço do antigo particípio presente.

Expressa uma ação que está em curso, ou ocorre simultaneamente, ou remete a uma ideia de progressão.

2. É caracterizado pela desinência –ndo precedida da vogal temática.

Exemplos:

  • amando; escrevendo; partindo.

3. Usa-se na forma simples e na forma composta (auxiliar no particípio composto e nas locuções)

Exemplos:

  • Falando, correndo, partindo.
  • Tendo (ou havendo) falado, corrido, partido.
  • Estar (ficar, continuar, permanecer, andar) falando. (Os portugueses diriam “estar (ficar, continuar, permanecer, andar) a falar”.)

4. O gerúndio indica um processo ainda incompleto, que pode expressar ou uma ação contínua;

  • ou uma ação antes da ação expressa pelo verbo da principal;
  • ou uma ação simultânea, ao lado do verbo da principal, com valor adverbial,
  • ou uma ação com ideia de progressão.

Exemplos:

  • Ficou escrevendo um artigo para a revista.
  • Vi alunos passeando no Iguatemi.
  • Estamos assistindo a uma palestra.
  • Expressões de alegria iam raiando em seu rosto.

5. Além do aspecto verbal, o gerúndio apresenta também um aspecto nominal, assumindo a função de advérbio ou de adjetivo.

Quando assume o valor adverbial, é utilizado sozinho ou com outros verbos.

Exemplos:

  • Fazendo assim, a cena muda (Se fizer assim)
  • Reclamava chorando (com choro).
  • Amanheceu chovendo (com chuva).

6. Modernamente, aceita-se o emprego do gerúndio com valor de adjetivo, para indicar qualidade dinâmica ao substantivo em oposição ao adjetivo que, comumente, atribui ao nome uma característica estática.

Exemplos:

  • Traga uma água fervendo. (Ninguém diz água fervente).
  • Sanduíche viajando. (Ninguém diz sanduíche viajante).
  • Decolagem autorizada: torre sabendo (sabedora de).

“Pelo grande cobertor não cumprindo nada das aparências”. (F. Pessoa)

7. Há uma tendência, apesar da condenação dos puristas, que veem nisso um galicismo de sintaxe, de alargar o uso do gerúndio como adjunto, equivalente a uma oração adjetiva. Tais formas gerundiais correspondem ao antigo particípio presente, ou seja, de natureza nominal, verdadeiros adjetivos.

Exemplos:

  • Um cofre contendo belíssimas joias (que contém).
  • Uma gramática registrando novos usos na linguagem (que registra).
  • Ouço o vento soprando (que sopra).
  • Há ainda muitas viagens, esperando-me (que me esperam).
  • Recebi dele um e-mail pedindo emprego (em que me pede).

Para Rodrigues Lapa (in Estilística da Língua Portuguesa), o emprego do gerúndio é, em certos casos, preferível à oração relativa.

8. O gerúndio, às vezes, é usado sozinho com sentido imperativo.

Exemplo:

  • Saindo! – dizia o professor para os alunos.

Vejam-se casos em que o emprego do gerúndio se apresenta inadequado:

a. Quando as ações expressas pelos dois verbos, gerúndio e verbo principal, não puderem ser simultâneas.

Exemplos:

  • Chegou sentando-se.
  • Adolfo Caminha nasceu em Aracati, entrando na Marinha de Guerra, transferindo-se para Fortaleza.

b. No início do período, quando a ação expressa pelo gerúndio é posterior à do verbo principal.

Exemplo:

  • Sendo detido duas horas depois, o assaltante fugiu.

NB – Depois da oração principal, o gerúndio pode expressar uma ação posterior, se equivale a uma oração iniciada pela conjunção e.

Exemplo: Os alunos chegavam à sala, ocupando em seguida as primeiras carteiras (e ocupavam)

c. Quando ocorre o encadeamento de gerúndios em que um se subordina ao outro.

Exemplo:

  • Entendendo dessa maneira, o problema vai-se pondo em uma perspectiva melhor, ficando mais clara situação.

