O Natal de hoje

BATISTA DE LIMA (Cadeira nº 36)

Batista de Lima ao lado de Paulo Sérgio Lobão.

Mensagem de natal proferida na confraternização da Academia Cearense da Língua Portuguesa, a 11 de dezembro de 2018.

A criança divina ainda não nasceu e já estamos comemorando treze dias antes, é o milagre do Natal. Quero, no entanto, me antecipar e montar uma árvore de natal. Será uma goiabeira carregada de goiabas maduras e verdes. Tem que ser goiabeira porque possui galhos e troncos muito fortes para sustentar tudo o que nela for colocado. As goiabas parecem com aquelas bolinhas caras vendidas nos supermercados. Os três reis magos serão três moradores de rua muito magros. Os três pastores serão três cegos que trarão lições de como ver luzes de olhos nulos.

“O presépio”, do xilógrafo pernambucano José Miguel da Silva.

O casal será Fabiano e Sinhá Vitória que há oitenta anos, exatamente, foram criados por Graciliano. O filho não será o mais velho nem o mais novo, e sim uma criança da Síria, ou da Etiópia, mas que se chama Jesus, que a mãe seja Maria Vitória e o pai José Fabiano. A oliveira pode ser uma mangueira e a tamareira, um cajueiro, com muitos cajus de castanhas grandes, todas perguntando-nos por que, como sementes, não estão dentro do caju. Quanto ao Pinheiro que não é de nosso chão vou colocar um angico que de tão duro tem a nossa consistência.

Que Jesus me perdoe essa comemoração de seu nascimento com coisas daqui da terra. Se ele por aqui vier, quando estiver maior, vai ver que não crucificamos ninguém, mas há perigo de bala perdida, de fome, peste e guerra, que nem São Sebastião tem conseguido resolver. Quanto a São José, que venha ensinar carpintaria nas escolas do Estado, já que é notório saber e cabe perfeitamente na BNCC. Nossa Senhora pode ser dona de casa, ou ensinar às jovens mães como criar bem suas crianças. Depois explicar às senhoras nossas que não precisa haver massacre de perus nessa data gloriosa, lá em Belém era mais peixe e carneiro. Outra coisa, por que as cores precisam ser vermelha e branca se nosso mar é azul e nossas matas são verdes?

Meu querido, e divino Cristo, como presente de natal nós lhe prometemos devoção, e perdoar quem nos molesta em todos os dias do ano. Mas gostaríamos que o Senhor não deixasse as criancinhas morrerem por descaso dos adultos, nem deixasse os idosos sofrerem depois de tantos anos de trabalho duro. Ah sim, Jesus, desculpe essas palavras sem jeito de me dirigir ao Senhor, e de comemorar o Natal no meio dos meus amigos. Eles esperavam ouvir nesta ocasião tocar uns sinos de Belém, falar em manjedoura, Papai Noel e aqueles mesmos animais desconhecidos arrastando um trenó no gelo. Aqui só tem poeira e mato. Até os jumentos estão em extinção, nem carroça é mais permitido ser arrastada por burro. As crianças no Natal só querem ganhar celulares, cada vez mais megahabituadas. Não meu Jesus querido, minha prece natalina é feita de esperança ao Senhor e a sua Família Sagrada.

Lembra-te ainda, Jesus sagrado, de quando fui interno no Seminário Apostólico da Sagrada Família. Eram padres alemães. Ali eu via, no carpinteiro, São José consertando carteiras, portas e janelas, via em Dona Hilda Niehoff a figura de Nossa Senhora, cuidando da cozinha do claustro, da roupa limpa dos seminaristas e Jesus personificado no padre Rodolfo Stall, cuidando da nossa espiritualidade e fazendo seus primeiros milagres na tradução do “De Bello Gallico”, das Catilinárias e do Tito Lívio.

Na árvore de natal, Jesus, vou colocar alguns livros de poemas, e outros teréns para os quais as gentes pouco ligam.

