Alternativa

                       Vianney Mesquita*

*Acadêmico ocupante titular da Cadeira número 37, cujo patrono é Estêvão Cruz.

Consoante expressamos, em razão do largo e inadequado uso da dicção alternativa e suas variações cognatas, com acepções distintas daquelas que realmente conotam, impende tomar-se em consideração a ideia de que alternativa provém de alter (Latim) = outro, outra.

            Por conseguinte, existe, tão-só, UMA alternativa.

            Diz-se, em Português correto, a alternativa é esta, de sorte a não se cogitar em (cogita-se em) diversas alternativas, num “leque” de alternativas (Proh pudor!), porquanto, por definição, o vocábulo corresponde à Sucessão de duas coisas reciprocamente exclusivas, isto é, uma opção entre duas coisas.

            Efetivamente, pois, a opção – não sendo uma coisa – será a outra (alter), a alternativa.

            Opção será, pois, a alternativa para eliminar as construções frasais equivocadas, feitas, amiúde, a contrapelo das regras da Língua, desprezando, in casu, a procedência glossológica da palavra.

            Nascer morto

            Quiçá inglória seja nossa luta em objeção a expressões desse jaez. Todo o Mundo, até o escrevinhador da língua culta, como adiantamos há pouco, suporta, aceita e aplica palavras e expressões sem qualquer consistência glotológica. Pouco se lhe dá se está ou não depauperando a língua do Prof. Dr. Horácio Dídimo.

            Muita vez, são expressas até antíteses violentíssimas, como na consagrada (miserável consagração!) – e universalizada nas línguas românicas – dicção NASCER MORTO, utilizada pela Bioestatística, até em mensagens de lavra e responsabilidade estatais, no Brasil.

            Se NASCER significa, conceitualmente, começar a ter vida exterior, vir à luz, enxergar a luz, como pode alguém NASCER MORTO? Nascer, então, é o mesmo que morrer?

            Diga-se, por conseguinte, a mulher pariu um feto sem vida, delivrou um corpo morto, ou algo semelhante. NASCER, por conseguinte, foi, é e será, indefinidamente, o antônimo perfeitíssimo de morrer.

            Lamentavelmente, com alternativa, ainda alimentamos expectativa; com relação a nascer morto, entretanto, parece estar a “guerra” definivamente perdida, a não ser, entre nós do Ceará, com o adjutório da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

            Entre xis e ípsilon ou de xis a ípsilon?

            Eis a derradeira demonstração de emprego atrapalhado de expressões, na indicação, notadamente em trabalhos universitários, de intervalos de duas grandezas ou coisas.

            É necessário enxergar-se a grande diferença bem visível nas duas dicções, no caso, exempli gratia, de se apontar intervalo etário.

 Ao se expressar a ideia de que as pessoas ouvidas na pesquisa revelaram nas respostas idades de 28 a 40 anos, evidentemente, se depreende que os números lindeiros, as idades-limite inferior e superior, onde estão contidos 28 e 40, são 27 e 41 anos, isto é, aqueles que têm ENTRE 27 e 41 anos, na realidade contam DE 28 A 40 anos.

 Muitas vezes, os pesquisadores expressam que as crianças do seu experimento, por exemplo, nasceram entre 2011 e 2012, tal significando dizer que ainda não nasceram, porquanto, ENTRE 2011 E 2012, nada existe.

Então, rematando o caso, ENTRE os anos de 1927 e 1946, estão os períodos DE 1928 a 1945, não, como é constante e equivocamente apontado. ENTRE e E (aditiva) são intervalos de fora, e não devem ser contados, ao passo que DE-A hão de ser considerados.

De tal sorte, DE XIS A ÍPSILON # de ENTRE XIS E ÍPSILON.

Uso do ‘a’ ou ‘há’

Prof. Mourão – Acadêmico da cadeira nº 19, cujo Patrono é José de Sá Nunes.

 

  • Use há: a) quando indicar tempo decorrido, passado; quando equivalente a faz; b) quando for verbo haver no sentido de existir. O certo é, então: há dez dias, há duas semanas, porque há já quer dizer tempo passado, tempo passado, atrás. Ex.:

1) Não a vejo há mais de uma semana.

= Não a vejo faz mais de uma semana.

2) Há muitos torcedores no estádio.

= Existem muitos torcedores no estádio.

3) “Há bem pouco tempo que existiam ainda em certas ruas desta cidade cruzes negras pregadas pelas paredes de espaço em espaço.” = tempo decorrido. (Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias).

