Uma questão de grafia

Uma questão de grafia

Emprego dos sufixos – ano e das variantes – iano e eano.

Teoria e exemplos

a) O sufixo – ano forma adjetivos e substantivos e tem o significado básico de
“proveniência, origem, pertença, procedência, relação, partidário, semelhante ou comparável a”. Exemplos: serrano, praiano, baiano, mexicano, petropolitano, franciscano, salesiano, luterano, romano, varzeano, goiano, moçambicano (ou moçambiquenho).

b) O sufixo – ano apresenta duas variantes – iano e eano.
A variante – iano une-se diretamente ao radical ou logo após a queda da vogal temática:

BACHiano – o sufixo ligado diretamente ao radical BACH.

BOCAGiano- o sufixo acrescentado após a queda da vogal temática BOCAGe.

c) Outros exemplos com – iano:
bilaquiano (Bilac); borgiano (Borges); balzaquiana (de Balzac); acriano (Acre); açoriano (Açores); cabo-verdiano (Cabo-Verde); drummondiano (Drummond); freudiano (Freud); machadiano (Machado); rosiano (Rosa); sartriano (Sartre); shakespeariano (Shakespeare); camiliano (Camilo); euclidiano (Euclides); saussuriano (Saussure); ciceroniano (Cícero); chomskiano (Chomsky); veneziano ou venezense (Veneza); nietzschiano (Nietzsche).

Observações:

Palavras que possuem um i no tema (Havaí – havaiano) ou palavras derivadas que têm na última sílaba um e átono apresentam a terminação – iano e nunca – eano (Acre – acriano; Açores – açoriano).
Comparando-se as duas variantes, evidencia-se a desproporcional ocorrência das duas formas. Toma-se
– iano como a forma normal e

– eano como a forma excepcional, usada com menos frequência.

d) Quando se emprega – eano em lugar de – iano:
Somente nas palavras em que no radical ocorrer um e na silaba tônica final ou houver um e na silaba final do radical:

Em Taubaté (taubateano ou taubateense): o e final é tônico;

Em Coreia (coreano): a silaba tônica tem um e na base do radical.

Outros exemplos: Montevidéu = montevideano montevideuense; Guaxupé = guaxupeano ou guaxupeense; Daomé = daomeano; Lineu = lineano; Mallarmé = mallarmeano; Tietê = tieteano ou tieteense; córnea = corneano; traqueia = traqueano; Guiné = guineano (ou guineense); Viseu = viseano ou viseuense; Brunei = bruneano; Bornéu = borneano; Galileu = galileano ou galileense.

e) São frequentes as grafias incorretas acreano; açoreano; shakespeareano;
laplaceano; nietzscheano; borgeano; saussureano sartreano; balzaqueana.

Acento das proparoxítonas.

1) Acentua-se a sílaba tônica de todas as palavras proparoxítonas (palavras que têm a sílaba forte na antepenúltima sílaba). Exemplos:

1) Mônica; fôssemos; límpido; cédula; lâmpada; fôlego; parágrafo; crédito; ótimo; rápido; místico; déficit; superávit (na última sílaba, subentende-se em “t”→ “te” com som “i”” ou → “ti”).

2) Incluem-se às proparoxítonas as palavras terminadas por ditongos crescentes que possuem dupla pronúncia, ainda que seja na fala. Podem-se denominar estas palavras em proparoxítonas eventuais, aparentes, acidentais, mutáveis. Exemplos com terminações em:

ia: distância (s); glória (s); ignorância (s); Sônia;

ie: imundície (s); série(s); espécie(s);

io: lírio (s); vício(s); desperdício.

ua: régua; árdua;

ue: tênue;

uo: vácuo.

ea: área;

eo: espontâneo; argênteo.

oa; → mágoa; nódoa; amêndoa.

3) Proparoxítonas com dupla acentuação gráfica: São assinaladas com acento gráfico todas as palavras proparoxítonas reais ou aparentes, cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, admite variantes (ê, é, ô, ó), portanto com dupla acentuação gráfica: Exemplos:

1) Cômodo, cómodo; gênio, génio; acadêmico, académico; efêmero, efémero; fenômeno, fenômeno; tônico, tónico; Antônio, António; gênero, género; etc.

acentuação gráfica.

Acento das oxítonas e dos monossílabos tônicos.

