Malinações em pleno expediente

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

A ociosidade é a mãe de todos os vícios.
(Dito lusitano).

A ociosidade é a mãe de todos os vices.
(Paródia do Mons. Francisco SADOC DE ARAÚJO.
Sobral, 17.12.1931).

De certa feita, abri a porta da Vice-Reitoria da Universidade Federal do Ceará, com o fito de cumprimentar, no modo ordinário de fazer, o então vice-reitor e meu amigo, Professor Doutor Ícaro de Sousa Moreira, hoje na Casa do Pai. Eis que, por mim inesperado, esse atilado arturo-scottiano dirigia uma “távola retangular” com umas quinze ou mais autoridades acadêmicas. Só depois, soube que o reitor, Professor Renê Teixeira Barreira, estava de viagem. Escabreado, ia fechando, quando ele disse:

– Entre, professor. Quer alguma coisa?

– Não. Apenas cumprimentá-lo. E a todos.

Então, para não passar batido, fiz esse comentário: – Magnífico: você está desdizendo a paródia cunhada pelo Monsenhor Sadoc!

– Qual é a paródia?

A ociosidade é a mãe de todos os vices. Risada geral.

Comentada para abrir estas lérias a dita paródia, remeto-me à crônica Folha de Dezembro, saída no medium da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, a fim de recordar o ócio praticado em expediente duro, porém gostoso e saudável, como escriba do Reitor Hélio Leite, coadjutor dos diretores de centros e faculdades, assistente dos pró-reitores, ajudante de docentes e funcionários e, como os portugueses exprimem, acólito “de toda a gente”.

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Livro revela página obscura da história: o dia em que Camões foi censurado no Brasil

ITALO GURGEL – membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 17

(Trabalho apresentado na “Hora do Vernáculo”, sessão de 28/05/2019)

O livro a que o título se reporta me foi presenteado por uma cunhada, a professora Neuma Cavalcante, aposentada do Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará, pesquisadora do manuscrito literário e ex-curadora do acervo de Guimarães Rosa, na USP. A preciosidade, ela recebeu do bibliófilo José Mindlin, industrial paulista, fundador da Metal Leve, fabricante de autopeças, e patrono do ex-libris que aparece na capa.

Ao longo de décadas, Mindlin, que faleceu em 2010, reuniu uma extraordinária biblioteca brasiliana que, em 2006, doou à Universidade de São Paulo. O conjunto é constituído por obras de literatura, história, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários, documentos, periódicos, mapas, livros científicos e didáticos, iconografia e livros de artistas.

Num rápido adendo, vamos espiar o que Aurélio revela sobre o termo “ex-libris”: “Fórmula que se inscreve nos livros, acompanhada do nome, das iniciais ou de outro sinal pessoal, para marcar possessão. Pequena estampa, geralmente alegórica, que contém ou não divisa, e vem sempre acompanhada do próprio termo ex-libris e do nome do possuidor, a qual se cola na contracapa ou em folha preliminar do livro.”

A inscrição “ex-libris” pode aparecer carimbada, ou numa vinheta colada. No caso do Dr. Mindlin, seu lema, “Je ne fay rien sans gayeté” (“Não faço nada sem alegria”), foi extraído de um ensaio de Montaigne sobre os livros e explicita sua afinidade com aquela grande figura do humanismo francês. Só uma curiosidade: no dístico que temos aqui, o verbo faire (fazer) preservou sua grafia arcaica (fay).

Voltando à obra que trago aqui, eu diria que chama a atenção, de pronto, o esmero com que foi produzida. A caixa de cartolina que envolve dois pequenos volumes encadernados traz apenas a vinheta com o lema, seguida da informação: “Ex-libris José Mindlin”.

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Caminhos de uma vida fértil

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37

Artigo Inaugural da obra Notações de um Percurso Pessoal e Acadêmico – VM

A Ciência é o cemitério das ideias mortas.
(MIGUEL DE UNAMUNO)

Prof. Raimundo Mariano.

Antes de adentrar, com elevada satisfação, os escólios a respeito do autor deste livro, o cientista piauiense, militante das Ciências da Terra – Geologia e seus ramos disciplinares, internacionalmente conhecido e apreciado, intento preparar os solos, com seus horizontes texturais, a fim de melhor assentar meus motivos condutores das notas, procedendo a informações propedêuticas sobre minha inserção na mesma Casa de Saber onde opera o autor da obra sob comento, publicado pela Expressão Gráfica – o pesquisador Prof. Dr. Raimundo Mariano Gomes Castelo Branco.