Ilustrações de Aldemir Martins para Vidas Secas.

Ainda voltando à manjedoura, não será feita de um coxo mas de gamela do engenho do Taquari, que é para o menino Jesus ficar mais confortável, forrado com folhas de bananeira, que são bem friinhas. Vou colocar um passarinho carrancudo do Horácio Dídimo para cantar canções de ninar, trepado num cajueiro pequenino carregadinho de flor, plantado pelo Juvenal Galeno. Patativa vai me mandar do local onde estiver a vaca Estrela e o boi Fubá.

Já pedi a Barros Pinho sua ajuda ovina, mas ele me preveniu cuidado, dizendo: “meu carneiro Jasmim nunca se queixou de mim”. Quando chegar o bode Yoyô trazido pelo Mário Gomes, ou pelo Chagas dos Carneiros, vou aceitar a ajuda, guardando o devido cuidado. Uma vaquinha também está presente mandada por Jorge de Lima. É uma vaca de garupa palustre e bela e dois cachorros lá de nós, Rompe Nuvem e Rompe Ferro, e os animais de carga e sela, bem feito, Memória e Gasolina e a burrinha de Tedeza e o cavalo de Parredino ali estarão sentados secundados pela cachorra Baleia, presente de Graciliano, um burrinho pedrês, uma égua Balalaica, e o burro Canário estarão ali de vigia, mandados pelo Rosa das Gerais. Não esquecerei Navegante e Rapé, Chuvisco e Surubim.

Para finalizar, digo que eu creio nos seus ensinamentos, creio em Deus pai, todo poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo seu único filho, Nosso Senhor, que foi concebido, pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado,
morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia, subiu aos céus e está
sentado à direita de Deus pai todo poderoso
donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio
no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na
comunhão dos Santos, na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne, e na vida eterna
Amém.

SOS Português: as dicas do Professor Mourão

A ALFACE OU O ALFACE?

Alface – planta usada principalmente para o preparo de saladas.

Deve-se usar como substantivo feminino. Portanto: a alface, esta alface, etc.

Exemplos:

  • Aquela alface está tão bonita que dá vontade de comer com os olhos.
  • Tem gente que gosta da alface molhada com azeite.

DE TARDE OU À TARDE?

De tarde é locução adverbial de tempo usada em relação a dia não determinado.

  • Ex.: De tarde costumo ler e escrever.

À tarde é usada quando o dia é determinado.

  • Ex.: Ontem à tarde conclui mais um livro.

DEFERIR, DIFERIR

São formas parônimas, com escrita e pronúncia parecidas, mas com significados diferentes.

Deferir: atender, conceder, conferir a, outorgar, despachar favoravelmente.

  • Ex.: Deferi o requerimento, depois de conferir os documentos.

Diferir: divergir, ser diferente, adiar, procrastinar, prorrogar.

  • Ex.: “A voz era a mesma de Escobar, o sotaque era afrancesado. Expliquei-lhe que pouco diferia do que era.” (Machado de Assis).

Tem outras dúvidas? Quer ver outras dicas? Visite o blog do Prof. Mourão: profmourao.blogspot.com

(Sebastião Valdemir Mourão é membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa, onde ocupa a Cadeira nº 19)

Est@mos conect@dos?

 Anizeuton Leite (Membro correspondente da ACLP em Jucás/CE)

Conectar é um dos verbos mais utilizados no momento. Ao utilizarmos tal verbo, passamos a ideia de estarmos inseridos no mundo globalizado e tecnológico, mostramos que dominamos as ferramentas da internet e que temos algo para dizer ou compartilhar com o mundo.

Conectar, quase sempre, é usado no sentido de ligar, unir, juntar, sejam pessoas ou ideais. Mas será que est@mos conect@dos? Estamos realmente unidos às pessoas?  Compartilhamos vídeos, fotos e textos nos meios de comunicação, mas será que estamos compartilhando sentimentos verdadeiros? Parece que não.