1) Acentua-se a sílaba forte de todas as palavras oxítonas (palavras que têm a sílaba forte na última sílaba) e todos os monossílabos tônicos terminados por A,E,O, abertos ou fechados, seguidos ou não de “s”. Para memorizar, lembre-se das vogais do vocábulo paletó. Exemplos:

a(s) → maracá (s); dar + lo(s) = dá-lo (s); pá (s); fubá (s); babá (s); babalaô (s); vatapá (s); ananá (s); carajá (s); já;

e(s) → jacaré (s); através; pontapé (s); você (s); fez + la(s) = fê-la (s); pé (s); mercê (s); matiné (s), matinê (s) com (dupla grafia);

o(s) → paletó (s); compôs; avô(s); pôs + lo (s) = pô-lo (s); pó (s); totó (s); cocó (s), cocô (s) com (dupla grafia); jiló (s).

2) Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas por EM, ENS, quando tiverem mais de uma sílaba com exceção da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados, que são marcados com acento circunflexo;

em → também; contém; contêm; têm(3ª pes. pl.); alguém; vintém; armazém; além; vêm (vir); convém; contêm;

ens → armazéns; parabéns; vinténs; haréns.

3) Incluem-se às oxítonas as formas verbais em que, depois de A,E,O, se assimilaram R,S,Z ao L dos pronomes LO, LOS, LA, LAS. Exemplos:

amá-la-ás*; sabê-lo; dispô-los; movê-lo-ia; trá-lo-ás*; sabê-lo-emos; dá-la; fá-lo; fá-los; amá-lo-íeis*; fá-lo-

-íamos*; pô-lo-ás. Note-se que o verbo no futuro poderá levar dois acentos.

4) Acentua-se a primeira vogal dos ditongos abertos ÉU; ÉI; ÓI, seguidos ou não de “s” das palavras oxítonas** e dos monossílabos tônicos. Exemplos:

ÉU: céu; chapéu; véu; **

ÉI: anéis; bacharéis; pastéis; **

ÓI: rói; rouxinóis; mói; constrói; herói; dói; Niterói. **

**Nunca nas paroxítonas: ideia; Coreia; hebreia; Galileia; jiboia; paranoico; estreia; europeia; heroico; assembleia.

5) Recebem acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo. Exemplos:

1) Piauí, tuiuiús, tuiuiú, Minguaú (lugarejo do Ceará), Mundaú (Rio no Ceará que deu o nome de uma cidade praiana da zona oeste).

6) Recebem acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são finais, seguidos ou não de s. Ex.:

1) baú; Esaú; saí; atraí (de atrair), caís (de cair); jacuí; Luís; país.

Regência verbal

aborrecer.

V.t.d. No sentido de causar aborrecimento; sentir horror a; detestar; abominar; desgostar; contrariar; repelir com horror. Exemplos:

1) Eu entendo que aborreças tua amada.

2) “O homem deve aborrecer a injustiça.” (CA, DCLP).

V.t.i. Pronome reflexivo, no sentido de ter aborrecimento, enfadar-se, anojar-se, enfastiar-se. Exemplos:

1) “Evidentemente, Virgília começava a aborrecer-se de mim, pensava eu.” (MA, MPBC)

2) “Passa-se um ano, o sedutor aborrece-se da companheira, abandona-a em um quarto de hotel.” (GR, LT in ABHF).

V. int. Causar horror, aversão, tédio, aborrecimento, enfado. Exemplos:

1) “Os seus discursos aborrecem” (CA, DCLP)

2) “Mais dificultoso é aborrecer sem causa, que amar com razão.” (CA, DCLP).

Quando escrever “crê, crer; dá, dar; lê, ler; vê, ver; está, estar; ri, rir”?

Escreve-se com r, quando se pode substituir o verbo em questão por permanecer, oferecer ou sinônimos no infinitivo.
Escreve-se sem r, quando se pode substituir o verbo em questão por permanece, oferece ou sinônimos na 3a pessoa do singular, ou seja, sem r. Exemplos:

1) Ninguém está duvidoso = Ninguém permanece duvidoso.

2) Ninguém pode estar com dúvidas = Ninguém pode permanecer com dúvidas.

3) Ele só dá o que tem = Ele só oferece o que tem.

4) Ele só pode dar o que tem = Ele só pode oferecer o que tem.

5) O homem crê no dinheiro, na fama e na consciência. 6) Crer em ti é uma questão de sobrevivência.

7) Ela lê minha mão como se lesse meu coração.

8) Meus filhos gostam de ler romances.

9) O ser que vê a verdade encontra a paz eterna.

10) Todo mundo ri antes do tempo.

11) Quem quiser rir de mim que o faça à minha frente.

ATENÇÃO! Somente os verbos crê, dê, lê, vê (crer, dar, ler, ver) e seus derivados são escritos na 3a pessoa do pl. com dois “ee” como creem, deem, leem, veem, descreem, desdeem, releem, reveem.

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