Na qualidade de cearense, sob o prisma do conhecimento e da cultura – embora infinitamente abaixo do estatuto acadêmico do produtor desta obra –  minha referência fundamental assenta na Universidade Federal do Ceará, conjunto acadêmico modelar fundado pelo extraordinário Prof. Antônio Martins Filho, no recuado ano de 1954, ao congregar algumas faculdades e escolas isoladas de Fortaleza, concedendo-lhes caráter universitário.

Universidade – não demora reiterar – conforma uma instituição de ensino e procura da informação ordenada, constituída por um conjunto dos mencionados institutos, destinados a promover a formação profissional e científica em nível superior, bem como efetivar demanda teórica e prática na maioria das vertentes da recepção do saber humanístico, artístico e tecnológico, bem como proceder à divulgação de seus resultados a  uma vasta comunidade receptora.

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Valdemir Mourão autografa duas de suas obras, dia 19, no Shopping Benfica

A Associação Cearense de Escritores e o Shopping Benfica convidam para o lançamento de duas obras do Prof. Valdemir Mourão – “Reflexão e produção de textos” e “Valor simbólico das cores de Vidas Secas de Graciliano Ramos”. Será na Galeria BenficArte, no primeiro andar daquele centro de compras. O endereço é Av. Carapinima, 2200, bairro Benfica, em Fortaleza.

Valdemir Mourão é membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa, onde ocupa a Cadeira n° 19, patroneada por José de Sá Nunes. Presidiu a ACLP no biênio 2016/2018 e, na atual Diretoria, é o Vice-Presidente.

Caminhos

GISELDA DE MEDEIROS, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 16

Não sei por onde ir…
Sou trêmula rosa
pendente da haste
ou pássaro implume
esquecido da trajetória.

Os caminhos abrem-se em labirintos,
e não tenho o mapa do destino
nem o fio de Ariadne.

Há muito estou aqui
no meio deste tempo sem história.
Cansa-me procurar a saída
nestes vales úmidos de espanto.

A fuga açula-me a solidão,
esta companheira
sempre à minha espreita
com quem divido meus medos,
minhas angústias inexoráveis.

Vou e retorno sobre meus próprios passos,
tímidos e lassos,
sobre a minha própria busca…

Sei que seguir é imperativo,
ficar é presente,
retornar é passado.

… E o futuro? Deverei buscá-lo?
Será ele um tempo? Ou um vento?
Mas, preciso seguir, mesmo sabendo
que, ao fim de tudo, acabarei pendente,
pétalas caídas, sob a frágil haste
que me sustentou a efêmera vida,
que era apenas tu.

Edital para preenchimento de vaga na Academia Cearense da Língua Portuguesa

Edital 02/2019

Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP), representada pelo Presidente Sebastião Teoberto Mourão Landim e atendendo ao disposto em seu Estatuto, abre inscrições para preenchimento da Cadeira nº  21, conforme regulamentação a seguir:

1) Para ser eleito Associado Efetivo, deverá o candidato:

a) ser residente e domiciliado no Estado do Ceará;

b) ter boa conduta;

c) concordar com o Estatuto e com os princípios nele definidos, mediante declaração de que o leu no site da Academia Cearense da Língua Portuguesa – www.aclp.com.br;

d) haver publicado trabalho de natureza gramatical, filológica ou linguística sobre a Língua Portuguesa ou apresentar produção científica e literária que prime não só pelo ponto de vista da expressão linguística portuguesa, mas também pelo valor científico e criatividade literária, méritos a serem arbitrados e mensurados por comissão mista instituída pela Academia para esse fim.

2) A proposta para a admissão de associado será apresentada por 3 (três) associados efetivos e entregue no ato da inscrição.

3) À proposta serão anexados os trabalhos do candidato e seu curriculum vitae.

4) A proposta terá entrada na Secretaria da ACLP em Fortaleza, no Palácio da Luz, nº 1, Centro, até 28 de julho de 2019, das 9 às 16 horas.

5) O candidato proposto apresentará o comprovante bancário de pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), no Banco do Brasil, agência 3296-4, poupança, com variação 51, conta 300.000-1, em nome da confreira Giselda de Medeiros Albuquerque, podendo o pagamento ser feito, também, no ato da inscrição.

6) Deverá o postulante preencher uma ficha, no ato da inscrição, e assinar declaração de que se compromete a frequentar anualmente no mínimo 50% (cinquenta por cento) das reuniões ordinárias mensais e solenes, salvo em caso de justificativas por razões de saúde, aprovadas em ata, e a manter as mensalidades em dia, nunca ficando inadimplente por mais de seis mensalidades, sob pena de perda da condição de acadêmico da ACLP, conforme normas estatutárias.

Fortaleza, 28 de junho de 2019.

Sebastião Teoberto Mourão Landim (Presidente da ACLP)