Conectar a si mesmo, nesse mundo iluminado e barulhento, não é tarefa fácil. E quando não visitamos a nossa morada interior nos tornamos vazios e passamos a viver de aparências. Prova disso é que a depressão, mal deste século, tem arrasado a vida de muita gente. Pessoas que nas redes sociais parecem viver uma vida de alegria e glamour, mas em casa choram suas dores e borram a mesma maquiagem que usaram para postar mais um vídeo nas redes sociais fazendo caras e bocas.

Conectar-se às pessoas que moram ou convivem diariamente conosco também é tarefa difícil. Estamos cada vez mais juntos e ao menos tempo separados. Parece contraditório, mas não é. Pais reclamam do isolamento dos filhos, casais pouco dialogam, pois têm a atenção voltada para as mídias sociais. Recentemente, uma pesquisa revelou algo assustador sobre a relação entre os celulares e os jovens. A pesquisa apontou que mais de 50% dos jovens consideram o celular o seu melhor amigo.

As relações humanas têm esfriado. O abraço está menos demorado, o olho no olho transformou-se num emoticon, o diálogo está minguando e a vida dura e real está sendo substituída por anestésicos produzidos pela vida virtual. A alegria é postada nas redes sociais, mesmo que a tristeza seja uma companheira inseparável.  Enquanto isso, na frente do computador, um ser sem coração e alienado tecla mais uma mensagem.

INVENCIONICES NAS PEÇAS DE POETAS (Confissão de um Poeta Malogrado)

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37
(Texto apresentado na “Hora do Vernáculo”, reunião de 15/09/2018 da ACLP)

Sendo mentirosos profissionais, os poetas devem ter
excelente memória.
(JONATHAN SWIFT).

Jonathan Swift

1 Notações Preliminares

Procedo a esta ligeira comunicação com vistas a autentificar, particularmente em relação à grade métrica do soneto, a sentença registada (veja nota no rodapé) na epígrafe deste comentário, da autoria do poeta, escritor satírico e religioso irlandês Jonathan Swift (Dublin, 30.11.1667 – 19.10.1745), célebre autor de um dos mais lidos trabalhos de procedência exterior no Brasil – As Viagens de Gulliver – bem assim de Histórias de um Tonel, entre tantas, na maioria sob pseudônimo.

Para asserir a relevância de Swift no concerto das Letras estrangeiras, é bastante lembrar a influência suscitada pelo artista natural do Eire em beletristas de todo o Mundo, da grandeza de Herbert George Wells (H. G. Wells), Charlotte Brontë (criptônimo de Currer Bell) e, especialmente, no Brasil, em Machado de Assis, cujos principais influxos advieram da literatura inglesa, na mesma dimensão dos recepcionados pelo “Moleque Carioca,”  procedentes de Laurence Sterne (24.11.1713 – 18.03.1768). (Este é um apodo respeitoso da escritora e biógrafa mineira, dele estudiosa, Lúcia Miguel Pereira, mulher do escritor Octávio Tarquínio de Sousa – Barbacena, 12.12.1901; Rio de Janeiro, 22.12.1959).

Convém lembrar aos circunstantes – mesmo de passagem, pois o assunto não calça o objetivo destas notas – o fato de que Joaquim Maria Machado de Assis era averso à licenciosidade das letras do século XVIII e afiliado à literatura da Era Vitoriana, pois não acedia ao emprego das litotes, insertas no vocabulário e no desenrolar narrativo de então. Por este pretexto, com efeito, acolheu as influências de Swift e de outros paredros da literatura internacional, nomeadamente daqueles de sinete grão-britano.

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Rimas invariáveis (1)

Vianney Mesquita (Membro titular da ACLP – Cadeira nº 37)

Um panegírico à pessoa humana. Homenagem ao Prof. Valdemir Mourão (docente universitário e imortal titular (ex-presidente) da Academia Cearense da Língua Portuguesa. Escritor e poeta).

