Fertilidade do Produto Editorial de Luciano Melo
Inteireza Volitiva e Abatimento da Vontade
De que serve um livro que não nos saiba conduzir a ultrapassar todos os livros? (NIETZSCHE).

Luciano Melo
Transcorrem na contingência da vida em sociedade dois conceitos de significações e realidades transversalmente contrapostas. O primeiro, porque habita a correção e coincide com a estrita orientação assentada na decência, não resulta muito fácil de seguir e honrar. Entrementes, o outro remansa na debilidade do espírito e se presta, com rapidez, à condução do ser humano até a desordem absoluta, caso não lhe seja interposto, com certa pressa, um amparo eficaz.
A integridade retrata a ideia inicial, conforme a etimologia latina sugere, característica do hominídeo que se expressa íntegro, jamais tendo sido objeto de qualquer redução. Por enunciado motivo, exempli gratia, conforma a noção de uma pessoa ilesa, intacta, pois não molestada, nem atingida e tampouco agredida na sua incolumidade, principalmente ética, moral e deontológica, estimações que a traduzem como honesta e incorruptível, e cujos atos e comportamentos são irrepreensíveis.
Pelos ideais de integridade, retidão e honestidade ora manifestos, não remanesce natural, entretanto, singularizar alguém com esse perfil, porquanto os humanos transportam, atavicamente, o germe do defeito, o embrião do pecado, a raiz da imperfeição, sem que isto signifique, porém, exprimir a conceição de inexistir alguém com ditas feições. À certeza, contudo, as pessoas assim postadas não revelam a parcela maior da sociedade, conquanto essa estatística não desanime o percentual de fora deste contingente a demandar o contorno das circunstâncias da correção, a fim de conquistar o estatuto do sapiens integral, concedido, pois, do caráter de integridade.
O outro entendimento motor desta glosa assenta em ideação contrária ao juízo expresso há instantes, pois representa o enfraquecimento da vontade, denotativo da raiz grega de acédia, vocábulo procedente de akedia, semelhante a tibieza, inércia, tristeza profunda. Diversamente do termo anterior – integridade – o desdobramento desses maus atributos é sucedido com vera facilidade pelo organismo inteligente, máxime se ele visita ou habita a infelicidade em seus mais diversificados desvãos, em regra e com exceções, conducente ao estádio do desordenamento mental, de que são próprios a apatia, o descuido e a melancolia.
Sob o prisma teológico, acedia corresponde à incapacidade de arrostar decisões advindas da própria vontade, a chamada “abulia (ou disabulia) espiritual” no concernente à prática das virtudes, em particular, no que respeita ao distanciamento do culto e da vinculação com Deus, em estado de prostração e condição de azedia – este seu sinônimo perfeito e de mesma cepa helena.
Com a finalidade, pois, de achegar o ente humano à integridade e libertá-lo de momentos ou estados terminantemente acediosos, apareceu no mercado do livro brasileiro um remédio dotado de princípio ativo irrestritamente adequado. Deste procedi, há pouco tempo, à segunda leitura, a qual sempre nos presenteia com óptica diversa, mais enriquecida pelos entendimentos complementares das ideações autorais por parte do consulente.
Comentado bem editorial – decerto, uma “caneta” psicológica de vigência contemporânea –, provém da farmacologia inteligente e culta do intelectual, piauiense e mourejando no Ceará, Luciano Esmeraldo Melo, aqui ancorado num momento em que o Brasil experimentava uma crise político-institucional, moral e ética de grandes proporções (2016), propício, ipso facto, à recepção, por parte de seus nacionais, de conteúdos tão dignificantes.
Ele estreou em aprazível estilo e elevada qualidade escritural, fato garante de êxito como escritor de então em diante, com verve, engenho e classe para conquistar adeptos de suas técnicas, os quais, seguramente, quando empregarem seus exercícios, vão extrair os melhores proveitos, conforme o próprio escrevinhador destas curtas e despresunçosas notações já confirmou quando achou de testificar boa parte das práticas oferecidas.
Intitula-se Buscando a Integridade Perdida, com o selo da novel Editora Bipe, de Fortaleza-CE, cujo sucesso, a julgar pelos seus teores alçadamente consistentes e de resultados práticos comprovados em sessões grupais nos locis adequados, abre caminhos para imergir no Jordão editorial brasileiro outras produções de valia incontroversa, tais como se exibem os teores do volume então oferecido à luz.
Assentado em literatura de nível digno, e afeito, porém não subserviente, aos ditames da ciência, à qual recorre em constância no decurso de todos os ensinamentos sentenciosos aqui agrupados, o Autor oferece aos seus consulentes, em linguagem simples, contudo correta, escorreita e digna – sem descender, no entanto, à vulgaridade –, um conjunto de desempenhos psicofísicos, antecedidos de teoria já comprovada, numa relação simbiôntica dos passos da informação teórica com o andamento da técnica exercitada, imediatamente posterior às informações prático-científicas de fundo.
Nos chamados textos de autoajuda, a pessoa emprega seus sortimentos morais e intelectuais para escopos de cunho prático ou a fim de resolver problemas nos contextos mental e anímico, nem sempre logrando bons resultados, em virtude, nas mais das vezes, das diferenças de grau entre os pontos expressos pelos autores e as sensações dos leitores.
Em Buscando a Integridade Perdida – que não se enquadra como escrito de autoadjutório –, Luciano Melo representa um tertius na ajuda, recorrendo, em ação elevadamente professoral, aos indicadores literários de excecional procedência, jungidos à experiência docente, a fim de aparelhar os consultantes da prontidão necessária com vistas à consecução da Inteireza Volitiva e no intento vitorioso de rechaçar o Abatimento da Vontade.
Encerro a convicção de que este grandioso livro, seguramente, obterá, sempre mais, à medida temporal, o maior êxito e precederá outras produções da mesma temática e de semelhante grandeza.

*Vianney Mesquita é professor-Adjunto IV da Universidade Federal do Ceará. Acadêmico-Titular das Academias Cearense de Literatura e Jornalismo e Cearense da Língua Portuguesa.
Árcade-imortal-Fundador da Arcádia Nova Palmaciana.
Escritor e Jornalista.