Fraternos abraços, mensagens inspiradas, saudades… É o Natal da ACLP

Em torno das grandes mesas, o festivo encontro dos acadêmicos e seus familiares.
Teoberto Landim, Myrson Lima e Regine Limaverde.

Em ambiente descontraído, ornado de belos pronunciamentos, a Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) realizou nessa terça-feira, 11 de dezembro, sua confraternização natalina. O cenário foi um dos salões privativos do restaurante Dallas Grill, onde tudo aconteceu como manda o espírito natalino, com o sorteio de brindes, a troca de presentes envolvendo “amigos secretos”, as mensagens inspiradas, os drinks, o jantar de variadíssimos pratos…

Moura e Lúcia, os ganhadores de disputada orquídea.

O presidente Teoberto Landim saudou os acadêmicos e acompanhantes e ressaltou a importância dos elos fraternais para fortalecimento da própria Academia. Seguiu-se o ritual festivo, que culminou com a bela mensagem de Natal. Tradicionalmente, nessas ocasiões, quem brindava os presentes com seus textos poéticos era o acadêmico Horácio Dídimo. Este ano, com a morte do querido mestre, a honrosa missão foi confiada ao acadêmico Batista de Lima, que dissertou sobre um Natal nordestino eivado de símbolos que foi captar nas mais belas páginas da Literatura brasileira (veja, abaixo, o texto integral da mensagem).

Vicente Alencar lembrou, em versos, os sinos das igrejas de Fortaleza, que aos poucos vão silenciando. Houve, ainda, momentos de saudade, quando Myrson Lima homenageou Genuíno Sales, outro estimado e talentoso confrade falecido no corrente ano.

O Natal de hoje

BATISTA DE LIMA (Cadeira nº 36)

Batista de Lima ao lado de Paulo Sérgio Lobão.

Mensagem de natal proferida na confraternização da Academia Cearense da Língua Portuguesa, a 11 de dezembro de 2018.

A criança divina ainda não nasceu e já estamos comemorando treze dias antes, é o milagre do Natal. Quero, no entanto, me antecipar e montar uma árvore de natal. Será uma goiabeira carregada de goiabas maduras e verdes. Tem que ser goiabeira porque possui galhos e troncos muito fortes para sustentar tudo o que nela for colocado. As goiabas parecem com aquelas bolinhas caras vendidas nos supermercados. Os três reis magos serão três moradores de rua muito magros. Os três pastores serão três cegos que trarão lições de como ver luzes de olhos nulos.

“O presépio”, do xilógrafo pernambucano José Miguel da Silva.

O casal será Fabiano e Sinhá Vitória que há oitenta anos, exatamente, foram criados por Graciliano. O filho não será o mais velho nem o mais novo, e sim uma criança da Síria, ou da Etiópia, mas que se chama Jesus, que a mãe seja Maria Vitória e o pai José Fabiano. A oliveira pode ser uma mangueira e a tamareira, um cajueiro, com muitos cajus de castanhas grandes, todas perguntando-nos por que, como sementes, não estão dentro do caju. Quanto ao Pinheiro que não é de nosso chão vou colocar um angico que de tão duro tem a nossa consistência.

Que Jesus me perdoe essa comemoração de seu nascimento com coisas daqui da terra. Se ele por aqui vier, quando estiver maior, vai ver que não crucificamos ninguém, mas há perigo de bala perdida, de fome, peste e guerra, que nem São Sebastião tem conseguido resolver. Quanto a São José, que venha ensinar carpintaria nas escolas do Estado, já que é notório saber e cabe perfeitamente na BNCC. Nossa Senhora pode ser dona de casa, ou ensinar às jovens mães como criar bem suas crianças. Depois explicar às senhoras nossas que não precisa haver massacre de perus nessa data gloriosa, lá em Belém era mais peixe e carneiro. Outra coisa, por que as cores precisam ser vermelha e branca se nosso mar é azul e nossas matas são verdes?

Meu querido, e divino Cristo, como presente de natal nós lhe prometemos devoção, e perdoar quem nos molesta em todos os dias do ano. Mas gostaríamos que o Senhor não deixasse as criancinhas morrerem por descaso dos adultos, nem deixasse os idosos sofrerem depois de tantos anos de trabalho duro. Ah sim, Jesus, desculpe essas palavras sem jeito de me dirigir ao Senhor, e de comemorar o Natal no meio dos meus amigos. Eles esperavam ouvir nesta ocasião tocar uns sinos de Belém, falar em manjedoura, Papai Noel e aqueles mesmos animais desconhecidos arrastando um trenó no gelo. Aqui só tem poeira e mato. Até os jumentos estão em extinção, nem carroça é mais permitido ser arrastada por burro. As crianças no Natal só querem ganhar celulares, cada vez mais megahabituadas. Não meu Jesus querido, minha prece natalina é feita de esperança ao Senhor e a sua Família Sagrada.

