SOBRE TEORIA DOS AFETOS

Giselda Medeiros

Bem-aventurados sejam aqueles que saem pela vida a espargir sementes de Poesia! Porque a Poesia é sândalo. É luz. É emoção. É voo do espírito em sua fecundidade, planando sobre as cousas efêmeras e eternas, consubstanciado em límpidos alicerces de verdade, rumo à incomensurabilidade do Ideal.

Assim, nítida e clara como os cristais, carregada de emoção, chega-nos Neide Azevedo Lopes, a nos oferecer, nesse seu tratado poético, as teorias, os enunciados de sua visão de mundo, trabalhados sob a fina vestimenta de arrojadas metáforas, sinestesias, símbolos e alegorias, para que nós, seus leitores, os decodifiquemos e, desse modo, passemos a partilhar de todas as minuciosidades notáveis de sua poesia, em seus compridos voos de aspirações e inspiração.

Assim é que Teoria dos Afetos apresenta-se-nos sob a embalagem do lirismo, esse fundamento que traz à Poesia as palpáveis cores da emoção, trabalhada num ritmo intenso de luz e cores através de palavras que denotam, sobretudo, a presença do valor visual e emotivo, o que é geralmente produzido pelo efeito das metáforas, inteligentemente, empregadas aqui.

Diante desse arrebatamento emocional, dessa volúpia do sentir, desse grande soluço diante das ansiedades da vida neste caos dos espíritos e dos tempos, ainda nos arrebata, em Teoria dos Afetos, o estilo da Autora. Considerado “o sol da escrita”, o estilo traz força e profundidade à obra, o que está visível no livro em questão.

A Autora sabe trabalhar as palavras, impingindo nelas ora a placidez de uma música suave, ora o estrépito de um trovão. Isso porque Neide possui rara percepção estética e sabe imprimir na palavra as sensações visuais, olfativas, palatais, tácteis, numa exatidão primorosa de visualização estética de cor, forma, som e sabor.

Nossos parabéns, pois, à Neide Azevedo Lopes pela publicação de mais esta primorosa obra. Obrigada, Poeta, por nos deleitar com versos e expressões tão maravilhosos como: “A taciturna tarde tece teias”; “Escorre a noite / lenta, gotejante, morna.”; “Do vão da porta, passam sóis e sombras”; “Esgarçada lembrança”; “A porta emoldura-se em alegrias”; Na sutileza dos teus dedos, cristalizam-se ausências”; “Teus indecifráveis olhos, sentinelas sutis dos meus espaços”; e muitos, muitos outros que nos enternecem olhos, coração e vida.

A obra está, agora, em nossas mãos. Que possamos, pois, apreciar os versos de Teoria dos Afetos, “tecendo sonhos”, ao sabor do “vento acordando a areia”, sob o olhar da “lua, travesseiro de seda”, vestindo-nos com as cores de um esplendente arco-íris, na rumorosa tarde da Poesia.

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