
Hoje celebramos o Dia de Camões, da Língua Portuguesa, das Comunidades Portuguesas — celebração plural e densa, como a própria língua que nos irmana. Esta data se abre, assim, como um horizonte simbólico, em que a memória, a identidade e a cultura se entrelaçam numa só tessitura. A língua que herdamos — lavrada em epopeias, burilada nas margens do tempo e disseminada pelas rotas do mundo — não é apenas instrumento de comunicação: é casa e espelho, substância viva da alma de um povo e dos muitos povos que a ela se acolheram.
Na cadência de seus sons, pulsa a história de séculos. Em suas palavras, ecoam navegadores e poetas, mestres e anônimos, vozes tantas que, somadas, formam o corpo vasto da lusofonia. A Academia Cearense da Língua Portuguesa, cônscia de seu papel na preservação e no cultivo desse patrimônio, associa-se a todos os que, nesta data, rendem tributo à grandeza de uma língua que é herança, mas também é construção cotidiana — feita de estudo, de paixão e de permanente reinvenção.
Celebrar este dia é, pois, reafirmar o compromisso com o verbo que nos une e com os valores que ele carrega: beleza, resistência, liberdade.