Diferenças

ANA PAULA DE MEDEIROS RIBEIRO, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 12

Ser professor universitário é sempre uma oportunidade de observar os anseios e pensamentos da juventude sobre as coisas do mundo.

Ontem, foi o primeiro dia de aula do semestre – um momento de expor aos estudantes a dinâmica da disciplina, a regras institucionais e de convivência. Ao final disso tudo, houve a rodada de apresentações em que os estudantes puderam se apresentar e dizer algo de si.

Nesta pequena incursão ao universo discente, no primeiro dia de aula, podem ser identificados aqueles mais extrovertidos e engraçados, os mais tímidos e reservados, aqueles que já trabalham e aqueles que ainda não possuem experiências profissionais. Estes, no entanto, ainda são maioria. Muitos declararam que ainda não trabalham.

No contexto atual, ter a possibilidade de dedicar-se exclusivamente aos estudos e ainda estar em uma Universidade pública é um grande privilégio. Isso provocou em mim várias reflexões porque relembrei uma conversa que tive com Nino, meu sogro, um homem de 80 anos, ali, ao lado de sua oficina, espaço que o possibilita ainda ser muito produtivo.

Em meio a uma conversa bastante agradável, ele me disse:

– Se eu tivesse tido a oportunidade que meus filhos tiveram de estudar e de se formar, eu teria sido um profissional melhor, de mais saberes e conhecimentos. Eu sempre tive muita vontade de progredir nos meus estudos e, um dia, eu tomei coragem e me aproximei de meu pai fazendo o pedido para que ele me permitisse estudar. Embora eu gostasse muito do ambiente das oficinas e de tudo o que eu fazia por lá, era meu desejo saber mais, ler mais para poder entender mais e trabalhar melhor. Mas, após meu pleito, meu pai deu um longo suspiro e, olhando-me de modo melancólico, disse: “Eu poderia lhe dar a oportunidade para continuar seus estudos, mas eu, necessariamente, teria que dar também para todos os outros filhos”. E, espalmando ambas as mãos, nomeou um filho em cada dedo.

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Folhas Mortas – Inspirações em Versos Ecléticos

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37, tendo como patrono Estêvão Cruz.

NOTA DO EDITOR – Em um sublime mea culpa, o acadêmico Vianney Mesquita produziu estas vivíssimas “Folhas Mortas”. Explico-me: por motivos que fugiram ao seu controle, o estimado jornalista, ensaísta, escritor e poeta faltou à mais recente reunião ordinária da ACLP, realizada a 28/01/2019. Para se redimir daquilo que considera um pecado, ele se impôs a feitura deste ensaio, que agora é brindado aos visitantes do site e que o autor dedica às acadêmicas Prof.as Dras. Maria Elias Soares, Maria Gorete Oliveira Sousa e Maria Margarete Fernandes de Sousa.

1 INTRODUÇÃO

Se o poeta não pode iludir, não é poeta; e falar em poesia com raciocínio é igual a se referir a um animal pensante. (G. LEOPARDI. Poeta e filólogo italiano. Recanati, 29 de junho de 1798; Nápoles, 14 de junho de 1837).

Embora coetâneo de Santiago VASQUES FILHO e conhecedor de sua obra artística, não experimentei a ventura de privar do seu convívio.

Dado às coisas do espírito, o Rapsodo piauiense cultuou vigorosamente a arte da Pintura, havendo deixado copiosa produção em variados gêneros, registrados em guaches, óleos e aquarelas. Jornalista colaborador de periódicos do Ceará, Paraíba e Estado do Rio de Janeiro (Niterói), frequentou movimentos culturais dos mais diversos jaezes, como, exempli gratia, no exercício da logogrifia, discurso em prosa escrita e aplicação na atividade de composição e decifração de palavras cruzadas.

No século, hic est, em contraposição aos exercícios da cultura incorpórea, o Poeta foi magistrado e advogado competente, creditando, ainda, ao seu currículo, a pertença à vida castrense.

Dessa atividade multímoda, nos misteres seculares e fora destes, destaca-se em motos literários do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, e até do Exterior, feito titular de uma cátedra do Instituto de Cultura Americana, do México.

Ao atestar a grandiloquência de sua produção na senda das letras, com destaque para a poesia, o Autor de Bronzes e Cristais granjeou muitos prêmios, em concursos de poesia, trova e soneto, representados por diplomas, medalhas e troféus, consoante registam Girão e Sousa* (1987 p. 231), em cidades das diversas unidades federadas há pouco mencionadas.

