Silabada

Denomina-se silabada o erro de pronúncia resultante do deslocamento do acento. Em português, existem palavras com tonicidade na penúltima (a maioria), na última, ou na antepenúltima sílaba, como em fácil, cidade; vatapá, murici; pêndulo. São rotuladas de paroxítonas, oxítonas e proparoxítonas. É o chamado acento prosódico. Nem todas, no entanto, têm essa tonicidade representada graficamente. Na série acima, inexiste acento gráfico em cidade e murici.

A troca errônea do acento prosódico revela-se um fenômeno comum entre os falantes. Arrolamos alguns exemplos de pronúncias consagradas pela língua-padrão que são frequentemente objeto de dúvida, ou de erro (silabada): aziago (á) – de mau agouro; bênção (ê); ruim (im); rubrica (bri); fortuito (ui); circuito (ui); gratuito (ui); recém (ém); Nobel (el); cateter (ter) – instrumento tubular usado na medicina; ureter (er) – cada um dos canais que liga os rins à bexiga; têxtil (êx); recorde (cor); ibero (bé) relativo à Espanha, à Península ibérica ; novel (el) – novo; decano (ca) – o mais antigo no cargo ou na função; crisântemo (ân) – pequeno arbusto ornamental; Lúcifer (ú); filantropo (trô); ínterim (ín) – intervalo de tempo; batavo (tá) – holandês; masseter (ter) – músculo facial; pegadas (gá) – rastros; Gibraltar (tar); Niágara (á); anidrido (dri) – composto que deriva da desidratação de um ácido; tânatos (tâ) – a morte; aríete (rí) – máquina antiga de guerra; avaro (vá); maquinaria (ri) – conjunto de máquinas; maquinário (ná) – sinônimo de maquinaria; libido (bi) – energia que provém do instinto sexual; pletora (tó) – aumento de sangue que provoca distensão anormal nos vasos; policromo (cro); opimo (pi) – excelente; efebo (fê ou fé) – jovem, mancebo ; ciclope (clo) – figura mitológica de um olho no centro testa ; cartomancia (ia); ágape (á) – banquete; bávaro (bá) – natural da Baviera; pudico (di) – que denota pudor; impudico (di); quasímodo (sí) – monstro, indivíduo mostrengo; mercancia (ci) – comércio, negócio; tulipa (li); bímano (bí); égide (é) – proteção, apoio, amparo; prístino (ís) – antigo, primitivo, prisco; zéfiro (é) – brisa, viração, vento brando e agradável; trânsfuga (âns) – desertor; revérbero (vér) – luminosidade; sátrapa (sá) – tirano, déspota; druida (úi) – antigo sacerdote celta; végeto (vé) – vegetativo; forte; robusto.

Há palavras que, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (5ª. Edição, 2009), editado pela Academia Brasileira de Letras, são registradas com dupla grafia e duas pronúncias : a culta e a popular: tríplex ou triplex; dúplex ou duplex; xerox ou xérox; Oceânia ou Oceania; ômega ou omega – a última letra do alfabeto grego; boêmia (adjetivo), boemia (substantivo); zângão ou zangão; lêvedo (adjetivo), levedo (substantivo); zênite ou zenite (ni) – ponto em que uma linha perpendicular ao solo encontra a esfera celeste acima no horizonte; auge; culminância ; acróbata ou acrobata – equilibrista; projétil ou projetil (til); hieróglifo (ró) ou hieroglifo (gli) – escrita antiga dos egípcios; sóror ou soror (rôr) – freira, religiosa; resístor (í) ou resistor (ô) – componente elétrico; reostato ou reóstato – resistor usado para controlar a corrente elétrica em circuitos; edito (lei), édito (ordem judicial); alcíone (ave fabulosa, dos antigos; uma das sete estrelas das Plêiades), Alcione – nome personativo; sutil (til) – fino, quase imperceptível; sútil (ú) – cosido; réptil ou reptil; ambrósia – planta, ou ambrosia – manjar dos deuses, comida deliciosa; ortoepia ou ortoépia.

Enquanto a ortoepia se ocupa da reta pronúncia das palavras, a ortografia rege a correta escrita. A prosódia, que trata unicamente da acentuação tônica, constitui-se um capítulo da ortoepia. A silabada, por deslocar o acento, constitui-se erro de prosódia.

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