Prof. Valdemir Mourão, 1º Vice-Presidente da ACLP

A minha sorte s’esvaiu porque,
Ao vê-la sempre com desejo tanto,
Para comigo a conservar, conquanto
Não atinasse jamais para quê.

Embora sem conhecer, entretanto,
A razão de querer vossemecê,
Obedeci a intenção; portanto,
Perdi-a logo sem ver nem por quê.

Assim, um semiderrotado, entanto,
Na esperança sigo, por enquanto,
De, no amor, lograr Sua Mercê.

Auspicioso, pois, um tanto quanto,
Faço tudo de lícito, contanto
Que um dia possa reaver você.

(1) De estudo, nenhum dos pés do soneto tem rima com as classes de palavras variáveis – substantivo, artigo, adjetivo e verbo.

O discurso do Mérito

RAIMUNDO EVARISTO NASCIMENTO 

(Membro titular da ACLP, onde ocupa a Cadeira nº 40. Pesquisador de Línguas Clássicas, Especialista em Psicopedagogia. Professor de Língua Portuguesa da UVA, da Faculdade Luciano Feijão e de Cursinhos Pré-vestibulares.)

Prof. Raimundo Evaristo

Parafraseando René Descartes, desde o título dado a este singular opúsculo, eu diria clicheisticamente, ao estilo de Tristan Tzara, que NADA É POR ACASO. É impossível homenagear alguém do nada, por não ter feito nada, por não ter sido nada. Isso posto, convém dizer que os homens a quem sucedemos esta noite, dignatários destas cadeiras e desta casa, engrandecem-nos, principalmente por quem são e, mais ainda, pelo que fizeram. Portanto, é de bom alvitre externar aqui, com a máxima vênia, o quanto estamos honrados de tomar assento à mesa de tão denodada instituição e sucedendo duas figuras tão impolutas, o estudioso Candido Jucá Filho e o professor Rogério Bessa. 

É, acima de tudo, pertinente dizer que a honra a nós ofertada e, antes, a eles merecida vem em justíssima e boníssima hora, porquanto, vivos, teremos este momento como uma insigne coroa que há de se juntar ao brilho próprio com o qual cada um sempre se aureolou, posto em berço, como os óculos machadianos do bom senso em uma de suas célebres narrativas. Cândido Jucá Filho e Rogério Bessa foram, então, desbravadores que, na mata densa dos estudos sobre a Linguagem, abriram largas veredas pelas quais, em iluminação, passei como aluno a trilhar o meu próprio caminho, conquanto até hoje, como no Poema de sete faces, de Drummond, eu tenha vivido um tanto gauche e nas sombras. Tenho, portanto, muito que agradecer.  

A Cândido Jucá, além da incansável figura do pesquisador, de textos utilíssimos como o Dicionário escolar das dificuldades da Língua portuguesa, A Gramática de José de Alencar, A pronúncia brasileira, ou mesmo o prelúdio do grande estudo da linguagem como se evidencia em sua monografia O fator psicológico na evolução sintática: contribuição para uma estilística brasileira(1933), defendida na Universidade de Coimbra, berço dos grandes estudos sobre a gramática da Língua Portuguesa.  

A ele cabe a utilização efetiva dos tropos (em seus efeitos) e a agudeza do gênio ensaístico, como se observa em O pensamento e a expressão em Machado de Assis, ou, ainda, a sutileza de seus poemas e o fantástico de sua prosa como se percebe em Pedrinhas no meu mosaico, O crepúsculo de Satanás e Noite insone. A prodigalidade dos seus estudos e de sua prosa de ficção ratifica todas as honras que ora lhe são conferidas e às quais se vinculam essas humildes palavras. 

Poeta e professor Rogério Bessa.

