ACLP visita os tesouros artísticos da Fundação Edson Queiroz

A Academia Cearense da Língua Portuguesa transferiu para a Universidade de Fortaleza-UNIFOR sua reunião do mês de maio, realizada no último dia 28. Ao invés da tradicional leitura de ata, informes e palestras, os acadêmicos foram brindados com uma visita guiada ao extraordinário acervo bibliográfico da Fundação Edson Queiroz, à exposição “Da Terra Brasilis à Aldeia Global”, e à Biblioteca Rachel de Queiroz.

Nos três espaços, tesouros artísticos realçam pela raridade, beleza e também pelo esmero com que são preservados, constituindo-se em um patrimônio que precisa ser conhecido e divulgado. O Prof. Batista de Lima, membro titular da ACLP e integrante do quadro docente da UNIFOR, deu as boas-vindas ao presidente Teoberto Landim e seus confrades e os acompanhou no inesquecível périplo.

Os Acervos Especiais da Fundação Edson Queiroz reúnem 9 mil livros sobre História do Brasil, Artes, Arquitetura, Literatura, História do Ceará, Direito, Manuscritos e Pareceres Jurídicos, além de ilustrações originais de artistas nacionais e estrangeiros, livros raros datados dos séculos XV e XVI, e livros com assinatura de importantes autores da Literatura Brasileira. Esse valioso patrimônio bibliográfico está disponível para o grande público, podendo ser visitado de segunda a sexta-feira, entre 8:00h e 12:00h e de 14:00h às 18:00h. Contatos podem ser feitos pelo telefone (85) 3477.3823 ou pelo e-mail: acervosespeciais@unifor.br

Quanto à exposição “Da Terra Brasilis à Aldeia Global” – também aberta ao público em geral – esta foi montada no ano passado, sob a curadoria de Denise Mattar, para comemorar os 45 anos de fundação da UNIFOR. Reúne obras representativas de um longo período da História do nosso país, revelando, inclusive, a produção de artistas cearenses de várias épocas integrados aos fluxos artísticos aos quais pertenceram. Segundo Denise, “a excepcionalidade da coleção da Fundação Edson Queiroz permite contar essa história, quase sem lacunas, pois seu acervo excede em qualidade e quantidade o de muitos museus do eixo Rio-São Paulo”.

Por sua vez, a Coleção Rachel de Queiroz ocupa espaço especial na grande biblioteca da Universidade. Esse acervo, que pertenceu à escritora cearense, preserva e disponibiliza para consulta um grande número de obras, incluindo sucessivas edições – além de edições estrangeiras – de livros de Rachel. Também está ali uma importante representação de sua fortuna crítica, além de obras de outros autores com dedicatórias à grande romancista.

Apreciação Literocientífica: Idoso e qualidade de vida (Estudos em Profundidade)

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37, tendo como patrono Estêvão Cruz.

Tinha Moisés cento e vinte anos quando morreu;
jamais, porém, a vista se lhe diminuiu tampouco os
dentes se abalaram.
(BÍBLIA, Deuteronômio, 34-7).

Assistimos, com incomum sentimento de felicidade, à evolução de estudos, em quantidade e profundez científica, tendo por escopo a demanda pela saúde em todas as compreensões.

Seus temas envolvem pesquisa básica, gêneros e os próprios momentos etários, sexualidade, menarca, menstruação, gravidez, puerpério e parto, modalidades de atenção e acessibilidade, tecnologias de assistência, cirurgias, emprego holístico no acolhimento e no cuidado, bem como toda a vasta conjunção de fatores que maximizam as condições de higidez humana.

Por tais pretextos e como resultado da diligência de organismos internacionais, esforço comum dos Estados bem constituídos, e, em particular, réplica ao empenho das pessoas responsáveis pelo bem-estar geral, em ultrapasse à simples inexistência de doenças – como intenta a Organização Mundial e Saúde – eis que os números de óbitos definham nas estatísticas, ao mesmo passo em que se proporciona a probabilidade de vida ao nascer.

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ACLP elege dois novos membros titulares

A Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) elegeu, nessa segunda-feira, dia 29 de abril, dois novos membros, que passam a integrar seu quadro de acadêmicos titulares. A Profª Ritacy Azevedo Teles ocupará a Cadeira nº 23, patroneada por Júlio Nogueira e que teve como último ocupante o Prof. Genuíno Sales. Já a Cadeira nº 33, que tem como patrono Serafim Silva Neto, e que ficou vaga com o falecimento do poeta Horácio Dídimo, passa a ser ocupada pela Profª Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin.

O Presidente da ACLP, Prof. Teoberto Landim, transmitiu as boas-vindas às duas acadêmicas eleitas, desejando-lhes sucesso no novo desafio intelectual que abraçaram. Dentro em breve, ele se reunirá com ambas a fim de definir a data e outros detalhes da posse.