10.

a) O gerúndio deve apresentar ideia de continuidade. Verifica-se isso, quando pode ser substituído pelo infinitivo regido da preposição

Exemplos:

  • Estava o deputado escondendo o dinheiro (a esconder)
  • Vi o vigia fiscalizando o quarteirão (a fiscalizar)

b) O gerúndio vem, muitas vezes, combinado em locuções com os auxiliares estar, andar, ir e vir, marcando uma ação durativa.

Exemplos:

  • Estavam dormindo profundamente.
  • O país anda vivendo dias de incerteza.
  • Vão-se acendendo as estrelas uma a uma.
  • A luz de um novo tempo vem chegando devagar.

c) O emprego do gerúndio é considerado tão problemático que alguns escritores procuram substituí-lo. O que é passível de crítica, no entanto, é o seu uso abusivo, inadequado.

d) Na redação, serve para evitar a repetição do conectivo que ou o emprego excessivo dos conectivos das orações desenvolvidas.

Exemplos:

  • Ele disse que deve haver indivíduos de tendências totalitárias, que preferem tal candidato (preferindo)
  • Ouço o vento que sopra e as árvores que crescem (soprando – crescendo)
  • Quando proferiu o deputado tais palavras, a assembleia dirigiu-lhe vaias e insultos, que confirmavam a grande revolta com as mudanças propostas pelo governo. (Proferindo – confirmando)

Gerundismo

É o emprego do gerúndio em forma de perífrases, acarretando a ideia temporal de futuro em vez do momento presente em curso.

É considerado um vício de linguagem e constitui-se um excesso linguístico em que se apela desnecessariamente para a perspectiva de um futuro com o intuito de reforçar a ideia da continuidade.

Prefere-se, no gerundismo, uma construção mais complexa com emprego de três verbos, em vez de apenas um ou de uma locução verbal. Verifica-se tal modismo principalmente em serviços de telemarketing e de atendimento ao consumidor.

Exemplos:

  • O senhor pode estar respondendo a um questionário?
  • Nossa empresa vai estar lhe enviando o modelo.
  • Outros exemplos com as devidas correções:

a) Vou estar transferindo sua ligação. (Gerundismo)

Vou transferir sua ligação. (Forma aceitável)

b) Desculpe, senhora, mas estamos tendo que fazer tudo manualmente. (Gerundismo)

Desculpe, senhora, mas temos que fazer tudo manualmente.(Forma aceitável)

c) Os estudantes vão estar pesquisando em casa na próxima semana. (Gerundismo)

Os estudantes vão pesquisar/ pesquisarão em casa na próxima semana (Forma aceitável)

d) Vamos estar encaminhando sua solicitação (Gerundismo)

Vamos encaminhar/ encaminharemos sua solicitação (Forma aceitável)

Exercícios resolvidos

Marque o uso adequado (S) e o inadequado (N), segundo a norma culta, quanto ao emprego do gerúndio.

  1. Chegou à sala cantando. (S)
  2. Chegou à sala sentando-se. (N)
  3. Ficou escrevendo a matéria. (S)
  4. Vi um jardim florescendo. (S)
  5. Vi uma caixa contendo fotografias do entrevistado.(S)
  6. Não vá ao apartamento à noite, pois vou estar dormindo. (N)
  7. Eu estarei dormindo, quando você chegar. (S)
  8. Alugou a casa tendo o número 40 de cor tirando a negro. (N)
  9. Desse jeito, ele vai levando a vida. (S)
  10. Vou estar transferindo a ligação em instantes. (N)
  11. Estarei transferindo a ligação, enquanto você pega os documentos. (S)
  12. Não me procure amanhã, porque vou estar viajando. (N)
  13. Eu vou estar pagando a você amanhã. (N)
  14. Chegando os convidados, começaram a reunião (S)
  15. Aluga-se casa, tendo três quartos, tendo luz e esgoto. (N)
  16. Trouxe água fervendo para o banho. (S)
  17. Vi o deputado contando dinheiro. (S)
  18. Irei estar enviando a nota fiscal amanhã. (N)
  19. Estamos conversando ao telefone. (S)
  20. Continuamos aprimorando nossos conhecimentos. (S)

“Vernáculo” nº 13 comemora os 40 anos da ACLP

Circula o nº 13 da revista “Vernáculo”, órgão oficial da Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP). Em edição comemorativa dos 40 anos da entidade, organizada pelo presidente Sebastião Valdemir Mourão, a publicação recebeu tratamento gráfico especial, com capa em papel supremo 250g e uma alentada coletânea de textos, que inclui artigos; discursos de posse; pequenos ensaios apresentados durante as reuniões da Academia (“Hora do vernáculo”); além de documentos históricos e informações institucionais.

