Homenagem da Academia Cearense da Língua Portuguesa a Fortaleza em seu tricentenário
Fortaleza, feita de sol, vento e maresia, chegas aos teus trezentos anos como quem percorre não apenas o tempo, mas a memória viva do povo que aprendeu a fazer da luz um idioma e do mar, sua confidência. Há algo de inaugural em cada manhã que se levanta sobre tuas praias, como se tu, mesmo tricentenária, insistisses em nascer outra vez, mais vasta e mais bela.
Caminhar por tuas ruas é percorrer uma geografia de afetos, ouvindo o murmúrio de gerações que sonharam, lutaram, escreveram e cantaram. Não és apenas a Capital que cresce em edifícios e avenidas: és, sobretudo, a Cidade que se amplia em espírito, que se constrói na delicadeza da cultura e na persistência da palavra que se faz ofício de arte em prosa e verso.
Nesse cenário de densidade histórica e cultural, fundou-se em teu seio, há 48 anos, a Academia Cearense da Língua Portuguesa, guardiã daquilo que não se vê, mas que tudo sustenta: nossa Língua Portuguesa. Como uma sentinela discreta, nossa Academia preserva o vigor do idioma, honra seus cultores e reafirma, a cada gesto, que a palavra é também patrimônio.
Recordar os teus momentos históricos e culturais é como folhear um livro antigo de páginas múltiplas e luminosas.
Teu Theatro ainda pulsa, tua Literatura floresce, tua Música atravessa gerações e teu Riso se faz espetáculo e resistência.
És o encontro entre o rigor do sol e a suavidade da brisa; entre a tradição que resiste e a modernidade que avança.
Ao completares três séculos, tu não te fechas em comemorações estáticas — te abres, como sempre, para o futuro, levando contigo o acervo invisível de tua cultura e a hospitalidade de teu povo.
E assim, entre as vozes que se entrelaçam e os silêncios que também falam, ó Fortaleza, tu prossegues — firme, formosa e luminosa.
E enquanto houver palavra, memória e sonho, haverá sempre uma fortaleza por nascer dentro de ti, Fortaleza.