Na mesma reunião, o acadêmico Italo Gurgel (Cadeira 17), ocupando a “Hora do Vernáculo”, discorreu sobre a edição fac-similar de “Os Lusíadas” publicada sob o ex-libris do Dr. José Mindlin. Por fim, foi anunciada a próxima edição da revista “Vernáculo”, correspondente ao ano de 2019. Os critérios de participação no nº 15 do periódico deverão ser apresentados e discutidos na reunião ordinária de junho próximo.

Dois sonetos decassilábicos de Vianney Mesquita

Até mais, 2018 – Benvindo, 2019!

VIANNEY MESQUITA, membro titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa – Cadeira nº 37, tendo como patrono Estêvão Cruz.

“O dente do tempo rói”. Péssima metáfora, pois o tempo,
velho como já é, já não tem um dente sequer!
(Heinrich Heine. Poeta romântico alemão. Dusseldorf, 13.12.1797; Paris, 17.02.1856).

Ide sozinho, desacompanhado
Do vosso antecessor, meio aziago,
Dois mil e dezessete, um vero estrago
No sonho por bilhões acalentado.

Por terdes mil desditas superado
Eu de vós fiz um junguiano imago
E, a três dias do final, divago
Acerca do bem que haveis operado.

Sem, por demais, me pretender afoito,
A mim nesta passagem o que me move
É de todos vontade, à qual dou coito:

Que tais razões a Providência aprove.
Até mais ver-vos dois mil e dezoito!
Benvindo sois, dois mil e dezenove!

Imponderabilidade
(Para o Filósofo Prof. Dr. Auto Filho)

Márcio Catunda – quadras / Vianney Mesquita – trísticos

Não tenhas a curiosidade de conhecer as coisas ocultas.
 (SANTO ISIDORO. Cartagena – Espanha, 560; Sevilha, 636).

Tragam-me as teorias da Ciência
Para explicar a vida, esse mistério.
De cismar no problema da consciência
Se equivoca o pensador mais sério.

Impulsado com tanta incoerência,
Pela morte, que evoca o cemitério,
Deriva o carrossel da impermanência,
Com o ímpeto voraz de um impropério.

Juntem-se, pois, as metodologias,
E ver-se-á que as gnosiologias
São incapazes de ler o insondável.

Nos rasos laivos das filosofias,
Ao se adicionarem as aporias,
Jamais se adentrará o imponderável!

Fraternos abraços, mensagens inspiradas, saudades… É o Natal da ACLP

Em torno das grandes mesas, o festivo encontro dos acadêmicos e seus familiares.
Teoberto Landim, Myrson Lima e Regine Limaverde.

Em ambiente descontraído, ornado de belos pronunciamentos, a Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP) realizou nessa terça-feira, 11 de dezembro, sua confraternização natalina. O cenário foi um dos salões privativos do restaurante Dallas Grill, onde tudo aconteceu como manda o espírito natalino, com o sorteio de brindes, a troca de presentes envolvendo “amigos secretos”, as mensagens inspiradas, os drinks, o jantar de variadíssimos pratos…

Moura e Lúcia, os ganhadores de disputada orquídea.

O presidente Teoberto Landim saudou os acadêmicos e acompanhantes e ressaltou a importância dos elos fraternais para fortalecimento da própria Academia. Seguiu-se o ritual festivo, que culminou com a bela mensagem de Natal. Tradicionalmente, nessas ocasiões, quem brindava os presentes com seus textos poéticos era o acadêmico Horácio Dídimo. Este ano, com a morte do querido mestre, a honrosa missão foi confiada ao acadêmico Batista de Lima, que dissertou sobre um Natal nordestino eivado de símbolos que foi captar nas mais belas páginas da Literatura brasileira (veja, abaixo, o texto integral da mensagem).

Vicente Alencar lembrou, em versos, os sinos das igrejas de Fortaleza, que aos poucos vão silenciando. Houve, ainda, momentos de saudade, quando Myrson Lima homenageou Genuíno Sales, outro estimado e talentoso confrade falecido no corrente ano.

O Natal de hoje

BATISTA DE LIMA (Cadeira nº 36)

Batista de Lima ao lado de Paulo Sérgio Lobão.

Mensagem de natal proferida na confraternização da Academia Cearense da Língua Portuguesa, a 11 de dezembro de 2018.

A criança divina ainda não nasceu e já estamos comemorando treze dias antes, é o milagre do Natal. Quero, no entanto, me antecipar e montar uma árvore de natal. Será uma goiabeira carregada de goiabas maduras e verdes. Tem que ser goiabeira porque possui galhos e troncos muito fortes para sustentar tudo o que nela for colocado. As goiabas parecem com aquelas bolinhas caras vendidas nos supermercados. Os três reis magos serão três moradores de rua muito magros. Os três pastores serão três cegos que trarão lições de como ver luzes de olhos nulos.

“O presépio”, do xilógrafo pernambucano José Miguel da Silva.