A despeito de sua obra multifária, foi o metro a socializá-la no País inteiro, mercê dos trabalhos de rara beleza, como o prefalado Bronzes e Cristais (1975), Cantigas de Três Patetas, em parceria com Aloísio da Costa e César Torraca (1985), e o Folhas Mortas (glosado no meu Fermento na Massa do Texto Apreciações – MESQUITA, Vianney – 2001), dado ao público em 1985, em edição princeps, numericamente limitada e artesanal, com o sinete das Academias Espirito-santense de Letras e Brasileira de Literatura, reeditada, desta vez industrialmente, em 2000, pelas Edições UVA, de Sobral-CE.

Caminhos sem Fim, romance de 1984, O Testamento e outros Contos, e O Azarado e outros Contos pertencem à prosa de ficção do Autor, assinante, também, de Três Ensaios Literários, todos eles de apreciável valor artístico e didático, não editados industrial-comercialmente.

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A dúvida é melhor do que a certeza

Anizeuton Leite (Membro correspondente da ACLP em Jucás/CE)

“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano.” Essa frase do grande físico Isaac Newton, é um convite à reflexão sobre o que conhecemos e principalmente sobre o que desconhecemos. O ser humano é o único ser que não sabe e tem consciência de que não sabe. A razão, atributo concedido a nós humanos, entre outras coisas, nos dar a capacidade de questionar, analisar, refutar algumas ideias e refletir sobre o que vemos, ouvimos ou falamos.

A capacidade de pensar, refletir e mudar de opinião é própria de quem é aprendiz; alguém que possui humildade acadêmica e vontade incansável de aprender coisas novas. A humildade e a vontade de aprender sempre ocuparam as páginas da história de vida dos grandes homens da história.  Sócrates proclamava na ágora: “Toda minha sabedoria consiste em saber que nada sei”. René Descartes por sua vez ao se referir ao seu discurso do método alertou: “Talvez eu me engane e não passe de um pouco de cobre e de vidro o que tomo por ouro e diamantes.”

A dúvida é melhor do que a certeza. No entanto, é preciso saber duvidar.  Duvidar por duvidar não nos leva a nada. Alguns céticos apenas duvidam. Eles não utilizam a dúvida para buscarem respostas consistentes.  A dúvida faz com que tenhamos um pensamento autônomo, livre de preconceitos e das amarras do dogmatismo exagerado. A dúvida ainda desperta em nós a curiosidade e o questionamento. Nada aceitamos como verdadeiro sem antes passar pelo crivo da razão.

A ciência e a religião evoluiram muito com as ideias de Descartes, Agostinho e Tomás de Aquino. Homens que sempre esteveram a frente do seu tempo. Homens que fizeram com que fé e razão; ciência e religião se aproximassem mais. Antes deles, ciência e religião eram duas realidades excludentes. As duas não precisam viver separadas, mas juntas para ajudar o ser humano a viver melhor aqui na terra.

A fé e o mistério por sua vez têm os seus encantos e nos proporciona inúmeros ensinamentos.  O mistério nos proporciona a oportunidade de crer sem ver; confiar sem temer e ter a certeza de que enquanto realizamos o possível, o impossível e o improvável podem está acontecendo. Uma coisa é certa: é preferível a pergunta desafiadora as respostas prontas e vazias. Respostas que tornam simples, os problemas que são difíceis de serem digeridos na vida real. A dúvida não nos retira a fé, apenas a torna mais sólida. A dúvida dá razão a nossa fé.

Duvidar é avançar no conhecimento, na razão. É ter senso crítico e não permitir que  nos enganem dizendo ser verdade o que não passa de uma mentira bem contada. A razão é universal. Ela nos permite distinguir o certo do errado, o bem do mal e nos dá a sabedoria necessária para julgar de maneira justa e coerente o que nos é apresentado.

A dúvida é melhor do que a certeza, assim como a pergunta é melhor do que a resposta. O problema gera conhecimento. A busca por respostas traz novas descobertas nas diversas áreas do conhecimento. As vacinas, as descobertas astronômicas, a cura de algumas infermidades, os benefícios e os malefícios de algumas plantas, foram e são descobertas pelo homem graças a sua capacidade de indagar e de buscar respostas para os seus questionamentos e dúvidas.

Descartes tinha razão ao dizer: “Penso, logo existo”. O pensar é o que nos torna humanos e nos possibilita entrar no território das descobertas.  Descobertas que não nos retira a fé, pelo contrário nos aproxima mais e mais de Deus.

Predicação verbal – Transitividade verbal (verbo Ir)

Raimundo de Assis Holanda, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 22

Como introito, o dicionário eletrônico, Houaiss, apresenta estes conceitos de predicado.