Após a “Palavra do Presidente” e a “Apresentação”, feita pelo acadêmico Teoberto Landim, seguem-se as seguintes contribuições:

  • Ortoepia (Myrson Lima)
  • Linguagem nordestina (Myrson Lima)
  • Silabada (Myrson Lima)
  • As orquídeas na Literatura brasileira (Italo Gurgel)
  • Operações de pensamento no ensino de redação (Valdemir Mourão)
  • A Gente no lugar de Eu, Nós, Se, Ninguém etc. Efeito síncrono-diacrônico, desleixo elocutório ou emprego inocente? (Vianney Mesquita)
  • A fascinante arte de ler e escrever (Maria Luísa Bomfim)
  • Conversa sobre literatura (Regine Limaverde)
  • Regine Limaverde: poeta e contista (Giselda Medeiros)
  • A gramática no texto (José Ferreira de Moura)
  • Diadorim e a Assembleia de Mulheres (Révia Maria Lima Herculano)
  • A poesia erótica de Regine Limaverde (Batista de Lima)
  • Ensaio em verso (Cláuder Arcanjo)
  • Discursos de posse de: Felipe Filho, José Augusto Bezerra, Ana Paula de Medeiros Ribeiro, Giselda Medeiros, Italo Gurgel e Révia Maria Lima Herculano.

Concurso Nacional Novos Poetas – Prêmio Poetize 2018

Estão abertas as inscrições para o Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poetize 2018. Podem participar do concurso todos os brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 16 anos.

Cada candidato pode inscrever-se com até dois poemas de sua autoria, com texto em língua portuguesa. O tema é livre, assim como o gênero lírico escolhido. Serão 250 poemas classificados. A classificação dos poemas resultará no livro, Prêmio Poetize 2018. Antologia Poética.

O certame está entre os mais destacados concursos literários da língua portuguesa.  Trate-se de uma importante iniciativa de produção e distribuição cultural, alcançando o grande público, escolas e faculdades.

As inscrições são gratuitas e acontecem de 05 de setembro a 05 de dezembro de 2017 pelo site: www.premiopoetize.com.br

Realização: Vivara Editora Nacional – Apoio Cultural: Revista Universidade

Academia Cearense da Língua portuguesa comemora os 40 anos de sua fundação

O Presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa, Sebastião Valdemir Mourão, convida para a solenidade comemorativa dos 40 anos de fundação da ACLP. Na ocasião haverá:

  • Entrega da Medalha do Mérito Cultural Hélio Melo ao Dr. Airton Queiroz, Chanceler da Universidade de Fortaleza (Unifor), in memoriam; e ao Dr. Ednilo Gomes de Soárez, Diretor-Acadêmico do Colégio 7 de Setembro, fundador e Vice-Reitor da UNI7 – Centro Universitário 7 de Setembro.
  • Posse dos professores Maria Gorete Oliveira de Sousa, Maria Margarete Fernandes de Sousa e Raimundo Evaristo Nascimento dos Santos, nas cadeiras 1, 13 e 40, respectivamente.
  • Lançamento das seguintes obras: “Vernáculo” (revista da ACLP, edição comemorativa dos 40 anos da Academia); “Iraceminha” (em edição bilíngue Português-Alemão, de autoria de Valdemir Mourão e traduzido por Ingrid Schwamborn; “Português – fala e escrita”, de Marcelo Braga; e “Dentro de mim, o mar”, de Regine Limaverde.

O evento comemorativo está marcado para as 19:30h desta sexta-feira, 27 de outubro, no Teatro Nila Gomes de Soárez, da UNI7 (rua Almirante Maximiano da Fonseca, 1395 – bairro Luciano Cavalcante). Traje: Esporte. Para os acadêmicos, passeio completo e colar da ACLP.