A ASSIS HOLANDA, NO DIA DE SEU ANIVERSÁRIO

A Academia Cearense da Língua Portuguesa associa-se, com particular júbilo e justificado orgulho, às homenagens que hoje se prestam ao eminente confrade Raimundo de Assis Holanda, no transcurso de seu aniversário natalício.
Há mestres que ensinam a Língua; outros, pela grandeza do espírito, ensinam a própria vida. Assis Holanda pertence à rara estirpe dos que, reunindo essas duas virtudes, fazem do magistério não apenas um ofício, mas uma forma superior de humanismo.
Desde 1965, quando iniciou sua luminosa trajetória nas salas de aula do tradicional Liceu do Ceará, tem consagrado a inteligência, a palavra e o coração à formação de sucessivas gerações. Mais de seis décadas de magistério testemunham a fidelidade de uma vocação que jamais se limitou à transmissão do conhecimento: ensinando os segredos da Língua Portuguesa, ensinou igualmente o respeito à dignidade humana, o amor à cultura e os valores que dão sentido e grandeza à existência.
Licenciado em Letras pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Linguística e Língua Portuguesa, exerceu o magistério em instituições de reconhecida importância, entre as quais a Universidade Estadual do Ceará, o Instituto Federal de Educação e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras, na Paraíba. Em todas elas, deixou a marca indelével do educador que não se contenta em instruir inteligências, porque sabe que a missão mais alta do mestre é também formar consciências.
Em 2015, ao celebrar suas bodas de ouro de magistério, Assis Holanda já podia contemplar, na trajetória de incontáveis discípulos, a mais bela recompensa de sua existência: a permanência de suas lições na memória e na formação daqueles que tiveram o privilégio de ouvi-lo. E essa obra, que não se mede apenas pelos anos, continua a engrandecer-se na fecundidade de seu exemplo.
Ao professor associa-se o escritor, cuja produção literária e memorialística compreende obras como Gente, Nomes, Lugares e Outras Lembranças, Da Espanhola ao Azulão, Joseph e Mildredy, Quando o Amor Bate na Aorta e Reflexões de um Professor de Português. Nelas se reconhece o homem de Letras que, atento às experiências humanas, faz da palavra instrumento de memória, reflexão e sensibilidade.
Seu compromisso com a educação ultrapassou, ainda, os limites da sala de aula. Ao coordenar um projeto social no bairro Vila União, em parceria com instituições de ensino e com a Secretaria Municipal da Educação de Fortaleza, demonstrou que o verdadeiro humanismo não se esgota na contemplação dos valores: realiza-se, sobretudo, na generosidade de colocá-los a serviço do próximo.
Integrante da Academia Cearense da Língua Portuguesa, onde ocupa a Cadeira nº 22, e da Academia de Ciências, Letras, Artes e Ofícios Pindoretamense, Assis Holanda representa a feliz conjugação do gramático atento aos mistérios do idioma, do escritor sensível à condição humana e, acima de tudo, do mestre que fez da educação uma obra de amor.
Há, porém, uma distinção que o tempo não apaga: a que separa os professores que passam pela vida de seus alunos daqueles que permanecem para sempre na vida de seus discípulos. Assis Holanda pertence a estes últimos. Suas lições possuem a dimensão de Kairós, o tempo da plenitude e da significação, e por isso resistem à ação de Cronos, o tempo que tudo parece consumir. Porque o verdadeiro mestre não envelhece na memória dos que formou: perpetua-se no saber que transmitiu, nos valores que semeou e nas vidas que ajudou a engrandecer.
Neste 23 de outubro, a Academia Cearense da Língua Portuguesa celebra, portanto, muito mais que o aniversário de um de seus ilustres confrades. Celebra uma existência que se fez magistério, uma inteligência que se fez palavra e um coração que se fez generosidade.
Parabéns, querido e venerando Confrade Assis Holanda!
Que Deus lhe conceda saúde, serenidade e muitos anos de vida, conservando-lhe a lucidez do espírito, a nobreza dos sentimentos e essa admirável disposição de ensinar que constitui uma das mais belas expressões de sua personalidade.
Receba o abraço afetuoso e fraterno de todos os que fazemos a Academia Cearense da Língua Portuguesa, com a admiração e a gratidão devidas àqueles raros mestres cuja grandeza não reside apenas no que sabem, mas, sobretudo, no bem que fazem com o saber.
Sousa Nunes