Quanto a Rogério Bessa, eu poderia afirmar que nascemos vizinhos. Ele, na distinta e sempre próspera Baturité; eu, na menos afortunada Guaiúba, embora tudo seja pedra no meio do caminho. Em menino, Rogério Bessa fez os estudos primários nas Escolas Reunidas de Acarape. Depois, fez o terceiro ano no Liceu do Ceará (1963). Desde 1965, era funcionário do DNOCS, porém pediu exoneração em 1971. Licenciou-se em Letras e, em 1967, tornou-se professor da Universidade Federal do Ceará.  Depois, ingressou em uma pós-graduação no Rio de Janeiro, tornando-se mestre e doutor em Letras Vernáculas (1988). Teve como orientador o não menos ilustre Celso Ferreira da Cunha. De volta ao Ceará, coordenou o Núcleo de Pesquisa e Especialização em Linguística – UFC.  

Conheci-o pessoalmente em Fortaleza, lecionando na Universidade Federal do Ceará. Era comum ver, nos olhos vivos de seus alunos, a alegria de terem aula com um mestre tão imbuído de competência, de dedicação e de sabedoria. Depois, voltei a vê-lo na década de 90, em Sobral, como professor do curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Na mesma época, soube de um importante trabalho seu, ao lado de outro grande vulto da língua portuguesa, José Alves Fernandes, de quem também sou discípulo e pelo qual tenho muito apreço. A pesquisa versava sobre a presença dos ciganos na cidade de Sobral, sua cultura, suas crenças e, mormente, sua linguagem. 

Depois de publicar Comunidade cigana em sobral (2004), estudo de relevo nacional, Rogério Bessa, que já era uma referência em estudos linguísticos, coordenou a equipe que produziu o Atlas Linguístico do Estado do Ceará, um mapeamento lançado em 2010 com diversas formas de falar do cearense, resultado de pesquisa para cuja conclusão durou 17 anos. As informações subsidiam estudos de linguistas, de lexicógrafos, de gramáticos, de historiadores, de sociólogos e de pedagogos. A ideia de elaboração do Atlas surgiu nos anos 1970, dentro do Núcleo de Pesquisa e Especialização em Linguística do Centro de Humanidades da UFC.  

O professor Rogério Bessa também se dedicou à poesia com os livros Poesia em dois tempos (1968), Praxiscópio (1970) e Redescoberta de Orfeu (1999), exatamente porque integrou um grupo de poetas da Literatura Cearense, o Grupo SIN, uma geração de poetas cearenses que viveu em 1968, literalmente escrevendo entre o Sim e o Não da Ditadura Militar. O Grupo SIN ainda tinha nomes como Pedro Lyra, Horácio Dídimo, Roberto Pontes e Linhares Filho. Foi ainda professor do Departamento de Letras Vernáculas e da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Mattos (FAFIDAM), em Limoeiro do Norte e da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, onde tive o orgulho de lecionar a mesma disciplina deixada por ele.  

Poeta e ensaísta, publicou inúmeros textos sobre Língua, Linguagem, Linguística e Literatura. Em seu favor, cultuou o estilo acadêmico, a ponto de dizermos acertadamente que seu modo de escrever era pautado, sobretudo, pelo zelo, pela importância do que fazia e pela forma como o fazia, em detrimento do oportuno, da mera vaidade, aspectos tão presentes neste mundo hedonista e narcísico. Seu texto beirava o erudito, o que o tornava inóspito ao leigo, contudo se mostrava convidativo a todo amante da língua portuguesa, razão pela qual era tido como um dos grandes esteios desta casa.  No que tange a esse particular, são muito adequadas e oportunas as palavras do próprio Rogério Bessa, ao enunciar:   

“Poeto a meu modo / tenho meu modo de ser//muito pouco me incomodo / se meu modo não se vê/ (…) “Escrevo e pronto/[…]/ ninguém tem nada com isso”