Da Felicidade

Myrson Lima – Cadeira nº 14

Parece, à primeira vista, ingenuidade ou babaquice matutar sobre a felicidade. Pode constituir-se tema mais apropriado a livro de autoajuda, cheio de fórmulas mágicas, estilo “Como evitar preocupações e começar a viver”, “Aprenda inglês, dormindo”, “Como ser bem sucedido no emprego, sem fazer nada, somente assobiando e comendo pimentão”.

Há mesmo pessoas sisudas e compenetradas, que dizem com toda convicção que a felicidade não existe; o que há são momentos felizes, como ler um bom livro, comer tapioca molhada em água de coco, banhar-se nas piscininhas na maré secante, tomar caldo de cana na Praça do Ferreira, caminhar de manhã cedo pela Beira-Mar. Outras, como o poeta Vicente de Carvalho em Velho Tema, reconhecem que a felicidade existe, “mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos”.

Tom Jobim, não lhe nega a existência, contudo assegura que passa rápido: é “como a pluma, que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve”.

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Discurso de Recepção – Posse 29/10/2016

POSSE SÊXTUPLA NA ACADEMIA CEARENSE DA LÍNGUA PORTUGUESA

Vianney Mesquita

A  língua é um instrumento cujas
molas não convém deixemos ranger.
(RIVAROL).

(Antes de ferir esta oração, homenageio, nos 39 anos de criada a Academia, a figura emblemática de um dos instituidores deste Silogeu, o acadêmico e linguista Itamar Santiago de Espíndola, o qual se dizia quêfobo).

Esta referência descansa na ideação de não empregar, na elocução a ser proferida, em nenhuma ocasião, a palavra que).

Conquanto expressa recorrentemente, no entanto sem se tornar chavão, invito a sentença latina procedente do moto filosófico configurado na Escolástica: Esto brevis et placebis.

Embora suficientemente embaraçoso, pelo mundo de novos acadêmicos presentemente distinguidos, obedeço ao Serei breve para ser agradável, o lacial anexim expresso com vistas a não atemorizar os circunstantes com a imaginável longuidão da minha homilia (nisto não incorrerei), ao recepcionar meia dúzia de lentes, ora tornados partes titulares desde Sodalício, hoje com 39 anos perfeitos, em pleno vigor de atuação, desde quando fundado a instâncias do inolvidável mestre maior, cujo nome pronunciamos com saudade e respeito: Professor Hélio de Sousa Melo.

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O Autocídio sob a Óptica do Filósofo, Teólogo e Bioeticista Paranaense Luiz Antônio Bento (1)

Socorro Lima Mesquita e Vianney Mesquita (2)

O Deus que em nós impera proíbe que partamos sem o seu consentimento. (Marco Túlio CÍCERO).

Procedeu-se, em atendimento a fins acadêmicos, à leitura do livroBioética – desafios éticos no debate contemporâneo, onde o sacerdote católico, filósofo e teólogo paranaense Luís Antônio Bento evoca o fato de o ser humano atual perpassar difícil fase da história, permeada por múltiplas e rápidas transformações, alastradas globalmente. Essas mudanças – aduz o Autor – interferem nos modos de pensar e agir, afetando as relações socioculturais e até vinculações religiosas.

Na interpretação livre operada em parte do texto, compreendeu-se o ato suicida, do modo como divisa o Escritor – sob o ponto de vista da confissão católica e sem descer a explicações da Ciência Psicológica nem de outras fontes disciplinares – ao expressar a noção de que, perante tantas inovações, a pessoa entra em crise, sente-se insegura, de modo que não sabe o caminho a seguir.

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