O casal será Fabiano e Sinhá Vitória que há oitenta anos, exatamente, foram criados por Graciliano. O filho não será o mais velho nem o mais novo, e sim uma criança da Síria, ou da Etiópia, mas que se chama Jesus, que a mãe seja Maria Vitória e o pai José Fabiano. A oliveira pode ser uma mangueira e a tamareira, um cajueiro, com muitos cajus de castanhas grandes, todas perguntando-nos por que, como sementes, não estão dentro do caju. Quanto ao Pinheiro que não é de nosso chão vou colocar um angico que de tão duro tem a nossa consistência.

Que Jesus me perdoe essa comemoração de seu nascimento com coisas daqui da terra. Se ele por aqui vier, quando estiver maior, vai ver que não crucificamos ninguém, mas há perigo de bala perdida, de fome, peste e guerra, que nem São Sebastião tem conseguido resolver. Quanto a São José, que venha ensinar carpintaria nas escolas do Estado, já que é notório saber e cabe perfeitamente na BNCC. Nossa Senhora pode ser dona de casa, ou ensinar às jovens mães como criar bem suas crianças. Depois explicar às senhoras nossas que não precisa haver massacre de perus nessa data gloriosa, lá em Belém era mais peixe e carneiro. Outra coisa, por que as cores precisam ser vermelha e branca se nosso mar é azul e nossas matas são verdes?

Meu querido, e divino Cristo, como presente de natal nós lhe prometemos devoção, e perdoar quem nos molesta em todos os dias do ano. Mas gostaríamos que o Senhor não deixasse as criancinhas morrerem por descaso dos adultos, nem deixasse os idosos sofrerem depois de tantos anos de trabalho duro. Ah sim, Jesus, desculpe essas palavras sem jeito de me dirigir ao Senhor, e de comemorar o Natal no meio dos meus amigos. Eles esperavam ouvir nesta ocasião tocar uns sinos de Belém, falar em manjedoura, Papai Noel e aqueles mesmos animais desconhecidos arrastando um trenó no gelo. Aqui só tem poeira e mato. Até os jumentos estão em extinção, nem carroça é mais permitido ser arrastada por burro. As crianças no Natal só querem ganhar celulares, cada vez mais megahabituadas. Não meu Jesus querido, minha prece natalina é feita de esperança ao Senhor e a sua Família Sagrada.

Lembra-te ainda, Jesus sagrado, de quando fui interno no Seminário Apostólico da Sagrada Família. Eram padres alemães. Ali eu via, no carpinteiro, São José consertando carteiras, portas e janelas, via em Dona Hilda Niehoff a figura de Nossa Senhora, cuidando da cozinha do claustro, da roupa limpa dos seminaristas e Jesus personificado no padre Rodolfo Stall, cuidando da nossa espiritualidade e fazendo seus primeiros milagres na tradução do “De Bello Gallico”, das Catilinárias e do Tito Lívio.

Na árvore de natal, Jesus, vou colocar alguns livros de poemas, e outros teréns para os quais as gentes pouco ligam.

Ilustrações de Aldemir Martins para Vidas Secas.

Ainda voltando à manjedoura, não será feita de um coxo mas de gamela do engenho do Taquari, que é para o menino Jesus ficar mais confortável, forrado com folhas de bananeira, que são bem friinhas. Vou colocar um passarinho carrancudo do Horácio Dídimo para cantar canções de ninar, trepado num cajueiro pequenino carregadinho de flor, plantado pelo Juvenal Galeno. Patativa vai me mandar do local onde estiver a vaca Estrela e o boi Fubá.

Já pedi a Barros Pinho sua ajuda ovina, mas ele me preveniu cuidado, dizendo: “meu carneiro Jasmim nunca se queixou de mim”. Quando chegar o bode Yoyô trazido pelo Mário Gomes, ou pelo Chagas dos Carneiros, vou aceitar a ajuda, guardando o devido cuidado. Uma vaquinha também está presente mandada por Jorge de Lima. É uma vaca de garupa palustre e bela e dois cachorros lá de nós, Rompe Nuvem e Rompe Ferro, e os animais de carga e sela, bem feito, Memória e Gasolina e a burrinha de Tedeza e o cavalo de Parredino ali estarão sentados secundados pela cachorra Baleia, presente de Graciliano, um burrinho pedrês, uma égua Balalaica, e o burro Canário estarão ali de vigia, mandados pelo Rosa das Gerais. Não esquecerei Navegante e Rapé, Chuvisco e Surubim.

Para finalizar, digo que eu creio nos seus ensinamentos, creio em Deus pai, todo poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo seu único filho, Nosso Senhor, que foi concebido, pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado,
morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia, subiu aos céus e está
sentado à direita de Deus pai todo poderoso
donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio
no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na
comunhão dos Santos, na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne, e na vida eterna
Amém.