Lembra-te ainda, Jesus sagrado, de quando fui interno no Seminário Apostólico da Sagrada Família. Eram padres alemães. Ali eu via, no carpinteiro, São José consertando carteiras, portas e janelas, via em Dona Hilda Niehoff a figura de Nossa Senhora, cuidando da cozinha do claustro, da roupa limpa dos seminaristas e Jesus personificado no padre Rodolfo Stall, cuidando da nossa espiritualidade e fazendo seus primeiros milagres na tradução do “De Bello Gallico”, das Catilinárias e do Tito Lívio.

Na árvore de natal, Jesus, vou colocar alguns livros de poemas, e outros teréns para os quais as gentes pouco ligam.

Ilustrações de Aldemir Martins para Vidas Secas.

Ainda voltando à manjedoura, não será feita de um coxo mas de gamela do engenho do Taquari, que é para o menino Jesus ficar mais confortável, forrado com folhas de bananeira, que são bem friinhas. Vou colocar um passarinho carrancudo do Horácio Dídimo para cantar canções de ninar, trepado num cajueiro pequenino carregadinho de flor, plantado pelo Juvenal Galeno. Patativa vai me mandar do local onde estiver a vaca Estrela e o boi Fubá.

Já pedi a Barros Pinho sua ajuda ovina, mas ele me preveniu cuidado, dizendo: “meu carneiro Jasmim nunca se queixou de mim”. Quando chegar o bode Yoyô trazido pelo Mário Gomes, ou pelo Chagas dos Carneiros, vou aceitar a ajuda, guardando o devido cuidado. Uma vaquinha também está presente mandada por Jorge de Lima. É uma vaca de garupa palustre e bela e dois cachorros lá de nós, Rompe Nuvem e Rompe Ferro, e os animais de carga e sela, bem feito, Memória e Gasolina e a burrinha de Tedeza e o cavalo de Parredino ali estarão sentados secundados pela cachorra Baleia, presente de Graciliano, um burrinho pedrês, uma égua Balalaica, e o burro Canário estarão ali de vigia, mandados pelo Rosa das Gerais. Não esquecerei Navegante e Rapé, Chuvisco e Surubim.

Para finalizar, digo que eu creio nos seus ensinamentos, creio em Deus pai, todo poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo seu único filho, Nosso Senhor, que foi concebido, pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado,
morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia, subiu aos céus e está
sentado à direita de Deus pai todo poderoso
donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio
no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na
comunhão dos Santos, na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne, e na vida eterna
Amém.

O registro fotográfico de um evento inesquecível

A posse de novos membros da Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) propiciou, no último dia 30 de outubro, a realização de um simpático congraçamento entre os acadêmicos, familiares e amigos. Na mesma ocasião, a ACLP prestou homenagem a personalidades do mundo da Educação e lançou a 14ª edição da revista “Vernáculo”.

O que se segue são imagens desse evento inesquecível, que teve como cenário o Ideal Clube, em Fortaleza. Entenda-se, de antemão, a impossibilidade de registrar, aqui, todas as presenças.

Alguns dos acadêmicos presentes e, à direita, os homenageados com a Medalha Cultural Hélio Melo: os professores Francisco Nazareno de Oliveira, Diretor-Geral do Colégio Master, e Otacílio de Sá Pereira Bessa, Diretor da EEM Adauto Bezerra.
Os dois homenageados com a Medalha Hélio Melo: Francisco Nazareno de Oliveira e Otacílio de Sá Pereira Bessa.
Acadêmico Myrson Lima e o Prof. Otacílio Bessa.
Acadêmico Paulo Sérgio Lobão e o Prof. Francisco Nazareno.
Prof. Francisco Nazareno e o acadêmico José Batista de Lima.
Novos acadêmicos: Frei Hermínio Bezerra Oliveira (Cadeira nº 27) e Raimundo de Assis Holanda (Cadeira nº 22) prestam juramento.
Acadêmicos Francisco Vicente de Paula Júnior, empossado na Cadeira nº 4, e Giselda de Medeiros Albuquerque.
Acadêmico Italo Gurgel, Diretor de Comunicação da ACLP; Prof. Teoberto Landim, Presidente da Academia; Prof. Francisco Nazareno de Oliveira e acadêmico Valdemir Mourão, 1º Vice-Presidente.
Em pé: acadêmicos Révia Herculano, Teoberto Landim, Valdemir Mourão e Giselda de Medeiros; sentados: acadêmicos Vicente Alencar, Tarcísio Cavalcante e José Ferreira de Moura.
Teoberto Landim, acadêmico Assis Holanda, Prof. Francisco Nazareno de Oliveira e acadêmico Marcelo Braga.
Acadêmicas Maria Luísa Silva Bomfim, Ana Vládia Mourão de Oliveira e Maria Gorete Oliveira de Sousa exibem exemplares da nova edição de “Vernáculo”.

