No rumor das marés que bordam a costa cearense e no silêncio antigo das bibliotecas onde o tempo respira entre páginas, a Língua Portuguesa se ergue — não como instrumento apenas, mas como pátria invisível que nos habita.
Celebrá-la neste Dia Mundial que lhe é consagrado significa mais do que prestar tributo a um idioma: é reconhecer o fio delicado e indestrutível que cose, ao longo dos séculos, as vozes dispersas de um povo que aprendeu a existir pela palavra. Esta língua que nos foi legada pela gente lusitana, modernamente plasmada pelo gênio de Camões e literariamente moldada por José de Alencar, Machado de Assis, Rachel de Queiroz, Giselda Medeiros e tantos outros não é estática; move-se como o vento que dobra as dunas, reinventando-se na boca de cada falante, na pena de cada escritor, na memória de cada leitor.

Há, na Língua Portuguesa, uma vocação para o afeto. Talvez por isso ela nos acolha com tamanha intimidade — língua de confidências e de saudades, de promessas e de esperas. Nela, até o silêncio encontra modo de dizer-se. E, ao pronunciarmos suas sílabas, trazemos à superfície uma herança viva, feita de encontros, travessias e permanências.
A Academia Cearense da Língua Portuguesa, guardiã desse patrimônio imaterial, cumpre, com zelo e devoção, o ofício de cultivar não somente a correção da palavra, mas também a dignidade de seu uso, porquanto uma língua não se preserva apenas nas regras que a sustentam, mas sobretudo na paixão com que é vivida.
Celebremos, pois, o idioma que nos une e sua infinita capacidade que tem de nos tornar mais humanos, de modo que cada frase escrita ou dita seja um gesto de permanência contra o esquecimento, uma chama breve, porém intensa, no grande lume da história.
E que, ao prosseguirmos nesta travessia de palavras, saibamos honrar a Língua Portuguesa com aquilo que ela mais requer de nós: sensibilidade, precisão e, acima de tudo, amor.
Homenagem da Academia Cearense da Língua Portuguesa ao Dia Mundial da Língua que nos une.