  1. “Relação semântica existente entre um predicado e um argumento, pelo qual o predicado atribui propriedades à entidade representada pelo argumento”. Ex. A Academia Cearense da Língua Portuguesa congrega plêiades de estudiosos do vernáculo (grifo nosso).
  2. “Aquilo que se afirma ou se nega a respeito do sujeito da oração (p.ex., na frase ele é o maior mentiroso que já existiu, o predicado é quase tudo, com exceção de ele; na frase morreu o maior mentiroso que já existiu, o predicado é morreu)
  3. “Termo ou conjunto de termos atribuíveis, por meio de uma afirmação ou negação, ao sujeito de um juízo ou proposição”.

As gramáticas de nosso vernáculo, de modo especial, as tradicionais, classificam os verbos quanto à predicação em: transitivo direto; transitivo indireto; transitivo direto e indireto; intransitivo; ligação.

Faz-se necessário entendermos o conceito de transitividade.

Mattoso Câmara Jr., In: Dicionário de Linguística e Gramática, 11ª edição, conceitua Transitividade sob dois sentidos: 1) “estrito – necessidade, que há em muitos verbos, de se acompanharem de um objeto direto que complete a sua predicação”. No latim, língua de casos, esse complemento indispensável é expresso pelo acusativo. (V.g. Mater filiam pulchram amat).

O nome TRANSITIVO, dado a tais verbos em latim, decorreu da sua possibilidade de poderem passar para a voz passiva, numa transformação em que o objeto é feito paciente, no caso nominativo. Essa transformação existe em português. (V.g. Pedrinho vê fantasmas; fantasmas são vistos por Pedrinho).

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ACLP lança edital para preenchimento de três cadeiras

Edital 01/2019

Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP), representada pelo presidente Sebastião Teoberto Mourão Landim e atendendo ao disposto em seu Estatuto, abre inscrições para preenchimento das cadeiras  21, 23 e 33, conforme regulamentação a seguir:

1) Para ser eleito Associado Efetivo, deverá o candidato:

  1. a) ser residente e domiciliado no Estado do Ceará;
  2. b) ter boa conduta;
  3. c) concordar com o Estatuto e com os princípios nele definidos, mediante declaração de que o leu no Site da Academia Cearense da Língua Portuguesa – aclp.com.br;
  4. d) haver publicado trabalho de natureza gramatical, filológica ou linguística sobre a Língua Portuguesa ou apresentar produção científica e literária que prime não só pelo ponto de vista da expressão linguística portuguesa, mas também pelo valor científico e criatividade literária, méritos a serem arbitrados e mensurados por comissão mista instituída pela Academia para esse fim.

2) A proposta para a admissão de associado será apresentada por 3 (três) associados efetivos e entregue no ato da inscrição.

3) À proposta serão anexados os trabalhos do candidato e seu curriculum vitae.

4) A proposta terá entrada na Secretaria da ACLP em Fortaleza, no Palácio da Luz, nº 1, Centro, até 28 de fevereiro de 2019, das 9 às 16 horas.

5) O candidato proposto apresentará o comprovante bancário de pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), no Banco do Brasil, agência 3296-4, poupança, com variação 51, conta 300.000-1, em nome da confreira Giselda de Medeiros Albuquerque, podendo o pagamento ser feito, também, no ato da inscrição.

6) Deverá o postulante preencher uma ficha, no ato da inscrição, e assinar declaração de que se compromete a frequentar anualmente no mínimo 50% (cinquenta por cento) das reuniões ordinárias mensais e solenes, salvo em caso de justificativas por razões de saúde, aprovadas em ata, e a manter as mensalidades em dia, nunca ficando inadimplente por mais de seis mensalidades, sob pena de perda da condição de acadêmico da ACLP, conforme normas estatutárias.

Fortaleza, 28 de janeiro de 2019.

Sebastião Teoberto Mourão Landim (Presidente da ACLP)

Beija-flor

Regina Barros Leal (Membro titular da ACLP – Cadeira nº 24)

Contemplo os pássaros, espargindo alegria
São os beija-flores! Que no canto, encantam!
Descobre-se, no voo, o belo em perfeita harmonia
Como os amores eternos, que nos alcançam e fascinam

As rosas exalam o perfume, o aroma perfeito
Os pássaros sorvem o néctar, com delicadeza
O belo se expande, no magistral pleno feito
A natureza expressa a inspiradora beleza

 Diante desse espetáculo, face ao seu esplendor
Contemplo, em êxtase, o mistério infinito
E as lágrimas mergulham no oceano do amor

 Assim, elevada, escrevo sonetos e lindas canções
Exalto a vida, o cosmo, o universo, a infindável grandeza
Vivendo no agora, registro o poético, das sutis emoções