 

 

 

Três novos membros tomam posse na ACLP

Frei Hermínio (Cadeira nº 27), Prof. Teoberto Landim e Assis Holanda (Cadeira nº 22).
Acadêmico Evaristo Nascimento, Francisco Vicente (Cadeira nº 4), e o presidente Teoberto Landim.
Acadêmico Myrson Lima, Prof. Nazareno de Oliveira, Prof. Otacílio Bessa e Teoberto Landim.

A Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) agregou ontem a seus quadros três novos membros titulares: Francisco Vicente de Paula Júnior (Cadeira nº 4), Raimundo de Assis Holanda (Cadeira nº 22) e Frei Hermínio Bezerra Oliveira (Cadeira nº 27). A posse teve lugar na noite de 30 de outubro, durante solenidade no Ideal Clube, em Fortaleza. O Presidente da ACLP, Prof. Teoberto Landim, transmitiu as boas-vindas aos novos acadêmicos e entregou as insígnias que os distingue, agora, como membros de um dos mais tradicionais e respeitados sodalícios culturais do Ceará.

Na mesma ocasião, a Academia fez entrega da Medalha do Mérito Cultural Hélio Melo a dois educadores cearenses que se destacaram por sua atuação profissional: os professores Francisco Nazareno de Oliveira, Diretor-Geral do Colégio Master, e Otacílio de Sá Pereira Bessa, Diretor da EEM Adauto Bezerra. Acompanhada de diploma, a Medalha traduz o reconhecimento da ACLP pelo trabalho em favor do enriquecimento cultural do Ceará. Os dois homenageados foram apresentados pelo acadêmico Paulo Sérgio Lobão.

Seguiram-se dois lançamentos. O acadêmico Valdemir Mourão fez a apresentação do livro “Da Espanhola ao Azulão”, coletânea de crônicas, contos e poemas, de autoria do Prof. Assis Holanda. Em seguida, o Diretor de Publicações da Academia, jornalista Italo Gurgel, apresentou a edição nº 14 da revista “Vernáculo”, órgão oficial da ACLP, que a partir de hoje passa a circular. Exemplares da “Vernáculo” serão encaminhados a colégios, bibliotecas públicas e instituições culturais do Ceará e de outros estados.

Além dos acadêmicos, um grande número de convidados participou do evento, que teve o acadêmico Marcelo Braga como mestre de cerimônia. Encerrado o ato solene, um jantar foi servido, em ambiente de confraternização e de reencontro entre amigos e familiares.

Nº 14 de “Vernáculo” será lançado no jantar comemorativo do aniversário

A Academia Cearense da Língua Portuguesa comemora, no próximo dia 30 de outubro, os 41 anos de sua fundação. A efeméride será assinalada com um jantar solene, no Ideal Clube, ocasião em que tomarão posse três novos membros efetivos. Também está previsto o lançamento da 14ª edição da revista “Vernáculo”, publicação oficial da ACLP, que tem promovido o diálogo com os diversos campos do saber da Língua Portuguesa, contribuindo para a formação intelectual e a reflexão crítica dos estudantes, intelectuais e professores.

De acordo com o Presidente da entidade, Prof. Teoberto Landim, os textos recolhidos nessa nova edição “reforçam práticas, recriam, criam, reiteram inovam e assumem sempre e cada vez mais o compromisso da Academia Cearense da Língua Portuguesa com os sujeitos de sua prática”.

Expressivo número de acadêmicos participa desse novo número de “Vernáculo” produzindo, com a variedade de textos, um painel representativo da própria composição da Academia, que reúne professores de Língua Portuguesa e de Literatura, gramáticos, jornalistas, poetas, contistas e ensaístas.