  • Use a: a) quando indicar tempo futuro; indicar distância, medida; b) quando admitir substituição pelas preposições em ou com. Ex.:

1) Eu confessarei tudo daqui a dez dias (tempo futuro).

2) Minha casa fica a duas quadras daqui (distância, medida).

3) Minha casa fica a três km do centro (distância, medida).

4) Estarei aqui a tempo para assinar o documento (em tempo, com tempo).

MAR TEMPESTUOSO

Vianney Mesquita*

 

Oh, Mar, solitário noivo da tormenta, inutilmente é que ergues as ondas para seguir teu amor! (Rabindranath Tagore).

 

Sou na essência um bote que navega

No embalo alucinante e aterrador;

Nada mais do que humilde pescador

Por vagas netunais embevecido.

 

Fitando qual um louco a espuma cega,

Pelejas d’água e areia vejo um ror;

Desencadeia um turbilhão de dor

E o rude escaler vira vencido.

 

Talvez mais tarde queira a calmaria

Eu seja a mansa linfa e que, um dia,

Beije e abrace as ondas virginais.

 

A vida, entanto, é mar tempestuoso,

Dançando acelerado e tenebroso,

Numa perene orquestração de ais.

ÓCIO-PURO

Fazer nada é forjar em forno frio,

É fazer fé na fronte dos malucos;

É atiçar lamparina sem pavio

E duvidar da liquidez dos sucos.

 

Fazer nada requer regar o rio,

Remar a ré no rastro dos caducos.

É, cegamente, acreditar num fio

De masculinidade nos eunucos.

 

Fazer nada é, por final, amigo!

É o cogitar em certas ilações:

Na certeza iminente de perigo

Que a lazeirenta fome dos leões

Costuma produzir nos corações

Que os cardiopatas conduzem consigo!

 

(Extraído de MESQUITA, Vianney in: Repertório Transcrito – Notas críticas ativas e passivas. Sobral: Edições UVA, 2003. Os tercetos se baseiam em ideia do dr. Remo Figueiredo Filho)

EDITAL – PREENCHIMENTO DE DUAS CADEIRAS VAGAS


ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA (ACLP)
EDITAL 04/2017

DECLARAÇÃO DE CADEIRAS VAGAS E ABERTURA DE INSCRIÇÕES DE CANDIDATOS PARA PREENCHÊ-LAS

A ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA (ACLP), conforme o disposto em seu Estatuto, aqui representada por seu presidente Sebastião Valdemir Mourão, declara as cadeiras 1 e 40 vagas e abre inscrições para preenchimento das referidas cadeiras, conforme regulamentação a seguir:

1) -Para ser eleito associado efetivo, deverá o candidato

  1. ser residente e domiciliado no Estado do Ceará;
  2. ter boa conduta;
  3. concordar com o Estatuto e com os princípios nele definidos, mediante declaração de que o leu no Blog da Academia Cearense da Língua Portuguesa: aclp.com.br
  4. haver publicado trabalho de natureza gramatical, filológica ou linguística sobre a Língua Portuguesa ou apresentar produção científica e literária que prime não só pelo ponto de vista da expressão linguística portuguesa, mas também pelo valor científico e criatividade literária, de méritos a serem arbitrados e mensurados por comissão mista instituída pela Academia para esse fim.

2) – A proposta para a admissão de associado será apresentada por 3 (três) associados efetivos entregues no ato da inscrição.

3) – À proposta serão anexados os trabalhos do candidato e seu curriculum vitae.

4) – A proposta terá entrada na Secretaria da ACLP em Fortaleza, no Palácio da Luz, nº 1, Centro, até 21 de agosto de 2017, das 9 às 16 horas.

5) – O candidato proposto apresentará o comprovante bancário de pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), no Banco do Brasil, agência 3296-4, poupança, com variação 51, conta 300.000-1 em nome da tesoureira Giselda de Medeiros Albuquerque ou pagá-la no ato da inscrição.

6) – Deverá preencher, no ato da inscrição, uma ficha e assinar declaração de que se compromete a frequentar anualmente no mínimo 50% (cinquenta por cento) das reuniões ordinárias mensais e solenes, salvo em caso de justificativas por razões de saúde, aprovadas em ata, e a manter as mensalidades em dia, nunca ficando inadimplente por mais de seis mensalidades, sob pena de perda da condição de acadêmico da ACLP, conforme normas estatutárias.

Fortaleza, 6 de julho de 2017.
Sebastião Valdemir Mourão
Presidente da ACLP