É a seguinte a relação de artigos e textos literários coletados:

ENSAIOS E ARTIGOS

  1. De Latim e Português: riquezas, graças, erros e contradições – Francisco Felipe Filho
  2. A leitura é fonte inesgotável de prazer – Regine Limaverde
  3. Ao pedagogo, com carinho – Ana Paula de Medeiros Ribeiro
  4. Gerúndio e gerundismo – Myrson Lima
  5. Numerais: grafia e uso – Myrson Lima
  6. Os vocábulos “tipo” e “claro” como marcadores discursivos presentes nas redações dos adolescentes – Marcelo Braga
  7. Tautologia – Valdemir Mourão
  8. Linguagem viva – José Ferreira de Moura
  9. O fluir do murmúrio – Batista de Lima
  10. Memórias esparsas: releitura analítica – Vianney Mesquita
  11. A arte de escrever – Anizeuton Leite

CONTOS

  1. A um passo da eternidade – Italo Gurgel
  2. A mulher nuvem – Clauder Arcanjo

POESIAS

  1. Dadaísta, graças a Deus! – Gorete Oliveira
  2. Em nome do filho – Gorete Oliveira
  3. Enquanto a pipa sobe – Gorete Oliveira
  4. Tolice – Maria Luisa Bomfim
  5. Depois do inverno – Ana Paula de Medeiros Ribeiro
  6. A festa da paisagem e o silêncio – Giselda de Medeiros
  7. No repleno do encontro – Regina Barros Leal
  8. Antítese – Regina Barros Leal
  9. À Alda Matos Bezerra Lima, mãe quase avó – Révia Herculano

DISCURSO

  1. Discurso de posse na Academia Cearense da Língua Portuguesa (31/10/2017) – Maria Margarete Fernandes de Sousa

Morre o Prof. Genuíno Sales, um apaixonado pela Educação

Faleceu sábado passado, 29 de setembro, aos 80 anos, o Prof. Genuíno Sales, ocupante da cadeira nº 23 da Academia Cearense da Língua Portuguesa, entidade que presidiu em duas ocasiões: entre 1994 e 1998, e de 2006 a 2008. Genuíno era membro, igualmente, da Academia Cearense de Letras (ACL), onde ocupava a cadeira nº 9, e sócio correspondente da Academia Piauiense de Letras no estado do Ceará. O sepultamento realizou-se, às 18 horas, no Cemitério Parque da Paz.

Genuíno Francisco de Sales nasceu em Pedro II, Piauí, no dia 15 de abril de 1938. Bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, em 1966, graduou-se em Letras, pela Universidade Estadual do Ceará, em 2001.

Foi professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira de vários colégios de Fortaleza. Também atuou como Diretor de Ensino da Organização Educacional Faculdade Farias Brito. Em seu discurso de posse na ACL, confessou: “Profissional da educação – tenho aprendido no Ceará mais do que ensinado. Ousei tornar-me professor do ensino médio porque amo a educação da juventude – meu maior ideal – minha induvidosa vocação. Há 50 anos vivo a emoção da certeza de que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. A juventude é a fase mais formosa da vida, é a vida no seu maior esplendor. A essência de todos os seus encantos. O vaticínio da perenidade do amor entre os homens.”

Poeta e contista, publicou os seguintes livros: Bem na safena, 2000; EntreMentes (poesias), 2003; Análise sintática (Caderno do Genuino), 2003; Os sertões, 2003; e Fins d´Água, 2005.

Prêmios, títulos e condecorações: I Concurso Ceará de Literatura, no gênero conto; título de Cidadão Cearense; Medalha do Mérito Renascença em grau de Oficial, do governo do estado do Piauí; Intelectual do Século, outorgado pela Prefeitura Municipal de Pedro II, Medalha do Mérito Cultural, conferida pela Câmara Municipal de Pedro II e notório saber pela Universidade Estadual do Ceará. Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 29 de junho de 2006, ocasião em que foi saudado pela acadêmica Giselda Medeiros.

A seguir, transcrevemos aquele que Genuíno, certa ocasião, considerou seu melhor poema:

PRESENÇA

Eu gosto de não te ver
para não sentir em vão
com tua presença esquiva
o pecado inevitável.

Eu gosto de não te encontrar
para não sofrer a tentação
do irrealizável.

Mas mesmo sem querer te vejo
e mesmo sem querer te encontro.
E se te vejo peco.

E se te encontro sofro
sofro e peco
porque a tua presença onírica
é a volúpia de minha solidão
na certeza do impossível
em que pulveriza meu sonho.